Eu já estava dormindo a mais de cinco horas, até quando começaram a tocar freneticamente a camainha eu tive de levantar para atender, passei pela janela e vi que já estava escuro, provavelmente já se passara das sete. Olhei pelo olho mágico, era o Gee e ele parecia incomodado com a minha demora e não tirava o dedo da capainha.

-calma, já to abrindo. –quando eu abri a porta o Gee pulou no meu pescoço e suspirou aliviado.

-pensei que você tinha feito alguma besteira. –ele disse pondo a mão no peito.

-e por que eu faria?

-não sei, o Frank foi desesperado na minha casa depois das aulas de vocês, ele disse que estava preocupado com você e não sabia o porque de você ter brigado com ele.

-ah, ele não sabia o por quê? –eu falei sarcástica e sentei no sofá da sala, Gee fez o mesmo. –simplesmente porque ele usa drogas.

-o que? –Gee parecia tão surpreso quanto eu quando descobri.

-é eu o vi fumando maconha hoje no colégio.

-mas...

-e o pior que justo agora que eu estava tão afim dele.

-ah, eu sabia!

-ele me fazia sentir diferente, me dava uns comixões na barriga e...

-mas então fique com ele.

-não dá Gee e você sabe disso, eu não quero perder outra pessoa que eu gosto por causa das drogas. –eu suspirei e deitei minha cabeça no colo dele.

-seu pai né? –eu concordei com a cabeça. –hei, mas você gosta dele mesmo né?

-aham...

-então fale com ele, explique a situação, peça pra ele largar disso por você.

-e se ele não quiser? –eu chorava agora. –preferir a maconha a mim?

-ele não vai se um idiota a chegar a esse ponto.

-e se...

-larga mãe desse e se, caso ele preferira a maconha tudo bem, bola pra frente, você é linda e vai esquecer logo.

-ah Gee, eu te amo sabia?! –eu dei um abraço nele.

-sabia! –ele sorriu e eu dei um tapinha em seu peito, começamos a rir muito. –isso mesmo eu quero minha menina sorrindo! –ele disse todo animado.

-ai, eu to com fome. –eu disse quando ouvi minha barriga roncar.

-eu também. – o Gee falou colocando as mãos na barriga dele.

-novidade! –eu taquei uma almofada nele e levantei. –espera ai que eu vou me trocar e a gente sai para comer algo.

Em cinco minutos eu já estava pronta, saímos de casa a pé mesmo.

-aonde nós vamos? –Gee perguntou.

-no Happy Friends. É a duas quadras daqui, e eu costumava ir com a minha mãe quando era pequena.

Nós caminhamos uns cinco minutos e chegamos, a lanchonete tinha um aspecto familiar e infantil, era bem colorida e também tinha um parquinho enorme e também bastante colorido.

-Daia, olha esse lugar. –ele disse quando nós entramos.

-é lindo, não é? –eu disse sentando em uma mesa, uma garçonete veio anotar nossos pedidos de patins e com uma peruca rosa chiclete.

-eu quero um Happy Face e um milkshake de chocolate família. –eu disse sem olhar no cardápio.

-eu quero uma cerveja e um...

-desculpe senhor, mas não vendemos bebidas alcoólicas. – o Gee bufou e eu abafei uns risinhos, ele acabou pedindo o mesmo que eu.

-mas que porcaria é essa? –ele perguntou quando a garçonete deixou os pedidos na mesa e se retirou.

-é uma carinha feliz. –eu disse virando o prato dele que estava invertido.

-eu não enxergo a carinha. –ele disse entortando de todos os jeitos a cabeça para ver se conseguia ver algo.

-aqui ó. — eu disse apontando para cada coisa em seu prato. –o pão é a cabeça, essas calabresas são os olhos e o nariz, essa batata frita aqui embaixo a boca e essas batatas fritas em volta são os cabelos malucos!

-que infantil. –ele se assoprou e começou a comer.

Eu já havia comido toda a minha batata frita e o prato do Gee ainda estava cheio de batatas, eu fui rápida e chutei algumas.

-hei! –ele exclamou.

-hahahah... bobeou dançou! –eu disse enfiando todas na boca.

-sua gulosa!

-você que é tanso! –eu disse com a boca cheia.

-tanso você vai ver quem é. — ele tacou o pão entupido de maionese no meu cabelo.

-ah, seu besta é melhor correr. –e ele correr e eu atrás dele com o cabelo entupido de maionese.

Ele foi para o parquinho e eu junto, mas no meio do percurso ele parou e se virou e nós demos um encontrão pois eu não consegui parar a tempo, caímos, eu em cima dele. Por uma fração de tempo fechei os olhos e o beijei, ele correspondeu mas não por muito tempo.

-desculpa Gee, mas eu não posso.

-eu também não, seria como beijar o Mikey.

-tá me chamando de homem é? –eu fiquei de pé com as mãos na cintura.

-não, é que você é como uma irmã pra mim.

-assim ta melhor, vam’bora?

-vamos.