Notas iniciais
Olá potterheads :D Capítulo da semana saindo fresquinho do forno Espero que gostem ^^

13 de julho de 1998

Havia um silêncio absoluto enquanto Hermione analisava os papéis que Harry lhe tinha entregue. Ela conseguia ver a ansiedade do amigo, de braços cruzados, balançando devagar para frente e para trás. Estava a atrapalhando de se concentrar.

— Harry, fique quieto por favor. Estou tentando pensar.

— Ok, ok…

O auror deu as costas e se sentou em um banco no corredor. Hermione acabou achando melhor dar as costas à ele. Se não conseguisse vê-lo, provavelmente não ia se distrair tanto com a sua inquietude.

Ela tinha em suas mãos o inquérito aberto com as acusações contra Aleto Carrow. O processo parecia bem coeso, e Hermione estava até se perguntando como Harry tinha escrito uma coisa tão ajeitadinha daquelas, quando viu a assinatura de Kingsley lá embaixo.

— Não estou entendendo, Harry — ela comentou, se virando para ele e devolvendo os papéis. — Parece que vocês têm mais que o suficiente aqui para colocar Aleto em Azkaban pro resto da vida. Para que precisa de mim?

— O irmão dela fugiu. Não sabemos para onde.

Ah. Hermione não conseguiu conter o suspiro. Tivera esperanças reais de integrar a Divisão para Controle de Criaturas Mágicas no começo das férias, e imaginou toda a questão com os Comensais como uns favores feitos por algumas semanas. Já não tinha mais essa ilusão havia um bom tempo, mas a cada nova complicação, voltava a pensar no projeto de lei para elfos inacabado em sua mesa.

— Entendi. Eu vou dar um jeito nisso.

Hermione pegou os papéis novamente e aparatou, agora aos pés dos portões negros de Azkaban. Um dos guardas na porta sorriu para ela, enquanto a garota ajeitava os cabelos. Ela também estava tentando se acostumar com esse tipo de atenção. Não sabia como Harry teve o estômago para se divertir com isso no sexto ano. Ela já estava de saco cheio.

— Senhorita Granger! Uau, que honra!

— Eu só vim trabalhar. Preciso de um interrogatório com Aleto Carrow.

A garota estendeu os papéis para o guarda e o deixou os analisando por um tempo. Ele parecia estar se demorando de propósito. A garota variou o peso nas pernas, inquieta, e não pode deixar de sentir uma coincidência estranha à forma como Harry se comportou enquanto ela mesma estava lendo.

— É. Entendi — ele disse, enfim, devolvendo os papéis a Hermione. — Boa sorte, senhorita Granger. Aquela lá é bem doida da cabeça.

O guarda brandiu a varinha, em um feitiço bem complicado, e os portões se abriram. Ela ainda o viu levantar o chapéu brevemente para ela em um gesto cortês, e então a garota sumiu prisão adentro.

Era um pouco difícil manter o bom humor e a compostura em um lugar deprimente daqueles, mas Hermione sabia como Aleto a olharia bem por cima por ter sangue puro. Se deixasse a bruxa pensar ter qualquer outra vantagem sobre ela, estaria dando carne aos leões. Não podia se dar a esse luxo.

Ela comunicou um dos guardas de seus afazeres ali, e logo foi guiada a uma sala de interrogatório. A garota ajeitou todos os papéis na mesa, de maneira metódica, e cruzou as mãos sobre a mesa. Sua postura estava impecável. Era importante manter segurança e seriedade em vista, ou Aleto poderia encontrar uma brecha, e se aproveitar.

Mas isso não ia acontecer. Hermione estava pronta.

As portas então se abriram, e uma auror empurrou Aleto para dentro. A prisioneira estava com as mãos presas por um feitiço, completamente desgrenhada e enfiada de qualquer jeito em vestes cinza sem graça. A auror trouxe Aleto até a cadeira, a forçando a se sentar, a prendeu à cadeira com um feitiço e então deixou a sala.

Por todo esse período, Hermione olhou Aleto nos olhos. Não quebrou o contato visual nenhuma vez. A comensal abriu um sorriso sarcástico e divertido nos lábios, se recostando contra a cadeira e colocando os pés para cima da mesa.

— Olha só. Estou tão importante assim que mandaram a sangue-ruim do momento para vir falar comigo? Quem diria…

Hermione, que agora achava sangue-ruim um xingamento tão infantil quanto cara-de-sapo, apenas empurrou uma foto de Amico para a frente.

— Onde o seu irmão está se escondendo?

Aleto riu, inclinando a cabeça para o lado.

— Uh. Eu não sei. Quem sabe ele não está no seu bolso?

