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2 Chapter One ― A Promessa de um Camponês


Notas iniciais
Ola! Gente, fiquei super feliz pela repercussão que um pequeno prólogo teve! Adorei cada comentário, muito obrigada mesmo! Como prometido, o capítulo um esta aqui quentinho, pronto pra leitura! Espero que gostem ♥

Chapter One

A Promessa de um camponês.

Antes de tudo, algumas considerações:

Por se tratar de diversas histórias, eu não me darei ao luxo de contá-las em ordem cronológica.

Não faça perguntas precipitadas. Toda história tem seu início meio e fim. Mesmo que em nenhum desses exista o final feliz.

Não sou eu a responsável pelas histórias; Sou a Deusa da Eternidade, não a do Destino.

Acho que já podemos seguir em frente. Apresento-lhes dois camponeses e uma promessa.

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Amsterdã, Holanda ― Século XVII (1632).

O céu amanhecera limpo naquele dia. O véu azul se estendia sobre as cabeças na Terra sem nenhuma nuvem a cobri-lo. Era como se a imensidão celeste apenas observasse as pessoas lá embaixo; como se fosse capaz de ver tudo, saber todos os segredos ocultos da humanidade.

No lado norte da cidade, vastos campos de tulipas se estendiam; magníficas, impecáveis. Os camponeses dali tiveram muito trabalho, mas alcançaram a perfeição.

Á poucos quilômetros de distância havia uma grande casa de um amarelo claro nas paredes que era envolvida por uma grande cerca. Apesar de sua imensidão, a casa era simples, e a pequena plantação juntamente com alguns animais denunciava ser uma casa de camponeses.

Não se engane, é aqui mesmo o começo desta história.

Apesar da claridade, notava-se que o dia acabara de amanhecer. Assim como nossos camponeses donos do casarão. Duas crianças pularam para fora do casarão, alegres saltitantes. Duas meninas.

Ambas com cabelos ruivos, apenas em tons diferentes. A que aparentava ser maior tinha cabelos altos, volumosos e puxados para o laranja. O sorriso estampado em seus lábios esbranquiçados era imenso. Os olhos azuis cintilavam.

A segunda menina, tinha os cabelos mais escuros, o vermelho puxado para o lado marrom. Uma mexa estranhamente branca caía dentre os lisos cabelos cor de carmim.

As duas pulavam, gritando, os vestidos de cor palha ― na verdade eram suas camisolas ― sujando a barra com a lama do campo.

Brincavam de alguma coisa. Mas não é relevante no momento. O mais importante era á quem elas desviavam a atenção.

― Elsa! Elsa! ― A maior gritou puxando a mão da pequena que ria descontroladamente. ― Elsa venha logo!

E então ela apareceu. Saindo de dentro da casa uma moça já formada que aparentava estar entre seus dezenove anos. Os cabelos loiros caíam como uma cascata de ouro, trançados, sobre o ombro esquerdo, chegando à cintura.

Com um dos braços segurava uma grande cesta de palha, cheia de tulipas de diversas cores. Trajava um vestido azul-claro de mangas longas que descia até um pouco além de seus joelhos. Por cima, um avental na cor marrom.

― Meninas, se acalmem! ― Os olhos celestes pareciam sorrir mais do que os lábios rosados. ­― Antes de brincarmos, temos que ir até o senhor Van der Vorst. Tenho que entregar a ele essas tulipas.

Pegou uma das belas flores na mão e sorriu suavemente. As duas ruivinhas pararam a euforia e moveram os enormes olhos claros na direção dela. Logo deu cada uma um sorrisinho malicioso.

Anna, a menor delas olhou cúmplice para Mérida a outra ruivinha.

― Nós iremos visitar o Senhor Vorst... ― Começou ela, voltando o olhar para Elsa que as encarava curiosa.

― Ou vamos visitar o... Jack? ― Completou Mérida com as mãozinhas na boca tentando conter a risada.

A loira revirou os olhos, voltando à tulipa para a cesta e passando pelas duas meninas que a seguiam gargalhando.

― Lá vem vocês outra vez. Já disse que eu e Jack somos amigos. ― Elsa sorriu.

