MapleStory Online

21 Choque Entre Dois Grupos


No centro de Perion, uma multidão se reunia, acotovelando-se e soltando exclamações surpresas ao ver o enorme cartaz pendurado na rocha. Dentre esse monte de jogadores, estava Vampiritico.

O título do cartaz explicava tudo: "Maiores Níveis do MapleStory Online". Abaixo dele estava uma lista de seis nomes, escritos com letra grande e clara.

A maioria ali eram pessoas que ele não conhecia. O papel exibia apenas os nomes e os níveis, por isso ele não podia saber as classes e nem reconhecer pelo rosto.

Como esperava, o nome de Gatts estava lá, mas no lugar errado. Não na sexta posição como ele esperava, mas na terceira. Talvez fosse um bug, mas ele duvidava. Já tinha visto o corpulento guerreiro. Tinha certeza que ele havia conseguido ganhar mais alguns níveis nos poucos dias em que haviam se separado.

Outra coisa que lhe chamou a atenção foi o primeiro colocado: um nível 95 cujo nome também lhe era familiar: Atklen.

Familiar para Vampiritico. Não pra quem acompanha a fic pelo site do MinarForest. *suspira*

Atklen é um dos betas que havia lutado junto com eles e Kevin contra o Firstkeeper, onde Davien conseguira a foice. O fato surpreendeu Vampiritico mais pelo fato de que ele o havia conhecido do que por qualquer outra coisa. Ele sabia que o homem era bom guerreiro. Só não esperava que fosse tanto.

Vampiritico refletiu sobre o assunto. Era estranho que Atklen havia ganho o primeiro lugar, e Davien não. Mas ele sorriu ao pensar nisso. Quando viram o guerreiro pela última vez, ele usava espada e armadura fortes e bem-feitas, mas não parecia nada especial — na verdade, aquela armadura já era considerada fraca, no nível deles. Mesmo assim, ter uma arma boa não significava nada — o cartaz não estava ali para comprovar isso?

Ele balançou a cabeça aborrecido, virando-se para se afastar da multidão. Tinha trabalho a fazer, mais importante do que refletir sobre os campeões.

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–São eles — Rockfield anunciou, confirmando o que Donnie já sabia.

Ele baixou o binóculo, revelando a seriedade em seu rosto. Aphanyus olhava para além do ombro dele, na direção oposta à do sol que havia nascido há apenas algumas horas, como se pudesse enxergar os bandidos àquela distância.

–Estão todos prontos? — Donnie perguntou sem necessidade. Cinco cabeças determinadas assentiram. Apenas uma permaneceu aflita.

–Donnie, eu...

–Você vai pra fenda — Donnie disse com rispidez — Fique ali, e nem pense em vir nos ajudar. Se você fizer alguma besteira outra vez...

Anna olhou para o chão, um gesto que tirava qualquer imponência que sua armadura de fogo pudesse lhe conceder. Ela parecia ainda menor do que antes, chateada e curvada de vergonha.

Eles estava em uma pequena elevação a oeste de El Nath, a algumas centenas de metros da fenda que vinham usando como casa. À frente deles, só o que viam era o gelo e a neve, mas eles sabiam que a tropa de combatentes da Sunrise of Astoria estava chegando.

Eram vinte e dois bandidos no total, contra sete pessoas. Apesar da diferença de números, o grupo de Donnie não estava exatamente em desvantagem.

Ele, Aphanyus e Rockfield tinham nível mais alto do que a maioria dos bandidos — e de muitos outros jogadores, por sinal. Na verdade, eles quase entraram para o top 10, Donnie estando no mesmo nível do décimo colocado, mas perdendo por ter menor Experiência.

Eles também contavam com o apoio de Gatts e Kiara. Foi por pura sorte que Rockfield os encontrara enquanto voltava para El Nath com Anna. Gatts estava indo ver Adineff, o homem que havia forjado a armadura que ele usava, mas não hesitara em interromper a viagem para ajudar os amigos.

Sendo assim, eles tinham dois guerreiros e um gatuno, os três com armaduras especiais obtidas em Quests Únicas. E Donnie ainda tinha uma peculiaridade: a magia negra incomum, que aprendera em Edelstein. Havia também Sheddeer, o arqueiro, cujas habilidades de Rastreador, apesar de boas, não eram tão fortes quanto sua principal arma: a estratégia. Para completar, tinham também uma clériga, que proveria suporte e Cura quando precisassem.

E tinham também uma menina numa armadura de Quest Única. E que não parecia querer ficar de fora do grupo.

–Donnie, eu vou lutar — ela disse com firmeza — Não posso me esconder enquanto vocês fazem o trabalho.

Donnie respirou, um suspiro longo e profundo que demonstrava toda a sua impaciência. Ele jamais saberia disso, mas a reação magoou profundamente a garota.

–Eu te faria lutar, se não desse a mínima pra você — ele disse para ela — Mas não podemos arriscar. Você ganhou essa armadura faz pouco tempo, não sabe nem usar ela direito. Precisa treinar, e agora não é o momento.

Mas a garota sacudiu a cabeça, teimosa.

–Não, Donnie, eu preciso. Sei que vou conseguir, além disso, eu fui idiota fugindo e fazendo vocês terem que ir atrás de mim. Eu vou lutar junto com você.

Aphanyus e Rockfield se olharam divertidos ao notarem o uso do singular na última palavra. Donnie nada percebeu. Parecia estar pensando em alguma coisa. Finalmente, ele assentiu.

–Eu sei que você quer, mas eu não queria que fosse assim — ele falou num tom resignado — Mas se você diz... Receio não haver outro jeito.

