Marble Soda

1 Capítulo Único


Existe uma luta, é silenciosa e cotidiana. Para todos ao redor é comum, naturalizada e a culpa quando colocada em alguém, que fosse na pessoa que foi atingida. Os direitos não são negados, mas a cultura não pode ser quebrada, seus hábitos e cidadãos não podem ser mudados do dia para noite.

Quando se existe um âmbito social da qual uma criança cresce e vê as pessoas ao seu redor, ela pode ignorar com suas brincadeira ou até mesmo se assemelhar a comportar, ter traços das pessoas que são seus pais apenas em alguns detalhes como uma frase ou atitude em um futuro quando mais crescido.

Hana Song copiou esse tipo de coisa, sua mãe era uma lutadora de sua sociedade, conviveu e cuidou de Hana mesmo quando não tinham o auxilio da família. Não que elas vivessem na miséria, mas um país como a Coréia do Sul era algo diferente dos outros lugares que a pequena Hana via na televisão holográfica.

Mãe "solteira", a senhora Song era âncora de um canal pequeno perto da província perto de Busan, mantendo e dedicando seu tempo para a filha pequena e todos os cuidados para ela não fosse influenciada, que não visse a maldade além das paredes de casa. Mas a senhora Song deveria saber que mesmo em tempos futuros, décadas a frente do que seu país era antes, as mudanças eram poucas como o curso de um rio.

Quando a avó de Hana teve a decência de vê-la, de olhar para a mãe de Hana mesmo com desgosto e conversar a sós com ela. A mãe de Hana não permitiu que ela ouvisse as palavras cruéis de sua avó, mas Hana ouviu, mas não sabia metade do que essas significavam, não entendia o porque a palavra aborto surgir, lembrava a pequena Hana filmes de ação quando soldados abortavam a missão e que significava abandonar, deixar de lado.

Por que sua avó gritava aquela palavra junto ao nome de Hana? Não fazia sentido, não para ela naquela idade, mas crescida e com mais conhecimento, ela entendeu. Não se sentiria culpada por nascer, nem mesmo por ser diferente e se assemelhar a sua mãe, uma mulher forte que não abaixava a voz para qualquer um que a ousava incomodar e infringir seus direitos.

Hana não abaixou a voz quando começou a jogar pra valer StarCraft, mesmo quando sua mãe ao seu lado a viu vencer sua primeira partida rankeada e a aconselhou quando Hana lhe contou sobre ser uma jogadora profissional.

Sua mãe não a desmotivou, mas conversaram sobre o que Hana passaria caso entrasse para o time profissional do país caso ela levasse aquilo para frente. Claro que Hana não desistiu, apenas se sentiu encorajada, mesmo que o chat das partidas zuassem seu nickname por ser "feminino" demais e quando o canal de voz estava ligado e notavam que ela era uma garota, desligava para não se abalar no meio de uma partida longa e rankeada.

Foi difícil sim entrar para o time oficial de StarCraft, mas não por insistir demais, competindo em outros distritos e ganhando fama para conseguir, mas por não quererem ela. Motivo? Eles nunca explicavam, quando tentavam seus poucos fãs de seus stream's buscarem explicações, ele falavam que ela não estava qualificada o suficiente ou que não sabiam quem Hana era, quem "Bunny D. Boom" era.

Não foi fácil chegar onde queria, não foi nem um pouco fácil ter que ouvir apenas de relance que ela conseguiu por ter dado mole para alguém e entrado no time profissional de StraCraft apenas, nem um pouco fácil, mas ela conseguiu. Como? Uma determinação que nem mesma ela sabia diminuir e não o faria, diminuir o que a fazia ser ela mesma. Campeã mundial um, duas e três vezes seguidas, seu time ao seu lado, mas os problemas não melhorando.

Os prêmios que ganhava sempre era dados ao retorno para sua mãe, aquela que a guiou e mesmo sabendo explicar, a preparando para o que teria de ouvir além de pessoas que eram de outros países e do seu próprio, sua mãe foi firme em manter ao seu lado desde que ela nasceu.

Sua avó mesmo não gostando de Hana e de sua mãe, essa por não ter se casado, por não ter tido um filho homem, por não ter escolhido "abortar a missão", por ter deixado com que Hana seguisse a carreira pró-gamer. Enchendo o peito para falar para Hana que ela teria de parar tudo o que tinha e arrumar um homem rico para honra-la.

"Mas vovó, eu sou o homem rico".

E Hana falou aquilo com as mãos na cintura e o queixo ergui, o respeito para que não merecia lhe dava orgulho, a teimosia que Hana tinha e era rugida da voz daquela mulher não afetavam nem ela e nem a sua mãe. Sua avó poderia ser o reflexo de parte da sociedade, mas uma sociedade que já estava longe de ser o que era naqueles tempos.

Tempos esses que não voltariam, que não chegaria depois do ômnico monstruoso ameaçar a todos e quando ameaçou chegar a Coreia do Sul, foi uma surpresa para ela quando foi uma das poucas pessoas pró-gamers a participar do exército coreano. Servir o país, mais além de tudo, a província que era ameaçada onde sua mãe morava, onde tudo que construiu desde o inicio.

Lá era apenas um soldado para pilotar um Mecha, a qual poderia personalizar. Alguns outros soldados falaram que ali, no campo de batalha seus nomes não existiram e deveriam se comunicar de alguma forma, algum nickname.

Bunny D. Boom... Além de sua mãe, Hana era a própria inspiração, a própria "musa", sua própria "diva". Que fosse D.Va seu nome. Que Bunny D. Boom fosse seu autodestruir.

Notas finais
"Bunny D. Boom" significaria quase como... Não tem o símbolo do coelho da ult da D.Va? É o autodestruir. É um coelho divo que se explode. Bunny D. Boom.

Na marcha da Coréia do Sul teve o símbolo do coelha da D.Va e por muitos que conhecem Overwatch li que era uma tentativa de usar o movimento feminista pra estragar um personagem... Gente, não vamos falar besteira, maneirem na besteira e se informem de quem vocês estão falando. Foi um movimento na Coréia do Sul onde o machismo lá é muito mais forte, onde sim, a culpa por lá é da vitima assim como é no nosso e em outros países.
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