Marcas do Passado

5 O encontro - Parte 2


Notas iniciais
Olha eu aqui de novo gentenha!! Ai gente ontem vi a chamada da nova Malhação, não acredito que essa já vai terminar semana que vem :'( .. Ia postar hoje de manhã mais não queria aparecer o botão de postar um novo capítulo então eu não postei.Espero que gostem e Boa Leitura!

Karina

Finalmente, finalmente nós estávamos ali e aquele angustia que eu vinha sentindo á tantos dias simplesmente desapareceu á partir do momento que o meu olhar e o de Pedro se encontraram, quando isso aconteceu uma coisa estranha percorreu meu corpo e á sensação que eu tive foi á mesma de onze anos atrás quando eu o vi pela primeira vez. Ele está tão lindo, tão mudado. Nós nos abraçamos e ele me apertou fortemente e foi impossível não suspirar. Depois de longos minutos nos abraçando nós nos afastamos lentamente e ambos estavam com um sorriso no rosto.

– É… Vamos nos sentar?

– Vamos – Nós nos sentamos na grama e encostamos na árvore, nós estávamos um do lado do outro, nossos braços se tocando – Isso aqui não mudou nada, é como se ninguém viesse aqui á anos.

– É, tudo continua como antes, parece ser um lugar intocável. Olha nossos nomes ali – Eu olhei para cima e sorri ao ver nossos nomes escrito no troco da árvore – Você mudou muito.

– Você também – Nós fixamos nossos olhares novamente e ficamos sérios.

– Seu sorriso continua o mesmo e seus olhos também, só que eles parecem estar com um brilho mais intenso, não é á toa que eu ti chamava de meu brilho particular.

– O que? Você ainda se lembra? – Mantivemos nossos olhares fixos. Como fazia para desviar deles?

– Isso é impossível de esquecer, eu nunca chamei ninguém assim somente você – Eu fitei a grama com um sorriso de canto.

– Eu ti deixei envergonhada? – ele pegou em minha mão e eu o olhei – Desculpe, essa não era minha intenção.

– Não, tudo bem – Nós ficamos em silêncio. Conforme o tempo passava mais fria á noite ficava – Pedro, me conte sobre sua vida. O que aconteceu com você durante esses onze anos?

– Vou tentar resumir… Bem, eu me formei e fiz faculdade de administração para poder trabalhar com meu pai…

– E á música? Você gostava tanto de cantar… de tocar.

– Ficou para trás, eu fiquei com medo de me jogar nesse mundo e acabar não dando certo, então eu optei por algo concreto – eu sorri fraco um pouco decepcionada – Eu comecei á trabalhar na empresa do meu pai em um cargo pequeno, mas hoje em dia eu sou o vice-presidente. E… – ele desviou o olhar do meu – Eu estou noivo.

Noivo? Eu nunca imaginaria que ele estivesse noivo, mas foi ai que olhei para sua mão e vi á aliança. Pedro continuava sem me olhar e fingia olhar em volta. Há onze anos atrás eu sabia que algo assim poderia acontecer e esse era meu maior medo, mas o que eu esperava? Que nós nos reencontraríamos, começariam á namorar novamente e seríamos felizes para sempre? Claro que isso não aconteceria.

– Você vai casar? Que legal Pedro – eu tentei ser á mais simpática possível.

– É, e você á conhece – eu franzi o cenho – É a Alice. Quando você foi embora eu fiquei muito triste, ela me deu uma força e viramos muito amigos, mas quando eu tinha 16 anos acabou rolando e até hoje estamos juntos.

Aquela vaca! Eu sabia que ela dava em cima do Pedro, eu sabia. Ahhh que ódio! Não que eu esteja com ciúmes ou algo do tipo, mas eu nunca gostei daquela garota, ela tinha onze anos e era um projeto de bitch, imagine agora?

– Pedro você está enrolando á menina á 7 anos? – ele sorriu fraco – Ela está bem?

