Mar De Fogo
21 Fogo
Notas iniciais
“Quero transar com você hoje.”
Santiago poderia dizer, ou fazer muitas coisas depois do que eu havia dito, mas o que ele fez foi rir. Rir! Como ele poderia rir disso? Não era ele quem queria isso desde os primeiros dias? Por que o bastardo agora resolvia rir da minha cara quando eu estava sugerindo sexo? Eu me afastei dele com um olhar indignado. O álcool poderia estar no meu sistema, circulando e deixando-me com a cabeça mais leve e a língua mais solta, mas eu ainda sabia bem o que acontecia ao meu redor. Anos de bebedeiras e festas em Londres tiveram seu efeito sobre mim, e minha consciência era bastante resistente a todos os tipos de bebida.
“Você deve estar muito bêbado para dizer uma coisa dessas.” Santiago abriu um sorriso repleto de malícia, ainda segurando meu quadril como se pensasse que eu poderia tentar fugir feito uma virgem envergonhada com o que havia falado. Estúpido, foi o que pensei.
“Se você não quer, então talvez eu deva procurar sexo com outra pessoa.” Esnobei, torcendo os lábios e tentando tirar suas mãos de meu quadril. Percebi que havia emagrecido nos dias em alto-mar, pois ele parecia praticamente contornar minha cintura com os dedos. Mas isso não era de se admirar, eu ainda tinha problemas em comer comida de má-qualidade. A questão é que Santiago afundou os dedos na pouca carne do local, impedindo-me de me afastar. “Posso ir atrás de James. Ele parecia mais interessado; inclusive, ele falou algo sobre me amar, bem mais do que você alguma vez já disse.” Eu estava ficando louco. Em nenhum momento havia desejado que Santiago se declarasse, isso seria tremendamente estranho aos meus ouvidos, assim como foi quando James confessou seus sentimentos. Mas no momento, tudo que eu queria era irritar o capitão.
E deu certo, porque todo o humor sumiu da face do Santiago, e ele se levantou de um rompante, intimidando-me com sua altura maior, de modo que cambaleei um passo para trás. Talvez tivesse caído caso ele ainda não me segurasse, mas prefiro não pensar nessa hipótese. Santiago virou o rosto para a farra que se desenrolava no bar, os homens ainda cantando e dançando, erguendo os copos no ar para brandi-los e esparramar cerveja e rum para todos os lados.
“Ouçam todos!” Santiago bradou como um trovão, e de alguma forma suas palavras conseguiram alcançar todos os cantos do bar. Aqueles que não escutaram, acabaram por silenciar quando os companheiros se calaram gradativamente. Todos os rostos se voltaram para nós, e Santiago retomou a fala: “Aos que apostaram que seria nesta noite: aproveitem, vocês acabam de ganhar dinheiro para mais rum e cerveja.” Santiago completou e, inesperadamente – ao menos para mim –, passou um braço pelas minhas costas e jogou-me em um dos ombros, exatamente como havia feito quando me raptou do navio de meu pai.
Minha perplexidade foi idêntica à daquela vez, talvez maior. A única diferença era que agora meus pulsos não estavam atados. O que, ao menos, deu-me maior liberdade para socar suas costas, enquanto também tentava chutá-lo.
“Ponha-me no chão, desgraçado!” Gritei, sob o som dos aplausos e gritaria. Muitos comemoravam por terem ganhado a aposta, outros reclamavam e recusavam-se a pagar. Aquele bar se transformaria num palco de guerra, ainda mais com tantos piratas bêbados.
“Foda-o amanhã!” Gritou um marujo, desesperado. “Gastei todo meu dinheiro em rum!”
“Eu sabia que o rabo desse ruivo não durava mais muito tempo!” Outro gargalhou, seguido por outros.
“Eu quero meu dinheiro!”
“Para mim o capitão já enrabou aquele inglês há muito tempo! Não pagarei nenhuma maldita moeda!”
Eu bufei e murchei a cada passo de Santiago para fora daquela espelunca. Tapei meus olhos, como se isso pudesse me esconder dos olhares trocistas, mas meus ouvidos continuaram cheios daqueles adoráveis comentários. Quando alcançamos a rua, meus cabelos tapavam em parte minha visão – que se transformou basicamente na bunda e pernas do Santiago – mas a música dos dois bares lotados de Laguna enchia as ruas escurecidas.
“Eu tenho pernas, imbecil!” Voltei a me debater quando os sons da balbúrdia diminuíram. “Posso andar por mim mesmo!”
“Pode andar, ou tentar fugir. Não vou permitir que vá correndo atrás daquele teu amiguinho inglês. Você provocou isso. Esta noite, farei contigo tudo o que dois amantes fazem numa cama. E vai gritar tão alto quando eu comer o teu rabinho de ouro, que vai desejar não ter sido tão teimoso e difícil por tanto tempo.” Santiago disse, resoluto, com uma autoridade sedutora que, no entanto, também transmitia uma crueldade ardente. Meus braços, nuca e costas se arrepiaram, e meu corpo estremeceu, mas tratei de crispar os lábios.
“Você promete demais. Se não for tudo que diz, vou exigir uma indenização por ser ludibriado.” Falei engrolado e bufei, remexendo-se. “Você é mesmo um filho da puta, eu acabo de passar pela maior humilhação da minha vida, e a culpa é sua! Era tão difícil manter a maldita boca fechada, no lugar de gritar ao vento como se ocuparia o resto da noite?” Eu escorreguei um pouco, pois Santiago começou a subir a prancha do Labareda, e sua mão firmou-se em minha bunda para que eu não caísse de seu ombro. “Tire a mão daí! Depravado! Todos devem estar rindo agora da minha cara, e chamando-me de boneca de cu rasgado. Maldito! Me solta! Eu não quero mais!” Esperneei tudo que pude, até Santiago alcançar o convés e largar-me no chão sem o mínimo de tato.
Teria caído de bunda na madeira, se ele não me segurasse o braço e me puxasse, igualmente brusco, contra seu corpo. Minha mente rodou, efeito do álcool, mas eu estava longe de passar mal. Uma de minhas mãos agarrou-se ao casaco do Santiago, e eu ofeguei baixo quando a dele firmou-se em minhas costas, apertando junto parte de minha bunda.
“Você fala demais quando bebe. Ainda bem que existem ótimas maneiras de calar essa tua boca de boneca.”
“Ah, sim, como se você pudesse fazer algo para me cal-“ Comecei a debochar, mas ele colocou em prática uma das maneiras e tomou-me os lábios ferozmente, aproveitando-se de minha surpresa para violar-me a boca com a língua quente. Sua mão foi para minha nuca, agarrando meus cabelos, e a outra apertou mais minha bunda, erguendo-me do chão até que eu ficasse na ponta dos pés.
Um lamentável gemido me escapou quando apertei os olhos e arquejei, subindo os braços para abraçá-lo pelo pescoço. Minha respiração já perdia o rumo, enquanto nossos lábios roçavam forçosamente, e a língua dele explorava cada canto de minha boca, mal me deixando corresponder. Santiago desceu mais a mão e apertou em cheio uma de minhas nádegas, a ponto de me causar dor. Gemi para aquilo, e meus pés com pouco contato ao chão se arrastaram desajeitadamente na madeira quando ele começou a caminhar em direção à cabine sob a proa, levando-me junto.
