Mar
1 Capítulo Único
Olho o horizonte pela janela de nossa casa. Vejo o mar agitado, com suas ondas para lá e para cá. Mas de que vale o mar sem você?
São seis horas da tarde, 7 meses e 3 dias; eu ainda não sei o que fazer. De que vale o mar sem você?
A solidão bate forte no peito, quase insuportável. Mas não é a solidão que doí; é sua ausência. Nunca me importei de ficar só, não até te conhecer. Ah, o mar, de que vale sem você?
Seus olhos negros penetraram minha alma naquela noite, naquela praia, que agora vejo pelo vidro da janela. A brasa da fogueira iluminava nossos rostos e aquecia nossa pele. Você sorria, e nada mais me importaria além de você dali pra frente.
Eu, sempre tão sozinho e quieto, me enchia de alegria a cada fala sua, a cada risada de alegria a me ocupar, a me pertencer. E agora… De que vale o mar sem você?
Sua pele escura em contraste com a minha, seus beijos que me transportavam para um sonho, seu toque que me matava de prazer. De que vale o mar sem você?
Quando a lua batia nas águas, você me dizia que era assim que se sentia comigo: iluminada. Eu. Eu é que me iluminava ao olhar-te, beijar-te, viver-te. Como eu queria, mas meu jeito quieto sempre me impedia de dizer… De que vale o mar sem você?
Desço as escadas, piso na areia. Meus pés afundam e, por um segundo, sinto que posso tê-la novamente. Mas um segundo passa rápido, e logo percebo que estou só nessa praia vazia e sem vida, onde só há areia e mar. Então me entrego às águas, me jogo para as ondas, mesmo sabendo que de nada vale o mar sem você. Porque sem você não há mar. E sem amar, não há.
Notas finais
Obrigada ♥
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