– Está sim. Agora é á sua vez.

– De quê?

– De me contar o que aconteceu com você durante esses onze anos

Pedro

– Eu vou tentar ser tão breve quanto você. Bom, eu terminei o 3° grau e entrei direto para á faculdade, cursei publicidade e estou trabalhando nessa área. Faz um mês que eu voltei dos Estados Unidos e eu e meu pai brigamos, na verdade durante esses onze anos vivíamos fazendo isso. Eu estou namorando vai fazer três anos e… Eu tenho um filho.

– O que?! Vo-você tem um fi-filho? – Eu perguntei sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.

– É, ele é a coisa mais linda, você tem que vê.

– Nossa, eu nunca imaginei que você seria mãe tão cedo.

– É, mas foi sem querer sabe, mas eu o amo de mais.

Ela olhou para mim e começou á rir, ela continuava á mesma de sempre, rindo sem mais nem menos.

– O que foi?

– Eu não acredito que você acreditou nisso, Pedro eu não sou tão irresponsável assim não.

– Como assim? – eu perguntei confuso.

– Eu não tenho nenhum filho, você acha que eu sou doida? Claro que eu quero ser mãe e tudo mais, mas ainda está cedo para isso.

– Não acredito que você me enganou. Continua á mesma palhaça de sempre – Uffa! Eu senti um alivio quando ela desmentiu isso.

– Hey não me chama de palhaça – ela me deu um leve tapa no braço – Mas todo o resto é verdade viu.

Então é verdade que ela tem namorado. Mas por que isso me interessa mesmo?

– Você pretende voltar para os Estados Unidos?

– Só se for para visitar meu pai, mas eu vou ver se ele merece.

– Ai Karina coitado, você é a única família que ele tem.

– É eu sei. Pê, quer disser Pedro, eu posso ti fazer uma pergunta?

Thur? Ahh como eu sentia falta dela me chamando assim.

– Pode.

– Depois daquela noite você ainda voltou á esse lugar? – eu respirei profundamente.

– Sim. Como eu disse quando você foi embora eu fiquei muito mal, eu ia mal na escola, não queria falar com ninguém, e o único lugar que eu me sentia bem era aqui. Toda noite eu voltava á esse lugar e ficava relembrando de tudo que nós vivemos e toda noite eu chorava, ninguém nunca soube que era aqui que eu vinha todas as noites, meus pais me procuravam feitos loucos e eu nunca dizia onde eu estava, mas com o tempo e com a ajuda da Alice minhas vindas á esse lugar ficaram cada vez mais raras, até que definitivamente eu parei de vim. Eu nunca tinha dito isso á ninguém, nem mesmo para minha noiva, mas como você fazia parte dessa história eu definitivamente desabafei.

– Pedro eu sinto muito por todo o sofrimento que eu ti causei.

Eu voltei á olhar para Karina e seus olhos estavam lacrimejados. Uma lágrima solitária começou á escorrer por seu rosto e caiu sobre sua blusa.

– Hey não chore.

Eu á acolhi em meus braços e ela afundou seu rosto em meu peitoral, e aquela sensação maravilhosa voltou.

– Se eu não tivesse ido embora você não teria sofrido tanto, ou melhor, se eu não tivesse aparecido na sua vida…

– Se você não tivesse aparecido na minha vida eu não teria as melhores lembranças, as melhores histórias, não teria dado os melhores sorrisos e eu não saberia como é passar horas e horas chorando por alguém que está longe de você.

Karina elevou seus olhos até meu rosto e abriu aquele sorriso de princesa.

– Horas e horas chorando é?

– Ô, feito uma mariquinha.

Ela sorriu.

