Marcados - Almas da Meia-Noite
1 O Cemitério das Rosas
As luzes de fora do trem entravam enquanto Trevor esperava a hora, a hora de se vingar de Voltex, o seu demônio que arrancou suas asas o deixando vulnerável para todo o resto de sua vida, mas não agora, porque agora ele sabia que isso iria acabar e era apenas enfiar seu canivete em suas costas e cortar suas asas e ver seu sangue negro escorrer e pingar no chão.
As luzes ainda passavam de fora para dentro, Trevor estava suando em sua roupa preta sua perna pinicava muito por conta de suas tatuagens magicas, ele sentiu a gota se suor escorrer pelo seu rosto e rapidamente limpou com as costas de sua mão. O vagão começou a tremer levemente, o que era normal.
Ele ficou sentado ali na cadeira olhando ao redor e para as poucas pessoas que compartilhavam aquele vagão com ele, e contou. Oito tirando ele. Parou pensou passou as mãos sobre seu cabelo loiro com alguns tons azulados que foi forçado a fazer isso por Gabriel. Ele começara a pensar em Gabriel seu amigo de infância que também perdeu os pais quando criança.
Trevor sentiu o vagão tremer mais ainda, mas de uma forma muito assustadora olhou para suas botas coturno, — ele tinha saído completamente do foco – ele levantou rapidamente colocou a mão nas costas e sentiu o ponto de sua tatuagem da espada, colocou a mão dentro das costas e puxou a espada prateada com pontos de diamantes divido em três partes na espada, ele sentiu suas costas livres como se a espada tivesse um peso insuportável, sentiu os olhares de todas as pessoas ao seu redor e percebeu que não ativou a invisibilidade a olhos mundanos.
–Ok, preciso que todos fiquem calmos, sei o que estou fazendo.
Um choro de um bebe que uma mulher ruiva carregava ecoou pelo vagão, ele não devia desistir agora, não agora tão perto de recuperar suas asas. Era a hora.
Ele olhou pelo vidro da porta e viu o seu reflexo e sentiu o tremor parar abaixo de seus pés, olhou para as pessoas e viu e sentiu o olhar aterrorizado de cada um, e cada vez o tremor ia passando e de repente o trem inteiro parou, e Trevor foi arremessado para trás deixando sua espada cair ele rastejou rapidamente pegando a espada, mas quando chegou próxima de pega-la o vagão escureceu por um segundo e depois se iluminou, ele olhou ao redor, — estava sozinho, completamente sozinho – passou a mão pelo chão a procura de sua espada, mas não se encontrava mais lá e se levantou em um pulo e exatamente quando se levantou foi jogado para o outro lado do vagão novamente.
Sentiu a dor se estender por todo seu corpo e se levantando rapidamente viu uma fumaça preta espalhada por todo o vagão, olhou de perto para a fumaça e sentiu entrar pela sua boca e o sufocar, se debatendo no chão sentiu seu corpo dolorido sentiu sua pele rasgando em algum lugar.
–Voltex. – Falou quase sem ar.
E tudo se apagou.
Quando Trevor abriu os olhos viu terra molhada e grama com um tom meio, preto? Ele nunca tia visto grama preta. Quando se levantou olhou melhor e reconheceu o lugar. Um cemitério. Rodeado de rosas vermelhas murchas e algumas poucas lapides. Caminhou sobre um caminho de terra molhada e sentiu suas botas pesarem por estarem cheias de terra, ele andou até dar de cara com uma pessoa com uma túnica preta cobrindo a cabeça.
–Olá, sabe me dizer aonde estou?
O homem ou mulher atrás da túnica retirou o capuz lentamente revelando cabelos loiros e a face exatamente igual a de Trevor. Era ela Voltex sua sombra, criada por Lúcifer e mandada a terra para tomar seu lugar.
–Voltex. – Com um sorriso Voltex tirou suas garras e invocou Anvoxer’s. Criaturas pretas gosmentas com tentáculos em vez de braços e com os rostos tampados pela gosma preta.
Trevor deu um passo para trás, mas viu que sua bota estava presa a terra, rapidamente levantou a barra da calça e procurou o ponto de sua tatuagem e puxou um chicote flamejante. Rapidamente tirou os pés de dentro de suas botas, e partiu para cima dos Anvoxer’s jogando o chicote ao seu redor e cortando-os no meio deixando sua gosma preta como rastro de um briga que estava apenas começando.