Minhas costas se chocaram com um baque na parede bem ao lado da porta dos aposentos dele, causando-me um ofego pela súbita saída de ar de meus pulmões comprimidos. No instante seguinte, Santiago agarrou minhas coxas e ergueu-me do chão, obrigando-me a enlaçar sua cintura com as pernas. Ainda devorava minha boca, e não pude reclamar da posição, ainda que quisesse, mas sentia perfeitamente meu membro endurecendo contra o abdômen musculoso dele. Minha boca ganhou liberdade quando Santiago desceu os lábios famintos para meu pescoço, chupando-me e mordendo-me de tal maneira que me contorci, agarrando seus cabelos negros e curtos.
“Não... Assim... Essa posição...” Comecei a dizer, incomodado, porém incapaz de pensar direito. Meu corpo já ardia de uma maneira que me assustava, não sabia se por efeito do álcool, ou pela ideia de que logo estaríamos sem roupa e Santiago se colocaria sobre mim com todo aquele tamanho, músculos e virilidade. “Não sou uma maldita mulher.”
Santiago parou, erguendo o rosto, dando trégua ao meu pescoço que já latejava.
“É claro que não é. Se fosse, eu não estaria fazendo isso contigo. Não tenho nenhum interesse por mulheres e suas bocetas.” Ele abriu um sorrisinho sacana quando uma de suas mãos enfiou-se dentro de minhas calças, o dedo médio procurando a fenda entre meus glúteos. Eu corei. “Isto daqui, pelo contrário...” Ele murmurou, indo roçar seus lábios aos meus, ao passo que seu dedo circulava lá atrás, causando-me pequenos espasmos.
“Mas... É só você... Que fica no comando... E eu fico assim, vergonhosamente....” Rendido, completei em pensamentos, puxando pela boca uma golfada de ar por uma súbita rajada de prazer que perpassou meu corpo e me levou a apertar mais minhas pernas ao redor dele. Os lábios de Santiago deslizavam lentamente por minha mandíbula, arranhando-me de leve pela barba curta. Mordi minha língua e joguei minha cabeça para trás, não me importando de batê-la contra a madeira. Minha mão foi pra minha testa e meus dedos fecharam-se em meus cabelos, como se isso pudesse me ajudar a raciocinar.
Santiago alcançou minha orelha e mordeu-a, antes de sussurrar:
“Não há nada de vergonhoso nisso, Dominic.” Disse, com os lábios bem colados ali, causando-me um arrepio que me fez encolher o ombro. “Toda vez que você se sentir rendido, saiba que estou tão rendido quanto você. Talvez até mais.”
Eu virei o rosto para encará-lo, com uma sobrancelha erguida. ‘Tá certo que eu ia cair naquela ladainha, ainda mais quando ele retribuía meu olhar com o sorriso debochado de sempre, um sorriso que parecia mais brilhante que o normal ali, naquele convés escurecido. E, diabos, era bom mesmo que o lugar estivesse escurecido e só a lua servisse de foco de luz, pois já não bastavam minhas recém adquiridas sardas, eu ainda tinha de estar com as bochechas quentes. Mantendo o irritante sorriso no rosto, Santiago insinuou mais o dedo em mim, e eu deixei escapar mais um gemido. Maldita mania de perder a concentração. Não podia me distrair com aqueles olhos negros, ou acabaria gemendo feito uma puta a cada novo toque.
“Ainda ‘não quer mais isso’? Prometo que vou cuidar bem desse teu bumbum empinado.” Santiago fez o desfavor de dizer. Idiota, maldito sorriso, maldito dedo me causando arrepios pela coluna.
“Que adorável. Devo agradecer?” Ironizei em retorno, mas perdi a linha de raciocínio quando ele apertou mais minha coxa e moveu meu corpo, fazendo-me esfregar nele. Meu pau roçou contra o abdômen musculoso e, mesmo sob as roupas, o atrito me levou a apertar os olhos e reprimir um gemido, tentar me encolher, mesmo que não quisesse, de fato, que ele separasse o corpo do meu. Minhas mãos estavam nas costas do Santiago, e afundei meus dedos nele. A sorte dele que minhas unhas estavam cortadas.
“Deveria.” Ele avisou, indo lamber meu pescoço. Tirou o dedo de mim e começou a apalpar minha bunda, quase num reconhecimento do terreno, e de novo a apertava como se tivesse a intenção de arrancar a carne fora. “Não sou assim tão bonzinho com qualquer um.”
Santiago me lambeu da garganta até a parte de trás da minha orelha. Essa região nunca havia sido meu ponto fraco, aliás, eu esperava que ele não descobrisse meus pontos fracos, pois eu não queria gemer mais do que já gemia, mas mesmo assim um arrepio forte me assolou, e fechei uma mão em punho e a levei até a boca, mordendo-a forte por um instante. Eu já – inconscientemente, veja bem – mexia o quadril contra o corpo dele e ainda apertava os olhos.
Demorei a conseguir responder ao que ele havia dito.
“E quem disse...” Comecei a falar, com dificuldade. “Que eu quero que você seja bonzinho?”
Santiago abandonou minha orelha, que antes provocava com a língua e com os dentes, e me olhou de novo. Dessa vez seu olhar me causou um estremecimento, e desejei ter mantido as pálpebras fechadas. Santiago estreitou o olhar e murmurou, mais rouco do que nunca: “Você vai se arrepender de ter dito isso...”
Droga. Eu provavelmente iria.
Com um movimento rápido, ele me libertou da parede e, mal meus pés tocaram o chão, fui arrastado até a porta dos aposentos, a qual ele abriu com um baque forte, empurrando-me em seguida para dentro do quarto escuro. Um candelabro esquecido sobre a mesa iluminava fracamente o lugar, as velas ainda novas, o que por um momento me fez pensar que Santiago estivera ali antes de ir ao bar. As janelas de vidro permitiam a entrada do luar da noite sem nuvens, e a cama parecia iluminada por um tênue véu prateado. Cheguei a imaginar-me naquela cama com Santiago e meu coração disparou ainda mais, em um baque de nervosismo que nem o álcool poderia atenuar.
Senti Santiago às minhas costas, logo antes de seus braços me envolverem pela cintura.
“Não me diga que está pensando em desistir?” Não me surpreendi por ele notar minha hesitação. Santiago desde o início me lia de uma maneira exasperante. “Vai criar problemas com os marujos que já pagaram a aposta, e com os que já receberam.” Ele comentou casualmente, mas suas mãos adentraram minha camiseta, acariciando meu abdômen.
“Isso seria problema seu. Iriam dizer que você não deu conta do recado.” Crispei os lábios com a mania daqueles piratas de me verem como a boneca recatada. Seria bom se eles soubessem o que já fiz com as moças de Londres, talvez suas ideias mirabolantes mudassem de figura, mas Londres estava do outro lado do Atlântico, e era Santiago quem estava de pau duro atrás de mim.