― Ah, claro! De onde eu venho amigos não beijam na boca El! ― Mérida disse atrevida enquanto Anna ria descontroladamente da vermelhidão do rosto de Elsa.

As três agora caminhavam por uma pequena estradinha de terra a alguns metros de distância da cerca que envolvia o casarão.

― Já expliquei a vocês que aquilo foi um acidente. Jack escorregou na lama e caiu sobre mim, e acidentalmente nossos lábios se tocaram.

Ana bufou. Mérida riu virando os olhos.

Acho que merecem uma explicação sobre esse “acidente”. Acontece que Elsa e Jack estavam nos campos de tulipas, trabalhando juntos como sempre faziam.

Ao que tudo indica, ele estava aguando algumas flores, e escorregou “acidentalmente”, ela tentou ajuda-lo, “acidentalmente” caiu sobre ele e “acidentalmente” seus lábios se tocaram.

Bem eu sinto em dizer que não os observava ainda quando tal “acidente” aconteceu. Como eu disse antes me importava apenas com histórias comuns. Acidentes à parte, vamos prosseguir com a história.

As três chegaram próximas a um pequeno casebre, a uma distancia considerável dos coloridos campos. Na entrada uma enorme porta de madeira se estendia.

Elsa subiu os dois degraus que tinham ali, e bateu na porta. O som de panelas caindo foi ouvido de dentro da casa. Em seguidas passos e a porta foi aberta. De lá um homem enorme de olhos azuis e barbas compridas saiu.

Esse era North Van der Vorst. Mas que as pequenas Anna e Mérida apelidaram de Papai Noel.

― Meninas! Ora ora, sejam bem vindas! Vamos entrem, entrem! ― O homem pôs uma das enormes mãos nos ombros de Elsa enquanto com a outra chamava as duas ruivinhas serelepes que correram pra dentro da casa.

― Ahn, sinto muito senhor der Vorst, mas tenho trabalho a fazer. ― disse a loira lançando um olhar de precaução à Anna e Mérida que brincavam com o cachorro do velho homem o “ajudante de papai Noel” como o chamavam.

― Sim, sim minha querida. Vamos me dê esta cesta e pode ir. ― North pegou as tulipas dos braços de Elsa e sorriu. Estava prestes a fechar a porta quando ela o impediu.

― Senhor North... É... Eu queria saber se... Bem... ― Ela se enrolou em suas próprias palavras.

Na época eu não sabia ao certo o porquê dela ter se embananado toda daquela forma. Repetindo, eu não me importava tanto com a história deles.

O homem barbudo sorriu e colocou a mão sobre a cabeça de Elsa, que estava envergonhada.

― Jack já está lá, Elsa. Inclusive ele disse que quando você chegasse era pra correr até os moinhos de vento que ele estaria te esperando lá.

Elsa assentiu com a cabeça e saiu correndo em direção aos moinhos. Ao chegar, avistou ao longe a cabeleira castanha de Jack. Sorriu.

Andou silenciosamente até ele na tentativa de assustá-lo. Quando estava prestes a colocar as mãos em sua cintura, o garoto se virou e de repente a molhou no seu rosto com uma mangueira.

Elsa se assustou e juntou as mãos na frente do jato de água praguejando baixinho. Jack gargalhava.

― Moron! ― Disse secando os olhos com as mãos. ― Idiota.

Mesmo irritada ela se juntou a ele nas risadas enquanto tentava inutilmente secar a parte de cima do vestido que também molhara. Logo apoiou as mãos na cintura e olhou desafiadoramente para Jack.

― Queria falar comigo senhor der Vorst? Soube que não se aguentou de saudades e precisava urgentemente trocar prosa comigo. Boatos de que declararia seu eterno amor por mim ― Essa última frase ela sussurrou inclinando o corpo levemente para o lado.

A princípio eu pensei ser verdade. Mas depois entendi que ela estava mentindo. Ou apenas brincando.

O sorriso de Jack murchou consideravelmente, se transformando de um estonteante mostrar de dentes, para um sorrisinho de lado. Poderia dizer que apenas estava envergonhado devido a ultima declaração.