Sem aviso, ele deu meio passo para frente, erguendo o cajado que se acendeu com a luz roxa no mesmo instante, a ponta rombuda indo parar no topo da cabeça da menina. Os olhos dela se reviraram nas órbitas e ela desabou de cara no chão.

–Deixem ela lá na fenda — ele ordenou, ríspido. Rockfield se moveu para levá-la.

Uma risada aguda se fez ouvir misturando-se à brisa leve e gelada. Sentada no chão e amarrada pelos pés e pelas mãos, uma mulher os olhava, um perverso sorriso estampado no rosto.

–É assim que vocês pretendem lutar contra meus amigos? — zombou Mad Shadow, curvando a cabeça para trás enquanto ria. Eles a ignoraram. Por fim, ela se calou.

Eles a tinham trazido para negociar com o clã. Todos eram jogadores muito capazes ainda que o tempo de jogo fosse pequeno, mas ainda assim, nenhum deles queria lutar contra aquele pessoal. Sabiam do que eram capazes, e os rumores que circulavam sobre o clã poucas vezes eram exagerados. Só que eles já estavam cansados de correr e se esconder.

Ainda naquela manhã, eles tinham discutido sobre o que fariam naquela situação. A idéia era entregar Mad Shadow para que o clã os deixasse em paz, mas isso havia levantado várias questões.

A primeira era o fato de que nenhum deles acreditava que, depois de devolverem a mulher, o clã os deixaria em paz. Segundo, se o plano fosse realmente esse, então Mad Shadow estaria escondida em algum lugar bem longe dali, para forçar o clã a ir procurá-la, dando ao grupo tempo para fugir. E terceiro, Rockfield não poderia ser visto com eles, se quisesse manter o disfarce como espião na Team Italo.

E ainda havia o fato de que Donnie não estava exatamente desejando que o combate fosse evitado. Se eles lutassem agora, poderiam livrar o jogo daquele grupo perverso e indesejável de uma vez por todas.

Com isso, eles simplesmente deixaram a prisioneira amarrada no chão junto com eles, e então a ofereceriam em troca de dinheiro. Rockfield teve que sorrir com aquela idéia. Ele não poderia ajudar, mas usaria o binóculo para ver a expressão de Dark Corpse quando o pagamento fosse feito.

–E lá vem eles — Aphanyus disse, pondo a espada nas mãos.

No início, eles eram apenas pontinhos no meio da neve, movendo-se com rapidez apesar do longo caminho que vinham percorrendo. Era óbvio que estavam tentando manter uma formação alinhada, com os vinte combatentes agrupados em quatro fileiras de cinco e dois líderes na frente, ele eles suporam serem Dark Corpse e Cara de Cavalo. Mas ali, ao longe e na posição elevada que estavam, os erros na formação eram visíveis. As duas últimas fileiras estavam tortas, e as outras três pareciam se misturavam entre si.

Eles sabiam que estavam olhando para todas as unidades do ataque. Haviam escolhido aquele lugar por ser uma ligeira colina no meio da neve branca, tornando impossível para que algum Gatuno se esgueirasse escondido até eles. Por outro lado, esse mesmo fato impedia Rockfield de ficar escondido atirando shurikens nos inimigos.

Os bandidos transpuseram a distância entre os dois grupos em poucos minutos. Donnie, Aphanyus, Sheddeer e Gatts formaram uma fileira lado a lado, protegendo Kiara e escondendo a mulher que estava presa com eles. Quando eles chegaram perto o bastante, Donnie ergueu a mão para que parassem.

O grupo interrompeu a marcha desorganizada e permaneceu parado, aguardando o comando dos líderes. Geralmente, Dark Corpse sorria e assumia uma expressão zombeteira para com os inimigos, mas naquele momento seu rosto estava sério e ele tinha as pistolas já nas mãos, prontas para serem usadas. Alguns metros ao seu lado, Vile Slayer estava casualmente parado, a cara de cavalo na expressão estranha com a boca e os olhos abertos.

–Vou pedir apenas uma vez. Entreguem a Mad Shadow e talvez a gente poupe a garota.

Um calafrio percorreu a espinha de Aphanyus quando ele pensou que estava falando da Anna, mas logo se acalmou ao perceber que ele se referia a Kiara. Gatts também percebeu, e deu um passo à frente. Dark Corpse o olhou, o lábio inferior se contraindo em desprezo.

O rapaz que o tinha humilhado dias atrás em Mu Lung estava diferente. Não usava mais a armadura de aço, mas sim uma cobertura de bronze feita de placas e um capacete com o visor aberto, sendo que a única parte descoberta de seu corpo era o rosto. Um rosto duro, desafiador e, principalmente, tranquilo. Gatts estava olhando para mais de vinte homens prontos para lutar contra ele, mas não dava a menor impressão de estar assustado ou de temer o combate.

–Nós vamos entregá-la, é claro — Donnie respondeu, e Dark Corpse desviou o olhar para olhar o mago — Mediante... Pagamento. Afinal, vocês não esperam que eu a dê pra vocês assim de bandeja, não é?

–Sim, esperamos — Vile Slayer respondeu com insolência — A menos que vocês queriam morrer aqui mesmo, é melhor entregar ela ou sofrerão nosso hue.

–Que assim seja — Aphanyus falou baixinho.

Rápido, ele puxou a mulher pelo pescoço e a abraçou com a mão esquerda, a direita segurando a espada na garganta dela. A espada era enorme, e isso fazia com que ele a segurasse sem muito jeito com uma só mão, mas ainda assim, a lâmina de encontro à garganta da mulher era uma visão bem impressionante. A tropa fez um movimento para frente, mas Dark Corpse os impediu com um gesto.

–Calma — pediu, mas Aphanyus sacudiu a cabeça.