Eu quase pude imaginar a careta dele frente à minha provocação.
“Eu ainda estava pensando em ir com calma com você hoje, já que esta é supostamente a primeira vez que se entrega a um homem, mas você conseguiu me convencer do contrário.” Ele me virou bruscamente e atacou novamente meus lábios. Só tive tempo de puxar o ar e então levar minhas mãos aos seus cabelos.
Nós andamos aparentemente sem rumo pelo quarto, até que minhas costas encostassem à mesa e ele me sentasse ali – e aí percebi que havia sido guiado ao exato ponto onde ele desejava me colocar. Santiago segurou minha coxa por trás e a ergueu, até colocá-la em seu ombro. Fui obrigado e me inclinar para trás, apoiando um antebraço na mesa, porque eu não era assim tão flexível com a perna. Me senti exposto como uma mulher da vida, com ele se debruçando sobre mim, entre minhas pernas, mas sua língua ávida em minha boca me deixava tão tonto, que sequer podia me importar.
Acabei completamente deitado sobre a mesa, Santiago pesando sobre mim. Ele se moveu e sua pelve se atritou contra a minha, roçando um no outro os volumes de nossas calças. Arqueei o quadril para o contato, delirando por mais. Deus do céu, só naquele momento percebi o quanto me sentia em abstinência. Já estava para além de mês sem sexo, segurando os chifres do diabo para não cair nas provocações do capitão, e meu corpo parecia mais sedento e sensível do que nunca.
Santiago afastou as lapelas do meu sobretudo e puxou a camiseta por baixo, arrebentando os botões para expor meu peito, enquanto ainda se movia sobre mim, arrancando-me sons alterados de respiração. Era difícil encontrar ar com sua língua movendo-se sedutora e selvagemmente contra a minha.
“Minha melhor camiseta...” Tentei grunhir, contra sua boca. Roupas boas eram uma dádiva naqueles tempos. Santiago aprofundou o beijo para calar-me e agarrou meu tórax com ambas as mãos, erguendo-o um pouco da mesa antes de largar abruptamente meus lábios e levar os próprios para capturar um de meus mamilos. Eu gemi de repente, pego de surpresa, e me contorci, dobrando sobre a mesa a perna que não estava sobre o ombro dele. “Ah, Deus... Maldita língua.” Resmunguei atordoado. Diabos, eu não tinha a droga de peitos, o que havia de tão divertido em ficar chupando meus mamilos feito doces?
Santiago soltou uma risadinha irônica antes de perguntar:
“Gosta disso, Dominic? Gosta da minha língua te chupando dessa maneira?” Mordeu meu mamilo e o chupou forte, não deixando dúvidas de que estaria inchado depois de soltá-lo. Eu me movi, ofegante, mordendo os lábios e pude sentir com plenitude seu pênis rígido contra o meu. Minha cabeça pendeu para trás, espalhando mais meus cabelos pela mesa. Já me esquecia de responder, mas Santiago tinha boa memória. “Vai ter de responder, bonequinha, se quiser receber uma chupada aqui.” Ele levou uma das mãos entre minhas pernas e apertou meu pênis dolorido.
Afundei minhas unhas na madeira, e outra na nuca do Santiago.
“Bastardo controlador.” Gemi, palpitando ao antecipar a boca dele em meu pênis. Santiago apenas sorriu e apertou um pouco mais meu falo, e eu revirei os olhos pelo prazer. “E-Eu gosto...”
“Gosta do quê, Dominic?” Ele importunou, acariciando a ponta do meu pênis com o polegar, sobre a roupa. Alguém pelo amor de Deus tirasse aquela calça do caminho! Eu ergui um pouco o rosto para encará-lo com raiva, mas seu sorriso de canto de boca não diminuiu, talvez tenha mesmo é aumentado, e minha pose se perdeu com um novo aperto e os beijos molhados, que raspavam os dentes, que ele começou a distribuir pelo meu abdômen, ao redor de meu umbigo, na região próxima ao cós da calça. “Admita, Dominic. Admita o quanto você quer e deseja isso, e como já está gritando para que eu te coma até acabar com toda a tesão desse teu corpo libertino. Não era você que dormia com qualquer puta em Londres? Diga que agora você quer ser a putinha do capitão.”
Minhas bochechas queimaram com a provocação. Por alguma razão insana, me senti endurecer ainda mais com aquilo, mas jamais admitiria. Mordi os lábios, suprimindo minha vontade de gritar para que ele tirasse logo minhas calças.
“Nos seus sonhos.” Ladrei a despeito do que meu corpo pedia. Santiago desgraçado, até nessas horas conseguia ser um filho da mãe irritante. Ele riu e, tirando minha perna de seu ombro, puxou minhas calças de supetão, livrando-me delas e de minhas botas praticamente em um único movimento. Apoiou as mãos na mesa ao lado de minha cintura e olhou-me de cima, parecendo divertir-se.
“Sempre orgulhoso.” Disse. “Mesmo estando mais duro do que pedra.” Diabos, por que ele estava sorrindo daquela maneira? Desgraçado, virei o rosto, emburrado. Pior do que seu maldito sorriso debochado, era aquele sorriso que eu não sabia definir, que tingia minhas bochechas e acelerava mais meu coração, como se ele já não estivesse batendo suficientemente rápido. “Aproveite que dessa vez vou deixar passar, já que tenho algumas promessas a cumprir e quero você bastante relaxado para o momento em que eu violar essa bunda virgem.”
“Vá se foder!” Ia me levantar para acertar um soco em seu rosto arrogante e prepotente, mas Santiago foi mais rápido, ele sempre era, e se debruçou sobre mim, agarrando meus pulsos e os prendendo contra a mesa, sobre minha cabeça. Sorriu antes de roçar os lábios nos meus.
“Prefiro foder você.” Beijou-me na garganta, deixando um óbvio futuro roxo antes de voltar a descer, até chegar à minha roupa íntima e tirá-la do caminho como quem se livra de um empecilho desprezível. “Você emagreceu...” Ele sussurrou, agarrando meu pênis com a mão, nenhum tecido pelo caminho, e erguendo minha coxa para mordê-la. Gemi contorcendo-me, mais ciente do que nunca da minha fraqueza quando movi o quadril contra a mão dele e contraí os dedos dos pés. “Mas ainda continua com um corpinho de bonequinha gostosa.”
“Aah, cala a boca, Santiago.” Murmurei, levando de novo meu punho à boca para mordê-lo, de olhos fechados. Santiago riu debochado e começou a descer a boca da parte interna da minha coxa em direção à minha virilha, movendo a mão em meu falo e apertando o polegar sobre a glande. Cerrei mais os olhos, arfando pela expectativa, sentindo todo meu baixo ventre formigar e esquentar como se água quente se derramasse sobre a pele.
“Mal tem pelos pelo corpo, geme fácil e a pele fica roxa por qualquer apertão. Minha bonequinha gostosa.” Completou, antes de segurar bem meu pênis e colocá-lo na boca. Toda minha sanidade foi para o espaço e não quis mais voltar de lá. Era quase uma agonia a maneira com que Santiago movia a língua em minha glande, e levei as minhas mãos à boca, tapando-a, quando solucei por culpa de uma lambida em especial. Eu estava tão incrivelmente duro, com o pênis pulsando como se fosse ele quem precisasse bombear sangue por todo meu corpo, que me constrangi por antecedência, pensando que não conseguiria me segurar por muito tempo.