Mas não para Elsa, que já o conhecia desde pequena pelo que soube, e que percebeu que tinha algo errado.

― Algum problema? ― Perguntou preocupada.

― Niet. ― Disse com uma mão na nuca. ― Não. Mas venha me acompanhe quero te mostrar uma coisa.

Ele pegou na mão dela e a puxou para a parte de trás do moinho que se estendia em sua frente. Entraram por uma portinha de madeira e por uma pequena escada em espiral subiram até o topo onde uma pequena fresta permitia a eles a bela vista dos campos coloridos de tulipas.

― É tão lindo. ― Elsa comentara sorrindo ao ver Jack chamá-la para perto para que tivesse uma visão mais ampla do véu colorido que se estendia diante deles. ― Mesmo que tivesse a chance de mudar para qualquer outro lugar, tenho certeza que jamais seria permanente. Eu pertenço a Amsterdã, aos campos de flores.

― Tem razão. Pra falar verdade eu também nunca sairia daqui, se isso dependesse de mim.

Jack puxara uma das alavancas de uma pequena bancada que fez as enormes pás de madeira dos moinhos girarem lentamente.

― Afinal, o trabalho de moleiro te rendeu alguns atributos, não é? ― Ela comentara vendo o movimento belo e calmo do moinho.

― Mesmo que eu tenha trabalhado por horas e não tenha recebido uma gorjeta se quer, sim valeu a pena. Apesar de que praticamente fui obrigado a trabalhar para o maldito Van Pitch.

Nota:

Van Pitch era o ser mais repugnante daquelas terras, e propriamente, o dono delas.

Elsa revirou os olhos. Ela tinha essa mania há muito tempo acho.

― Não seja exagerado, Jack. Você escolheu trabalhar para Pitch. Mesmo assim age como se tivesse sido trabalho escravo. ― Riu do menino fechando os olhos levemente sem olhar para ele.

A visão do campo era tão bonita que Elsa nem se dera ao trabalho de desviar os olhos azuis para Jack. O canto dos pássaros ao longe era tão magnífico que ela nem se dera ao trabalho de perceber que Jack não rira com ela.

E o brilho do sol nascente era tão estonteante que ela não percebera o brilho das lágrimas nos olhos de Jack.

Quando se deu conta de que ele estava chorando seu corpo já estava envolvido pelos braços fortes do moreno e seu ombro já se molhava com a tristeza dos olhos dele.

― Jack? ― Assustada retribuíra o abraço dele passando uma das mãos sobre seus fios castanhos. Ele chorava como uma criança e algumas lágrimas molharam o rosto dela rosto acompanhando o desespero de seu melhor amigo.

E que mais adiante eu viria a descobrir ser também seu primeiro amor.

Elsa afrouxou o abraço e pegou com ambas as mãos o rosto de Jack. Com os polegares tentou secar inutilmente as lágrimas dele. ― Moron. Disse que não tinha nenhum problema.

A voz dela estava embargada em confusão. Minha mente também.

Jack pousou uma das mãos sobre a dela e conteve o próprio choro.

― Eu... Eu vou embora Elsa. ― Disse com pesar. Ela o olhou, assustada. ― Fui vendido para o trabalho escravo.

Uma breve explicação:

Durante o século XVII os Países Baixos, ou seja, Holanda estava no período de colonização. E durante o período Colonial se envolveram fortemente com o comércio de escravos, não apenas os comprando, mas também os vendendo.

É eu também achei inadmissível.

― Mas... Niet, niet, você não pode! ― Bem ela estava desolada. Talvez até mais que Jack. ― Eu... Eu... North não me-

― Pedi a ele que não te contasse. ― Cortou-a. ― Eu sinto muito. Precisava ajudar North de qualquer maneira, trabalhar para Pitch não estava nos tirando da miséria. Mesmo sendo ranzinza o Van Pitch me ajudou a conseguir um trabalho no Brasil que não fosse totalmente injusto e rendesse alguns poucos euros para North.

Dessa vez Elsa que chorava compulsivamente. Bem ela e eu também. Mesmo sendo um ser cósmico. Minha existência chorava pelos dois. Mesmo que a principio eu não admitisse isso.