–Um milhão de mesos. Entreguem ao Donnie e nós a libertaremos. Vocês tem dez segundos.

Os combatentes resmungaram irritados, mas Dark Corpse não deu sinal de emoção. Simplesmente abriu o menu e digitou alguns comandos.

–Pago — Donnie anunciou sem desviar o olhar, e Aphanyus jogou a mulher para o bando. Eles a ampararam e cortaram suas cordas, mas assim que o fizeram, ela caiu desacordada.

–Cordas de Vinhedo — Dark Corpse deduziu sem se surpreender. Então olhou para Donnie — Quando cortadas, fazem a pessoa desmaiar. Bem inteligente, Donnie... Bem inteligente.

Donnie não respondeu. Um sorriso sádico e cruel começou a aparecer no rosto do pistoleiro. Ao seu lado, Vile Slayer ergueu a mão direita no que parecia ser um sinal...

E então, a luta inevitável começou.

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–Ficou lindo — Davien disse sarcástico. O bruxo o olhou depois de ver sua nova túnica de penas.

–Bem, pelo menos ela me dá 5 de ataque, 10 de pulo e 60% dano com cajados no deserto com chuva se eu estiver enfrentando um arqueiro no mínimo 50 níveis abaixo do meu. Mas o melhor é -

Haha, I'm just fooling!

Sete dos guerreiros pisaram duro na neve e foram imediatamente para a direita, rugindo e berrando gritos de guerra enquanto agitavam as achas e as lâminas imensas para seu alvo: Aphanyus.

Na emoção do início da batalha, eles não notaram que o jovem rapaz estava tranquilo ao ver um bando de homens corpulentos correndo até ele com armas na mão. Esperou alguns segundos e então atacou.

Atacou o chão, por assim dizer. A ponta triangular da espada raspou a neve como se ele estivesse afiando a lâmina, e quando a força venceu o atrito, a espada subiu em um meio círculo como se ele tivesse usado-a como taco de golfe.

Uma bola distorcida de luz emergiu do chão, atingindo cinco dos guerreiros e jogando-os longe. Os dois que estavam nas extremidades ignoraram o golpe e continuaram a investida. Aphanyus desceu a espada no primeiro que chegou, mas o golpe foi bloqueado pelo machado. O segundo o atingiu com uma espada de folha larga, um palito de dentes comparado à lâmina do oponente, mas que ainda assim lhe provocou dano.

A arma de Aphanyus, engajada com o machado, foi para a direita e acertou o homem em cheio no peito. Rapidamente ele a voltou para a esquerda e novamente para a direita, cada golpe acertando um dos inimigos. Eles recuaram alguns passos.

Os cinco que haviam sido jogados para trás já voltavam à batalha, furiosos. Aphanyus pulou, um salto de três metros que parecia irreal, mais ainda o fato de ele ter se curvado e movimentado a espada no ar como num salto de desenho animado, onde a pessoa fica no ar por mais tempo que deveria.

Ele caiu, fincando a espada no chão e liberando uma onda de energia num círculo de dois metros de raio. Estalagmites de gelo surgiram no círculo para em seguida se quebrarem, tirando HP e espalhando gelo que retardava os movimentos.

Os movimentos, certamente, eram dignos de nota. "Dignos de nota", porque "impressionante" era o que acontecia ao lado dele.

Perto dali, Gatts estava fazendo as manobras do companheiro parecerem ataques de criança. Agitava a enorme espada de um lado a outro, sempre acertando um Gatuno ou Guerreiro e ignorando completamente as shurikens, flechas e tiros quando eles revidaram. Sua armadura era à prova de flechas comuns e praticamente ignorava tiros, enquanto que as shurikens não eram boas o bastante para lhe causar algum dano real.

A batalha de Gatts, se é que podia ser chamada assim, não durou pouco mais do que alguns segundos. Ele se movia como um touro, cortando todos os que apareciam na frente dele. Várias vezes, houve explosões digitais quando barras de HP simplesmente desapareceram.

Dark Corpse havia puxado uma adaga e atacado o guerreiro pela retaguarda, mas a arma apenas se desviou como se tivesse acertado uma parede. Na verdade, Gatts nem sentiu o golpe. O alto rapaz passou para uma sequência de tiros, e se eles afetaram o guerreiro de alguma maneira, não era o que parecia.

Pelo menos seis dos combatentes estavam mortos nos primeiros dois minutos. Agora que conheciam a incrível força de Gatts, eles recuavam e lutavam por suas vidas, procurando enfrentar algum outro oponente, alguém que eles pudessem atacar.

Enquanto corriam, Sheddeer disparava flechas explosivas, criando nuvens de fumaça que os confundiam por um ou dois segundos. Depois de algumas flechas, eles começaram a se separar para evitar serem pegos em um só lugar por alguma flecha, e então Donnie entrou em ação.

Exceto o ataque a Aphanyus, nenhum dos planos de Anna foi seguido naquele dia. A batalha não estava sendo nem de longe o que eles esperavam, visto que ela não havia aparecido desde que saíra com Professor Lord. Com Professor Lord... Isso havia tirado alguns momentos de pensamento de Dark Corpse. Jamais gostara muito do colega, e agora tinha um bom motivo... Claro, esse era um assunto para mais tarde.

Anna não estava com eles, mas pelo menos, nem Thugles, nem Nick nem Vampiritico estavam com os inimigos como ela havia dito. No lugar deles, estava um guerreiro de armadura e uma clériga, o que mais do que compensava a ausência dos três garotos.