Quando eu já estava vendo estrelas, com ambas as pernas dobradas, usando o apoio dos pés para impulsionar meu quadril contra a boca e língua precisas de Santiago, ele se afastou, arrancando-me uma lamúria desesperada. Deus, aquilo podia continuar para sempre, mas ele tinha, como sempre, com aquela voz estupidamente sensual, perguntar:
“Quer mais rápido, Dominic?”
Trinquei a mandíbula. Cafajeste, cretino, pensei, ofegando e tapando o rosto. Queria tanto gozar que era uma necessidade astronômica, e meu corpo tremia clamando por mais.
“Não estou ouvindo, Dominic...” Mesmo de olhos fechados, eu podia ver o sorriso no rosto dele. Ele esfregou o polegar pela minha glande, espalhando o pré-gozo, e foi impossível não render-me.
“"SIM! Oh, meu Deus, vai logo com isso!"
Gemi com um grito deixando minha garganta quando, após dar-se por satisfeito, ele voltou a me chupar, com uma velocidade muito maior, colocando todo meu pênis na boca. Diabos, eu era bem dotado e ele fazia isso. Cheguei a erguer-me para ver, com meu tórax subindo e descendo descompassadamente, e a visão era tão erótica que levei a mão aos cabelos negros dele, querendo tocá-lo de alguma forma, uma necessidade crua crescendo em mim. Santiago me encarou com aqueles olhos negros e eu ruborizei apenas com aquilo; um olhar tão quente e sedutor não deveria pertencer a alguém como ele.
Santiago pareceu perceber o momento em que eu estava perto de gozar, e denunciou que estivera guardando o melhor para o final. Engasguei-me com meus próprios gemidos quando ele intensificou ainda mais a forma com que abocanhava meu membro, arranhava a língua nele, espalhava dali para todos os outros pontos de mim ondas de prazer que vieram como uma avalanche furiosa. Meu corpo caiu para trás quando o orgasmo se pronunciou, atingindo-me com uma força implacável que mobilizou todas as minhas energias em poucos e intensos segundos.
“Sim, isso, assim, ISSO! AH!” Gritei sem conseguir me controlar e foi quase um choro quando gozei, derramando-me na boca dele. Continuei largado sobre a mesa, respirando ofegante pela boca, de olhos fechados, sentindo o estupor tomar conta de minha mente. Eu poderia acabar adormecendo sobre a mesa, esquecido do resto do mundo, ou de como havia gritado em deleite há poucos segundos – algo que eu gostaria de esquecer –, se não sentisse novamente Santiago cobrir-me com o corpo, agarrando minha cintura no contorno do osso pélvico. Eu ainda usava a camiseta de botões arrebentados e o sobretudo afastado, deixando todo meu torso à mostra, e Santiago roçou os lábios do meu peito até a parte de trás da minha orelha, arrepiando-me, de modo que abri os olhos, recobrando consciência.
“Nós mal começamos, e você já quer dormir, Dominic? Onde está a energia da juventude?” Perguntou e colocou a língua na minha orelha. Passei os braços por seus ombros quando ele se ergueu, levando-me junto, e minhas pernas reflexamente abraçaram-lhe a cintura. Eu o encarei na penumbra do quarto, meu corpo colado ao dele, que deslizou as mãos para meus glúteos, apertando-os. Minha libido aumentou e eu deixei minha cabeça pender para frente e nossos lábios se encontrarem, roçando lentamente um no outro.
“Por que tem de ser tão irritantemente implicante?” Perguntei, com as pálpebras entreabertas, vendo que ele também mantinha os olhos abertos, parecendo querer decorar os detalhes de meu rosto. Santiago sorriu, começando a dirigir-se para a cama.
“É mais forte do que eu. Gosto das tuas expressões de raiva e indignação. Esse teu jeito me atrai desde o início.” Sussurrou rouco, mordendo meu lábio inferior e depois voltando a roçar nossas bocas, em um beijo não aprofundado. Segurei seus cabelos, arranhando seu couro cabeludo, sentindo os fios castigados de sol e maresia, mais negros que a noite, e fechei os olhos, aspirando o aroma característico e forte que emanava da pele dele.
“Idiota. Gosta de me irritar por diversão.” Falei, antes que ele me jogasse no colchão, com aquela delicadeza típica das mãos áspera e calejadas. Santiago sorriu, parecendo pairar em frente à cama com a janela às suas costas, mostrando o mar e a lua cheia, grande e brilhante pairando no céu e nas águas, quando começou a livrar-se das próprias vestes.
“Exatamente.” Admitiu. Estava trajado como um verdadeiro pirata; cinto na cintura, outro à tiracolo para a espada, casaco comprido, camiseta com uma faixa que segurava o coldre de mais uma arma. Ele foi se livrando de toda aquela parafernália, jogando-as no chão com a lentidão de um caçador que mantém a vítima em seu campo de visão, deixando-a ansiosa para o momento do ataque.
Quando enfim Santiago livrou-se de todas as roupas, e eu vi seu pênis ereto e rígido, engoli em seco, lembrando-me de por que ficava tão inseguro em ceder aos desejos da carne. Meu estômago revirou de nervosismo, e nem o álcool me impediu de me sentir como uma truta no mar, cercada de tubarões. Me arrastei alguns centímetros para trás quando Santiago começou a subir na cama.
“Er... Aquela história de ir com calma... Ainda está de pé, não está?” Perguntei hesitante, ainda me afastando, mas Santiago segurou meu tornozelo e me puxou para perto dele, e eu fui arrastado facilmente pelo colchão. Apoiei minhas mãos na cama, inclinando-me todo para trás quando ele beijou meu pescoço; senti que sorria contra minha pele.
“Está nervoso?” Ele perguntou provocante, acariciando minhas pernas e costas. “Nervoso porque vou te devorar com toda a fome que você me deixou durante todo esse tempo?”
"Eu – sim, porra, sim, eu estou!” Ladrei irritado, mas trêmulo, quando senti a mão antes em minha coxa pronunciar-se entre minhas nádegas. Aqueles dedos de novo voltaram a ameaçar me penetrar, dessa vez com mais ênfase e, quando Santiago veio roçar os lábios de novo em minha orelha, esquentando-me a pele com o hálito quente, eu arqueei o corpo e fechei os olhos, jogando a cabeça para trás assim que ele colocou o primeiro dedo em mim. Gemi fraco para a invasão e pensei que um único dedo era bem menos do que o que viria mais tarde.
“Você não precisa se preocupar, vou deixar te deixar bem sensível, para que você sinta teu corpo queimando até a ponta dos cabelos quando eu te penetrar.” Ele sussurrou contra meu ouvido, e afastou o sobretudo e camiseta de meus ombros, deixando-os escorregar até o colchão por meus braços.