― Quando... Quando você irá partir?

― Morgenochtend. ― Sussurrou apertando-a firme entre os braços. ― Amanhã de manhã.

Depois disso Elsa chorou ainda mais. Eu cogitei desistir seguindo a história de amor deles. Na verdade eu cheguei a pensar ser uma história comum. O que mais existem são histórias de despedida comuns.

Mas estava decidida a continuar. Em geral Jack conseguiu acalmá-la. Logo eles estavam sorrindo mesmo que metade de seus corações estivesse chorando compulsivamente.

Passaram a tarde juntos. E um pouco da noite também. O sorriso em seus lábios indicava que se divertiram muito. Mas o brilho de seus olhos era triste. Despediram-se à noite. Elsa chorou descontroladamente em sua cama. Mas prometera estar lá bem cedo quando ele fosse embora. E estava. O sol ainda estava apresentando os primeiros raios da manhã quando os dois se encontravam juntos no cais a alguns quilômetros dos campos e dos moinhos. Um barco esperava Jack.

Nenhum dos dois chorava. Ainda.

― Jack... ― Elsa sussurrou antes que ele entrasse no barco. Ele parou. Ela segurava uma de suas mãos enquanto olhava pra baixo. ― Ik hou van je.

Eu não sabia holandês. Nem chegava perto. Mas pela expressão de espanto e as bochechas extremamente vermelhas de Elsa, soube que significava eu te amo. Jack também estava levemente vermelho quando começou a chorar.

Puxou Elsa para si e colou sua testa na dela obrigando-a a olhá-lo os orbes azuis embargados de lágrimas.

― Je moron! ― Disse alto acariciando as bochechas molhadas dela. ― Sua idiota! Vem dizer que me ama... Agora? ― Ele sorriu entre lágrimas. ― Ik hou ook van jou.

Elsa tentou sorrir entre um soluço e outro. Seu amor era correspondido. ― Beloof het me. Prometa-me que não irá me esquecer. Prometa-me que iremos nos ver outra vez.

― Ik beloof. ― Ele sorriu. ― Eu prometo.

Assim eu presenciei o primeiro beijo de amor de dois humanos. Confesso que foi triste. Estavam se despedindo. Mas apesar de tristes ainda estavam felizes. Confuso, eu sei. Mas pela simplicidade do ósculo pelos movimentos que faziam, pela sutilidade de ambos, soube que era um beijo verdadeiro.

Enfim, Jack foi embora. E infelizmente não voltou. Não cumprira sua promessa, a de que voltaria, mas fico feliz em dizer que ele cumpriu quando disse que jamais esqueceria Elsa.

Ela também nunca o esqueceu. Guardou-se até o fim de sua vida para o amor que nunca voltou. Ele se arriscara diversas vezes a fugir de seu destino, e em uma dessas foi morto por seu dono. Suas ultimas palavras foram “me desculpe”.

E tenho certeza que Elsa sabia que ele lamentava, pois morreu sorrindo em sua cama, com Mérida e Anna ao seu lado. Ela o perdoou, antes de morrer.

Sei que foi uma história trágica, mas foi real. Decidi começar a contá-la primeiro não só por ter sido a primeira que acompanhei, mas sim por ter sido a que mais me levou a ter fé na humanidade.

Jack Van de Vorst não cumprira sua promessa de voltar para a camponesa Elsa. Mas cumprira para a bailarina Elsa. Assim seguiu a minha história de amor favorita.

Notas finais
E então, o que acharam? Espero muito que tenham gostado. Os próximos capítulos terão a base desse. Fiquem calmos a história ainda não acabou. Caso tenha ficado alguma dúvida, a história parte do ponto de vidas passadas! Portanto, trata-se de uma fic contada por um narrador personagem no caso, Seraphine, que irá relatar diversas histórias de vidas diferentes que Elsa e Jack viveram! Espero que gostem dessa história, é um enredo novo para mim também haha. Comentem para que eu saiba se estão gostando ou não, deem sugestões ou qualquer dúvida que possam ter tido, perguntem nos comentários! Beijos e até o próximo capítulo!