É claro, a bruxa sabia que não seria assim tão fácil. Ela pegou um pequeno conjunto de papéis e começou a passar pelas folhas, uma de cada vez.

— Eu não sei, Aleto. No seu lugar eu repensaria essa resposta. Participação na quadrilha dos Comensais da Morte, acusações de tortura a menores, incitação de ódio a nascidos trouxas e à subsequente tortura deles, várias acusações de assassinato e tudo isso com relatos de umas boas dezenas de alunos para confirmar. E isso porque só convocamos os maiores de idade para depor. Se abrirmos para os menores, a sua situação pode piorar ainda mais. Estamos olhando aqui, no melhor dos casos, para uma sentença vitalícia em Azkaban.

Aleto hesitou, mas apenas um pouco. Foi breve, um torcer no canto da boca, um pequeno desagrado. Ela estava tentando muito manter a pose na frente de Hermione, dava para perceber, mas a bruxa já notara como ela não estava assim tão confiante quanto queria parecer.

— Eu acho, Aleto, que nós podemos nos ajudar um pouco.

A mulher tirou os pés da mesa, se apoiando sobre o móvel.

— Eu acho que você pode dar o fora. Eu não negocio com sangues-ruins.

— Eu reveria essa diretriz. Eu sou sua única esperança aqui.

Aleto grunhiu. Hermione considerou aquilo como uma vitória, e conteve um sorriso ameaçando sair em seus lábios. Ela continuou.

— Na sua atual situação, você tem duas escolhas, Aleto. Você pode me dizer onde Amico se escondeu, e então quando o prendermos também podemos até colocar vocês em celas vizinhas. Ou, você pode não me dizer nada, e então quando o prendermos, porque isso vai acontecer com sua ajuda ou sem, eu vou estar muito cansada de todo o esforço extra que eu tive de fazer. Cansada o suficiente para decidir que mantê-lo bem longe de você é a melhor punição possível. Então eu o prendo em uma ala completamente diferente de Azkaban e posso garantir que vocês nunca mais se vejam, nem nos passeios de Sol. A escolha é sua.

Aleto, enfim, parou de tentar parecer superior. Ela começou a balançar a perna debaixo da mesa, e Hermione conseguia ver isso pela forma como a parte superior do corpo dela tremia devagar. A mulher estava ansiosa. Ela bateu as mãos sobre a mesa e começou a resmungar consigo mesma, baixo e ininteligível demais para Hermione entender alguma coisa. Tudo bem, não tinha pressa. Ela esperou, pacientemente. Não desfez a postura. Não tirou os olhos de cima de Aleto. Sabia estar a pressionando com isso, e era sua intenção.

— Eu não posso te dizer nada — Aleto respondeu, por fim, a muito contragosto.

Hermione suspirou, recolhendo os papéis, mais para efeito dramático. Aleto ia quebrar. Conseguia sentir.

— É uma pena, Aleto. Realmente poderíamos ajudar uma à outra aqui…

— Eu não posso!

A bruxa franziu a testa. Algo na forma como Aleto dizia não poder falar clicou uma coisa no cérebro de Hermione.

— Vocês fizeram um Voto Perpétuo para proteger o local?

E Aleto concordou.

Custou muito a Hermione não soltar um xingamento agora. Não podiam obrigar Aleto a falar sob Voto Perpétuo, iria ocasionar na morte dela. Não podiam matar prisioneiros. Por outro lado, Aleto poderia estar mentindo. Talvez não tivesse Voto Perpétuo nenhum. Talvez ela só estivesse tentando se livrar do problema.

Hermione olhou bem para a mulher. Respiração alterada, dedos nervosos, ainda balançando a perna… Podiam ser sinais tanto de mentira quanto de ansiedade. O uso de Veritaserum era proibido nos interrogatórios, exatamente pelo risco de forçar a pessoa a revelar algo protegido por um feitiço como o Voto Perpétuo, então só podia confiar em sua própria intuição. E sua intuição lhe dizia que Aleto não estava mentindo.

— Você deve poder me dizer alguma coisa Aleto. Qualquer uma.

A mulher se inclinou sobre a mesa, agora passando as mãos pelos cabelos. Hermione apertava as mãos no colo, ansiosa, tentando esconder suas reações. Qualquer informação seria útil. Qualquer uma…

— Chandos Road, número 17.

E mesmo aquelas palavras, simples, fizeram Aleto se contorcer em uma reação de dor. Hermione se levantou de uma vez, se perguntando se deveria ordenar um curandeiro ali dentro, mas aos poucos Aleto pareceu se recuperar. O endereço, Hermione logo percebeu, certamente não seria o esconderijo de Amico, ou ela estaria morta agora. Mas talvez fosse uma pista.