Aquilo era um pesadelo, algo que o pistoleiro jamais imaginara que poderia acontecer. Haviam planejado tudo em Edelstein, reunido alguns dos melhores Guerreiros e Gatunos do clã,e até um par de Bruxas, e agora ele os via sendo derrotados por um único integrante daquele grupo. E se Gatts não fosse suficiente — ele era -, Donnie certamente seria. Os que fugiam da ira do Guerreiro da Alvorada caíam nas mãos do estranho bruxo que usava apenas um cajado de madeira.

Um espadachim estava lutando contra ele agora, mas teve a espada desviada tantas vezes que seus braços ficaram dormentes. Um último golpe o derrubou no chão e ele foi para o próximo, uma lanceira cuja arma tinha uma lâmina em forma de cruz. Ela lhe deu uma estocada, que foi desviada para um lado pela madeira brilhante roxa, em seguida ele voltou o cajado para o rosto dela.

–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRR!!!

Dark Corpse iniciou uma rajada de tiros, descarregando toda a sua fúria em um ataque desesperado ao bruxo. E para sua surpresa, funcionou. Donnie parou em meio a um golpe e foi atingido na coxa por uma lança. Depois por uma shuriken. Ele olhou ao redor com nova animação. Alguns Gatunos, que eram um pouco mais experientes do que os camaradas que haviam se deixado serem atingidos, atiravam as estrelas pontudas nas costas de Gatts.

–Aqui! Atirem no de cajado! — o pistoleiro gritou, e os Gatunos rapidamente mudaram o alvo.

Era Donnie quem estava com problemas agora. Sofrendo com a tempestade de shurikens e tiros, ele não conseguia nem sequer ver pra onde golpeava. Atacou a esmo um espadachim, e a madeira foi desviada quase que com facilidade. Dark Corpse sorria enquanto cobria o inimigo com tiros. Ele sabia que Gatts ainda estava ali e que tornaria a atacá-lo assim que acabasse, mas pelo menos levaria aquele bruxo, que sabia ser um dos mais fortes daquele grupo.

Donnie gritou, e Kiara olhou rapidamente naquela direção, o rosto contorcido de pavor. Passou a magia curativa para o mago, o que impediu que seu HP continuasse a baixar, mas com isso ela teve que deixar Aphanyus desprotegido.

Apesar da mobilidade e da força inicial, os sete guerreiros não eram nada bobos e conseguiram dominá-lo. Em uma estratégia silenciosa que era mais um instinto primitivo do que tática de batalha, eles se agruparam ao redor do rapaz, golpeando e retalhando, reduzindo seu HP como um bando de sanguessugas. Encurralado daquele jeito, ele não tinha a mobilidade que queria para usar uma espada daquele tamanho.

Kiara era o que mantinha os dois, o guerreiro e o bruxo, vivos. Mas mesmo a magia dela não seria suficiente contra tantos atacantes. Cedo ou tarde, os danos do bando venceriam os esforços da garota para aplicar a Cura.

Os bandidos não demoraram a perceber isso e logo um pequeno grupo se destacou, movendo-se na direção dela. Antes que conseguissem chegar a menos de cinco metros, entretanto, ativaram as armadilhas que Sheddeer havia posto lá. Alguns conseguiam passar, mas qualquer tentativa de se aproximar da garota foi frustrada pelo arqueiro parado ao lado dela. Mas ele também enfrentava seus próprios problemas. Longe dali, Cara de Cavalo disparava flechas contra ele, obrigando-o a atirar nos inimigos ao mesmo tempo em que se desviava da nova ameaça.

O último guerreiro no caminho de Gatts caiu como um boneco de pano, e ele se voltou para a batalha, analisando a situação rapidamente. Aphanyus estava separado dos demais, enfrentando os guerreiros de armas pesadas com dificuldade. Pensou em ir pra lá, mas assim que começou a andar ele viu o rapaz conseguir dar um salto, agitando a espada em várias direções para acertar os guerreiros no ar. "Bela técnica", ele pensou um pouco impressionado.

Ele viu o cabeça de cavalo disparando flechas em Sheddeer, mas era Donnie quem estava com problemas. Estava parado levando golpes de um lanceiro e um espadachim, e cinco Gatunos atiravam suas shurikens contra ele com rapidez mortal, a luz verde que o cobria sendo a única coisa que o impedia de morrer. O próprio Dark Corpse se encontrava perto dali, atirando com um sorriso na boca, sem nem mesmo sair do lugar.

A visão do pistoleiro encheu Gatts de fúria. "Covarde nojento", pensou enquanto corria. Nas duas vezes que o vira, ele estava realizando alguma missão suja e atacando de forma covarde e injusta. O método dos pistoleiros era assim, mas na opinião do guerreiro, atacar um inimigo indefeso de longe era um ato de extrema covardia.

Sua investida louca foi parada por uma dor ardente no peito. Ele olhou para baixo confuso, e viu a metade de uma shuriken negra projetando-se de seu peito. Enquanto olhava, outra surgiu ao lado dela como se tivesse aparecido ali de repente.

Gatts olhou para frente a tempo de ver um borrão roxo fugindo para longe do seu campo de visão. Ele tentou ignorá-la, mas outra shuriken havia agora se cravado em suas costas. Ele se virou para encarar a mulher que pulava e esquivava. Como ela havia acordado? Não importava.

Agora, ele estava ocupado. E Sheddeer, Donnie e Aphanyus também estavam. Então o arqueiro resolveu atirar contra os guerreiros que atacavam Donnie. Aphanyus deu um berro altíssimo, e Kiara se voltou para curá-lo, deixando Donnie desprotegido.

Então, raios caíram bem em cima dos Gatunos que atacavam Donnie. Estavam juntos, já que Sheddeer havia parado de atacá-los. Antes que pudessem se recuperar, uma Garra Gélida imobilizou o espadachim e, sentindo a bem-vinda aura verde de Thugles ao seu redor, ele deu cabo do lanceiro com dois golpes rápidos na arma e na cabeça.