Karina

Eu estava tão aconchegada nos braços de Pedro, seus músculos me envolvendo, as batidas aceleradas de seu coração, seu perfume intoxicante. Eu sei que eu tenho namorado e Pedro tem uma… noiva, mas nós somos amigos e amigos se abraçam não é? Pedro se ajeitou para que eu pudesse me aconchegar melhor. O braço dele estava em volta de minha cintura, meu braço esquerdo estava atrás de suas costas e o direito estava sobre seu peitoral, minha mão estava no lugar exato onde fica seu coração, que por sinal ainda está descompassado. Nós estávamos meio que deitados observando á lua da um show no céu, estávamos parecendo até… Eu senti Pedro da um beijo em meu cabelo e um sorriso involuntário escapou dos meus lábios acompanhado de batidas frenéticas do meu coração. Por que isso? O amor que eu sentia por Pedro era um amor de criança, tanto tempo se passou e esse amor era para ter ficando com as lembranças daquele tempo. Á mão esquerda de Pedro pousou em cima da minha e seus dedos se entrelaçaram aos meus. Não era para nós estarmos sentindo isso, a sensação que eu tinha era como se eu e Pedro nunca estivéssemos nos separados, era como se ainda pertencermos um ao outro. Isso era é errado, é errado, mas eu não consigo me desvencilhar disso é mais forte que eu. Já fazia horas que estávamos ali em silêncio, um ouvindo á respiração do outro, um sentido o calor do corpo do outro que apesar da noite fria estavam quentes. Uma gelada de vento bateu em nós e eu estremeci.

– Está com frio? – Pedro perguntou, eu olhei para cima e nossas bocas estavam milímetros de distância uma da outra.

– Só um pouco, nada que incomode.

– Mas você pode pegar um resfriado – Seu hálito quente inundou minha face e eu senti meu rosto queimar.

– Eu não sou assim tão frágil.

– Mas mesmo assim – Pedro se movimentou e eu me levantei, ele tirou seu casaco e me entregou.

– Não precisa esse que eu estou usando já é o bastante. Assim é você que vai pegar um resfriado.

– Claro que precisa Karina, pega – Eu peguei o casaco e o vesti, seu perfume estava sobre todo o pano.

– Depois não reclama se você ficar doente.

– Eu sou forte.

– E quem disse que eu não sou?

– Não parece que você é.

– Tá me chamando de fraca?

– Eu não disse isso.

– Humm, mas deu á entender.

– Se você acha –ele riu.

– Bom, eu já vou indo – eu me levantei sendo acompanhada por ele.

– Ahh Karina, o que eu disse foi brincadeira.

– Não é por isso não PêPedro…

– Pode me chamar de Pê mesmo.

– Mas isso é um apelido muito intimo.

– Quem disse? Somente você me conhece por esse apelido, ninguém nunca me chamou assim apenas você.

– Sério? – ele assentiu e eu sorri tímida — Tudo bem. Mas eu não estou indo embora por causa disso não, olha as horas – eu mostrei meu celular á ele.

– Caras três horas da manhã! Nem vi o tempo passar.

– É, parece que ele havia parado enquanto estávamos aqui. Então vamos?

– Vamos.

Nós começamos á andar um ao lado do outro, nossas mãos volta e meia tocavam uma na outra. Durante todo o caminho ficávamos rindo e conversando. Eu estava me sentindo tão bem.

– Bom foi um prazer reencontrar você.

– Pode ter certeza que o prazer foi todo meu. Ahh pega seu casaco – eu comecei á tira-lo,mas fui impedida por Pedro.

– Fica, isso é uma garantia que nos veremos de novo – eu sorri.

– Eu não vou fugir não sabia? E á todo caso você tem meu numero é só me ligar.

– Eu digo o mesmo pra você.

– Vou indo.

– Tudo bem… Tchau – Pedro se aproximou de mim e me deu um beijo meio demorado no rosto.

– Tchau.

Eu entrei no carro sobre o olhar atento de Pedro, dei uma ultima olhada para ele e sorri recebendo outro sorriso de volta, liguei o carro e dei á partida sumindo pela estrada escura.