“Prepotente.” O xinguei, arrancando-lhe um riso rouco. Quando achei que ele fosse colocar o segundo dedo, Santiago me surpreendeu virando-me na cama como se eu fosse mesmo uma boneca maleável. Fiquei de quatro, sentindo meu corpo esquentar ainda mais por estar assim bem à frente dele, tão vergonhosamente vulnerável e exposto. “Não... Essa posição...” Eu tentei me virar, mas Santiago segurou minha cintura e agarrou um de meus glúteos, mantendo-me parado.
“Relaxe, Dominic. Não foi você quem disse que se sentia bem por estar livre de preconceitos e poder sentir o que quiser, aproveitar para ser quem quiser?” Perguntou, dando-me um tapa estalado na nádega. Sobressaltei-me e olhei-o por cima do ombro, com os olhos estreitados. Santiago sorriu e beijou o local que havia acabado de agredir, mas não resistiu para aproveitar e morder também. Era inegável que meu pênis voltava a enrijecer com aquilo. “Apenas permita-se, não há nada de errado em me deixar aproveitar dessa visão.” Ele sorria torto quando acariciou com uma delicadeza que me pareceu irresistível a carne contraída que encontrou, após afastar minhas nádegas. Gemi baixo, voltando meu olhar para o colchão e baixando a cabeça, deixando meus cabelos servirem de cortinas para meu rosto afogueado.
Espasmos começaram a tomar meu corpo enquanto ele me tocava ali, vez ou outra me dando outra palmada e então voltando a beijar-me e morder-me as nádegas, num contraste que estava me deixando louco. Senti meu pênis vazando e molhando o lençol abaixo de mim, e gemidos começaram a me escapar em fila indiana, mas parecia mais vergonhoso ficar quieto diante do prazer que eu estava sentindo, a morder os lábios para me calar.
Foi outro grito quando a língua de Santiago pressionou-se na região. Que me perdoem os santos, mas eu nunca poderia imaginar que ser tocado ali pudesse causar tamanho prazer. Meus braços mal me sustentavam e eu já apertava os olhos, querendo um novo alívio. Santiago acariciou minha coxa e agarrou inesperadamente meu membro que já pulsava, e foi aí que meus braços cederam. Afundei meu rosto em chamas entre meus antebraços e deixei apenas meu quadril levantando, enquanto ele continuava a me violar com a língua, instigando com saliva a pele hipersensível.
"Ahn, cacete...!" Ofeguei abafado, quando já não conseguia me importar com nada além da sensação de meus músculos sucumbindo à invasão e às carícias astutas, sua mão em meu pênis ora o estocando, ora descendo à base para tocar também meus testículos. Santiago não deveria ser tão experiente na cama, se não o fosse, ao menos eu não pareceria tão estupidamente perdido naquele mar de prazer, querendo rebolar contra sua língua úmida e insinuante.
Ouvi Santiago rir após minha exclamação afobada.
“Logo já vai senti-lo entrando em você, Dominic. Mas antes preciso te preparar bem...” Falou naquele tom rouco e quase me causou um colapso ao se afastar e colocar dois dedos em mim, com a ajuda da própria saliva. Eles deslizaram para dentro com alguma dificuldade, mas o desconforto não tardou em me deixar. “Acho que não mentiu sobre nunca ter se deitado com outro homem, não é? Lá no lago eu já havia percebido que era bem apertado.”
“É um grande idiota se acredita em mim apenas agora.” Respondi cortante, ou ao menos tentei. Minha voz não estava normal, parecia imersa na lascívia que me inundava a mente. Gemi e mordi meu próprio antebraço quando Santiago pareceu pressionar justamente o ponto que me impediria de falar qualquer outra coisa coerente. Percebi quando ele se inclinou sobre mim, cobrindo-me as costas com o corpo. Seus lábios vieram de novo para perto de meu ouvido, mas eu mantive meu rosto escondido entre meus braços e cabelos.
“Acredito em você. E enquanto estiver comigo, não vou deixar nenhum outro homem te tocar.” Falou e beijou-me o ombro, roçando a barba rala na pele, antes de começar a mover os dedos num vaivém rápido que atingia repetidamente o mesmo ponto, minha próstata ardia e espalhava ondas incandescentes por mim. Meus gemidos preencheram o quarto como a trilha sonora de uma peça de teatro pornográfica. Eu estava ali, praticamente chorando de prazer, e Santiago ainda pergunta: “Está gostando?”
Ah, mas isso ele não iria arrancar de mim. Todos meus débeis gemidos já não eram o suficiente?
Ele colocou um terceiro dedo.
“Quero ouvir você dizer, Dominic. Com todas as letras. Ou será que você quer que eu pare?” Seus lábios começaram a percorrer minhas costas. Eu ofeguei, trêmulo e bastante consciente da forma com que minha jugular pulsava em desespero. Se ele descesse mais um pouco, eu... E ele desceu. Eu praticamente perdi o chão e desfaleci quando ele começou a beijar e lamber a região lombar das minhas costas. Diabos, aquele era meu ponto fraco, por algum motivo insano da criação, eu perdia as estribeiras quando me beijavam ali, e só lembrava de uma pessoa – uma amante qualquer que passara apenas por uns dias em Londres – que havia descoberto aquilo.
"Deus, oh deus, sim, maldito seja, Santiago... Não pare!" Disse entre lamúrias, e movi o quadril contra seus dedos, pois Santiago chegou a parar os movimentos por uns instantes, surpreso com uma minha resposta aos seus beijos. Mas ao entender o que acontecia, voltou com paixão redobrada às investidas. Senti-me arder mais que brasa, e me perguntei por que havia demorado tanto para tentar aquilo.
“Parece que descobri um dos teus pontos fracos. Quantos serão?” Santiago perguntou, insinuando a língua num dos furinhos que eu tinha nas costas, um acima de cada nádega. Eu comecei gemendo, mas me engasguei com um grito quando ele pressionou com força minha próstata. Lágrimas me saltaram aos olhos, mas elas nada tinham a ver com dor.
“Ah... Eu preciso... Preciso...” Tentei levar a mão ao meu pênis, agora negligenciado, já que Santiago se concentrava em enfiar aqueles dedos em mim e apertar minha coxa, enquanto fazia de meu lombo a carne de seu banquete. Eu precisava gozar, era o que queria avisar, mas Santiago largou minha coxa e segurou meu pulso.
“Ainda não. Quando gozar de novo, eu vou estar com meu pau dentro de você, assim, desse jeito.” Moveu os dedos numa demonstração desnecessária. Gemi com dificuldades para respirar, já não sabia bem como realizar direito esse ato tão banal. Mas, feliz, ou infelizmente, Santiago se afastou, dando-me chances para despencar completamente na cama, deitado de bruços, respirando tudo que podia enquanto havia tempo.
Mas não tive muito tempo antes que ele segurasse meu quadril e me erguesse. Santiago estava ajoelhado na cama, e minhas costas se chocaram contra seu peitoral, ao que pude sentir seu membro apertar-se no vão entre minhas nádegas. Percebi que havia esquecido completamente de retribuir ao prazer que ele me dera, mas era difícil pensar e agir com coerência com ele tomando as rédeas da situação.