–Até que enfim! Por que demoraram tanto? — Kiara perguntou, de costas para o Clérigo que curava Donnie.

–O Nick colocou neve demais naquele escudo — ele se justificou — Não dava pra ouvir nada... Só quando o Apha deu aquele grito gay que a gente soube.

Os dois amigos haviam ficado escondidos em uma habilidade de Nick, uma boa de neve que se camuflaria perfeitamente com todo aquele gelo. Apenas Vampiritico havia ficado para trás, alegando que queria completar uma Quest que tinha encontrado. A idéia era que ficassem escondidos para que o clã não soubesse que estavam ali, mas se as coisas ficassem feias, eles estariam lá para ajudar.

E tinham saído no momento certo — um pouco depois dele, pra falar a verdade. Gatts enfrentava Mad Shadow, mas ela era apenas uma vespa que o prejudicava, atrasando-o mas não causando dano real. Sem precisar alternar entre duas pessoas, Kiara agora enviava toda a sua magia para Aphanyus, que havia derrotado um dos guerreiros e agora puxava a espada do peito de um outro.

Nick atacava com a Garra Gélida que, por estarem naquele lugar frio, congelava quase que todas as vezes que ele usava. Ele atacava dando cobertura a Donnie sempre que algum Gatuno estivesse perto para atacá-lo, e ele se movia rapidamente entre os adversários, girando e golpeando com o cajado.

Houve um momento em que um gatuno, vendo como era chato tentar matar alguém com gente curando e atrapalhando, moveu-se para chegar até eles. Sheddeer o acertou com algumas flechas e tinha o arco erguido prestes a soltar mais uma, mas não tinha sido suficiente. Sorrindo, o garoto puxou uma shuriken de metal simples e recuou a mão, prestes a jogá-la.

E então ele ergueu os olhos, surpreso ao sentir duas picadas fortes no peito. Um segundo depois, Sheddeer soltou a flecha. E foi a última coisa que o atacante viu.

–Uma pistola? — Kiara perguntou olhando para o objeto na mão de Thugles. Ele sorriu para ela.

–Aham, eu adoro piratas! Apesar de que eu preferia não ter que matá-lo — ele disse um tanto triste para Sheddeer.

–Se eu não tivesse feito isso, ele teria matado você. E aí eu teria que matá-lo pra ele não pegar eu ou a Kiara — ele respondeu sem se abalar.

Dark Corpse parou, a expressão franzida. Pensou em ajudar Mad Shadow, mas suas balas não fazia efeito...

Então ele teve uma idéia, e sua expressão se iluminou quando ele se lembrou do item que havia dropado dias atrás. Com um sorriso perverso, ele abriu o inventário e procurou o ícone das balas, removendo-as de uma das pistolas, trocando-as por um tipo de bala diferente.

Aquelas balas se chamavam Balas Vitais, eram um pouco mais longas, pesadas e tinham a ponta mais afiada. Mas ele só tinha um set delas, e não era possível dividir metade das balas pra cada pistola. Ele as colocou na da não direita.

Mad Shadow tinha a mão erguida e um sorriso nos lábios, pronta para atirar mais uma shuriken. Uma mão conhecida a impediu, segurando seu braço com firmeza.

–Deixa ele comigo. Você cuida do Donnie.

A mulher assentiu para ele e correu silenciosamente para enfrentar o novo alvo. Dark Corpse olhou bem para Gatts e então sorriu.

A espada do guerreiro já estava em chamas, um fogo vivo e ondulante que deixava transparecer a lâmina negra e sinistra que envolvia. Ele apenas sentiu vagamente o primeiro tiro. O segundo, entretanto, penetrou-lhe a armadura e o atingiu bem no coração.

Desta vez ele perdeu uma pequena quantidade de HP, e Dark Corpse sorriu mais ao perceber o fato. Continuou a atirar com ambas as pistolas, apesar de que as balas de uma delas nem chegavam a arranhar o guerreiro — Gatts não precisava saber que apenas uma das pistolas tinha as balas mais fortes.

O Guerreiro da Alvorada tentava pegar o inimigo, mas Dark Corpse era rápido demais. Tinha sido derrotado por ele uma vez, mas só porque foi pego de surpresa. Não se deixaria levar novamente.

Enquanto ele atirava, Mad Shadow usava as shurikens em Donnie, e o efeito delas nele era muito maior do que no guerreiro. A cada estrela que ele recebia, seu HP baixava e ele se desconcentrava um pouco. Ainda havia quatro Gatunos sem contar a mulher. Ambas as magas jaziam no chão.

Outro grito se fez ouvir quando Aphanyus foi atingido nas costas por um dos machados. Instintivamente, girou a espada naquela direção, e o guerreiro caiu na frente dele. Em uma explosão de raiva, ele enfiou a lâmina no peito do que estava mais próximo e a girou, ativando a habilidade Giro de Estocada, que tirou 30% extra de dano.

Os gritos e os sons da batalha quase podiam ser ouvidos de El Nath. Certamente, chamaram a atenção de um garoto que seguia exatamente naquela direção. Ele apressou o passo. Era exatamente o som que estava esperando...

Donnie recuou o cajado para longe do corpo do último Gatuno. Só restava Mad Shadow agora. Ela mostrou os dentes num sorriso cruel e zangado. Nick postou-se ao lado do companheiro, a varinha erguia pronto para lutar.

–HUAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!

O grito chamou a atenção dos três — correndo, meio que tropeçando nas pedras e no gelo escorregadio, vinha uma figura azul com uma espada pendurada nas costas. Ele parou ao chegar um metro dos dois bruxos.