A mulher sinalizou para o guarda na porta levar Aleto dali. A mulher estava pálida e suava frio, tendo dificuldades para ficar de pé. Hermione se perguntou se ela ficaria bem. Caso algo acontecesse a Aleto, poderia acabar tendo problemas na investigação.

Mas isso não era sua preocupação agora. A bruxa recolheu os papéis de inquérito e agradeceu ao guarda, deixando Azkaban. E então aparatou para o endereço indicado pela mulher.

A casa número 17 da Chandos Road já estava magicamente interditada pelo Ministério da Magia. Curioso. Se já tinham estado ali, e não tinham encontrado nada levando à última propriedade dos Carrow, então tinham deixado algo escapar.

A mulher brandiu a varinha, atravessando a interdição. Talvez fosse bom ter um pouco de ajuda ali agora. Olhos a mais sempre eram bons para ajudar a encontrar informações perdidas. Hermione enfiou a mão em sua bolsinha, entrando na casa, e tirando dela um saquinho de pó de flu. A mulher acendeu a lareira da sala com um feitiço e jogou um pouco de pó lá, colocando a cabeça nas chamas verdes.

— Harry! — chamou, ao ver o garoto do outro lado, folheando alguns outros papéis.

— Hermione? Você conseguiu?

— Eu não tenho certeza. Estou na Chandos Road 17, aceitaria alguma ajuda aqui.

— Certo. Me dê uns instantes.

A garota concordou, saindo das chamas. Ela espanou as cinzas das roupas com um feitiço, e acendeu a varinha com um lummus silencioso em seguida. A casa estava cheia de marcas mágicas flutuando no ar, indicando onde haviam evidências. Hermione abriu o inquérito ainda em mãos, vasculhando até encontrar as fotos da casa onde estava. A marca número um indicava um estoque de poções. A número dois, algumas cartas recebidas de outros Comensais.

Hermione foi caminhando pela sala, olhando os números e os itens pelo local. Era provável a informação procurada por ela não estar nos papéis, uma vez que não tinha sido encontrada. A porta se abriu mais ou menos nesse instante, e ela levantou a varinha, vendo Harry e Rony entrando por ali com as varinhas acesas.

A garota não pôde deixar de sorrir. Eram os três juntos novamente. Como nos velhos tempos.

— Oi, Mione — Rony acenou, de onde estava.

Ela apenas acenou em resposta. Estava dando tempo a ele, mesmo isso a deixando confusa sobre a situação dos dois.

— Eu interroguei Aleto — comentou, explicando a situação. — Ela está sob efeito de Voto Perpétuo e não pode dizer onde o irmão foi. Só me passar esse endereço quase a fez desmaiar em cima da mesa.

— Hmpf — Rony resmungou. — Que morresse. Uma a menos.

Hermione trocou um olhar rápido com Harry, mas o amigo apenas fez um meneio de mão, indicando a ela para deixar para lá. Deixar para lá? Aquilo parecia algo muito agressivo de se dizer. Não era a primeira vez, já tinha ouvido Rony soltar outros comentários mordazes do tipo, mas não sabia o que pensar sobre ouvir isso no meio do luto dele.

Não ia pensar nisso agora. Os três se espalharam pela sala e começaram a procurar. Levantavam papéis, empurravam móveis… Hermione perdeu a conta de quantos revelios e outros feitiços do tipo usou em cima dos objetos na casa. Mas não parecia estar surtindo efeito.

Enfim, quem disse algo, muito tempo depois, foi Rony.

— Aaaah, gente? Acho que encontrei alguma coisa.

Hermione deixou os livros que vasculhava sobre a mesa, correndo até Rony. Ele tinha um pequeno relógio de pulso em mãos, de correias douradas. Não parecia ter nada de especial nele.

— O que isso tem de mais? — Harry perguntou.

— É um relógio.

Sim. E? Hermione olhou para Harry, ainda sem entender o grande significado de haver um relógio ali. Rony suspirou.

— Esqueço que vocês cresceram em famílias trouxas. Relógios são presentes tradicionais entre bruxos, especialmente homens, nas famílias. O tipo de coisa que se ganha de um pai ou um padrinho ao fazer dezessete anos. Olhem.

Rony balançou o braço, mostrando um relógio no próprio pulso. Como a maioria das coisas dele, era de segunda mão, mas era mágico. Com um toque da varinha, o vidral do relógio de Rony brilhou, revelando um texto em roxo: “Para meu querido filho Ronald, com amor, Arthur”.

— Ok. O Ministério teria encontrado algo, não acha? — Hermione perguntou.

— Talvez.

