Marcas de Uma Vida
2 Capítulo 2- Era para ser um dia feliz...
Notas iniciais
Boa leitura ai, tentem não me xingar muito (o.ô)
Completava quatro dias desde desaparecer daquilo que incomodava o sono do baixinho, para alívio do baixista. Ele queria saber o que estava acontecendo, mas Ruki fugia bruscamente desse assunto, isso quando não acabavam brigando ou Ruki surtava pedindo para que Reita esquecesse esse assunto. Assim fez, mesmo sendo totalmente contra, precisava dar espaço para o menor se recompor.
O dia que estava sendo contado de modo regressivo finalmente chega. Reita acorda todo empolgado com o dia em que tanto esperou dia esse em que completa exatos seis anos de namoro. Programou tudo fazendo uma listinha com inúmeras coisas que queria fazer, selando a noite com uma surpresa. Sabia que em meio a felicidade toda, teriam que tomar bastante cuidado com os paparazzi, não podiam chamar a atenção, isso inclui ficar se agarrando muito no meio da rua. Seria perigoso.
O dia começou um pouco agitado, Reita acordando Ruki com beijinhos distribuídos no pescoço, o fez acordar animado (Diferente do mau-humor um pouco comum), retribuiu o carinho.
_Bom dia. Dormiu bem?-Reita sorriu.
_Bom dia! Melhor do que as noites anteriores, mas sempre tem um "porém"...
_Qual?
_Você ficou tentando me violar a noite toda. — Ruki sorriu enquanto via Reita empalidecer. — Sabe que dia é hoje?
_Terça-feira.
_Sem graça!-Ruki atacou uma almofada no namorado e começaram a rir.
_Não seria capaz de esquecer que há seis anos você entrou na minha vida por completo. Acariciou o rosto do menor- Parabéns para agente!
_Será... Eu quero ficar velhinho ao seu lado.
_Aham, imagine: Nós dois muiiito velhinhos no asilo, você com a fralda suja me mandandotrocar. Como vou estar surdo vou perguntar "Trancar o quê?". Sem mencionar aquelas sopas sem sal, com cabelo no meio e que parecem que foram mastigadas. -Reita se divertiu.
_AHH! Estragou tudo que eu planejei! Tenho medo de ficar velho, agora! E mesmo assim vou ser o velho mais gostoso do asilo.
_Sem dúvida, e quando enfermeira vier te molestar eu vou gritar: "Tira a mão que esse bumbum é meu!"
Reita sorriu antes de dar um beijo rápido no outro, depois pegou uma bandeja arrumada por ele mesmo, colocando-a ao lado do namorado.
_Vou ficar mimado. Deu um gigante sorriso assim que notou a bandeja feita.
Mais tarde, saíram para almoçar em um restaurante badalado e "cheio de frescuras” (Ruki achava isso ainda que fosse seu restaurante favorito).Depois do almoço, foram para o cinema. Por incrível que pareça não prestaram atenção no filme por conta dos amasso picantes, até que o segurança os expulsou da sessão.
_Uruha estava certo!-Ruki saiu arrumando a jaqueta jeans preta, rindo da situação toda.
_Nem me fale. Se ele estivesse aqui iria pirar, me lembre de dizer à ele: vinte e seis.- Reita envolveu Ruki em um abraço e ambos riram.
À tarde, foram ao parque comer pipoca e tomar sorvete, ficaram admirando a paisagem que estava deslumbrante. A noite dava indícios que as horas voaram, o casal foi de encontro aos amigos em um parque de diversões.
Os cinco se divertiam como nunca, parecendo um bando de adolescentes no colegial. Foram em quase todos os brinquedos, ninguém estranhou quando "acidentalmente" Reita e Ruki se perderam no mini labirinto, ficaram longos minutos na casa escura, sem falar as idas ao banheiro. Só Uruha ficava pensando na demora.
Kai foi o primeiro ir embora um pouco antes do resto deles, a esposa de Miyavi saiu e ficaria fora durante duas noites. A chance perfeita para matar a saudade.
Os outros estavam andando por uma rua pouco movimentada, indo embora.
_Espera aqui com o Aoi e o Uruha. — Reita beijou a testa do namorado.
_Vai fazer o que?
_Tenho que pegar uma encomenda rapidinha. Não demoro, me espera que eu volto.
Reita atravessou a rua praticamente saltitando de tanta alegria e felicidade em fazer alguma coisa, com cara de bobo apaixonada Ruki sorriu, lhe faltou ar quando se lembrou de algo que o abalou.
_Você está bem?-Aoi se alarmou ao ver o vocalista balançar a cabeça.
_Esse lugar... Eu... Conheço! Eu... Tenho que sair daqui!- Preciso ir atrás do Reita!-Ruki começava a se agitar ao lembrar-se daquela rua.
Saiu andando para procurar Reita, mas parecia não saber o local que estava. Aoi puxou Uruha gentilmente pela mão, seguindo o vocalista.
Ruki parou no meio-fio ao ver Reita saindo de uma loja qual não prestou atenção, deixou algumas lágrimas escaparem. O outro estava com um sorriso no rosto, que, logo se desfez ao ver Ruki com um olhar vago e perdido. Pensou que algo aconteceu, sem pensar duas vezes e saiu correndo. Atravessou o cruzamento quase em desespero, quando escutou uma freada brusca.