O garoto era pequeno e estava vestido como um guerreiro. Uma armadura de couro azul reforçada com metais cobria seu peito e seus braços, assim como as botas e as luvas. Usava um capacete no formato de uma tigela azul com tiras de metal saindo dele, e a peça lhe cobria a testa logo acima dos olhos. A expressão dele era séria e decidida. Em suas costas, a bainha curva azul completava a armadura, o cabo aparecendo do lado direito do corpo.

–Evil Corpse! — reconheceu Mad Shadow, surpresa — Que roupa é essa?

Rakyaat corou e fez uma careta.

–Não é uma "roupa", é a Armadura Mizu-Ori dos samurais de Mu Lung!

–Que seja — a mulher respondeu dando de ombros — Agora que está aqui, pode me dar uma ajudinha com esses dois.

Mas ele sacudiu a cabeça com firmeza.

–Não, Mad Shadow, quero uma luta justa. Eu e o Donnie. Sem interferências.

A frase também era direcionada a Nick, que olhou para Donnie antes de assentir, relutante. O bruxo de azul deu de ombros.

–Tudo bem. Mas não sei se quero enfrentar ela sozinho — ele disse com relutância, mas Mad Shadow apenas deu um olhar de desprezo ao menino e deu meia-volta, indo ajudar Dark Corpse.

–Isso não quer dizer que não seja divertido lutar comigo! — ele gritou, chateado.

Sacudindo a cabeça em zanga, ele foi ajudar Aphanyus que agora enfrentava apenas quatro guerreiros.

–Olá, Donnie — disse o samurai. Donnie estreitou os olhos.

–Conheço você?

–Não, como todo mundo da escola — ele retrucou entredentes, puxando a katana longa e reluzente. Donnie pôs-se em guarda.

Rakyaat atacou, uma cortada pela direita mirando o pescoço desprotegido do mago. Como esperava, Donnie bloqueou o golpe com facilidade, colocando o cajado à esquerda de seu corpo.

Quando o aço bateu na madeira, Rakyaat girou em sentido horário numa dança hábil e graciosa, indo para a esquerda. No giro, esticou a mão de modo que a katana pegasse o oponente pelo flanco direito. Donnie virou-se naquela direção, e novamente a lâmina foi bloqueada pelo cajado.

O espadachim jogou a mão para frente, empurrando a espada para espetar a cabeça de Donnie com a ponta. Ele conseguiu se abaixar para evitar o golpe ao mesmo tempo que levantava o cajado acima da cabeça, empurrando a lâmina de Rakyaat. Ele então desceu a mão e bateu no peito do garoto com o cajado.

O impacto causado pela madeira com a luz roxa era forte, mas a armadura parecia ter algum bônus extra de absorção. Rakyaat deu um passo par ao lado girando a katana para a coxa de Donnie, cuja reação foi igualmente rápida. Bloqueando a katana pela terceira vez, o bruxo a empurrou com toda a força de duas mãos com a ajuda de uma pequena explosão de luz roxa, que fez Rakyaat perder o equilíbro quando fui empurrado, o braço direito jogado para trás.

Donnie lhe acertou a barriga, depois se teleportou para escapar do corte sibilante que vinha em sua direção. Rakyaat sentiu duas pontadas de dor nas costas quando foi atingido, a terceira a caminho quando ele se virou em um meio giro, a katana à frente do corpo para desviar a estocada de Donnie. Usando a espada e o impulso do giro, ele levou o cajado de modo que Donnie ficasse com o braço direito levantado para a direita. Rápido como um raio, ele voltou a espada diretamente para o peito desprotegido do rapaz.

Sem armadura para lhe defender, o golpe o atingira com a força total da lâmina. Donnie voltou a puxar o braço para dentro mirando a cabeça de Rakyaat, que girou novamente dando uma forte pancada no cajado, que foi novamente jogado para a direita com o braço do bruxo. Parando o golpe, ele estocou novamente, enterrando a espada até o cabo no peito de Donnie.

Rakyaat puxou a espada e girou o corpo em um único movimento, a katana disparando em mais um golpe contra seu corpo. Donnie teletransportou-se novamente, mas foi atingido pela arma implacável assim que reapareceu.

Donnie teletransportou-se algumas vezes para trás, para ganhar um pouco de espaço para que sua habilidade passiva, Autocura, pudesse ser ativada. Ele ofegou enquanto focava o oponente azul, já no meio de uma corrida para pegá-lo. Donnie tinha lutado contra Gatts, que estava dando uma boa surra em Mad Shadow nesse exato momento, mas naquela época o principal trunfo do guerreiro eram suas cargas mágicas, que ele repelia com facilidade usando o cajado negro. Agora, a situação era diferente. Enfrentava um espadachim que não havia usado uma magia sequer, cujas habilidades dependiam mais do uso da espada do que de cargas e magias. E enquanto pensava nisso, viu que ele já estava quase o alcançando e percebeu que não adiantaria. A habilidade levava dez segundos para ser ativada, e samurai não lhe dava esse tempo.

Ele esperou até que Rakyaat chegasse a uma distância próxima o suficiente para se teleportar para trás dele. O garoto, vendo que seu oponente acabara de desaparecer, perdeu o equilíbrio por um segundo, caindo quando Donnie lhe chutou as costas.

Em um rolamento hábil, ele se pôs de pé no mesmo minuto em que caiu. Donnie juntou ambas as mãos em forma de concha, uma esfera negra surgindo de dentro delas...

Todo o corpo de Rakyaat pareceu explodir em dor quando o raio atravessou seu corpo, ligando as duas órbitas de energia. Ele arqueou as costas e berrou, e quando o raio finalmente acabou, Donnie estava em cima dele novamente.