“Desculpe, mas não quero perder nenhum minuto da nossa noite. O tempo de descanso ficará para depois.” Ele disse, apertando minha cintura com força com uma das mãos, e com a outra agarrando meus cabelos. Gemi quando eles os puxou, fazendo-me olhar para cima. Em seguida seus lábios caíram sobre os meus, num beijo que me devorava. Agarrei seu quadril e minha mão também subiu para seus cabelos, e os puxei com a mesma indelicadeza, sorvendo seus lábios em retorno. Ele forçou minha cintura a rebolar, e gemeu rouco contra minha boca, com o atrito que aquilo gerava.
Comecei a experimentar aquela necessidade de vê-lo gemer também, por minha causa, e pressionei mais minha bunda contra ele, com meu coração acelerado, porque era quase como simular que seu pênis já me violava e eu me empurrava contra ele, deixando-o ir mais fundo. Podia sentir o pré-gozo dele umedecendo minhas costas. Santiago me apertou e puxou mais meus cabelos, praticamente separando nossos lábios. Minha boca ficou à sua total mercê, entreaberta, ofegante, e ele insinuou a língua dentro dela como se quisesse alcançar minha garganta.
Ficamos naquele beijo até que eu não aguentasse e desse um jeito de me virar de frente para ele. Abracei-o e voltei a beijá-lo, deixando nossas ereções se pressionarem uma na outra. Santiago me abraçou e suas mãos apertaram toda a carne que alcançavam, deslizaram firmes por minhas costas, tocaram meus cabelos para sentir a textura dos fios, agarraram meus glúteos para me empurrar mais contra ele. Meu falo latejava, e eu já estava para ordenar que ele me fodesse de uma vez e, com a mente ainda influenciada pelo álcool, havia um grande perigo que eu realmente exigisse aquilo com todas as letras; mas nós caímos na cama antes que eu pudesse externar meus pensamentos.
Eu caí por cima do Santiago, sentado sobre seu quadril, ainda deixando nossos falos juntos, roçando, e movi meu quadril, enquanto começava a beijá-lo no pescoço. Ele ficou deitado contra os travesseiros, tocando-me como podia; suas mãos pareciam não querer me abandonar, mas não interferiu no que eu fazia, até que alcancei seu abdômen ridiculamente definido com a língua.
“Espere. Prefiro voltar a te preparar enquanto você faz isso.” Ele disse, acariciando meus cabelos. Aquele tom sério dele, que aparecia vez ou outra entre seus deboches, tingiu meu rosto e eu o encarei sem entender por um momento. Até que ele voltou com seu ar autoritário: “Vire-se.” Ordenou, rouco, e eu debilmente deixei que ele me virasse. “Abra as pernas, Dominic.”
“Peça direito, miserável.” Retruquei, mantendo algum orgulho. Santiago abriu-as então sem minha ajuda e, mal elas estavam afastadas, sua língua voltou a resvalar em minha entrada. Ofeguei, apoiando-me em seu abdômen. O falo dele estava ereto à minha frente, parecendo maior do que eu já o achava.
“Você pode colocar a boca nele, Dominic. Só com a prática vem a perfeição.” Ele debochou, indiretamente dizendo que eu não era tão bom naquilo. Bufei, exaltado com a ideia que ele me achava ruim chupando e agarrei seu pênis. Jamais seria possível colocar aquilo inteiro na boca, então optei por passar a língua pela glande, enquanto bombeava com a mão. Santiago grunhiu e enfiou a língua em mim até que minhas pernas tremessem; alternava língua e dedos, algumas vezes agarrando e lambendo também meu pênis. Perdi a conta de quantas vezes tive que parar de chupá-lo para gemer, e voltava a lamber-lhe o membro com a língua trêmula, colhendo o pré-gozo que escorria pela base. Serpenteei minha língua pela glande dele, pressionando ali.
O cretino iria ver se eu não sabia fazer aquilo bem, estava decidido a fazê-lo gozar abundantemente. Meus lábios se pressionaram ao redor de seu membro grosso e desci até o limite de minha garganta, sentindo o órgão pulsar excitado em minha boca. Minhas mãos, ambas, o tocaram na base e eu acariciava também seus testículos, tentando ficar atento aos sons que ele soltava. Era exasperante não poder ver-lhe o rosto, já que ele estava com a cara afundada entre minhas nádegas, ainda lambendo-me e me desconcertando, mas os gemidos roucos que ele soltava guiavam minha língua em movimentos circulares que recolhiam o pré-gozo. Depois abocanhei-lhe o falo e apertei os lábios com força ao redor dele, cuidando ao máximo para evitar os dentes, e chupei rápido, acompanhado da mão. Não apenas Santiago era bom com a língua, eu havia tido minha cota de treino, mesmo que houvesse sido com mulheres.
Levei um susto quando Santiago subitamente gozou em minha boca e rugiu atrás de mim, apertando minhas nádegas com uma força que me causou um lamento de dor. Quando afastei o rosto, sentindo o gosto que ainda me era estranho na boca, pois havia engolido tudo que ele libertara, ergui uma sobrancelha, porque ele continuava duro como rocha, mesmo após o orgasmo. Acabei admirado com aquilo e deu um leve beijo na glande úmida.
“Vejo que você e meu pau já se entenderam bem, Dominic. Ele também gostou da tua boquinha sexy e dedicada.” Santiago se ergueu um pouco e me abraçou por trás, afastando meus cabelos para beijar-me a nuca e soltar aquela gafe, que me deixou mais vermelho do que quando admiti que éramos amantes.
Um arrepio intenso me assolou.
“Bem vi que adorou, para gozar tão rápido. Aliás, também parece ter-se dado muito bem com a minha bunda.” Provoquei em retorno, arrogante. Era uma bela mentira, ele havia demorado até demais para ejacular, parecendo querer que eu o chupasse noite adentro. Santiago mordeu-me a nuca e acariciou minhas coxas, insinuando os dedos por minha virilha. Mordi o lábio, tremendo de leve vendo meu próprio membro palpitar.
“Não me provoque.” Ele avisou, num aviso ameaçadoramente sedutor, mesmo que vivesse de fazer o mesmo. “Como você quer fazer isso?” Santiago perguntou, ainda mordiscando minha nuca. “Alguma posição em mente?”
Rapidamente pensei que seria melhor ficar no comando, ou ele poderia acabar enfiando aquela tora que ele chamava de pênis mais rápido do que eu poderia aguentar. Virei-me novamente, colocando meus joelhos nas laterais de sua cintura e o abraçando pelos ombros. Minha respiração estava tão rápida que eu demorei a conseguir falar, e minha voz saiu mais falha do que eu gostaria.
“A-Assim...” Sussurrei, mordendo o lábio, incerto de como continuar. Santiago sorriu malicioso e me abraçou, beijando-me a boca, a bochecha e por fim a garganta.
“Relaxe, você vai gostar tanto quanto gostou até agora, talvez mais.” Ele murmurou e afastou meus glúteos. Pegou minha mão e me fez segurar-lhe o pênis. “Agora se guie até colocá-lo inteiro em ti.”