Luzes fortes iluminaram Reita segundos antes de ser atingido por um carro vermelho, com a força do impacto foi arremessado. Aoi berrou o nome do baixista. Nos pulmões do vocalista faltou ar, lágrimas tão desesperadas quanto deixaram a visão embaçada. Um Déjà vu pareceu piscar em sua mente, já não escutava os gritos de Aoi e Uruha berrando pelo baixista.
Ruki saiu correndo em direção ao baixista, que estava caído ainda sem se mexer, Ruki gritava e ignorava as súplicas de Aoi para não mexer no corpo, assim poderia ser pior.
_REITA! Alguém chama uma ambulância, rápido!-Ruki se ajoelhou ao lado do namorado ferido.
Sentiu o coração pesar e o corpo tremer quando viu um líquido viscoso no rosto e no chão, Reita tinha batido a cabeça.
_Ru... Ki... -A voz do baixista saiu num sopro e depois um curto gemido de dor.
_V-vai ficar tudo bem! Sei que vai sair dessa. — Deu um sorriso triste.
_Fui dis... Distraído. Não quero morrer agora, eu tenho que cuidar... De você... Eu... Te amo. -Algumas lágrimas percorreram a face de Reita.
_Chamem a porra da ambulância!-Ruki gritou desnorteado.
Aoi estava ligando para a emergência, Uruha não conseguia fazer nada a não ser chorar.
O motorista culpado pelo atropelamento aproveitou o alvoroço para dar ré e fugir. Aoi não conseguiu ver a placa do carro, a rua estava quase vazia e as testemunhas eram apenas os amigos.
Reita piscava várias vezes seguida para se manter acordado, se dormisse poderia entrar em coma ou algo pior. Estava difícil de escutar os berros de Ruki, começou a ficar zonzo e respirar com mais dificuldade. As vozes pareciam ecoar distantes.
_Meu amor... Fica... Fica comigo. -Ruki entrou em total desespero.
Não suportou mais ver Reita no chão, Ruki o apoiou em seu colo como se suas coxas fossem travesseiros.
_Me... Desculpe por... Fazê-lo... Sofrer?- A voz quase não saiu.
A respiração começou a diminuir e piscava com menos freqüência, até que ao fechar os olhos não voltou a abri-los. A respiração parou por completo.
_REITA!!!!REITA!!!-gritou com todo timbre. -Respira! Por favor!
Uruha tampou a boca com as mãos para abafar o grito, Aoi o abraçava com força, o moreno gritou por dentro.
_Abre os olhos! Respira... Não... Me deixa! Não tem o direito de fazer isso comigo! Por favor... Eu te amo... -Ruki começou a sacudir o corpo imóvel.
Tentou fazer massagem cardíaca. Suas mãos estavam cheias de sangue, as roupas de Reita e de Ruki estavam manchadas de vermelho.. Ele não estaria dormindo e por mais que gritasse, sacudisse Reita não iria voltar.
_Ruki... -A voz do moreno vacilou- Não... vai adiantar.
_NÃO! Ele... Vai acordar... Ele disse... Que não ia me deixar... Que nós... íamos ficar juntos!- Começou a sentir falta de ar.
Aoi segurou Ruki forçando-o a se levantar do chão. Na tentativa de secar o rosto com as mãos sujas de sangue, a face do vocalista acabou marcada de vermelho. Ele olhou para as próprias mãos se assustando ao ver o sangue do namorado.
_Tira... Tira isso de mim!!-gritava tentando limpar o sangue nas roupas.
_Taka para com isso!-Aoi tentava puxá-lo pelo braço.
_Me solta! Não vou deixá-lo jogado! Reita precisa de mim!-Ruki se debatia tentando soltar Aoi, mas o apertava com mais força.
O moreno abraçou-o pelas costas apertando ainda mais para que não se soltasse, apoiou o rosto na nuca do baixinho e começou a chorar. Uruha estava sentado no meio-fio sozinho, engatinhou para perto do corpo do baixista. Passou a mão pelo rosto vermelho do amigo, desviou os olhos, chorando. Notou que entre os dedos do baixista tinha algo.
Esticou a mão tremula, pegou uma caixinha preta e ficou encarando-a por alguns segundos até que luzes vermelhas ficaram refletindo em sua face. São os paramédicos. Guardou aquela mesma no bolso e foi retirado de perto do corpo do baixista por socorristas, Uruha ficou com os olhos vidrados no corpo que estava sendo atendido, na tentativa de fazer a reanimação. Uruha viu pessoas trazendo um aparelho que auxiliaria nas tentativas, tentaram uma vez. O corpo de Reita saiu alguns centímetros com o impacto do choque. Fizeram inúmeras tentativas de reanimação. Mas não foi possível.
O loiro não respondia uma pergunta se quer, apenas chorava, precisou ser sedado quando começou ter crises. Ele poderia afirmar que um pouco antes de fechar os olhos viu Reita levantar e sorrir.
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“Não feche os olhos, e, por favor,
Não pare de respirar.
Queria te salvar, mas fui fraco.
Não pude fazer nada.
Seu olhar não me permitirá
Esquecê-lo um segundo se quer.”
Notas finais
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