O ruivo bateu com a varinha no relógio dos Carrow. Nada aconteceu.

— Hm — ele resmungou, virando o objeto na mão e olhando em volta na casa. — O que me confunde é pensar em porque Amico deixaria uma coisa dessas para trás. É uma tradição muito forte, e alguém como ele que preza tanto pelo sangue e pelas tradições bruxas, acabar deixando seu relógio em casa assim… Diga-me, Hermione, havia algum medalhão, tiara, pulseira ou qualquer outra coisa do tipo entre os pertences apreendidos de Aleto?

A mulher abriu os papéis do inquérito, correndo os olhos sobre as notas. Então ela pareceu encontrar alguma coisa.

— Oh! Esperem um instante.

Hermione aparatou. Ela fez uma breve visita ao Ministério, e especialmente à seção de objetos apreendidos. E ali estava, uma pulseira de ouro com esmeraldas, apreendida na captura de Aleto Carrow. Ela pegou o objeto, logo aparatando de volta para a casa.

— Aqui. Isso serve?

Rony concordou, pegando a pulseira das mãos de Hermione. Então colocou os dois objetos sobre a mesa, apontando a varinha para eles.

— Revelio!

Nada aconteceu.

— Rony, estou tentando isso o dia inteiro.

— É, eu sei, não achei que fosse funcionar. Foi mais por desencargo. Mas eu tenho muita certeza do que estou falando. Levem esses dois para análise do setor de Inteligência do Ministério. Alguma coisa vai sair daqui. Esse tipo de presente grita “tradição”, é o tipo de coisa onde esconderiam algo. Talvez seja até uma chave de portal, caso consigamos ativá-la.

— Se é uma chave de portal — Harry comentou. — Como Amico entraria no esconderijo sem ela? E, inclusive, porque ele estava sem o relógio?

— Bem, isso não é difícil de entender — Hermione respondeu, e ao ver os olhares dos amigos sobre ela, mais uma vez ficou claro que era difícil sim. — Se Amico estivesse com o relógio, e o capturássemos, íamos ter tanto o relógio quanto a pulseira em nosso poder. Sabem, não deixem todos os ovos na mesma cesta. O relógio sozinho em casa passa batido como apenas um presente pessoal, e nada muito importante para se obter, o mesmo de Aleto com a pulseira no pulso. Quanto a entrar no local… Se Amico e Aleto puseram os feitiços, talvez ele mesmo possa os alterar. Uma vez que já tínhamos apreendido a pulseira de Aleto, e ele não podia entrar aqui para pegar seu relógio por causa da barreira mágica do Ministério, tem que ter dado outro jeito.

A isso, Rony sorriu.

— Viu só? Brilhante.

E ela riu, baixinho. A bruxa pegou os dois objetos, os colocando no bolso.

— Você foi brilhante também, Rony.

Hermione se inclinou, deixando um selinho sobre os lábios de Rony. Um tom avermelhado muito forte e adorável subiu às bochechas dele, e Harry pigarreou.

— Bem, se é só isso, eu tenho alguns relatórios para olhar. Me informe se souber de mais alguma coisa.

O garoto acenou para os dois, e aparatou. E então, pela primeira vez em muito tempo, Hermione e Rony estavam realmente sozinhos. Por alguns instantes, ficaram em silêncio. A garota imaginou, por um instante, que ele a chamaria para sair, ou algo do tipo. Mas não quis se iludir demais. Rony não parecia estar com o estado mental adequado para isso.

— Bem, eu vou indo também. Nos escrevemos? — Ele perguntou.

Hermione concordou com a cabeça. Rony deixou um beijo sobre os lábios dela, e aparatou. A bruxa olhou os dois objetos em suas mãos, pensando se encontrariam mesmo algo neles. Então ela aparatou para o Ministério, para seguir com a investigação.

Notas finais
Não deixem de comentar! Gostaria de dizer também que estou com vagas abertas para interativa! Acessem aqui: https://www.spiritfanfiction.com/historia/shield-guerreiros-secretos-marvel-717-2-interativa-19120164 Leia a trilogia Hunters! (em andamento). Comece aqui: https://fanfiction.com.br/historia/771022/Hunters_Hunters_1/ Leia as fanfics do meu universo Marvel :D (em andamento). Comece aqui: https://fanfiction.com.br/historia/782833/Homem_de_Gelo_e_os_Novos_Mutantes_Marvel_717_1/ Leia minha original de fantasia urbana, Carmim. https://fanfiction.com.br/historia/787245/Carmim/ Veja mais histórias aqui! https://www.spiritfanfiction.com/jornais/disneysquad-16915739 Ou aqui! https://www.spiritfanfiction.com/jornais/hall-of-fame-18381552