Corei furiosamente, sentindo a glande encaixada em minha entrada. Minha respiração continuava alterada, barulhenta, e gemi alto, mordendo os lábios ao deixar meu quadril descer, numa invasão lenta. Me agarrei ao Santiago, que continuava beijando meu pescoço, às vezes descendo um pouco mais para lamber meus mamilos, ainda mantendo os braços firmes, mas não forçosos, ao redor de minha cintura. Puxei o ar rápido, pela dor excruciante, ao descer um pouco mais. Além de grande, era grosso, e o alargamento que eu nunca havia experimentado era demais. Parei nos primeiros centímetros, extático, com impulsos de me erguer e evitar aquela tortura.
“Não consigo.” Falei e tentei mesmo me erguer, mas Santiago me segurou, abraçando-me com mais força. Subiu o rosto, me encarando sério, certa preocupação nos olhos negros. Segurou meu rosto, inclinando-o um pouco para o lado e beijou-me de leve, um beijo sensual, que livrou momentaneamente minha mente da ideia de ser invadido.
“Consegue sim, a dor é apenas no início. Vá com calma, temos a noite toda.” Disse, e sua voz rouca e sedutora de fato acalmou-me. Voltei a abraçar-me a ele e, com mais um gemido, desci mais um pouco. Santiago tocou meu pênis, arrancando-me um ofego ao misturar o prazer com a dor. Atacou meu pescoço com fome, respirando pesado também, refreando-se pela lentidão com que eu me deixava penetrar e impedindo-se de me puxar para baixo com um único movimento. Eu estava tonto pelos estímulos e meu corpo pareceu relaxar junto com a minha mente, mas ainda doía como queimar numa fogueira da inquisição.
Houve um momento que parei novamente, esperando, ofegante. Era tão mais fácil transar com mulheres, pensei por um momento, desesperado, querendo interromper aquilo. Santiago me masturbou mais rápido, talvez percebendo minha careta de angústia. Desci um pouco mais, com cuidado, grato por ele não me forçar a ir mais rápido, e por tentar aplacar como podia aquela sensação lancinante.
“Hnmmm, S-Santiago... Um dia ainda vou te retribuir essa dor em dobro.” Murmurei longamente, sentindo enfim os últimos centímetros preencherem-me com mais facilidade, até que meus glúteos encostaram-se à sua pelve e ele estava inteiramente dentro de mim. Suor escorria pela minha nuca, e ambas nossas respirações estavam resfolegantes, misturando-se uma na outra. Ainda precisei de certo tempo para me acostumar com todo aquele volume, meu corpo tenso e meu nervosismo em alta, e me perguntava se sentiria aquela dor durante todo o ato. Eu não iria suportar. Se aquilo não começasse a ficar bom logo, Santiago poderia usar de todos os artifícios, que nunca mais iria colocar sua tora de mim.
Ele escondeu o rosto em meu peito pela demora, ainda masturbando-me.
“Ah, demônios! Acho que nunca fodi um virgem, porque isso é apertado demais.” Disse então, parecendo sofrer. Maldito, eu trocaria nossos sofrimentos num piscar de olhos. “Se você não se mover logo, Dominic, terei de dar um jeito de te obrigar a isso.” Ele avisou, alterado, erguendo o rosto e beijando-me de supetão, um beijo ainda mais feroz do que os anteriores, que me esquentou como dançar no inferno e sufocar em fumaça. Santiago grunhiu em minha boca. “Seria ótimo se você se movesse, ao menos um pouco.” Ele murmurou, agoniado, ainda me masturbando. Eu ainda hesitei, nervoso, mas iniciei um lento – lentíssimo – e tímido movimento de vaivém, testando minha capacidade de aguentar a dor que ele dizia ser inicial.
Senti-me corajoso por aguentar os primeiros minutos doloridos, e fiquei surpreso com as pontadas de prazer que aos poucos foram surgindo, enquanto a dor se tornava mais leve, conforme continuei a me mover... E, Deus pai todo poderoso, em algum momento aconteceu. Meus pensamentos perderam qualquer sentido, coerência ou gramática. Agarrei as costas de Santiago, abraçando-o, gemendo e tentando mover o quadril com mais velocidade, querendo sentir mais daquilo que experimentava pela primeira vez. Santiago percebeu a diferença e agarrou minha cintura, firme, ansioso, e ajudou-me a intensificar o ritmo com que me violava. Começou a erguer minha pelve e a puxá-la com força contra ele, chocando nossos corpos e grunhindo feito uma besta.
“Esperei tanto por isso... Achava que iria explodir toda a vez que você fugia de mim.” Ele sussurrou na minha orelha. Eu gritei, perdendo as forças, mas não querendo parar. Santiago aproveitou o momento para nos girar e parar acima de mim. Ele agarrou meus tornozelos e os forçou para frente, empurrando minhas coxas contra meu peito. Santiago encontrou minha próstata outra vez e a golpeou freneticamente, em movimentos deslizantes que vinham fortes e rápidos, lentos e intensos; eu me perdia naquela movimentação e tentava acompanhá-lo, mover também os quadris, me empurrar em aflição contra ele.
Joguei minhas mãos para cima, agarrando os lençóis acima de minha cabeça com uma delas. A outra parou pelo caminho, erguida no ar, como se eu pudesse alcançar algo que me impedisse de afundar naquele furacão que me tragava. Abri mais as pernas para ele e virei minha cabeça de um lado para o outro, perdido em lamentos eróticos. Ele agarrou minha mão no ar e beijou-me a palma, antes de prensá-la contra a cama, sob a sua. Apertei sua mão em retorno, quase desejando ter unhas compridas para afundá-las na carne dele até ver sangue.
“Oh, Deus. Mais, mais! Santiago...! Ah, bastardo, filho da mãe! Mais forte, mais...!” Falei num momento de loucura, arqueando o quadril e virando o rosto com os olhos apertados. Ele se inclinou mais sobre mim, parecendo entrar mais fundo e roubar o ar de meus pulmões, quando exalei rápido. Eu cheguei a me encolher, querer fugir de tantos estímulos devastadores, mas ele segurou meu queixo e o virou, voltando a beijar-me, consumindo-me, enquanto minhas pernas o rodeavam e ele me segurava pela coluna lombar, erguendo meu quadril para deixá-lo a seu bel-prazer. Se aquilo continuasse por muito tempo, eu acabaria perdendo os sentidos, e minha garganta enrouqueceria pelos gemidos enlouquecidos. Consegui soltar a mão e arranhei-lhe o braço sobre sua tatuagem negra de escorpião, como se tentasse arrancá-la da pele bronzeada.
Estou perdido. Pensei, agarrando meus próprios cabelos, tremendo incontrolavelmente enquanto revirava os olhos de prazer, com lágrimas brotando deles, um prazer líquido e transparente. Santiago inesperadamente pôs-se de joelhos, levando-me junto para sentar-me sobre suas coxas. Seu falo entrou inteiro em mim, causando-me um estremecimento violento. Segurou minha nuca e beijou-me a garganta, passando a língua por meu pomo-de-adão. Eu joguei a cabeça para trás e gemi, sentindo-me obsceno pela forma com que me movia, ondulando em seu colo, usando seu ombro como apoio, ora puxando meus cabelos, ora afundando os dedos nos dele e puxando-o para me beijar a boca ou o peito, a garganta, não importava. O que importava era perder-me naquele tornado insano que nublava minha visão. Estava tão tomado pelas sensações devastadoras que me devastavam os sentidos, que só percebi a intenção de Santiago quando ele já se erguia da cama, levando-me junto.