Ataques por cima, por baixo, em direção às pernas e então à parte mais alta do corpo, depois pelos lados. Donnie era rápido, mas aquela era como se fosse uma luta de espadas, e Rakyaat estava com a vantagem. Não só tinha a melhor arma, como também fora treinado por aquilo com um mestre de Mu Lung. Por uma semana, pra falar a verdade, mas já era o bastante.

Donnie levou alguns minutos para perceber que havia perdido o controle daquela batalha. O tempo todo era Rakyaat que o atacava, e ele apenas reagia instintivamente aos golpes, levando seu cajado para onde sentia que a espada estava indo. Porém, quando ele bloqueava, o oponente mudava a direção do golpe quase que automaticamente para um lado desprotegido do seu corpo. Aquilo o cansava, mas ele não tinha como revidar. Não se arriscaria a usar teleporte com o MP tão baixo quanto estava agora. Manter o cajado aceso já lhe consumia energia demais.

Contudo, a batalha não estava ganha para Rakyaat. Donnie estava cansado, havia matado pelo menos cinco Gatunos e sofrido vários minutos de tiros, shurikens e golpes de lança e espada. Parte de sua força havia sido drenada minutos antes — não que isso significasse que, se ele estivesse em melhores condições, venceria. O samurai azul havia provado ser um exímio espadachim, o melhor que já enfrentara.

Mas também, Donnie não estava cansado. Longe disso. Continuaria a luta por horas, se o outro garoto aguentasse. E ele sabia que aguentaria. Nervoso, ele deu um golpe no ombro esquerdo em uma direção que não tinha tentado ainda, mas Rakyaat usou a katana como se fosse dar uma estocada e então a girou para a direita e para baixo, prendendo o cajado com o pé. O golpe seguinte veio no mesmo instante e Donnie sentiu a ardência arrepiante e desconfortável quando a lâmina atravessou o lado esquerdo do seu corpo, logo acima de cintura.

Usando um pé, Donnie chutou o de Rakyaat e liberou o cajado, subindo-o com toda força e atingindo-o em cheio do rosto. O garoto recuou instintivamente e recebeu mais uma cajadada, dessa vez no joelho. Donnie recuou para beber uma poção rapidamente, levantando o cajado rapidamente após terminar. O samurai levou a espada para cima, pronto para disparar mais um golpe mas Donnie se teletransportou novamente.

Por pura coincidência, Donnie estava bem na frente de Kiara quando sumiu, de modo que o samurai e a menina se encararam rapidamente. Ela lhe deu um olhar assustada ao ver o espadachim parado diante dela com a arma erguida. Então ela o reconheceu.

–VOCÊ! — ela berrou, o rosto doce indo do espanto para o ódio, um ódio fez Rakyaat sentir vontade de enfrentar Gatts.

Ela emitiu um som alto e estranho, os olhos brlhando com um fogo negro intenso que assustou o garoto pra valer. Era levantou a mão com o cajado, a outra formando um aro à frente dela, e então um círculo negro cheio de inscrições se formou entre eles. O samurai tentou fugir, mas não conseguiu se mover. Suas mãos ficaram imóveis e as pernas não obedeciam. Ele olhou aterrorizado para a garota quando, de repente, ela aumentou de tamanho, ficando com o joelho bem acima dele.

Rakyaat não tinha percebido que ela havia acabado de transformá-lo numa Lesma Azul.

Toda a luta havia parado com o grito agudo e medonho que ela havia proferido. Antes que alguém pudesse fazer alguma coisa, como pisar na lendária Lesma Mizu-Ori, Dark Corpse o pegou, colocando-o sobre o ombro.

Donnie se virou para ele, o pistoleiro já erguendo a mão para um tiro. O dedo estava no gatilho, a arma quase apontada para atacar o bruxo.

–Já chega, Poke.

A pistola parou em pleno ar quando Dark Corpse interompeu o golpe, olhando para o sul na direção da voz. Donnie se virou para olhá-lo.

Ao fazer isso, notou as outras seções da batalha. Thugles, Sheddeer e Kiara estavam bem, os dois bruxos completamente ilesos. Cara de Cavalo não era visto em lugar nenhum, tinha fugido ou morrido. Provavelmente fugido. Aphanyus terminava de enfrentar o último dos guerreiros. Alguns metros longe dali, Mad Shadow se encontrava caída sem forças para se levantar, perto de um Dark Corpse agachado e esgotado, sem Balas Vitais para continuar a atirar.

–Nils, pare com isso — o homem disse novamente, mas o guerreiro que enfrentava Aphanyus não ouviu. Estava concentrado demais caindo no chão com uma espada imensa saindo de seu flanco direito, o corpo coberto por uma fina camada de gelo de Nick.

–Você é um deles? — Aphanyus perguntou, a espada preparada. Ele sabia a resposta. O homem apenas se aproximou lentamente.

–Eles são meu clã — disse, a voz que misturava firmeza e suavidade de alguém que fala séria e claramente, sem rispider ou tom autoritário — E isso é uma luta, então, minha obrigação é lutar contra vocês.

–Eu temia que você não dissesse isso — Aphanyus retrucou com um sorriso estranho.

Mas ele não fez nenhum movimento para atacar. Não era bobo em sair correndo berrando e sacudindo a espada. Aquele homem, de estatura mediana, calças escuras e casaco azul, não parecia muito poderoso. Ele falava em um tom decidido e confiante, como se estivessem apenas em um jogo online comum.

–Se você é um deles, vai pagar pelo que fez — Donnie disse com agressividade — Pelo que vêm fazendo com nosso grupo. E pelo Rayko — acrescentou.

Era impressão ou... Dark Corpse estava sorrindo?