Ele correu em direção ao gramado preto e bateu em Voltex.
–Seu filha da puta. – Jogou o chicote ao redor dele mas quando puxou novamente virou pó, deixando sua túnica para trás. Ele pegou aquela túnica e a olhou com ódio.
–Minha sombra. – Ele riu ironicamente. – Tentando se matar? Se eu fosse você não faria isso não se esqueça que eu ainda tenho uma coisa que lhe pertence. Uma não eu quero dizer duas. – Voltex abriu suas asas, negras assim como todo o cemitério, — não iluminando nada do cemitério negro – e levantou a espada prateada que uma outra hora pertencia a Trevor.
–Eu vou pegar tudo que é meu. E depois vou arrancar cada pedaço seu de pele e arrancar cada osso seu. NÃO VOU DEIXAR MAIS NADA.
Trevor correu dando a volta em Voltex e jogando seu chicote contra suas asas o puxou o derrubando no chão e o puxando pelo chão deixando suas asas sujas pela terra.
–Acha que isso vai me destruir? – Ele cortou o chicote de Trevor e voo rapidamente em sua direção enfiando a espada entre seus pulmões deixando escorrer sangue pela sua jaqueta de couro. – Agora que não tenho mas ninguém no meu caminho, posso fingir ser você. Adeus.
Ele o chutou tirando a espada de sua pele, mas para Voltex não era o suficiente ele queria mais, então puxou seu canivete do bolso e voltou ao corpo de Trevor e com muito cuidado cortou sua pele retirando algumas de suas tatuagens magicas como as facas que ficavam desenhadas em suas cinturas, e o seu comunicador com o seu grupo.
Voltex se sentia satisfeito agora puxou a tatuagem pelos pontos e largou a pele cheia se sangue no chão do cemitério. Antes de se levantar olhou para Trevor, logo a transfusão para o além iria começar ele se inclinou para seu rosto e encostou os lábios nos dele, mesmo sabendo que não haveria reação, mas ouve quando tentou se afastar não conseguia e sentiu alguma coisa entrando em seu corpo. A alma de Trevor estava entrando em si, isso não poderia estar acontecendo.
Ele se debruçou contra no chão e se esticou para pegar a faca, se esticando cada vez mais e mais “quase lá” pensou consigo mesmo, ao sentir a lamina ele rapidamente mirou no coração parado de Trevor e enfio a lamina e girando a faca sobre o coração fazendo um enorme buraco puxou o coração preso a faca. E se largando daquele corpo.
–Muito esperto.
Ele levantou e andou deixando o corpo para trás, pegou a espada e enfiou em sua pele tornando uma tatuagem em sua pele do braço e assim fez o mesmo com as facas, e em um estalar de dedos voltou para o vagão, ao pisar naquele vagão de novo ouviu um choro de criança, se virou e viu uma criança com cabelos ruivos e pele branca com olhos verdes cheios de medo. Ele se aproximou.
–Oi? – A criança se afastou de medo. -Aonde está sua mãe?.
–Eu não sei.
–Bem então acho que vou ter que cuidar de você. Meu nome é Vol... Trevor e o seu ?
–Camille.
–Bem Camille acho que vamos ter que ser amigos agora. – Voltex ou Trevor olhou para a menina e viu em seu braço um desenho de uma arma. Ela era uma deles.
Por mais que Voltex fosse mal ele gostava de crianças e sabia que deveria cuidar de Camille, mas primeiro teria que resolver algumas coisas. Então teria que deixar Camille em alguma casa.
–Bem acho que sua mãe lhe deixou um presente. – Ele pegou o braço dela com cuidado e puxou o ponto da arma retirando-a de seu braço. – Não tenha medo vai ficar tudo bem. – E iria pois ela não devia se lembrar mais de nada, não agora quem sabe na hora certa. – Venha vou te levar para um lugar.
Voltex pegou-a no colo e pisou no vagão fazendo o trem andar novamente.
–Aproposito, quantos anos tem querida?
–Cinco.
–Muito bem, eu prometo que vou cuidar de você. Vou te deixar em um lugar muito seguro.
Camille deitou-se no ombro dele e começou a cochilar, Voltex não se importou muito. Ele não se achava um cara muito mal mesmo, principalmente agora que ele não era ele mesmo e sim outra pessoa.
Trevor
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