Ofeguei puxando o ar quando minhas costas bateram no vidro da janela. Eram todas quadrangulares, uma do lado da outra, permitindo uma visão completa do mar à frente, quebrada apenas pela cauda do dragão que se prendia ao talhamar do Labareda. Santiago arremeteu fundo e meu corpo sacudiu. Abracei-o firme pelas pernas e olhei para baixo por cima do meu ombro, vendo as ondas calmas da baía batendo contra o casco do navio, movendo-se negras na praia enquanto refletiam lua e estrelas. As velas já pareciam apagar-se lentamente no quarto, em seus últimos suspiros.
“Sonhei uma vez que fazia isso contigo, dessa exata maneira.” Santiago sorriu, transbordando malícia em um sorriso satisfeito, movendo-se mais contra mim. Ele empurrou o vidro da janela, abrindo-a para fora, e eu senti que quase caía pela súbita falta de apoio. Me agarrei a ele, buscando salvação, mas Santiago inclinou-se para frente, deixando meus cabelos penderem para a água.
“Santiago, estúpido! Eu vou cair, Aaah!” Gemi desorientado, com o coração palpitando ainda mais, a sensação de perigo misturando-se ao prazer do sexo e me deixando ainda mais excitado, se é que isso era humanamente possível. Santiago riu; estava brincando comigo, divertindo-se com meu desespero misturado à luxúria em meu rosto, e eu voltei a enchê-lo mentalmente de palavrões, mordendo-o no ombro como um animal sem controle assim que pude, sentindo que iria explodir a qualquer momento ao ter os calos de sua mão arranhando minha pele.
“Isso também é por ter me trancado do lado de fora da cabine aquela noite, lembra?” Perguntou, com um ar vingativo e manso, após minha mordida, que pareceu não machucá-lo o suficiente para que se importasse. “Não é você que anda aprendendo a viver perigosamente, Dominic?” Fez com que eu me inclinasse mais, e abocanhou um de meus mamilos, ainda movendo-se dentro de mim, me deixando sem ar.
“Vingativo. Cretino!” Xinguei, para não perder o costume. Podia sentir perfeitamente o vento batendo em meu corpo suado, eriçando os quase invisíveis pelos que cobriam minha pele. Tremi, arrepiado, e me abracei firme ao Santiago, lembrando-me da vez em que o abracei durante a tempestade, como se entregasse a ele minha vida.
Naquele momento eu percebi, com espanto e um coice no peito.
Eu estava tão ridiculamente apaixonado.
“Ah, Santiago!” Gritei ao gozar, procurando seus lábios para beijar, porque precisava desesperadamente, de alguma forma, qualquer uma, impedir-me de exteriorizar minha funesta percepção e estragar o momento. Praticamente perdi todas as forças após sujar-lhe o abdômen com meu sêmen, tremendo, minhas mãos arranhando suas costas e sentindo seus músculos contraídos. Santiago me puxou de volta, afundando-se em mim mais duas, três vezes antes de gemer rouco contra minha boca e inundar-me com seu orgasmo.
Achei que poderia morrer naquele instante.
Continuamos nos beijamos por algum tempo, lentamente diminuindo a intensidade, os espasmos ainda me atingindo até pouco a pouco pararem. Eu não sabia como Santiago conseguia ficar em pé, sustentando-me, após um orgasmo, mas ele não demonstrava dificuldades, enquanto eu me encontrava acabado. Até que ele se afastou, tocando meus cabelos e procurando meu olhar.
“Dominic, o que houve? Está chorando?! Eu te machuquei?!” Pareceu horrorizado com a ideia, preocupado, adquirindo uma surpreendente e rara expressão de culpa. Eu arregalei meus olhos, levando uma mão até minhas bochechas e percebendo que estavam molhadas. Santo Cristo, eu não podia acreditar que havia derramado algumas lágrimas. Isso era tão... Coisa de boneca.
“Ah, porcaria.” Murmurei, após Santiago ter retornado à cama e nos deitado ali. Eu me virei, colocando-me de lado sobre o colchão, e mordi os nós de meus dedos.
“Está sentindo dor?” Ele perguntou, abraçando-me por trás. “O que foi?”
“Não foi nada.” Ladrei na defensiva, tentando esconder o rosto no travesseiro. “Foi ótimo, agora me deixe dormir.”
“Não me diga que chorou de emoção...” Ele brincou, fungando em meu cangote, cheirando meus cabelos feito um cachorro vira-latas. Me arrepiei e resmunguei para que me deixasse em paz.
Ele ficou em silêncio, mas eu podia sentir o peso de seu olhar sobre mim, enquanto sua mão passeava pela lateral de meu torso e coxa, tocando-me de uma forma diferente de antes, com calma, um carinho suave e bom, que me deixou relaxado. A cama e nós dois fedíamos a sexo e sacanagem, e o vento frio da noite e do mar adentrava pelo vidro que ele havia aberto. Não tive escolha a não ser acomodar-me mais contra ele, em busca de calor.
“Eu gostei muito dessa noite, Dominic.” Santiago sussurrou contra meu ouvido, enquanto eu ainda escondia meu rosto. “Você é incrível... E deveria ficar bêbado mais vezes.”
“Eu não estava assim tão bêbado...” Resmunguei, ronronando contra suas carícias, sentindo-me fraco pelos dois orgasmos, sonolento.
Santiago deu um jeito de puxar meu queixo e virar um pouco meu rosto para que nossos olhares se encontrassem. Corei ao pensar no quanto ele era atraente, com aquela beleza feroz e destemida; o ar autoritário e seguro, que emanava sedutoramente de cada um de seus traços vigorosos e marcantes, deixando-me hipnotizado por alguns segundos.
“Bom saber. Não quero que você esqueça nada amanhã pela manhã, já que vou querer repetir, depois de você descansar um pouco...” Sorriu de lado e tocou meu lábio inferior com o polegar. “Realmente há algo nessa tua boquinha de boneca que me deixou viciado.”
Minhas maçãs do rosto foram ateadas em fogo pelo elogio estúpido, e ele me beijou em seguida, firme e lento, saboreando sem pressa meus lábios. Era impossível não beijá-lo de volta, não importava o quanto ele fosse irritante, ou quantas vezes eu já houvesse desejado arrancar a língua dele – aquele beijo era o pior dos ópios.
Quando o contato cessou, eu me acomodei melhor e suspirei, exausto, mas deixando um sorrisinho escapar no canto de meus lábios.
“Posso te ver sorrindo.” Santiago murmurou, implicante.
“Fica quieto, Santiago.” Rosnei, mas então sorri de novo, incapaz de me controlar, e não sei em qual momento acabei caindo no sono, contra o corpo do capitão, preso naqueles braços musculosos.
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