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1 Covarde
Notas iniciais
“Que covardia, não visitar o melhor amigo quando ele está hospitalizado.
—Eu estava com você nos seus piores momentos, eu estava com você nas suas noites mais escuras.”
E assim eu acordei num susto.
Há um mês atrás meu amigo foi diagnosticado com câncer, e até agora eu não tive coragem de ir vê-lo.
Todo dia peço para Azin levar um bilhete e falar que eu estive lá enquanto ele dormia.
Não aguento olhar fotos de Jin e choro até com os bilhetes que trocamos.
Por quê eu sou tão fraca a ponto de não conseguir nem fazer uma visita?
E desde que Jin foi internado venho sonhando com quase a mesma coisa, sempre acordando quando alguém fala:
“—Eu estava com você nos seus piores momentos, eu estava com você nas suas noites mais escuras, então, cadê você quando eu preciso?”
Essa mesma frase soava em minha cabeça como se fosse uma música que despedaçava minha alma sendo cantada por Jin.
—Tudo bem Amy, foi só um pesadelo. —falava para mim mesma tentando voltar a dormir.
Azin me contava sobre todos os exames que Jin fazia, o estado dele era grave, mas estava melhorando
Eu já estava com muita saudade do ruivo, mal esperava pra quando Jin fosse liberado e eu pudesse abraçá-lo.
Os sonhos pioraram cada noite mais, e eu não tinha ninguém para desabafar.
Eu não queria me abrir com ninguém, só queria que esses tempos ruins passassem.
Eu já estava ficando louca com os sonhos, sonhava que eu estava no hospital e Jin da pior forma possível.
Tentei visitá-lo para provar aos meus pesadelos que estava tudo bem, mas sempre recuava na porta de entrada do hospital.
“—Que covardia, não ir no enterro do seu melhor amigo.”
O pior dos meus pesadelos, isso tinha que ser mentira.
Não importa a hora, eu tinha que ver com meus próprios olhos qual o estado do ruivo.
Pois é, cheguem em seus últimos momentos.
Quando cheguei só vi um meio sorriso e ouvi o último ‘bip’ da máquina.
O ruivo mal cabelo tinha, além de ter emagrecido muito. Azim comentou que era algum câncer estomacal, mas eu não queria encarar a triste realidade.
Fiquei fechada em casa alguns dias. Sou mesmo uma covarde que não foi visitar e nem foi no enterro do melhor amigo! Azin me visitou alguns dias, mas eu não quis recebê-lo, nesses dias eu mal comia ou me movia. Só pensava se eu tinha sido a última visão de Jin.
Até que um dia resolvi sair para andar, me perdi e só me achei na entrada do cemitério.
—Incrível que todos os meus caminhos me levam até você. Desculpa eu só conseguir vir agora. —eu chorava enquanto encarava a lápide do ruivo.
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