–Nada disso, vocês é que vão pagar por transformarem meu colega numa lesma — disse o homem, dando mais um passo.

Era o que faltava para a tensão explodir novamente. Gatts, estando um pouco mais longe, investiu para frente. Aphanyus rugiu e atacou, no movimento de raspar o chão por alguns segundos, e então liberar a espada para cima atirando a bola de luz dourada.

O homem puxou uma lança do inventário e a girou como se ela fosse um bastão ninja, o que desfez a luz dourada. No segundo seguinte, Aphanyus estava em cima dele, seguido pelos companheiros que corriam para enfrentar mais aquela ameaça.

A espada de Aphanyus ia bem à frente dele, ondulando de um lado a outro como que impulsionada por vontade própria e sibilando quando o ar se partia sobre seu gume afiado. Quando estava a menos de um metro do novo oponente, ele saltou inesperadamente, confundido-o enquanto girava a espada para preparar o terremoto.

Ele sentiu um puxão na perna e se perguntou o que era, antes de sentir as costas batendo no chão com força. Viu a lança do rapaz, uma lâmina roxa e serrilhada parecendo um garfo de duas pontas, uma um pouco mais longa que a outra. Ela parecia brilhar de uma maneira que ele não gostava nem um pouco. Antes que ele pudesse daro segundo golpe, Donnie interveio.

Duas armas brilhantes, roxo contra roxo. A lança bateu na lâmina empurrando-a para baixo, depois era ela que estava embaixo. O lanceiro deu um passo à frente e virou a lança para cima, forçando Donnie a levantar o cajado, e então descendo a lança para seu peito exposto.

Ele puxou a lâmina do corpo dele e recuou fazendo o giro ninja novamente. A lâmina rodou uma, duas vezes e então acertou o mago no lado do rosto, jogando-o na neve.

Gatts já estava quase chegando. O lanceiro interompeu o giro segurando a arma com as duas mãos, agachando-se e apontando-a 45 graus para a frente em um gesto defensivo. O Guerreiro da Alvorada, a espada negra coberta de gelo, tentou bater na lança inimiga, mas o homem a recuou para trás e o golpe passou direto.

O movimento de recuar a lança para trás serviu para que ele tomasse impulso para cravá-la no peito do guerreiro. Ele ficou ambos os pés no chão, dobrou as pernas e usou a força e o peso de Gatts para jogá-lo para cima, os braços acompanhando o movimento e fazendo o guerreiro passar por cima dele em um arco, caindo no chão com estrondo.

Ele se levantou rapidamente, a espada apontada para trás para dar impulso ao golpe. O homem girou a lança com ambas as mãos, e foi como se o corte lateral tivesse batido num ventilador que fez a espada ir para o lado oposto e para baixo.

Com a lança em cima da espada de Gatts, cuja lâmina tocava o chão, ele moveu a lança com toda a força para acertar o capacete do guerreiro. O golpe o desconcertou por alguns segundos, e ele sentiu a lança pesada perfurando a armadura como se fosse feita de manteiga, depois o som metálico quando a lâmina foi usada como espada, atingindo-lhe o lado com a borda serrilhada. O chão pareceu um pouco suave demais quando suas costas o encontraram.

–Eu não faria isso — o homem disse virando-se para Nick, que se interrompeu, atrapalhado. Estava prestes a tentar congelá-lo — pela quinta vez. Ele, Kiara, Thugles e Sheddeer estavam juntos em uma linha de defesa, embora soubessem que seria inútil. Acabaram de ver os três melhores lutadores sendo despachados com facildade pelo lanceiro.

–Meu nome é Italo — ele disse — Eu sou nível 118. Minha habilidade passiva, Sangue Draconiano, ignora completamente magias de pessoas mais de trinta níveis abaixo do meu. Ela também me recupera 5% de HP a cada dez segundos. Se há alguém aqui a fim de continuar esta luta...

A pequena lesma nos braços de Dark Corpse arregalou os olhinhos. Na Sunrise of Astoria, ele tinha visto aquele lanceiro apenas algumas vezes, mas nunca ninguém lhe dissera quem era... E ele sabia vagamente que o líder do clã se chamava Italo. Um pensamento lhe ocorreu: Então ele, um mero aprendiz de guerreiro que havia fracassado no primeiro ataque que decidira fazer, havia sido ajudado... Pelo próprio líder?

Donnie, que já havia se levantado, olhou para a figura de azul-escuro quase tão surpreso quanto o samurai. Já tinha ouvido falar dele, mas nunca o tinha visto pessoalmente. Verdade seja dita, ele o temia. E acabar de descobrir que tinha razões para isso.

Um rapaz grunhiu perto dali, em seguida Aphanyus se levantou, o rosto torcido numa careta furiosa, erguendo a espada com dificuldade. Ele tentou correr, mas foi interrompido por uma shuriken negra em seu peito.

–Acho que a batalha acabou — disse a voz lenta e cortante de Rockfield, abafada pela máscara.

Ele estava ali perto, uma shuriken preparada na mão direita. Seu rosto estava coberto, mas o recado era claro. Relutante, Aphanyus baixou a espada, ainda que de má vontade.

–Vamos embora — ele disse rapidamente — Já tivemos muita luta descecessária por hoje.

Ele então puxou um pergaminho cinzento e o leu, uma aura surgindo ao redor dele e teletransortando-o para algum lugar. Dark Corpse sorriu perversamente para eles, segurando uma pequena garrafa cheia de um líquido branco, que Donnie reconheceu como Elixir de Energia(não Elixir Energético), obviamente o que foi usado pra acordar Mad Shadow. Ele se voltou para trás e, juntamente com Italo e a mulher, saíram em direção ao norte de El Nath.