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6 Chapter Five ― Majestade de Alberona


Notas iniciais
Hey! Estou muito feliz com os comentários do capítulo passado, vocês são demais! Estive pensando em um dia certo para postar cada capítulo! O que acham? Que tal sábado sim, sábado não? Uma vez na semana? Digam nos comentários, para que eu saiba! Beijos e boa leitura! ♥

Chapter Five

Majestade de Alberona.

Depois de me encontrar com os dois adolescentes argentinos e afirmar com toda certeza que o amor deles ainda estava vivo, passado um tempo, eu procurei-os novamente.

Não fico feliz em dizer que mais uma era da humanidade se passou. A eternidade é algo formidável, entretanto ela trás consigo o tédio inacabável. Mais uma era inteira sem Jack ou Elsa.

Contudo é obvio que eles voltaram. De uma forma que me surpreendeu, até. Em um lugar bem distante da Argentina, onde o tempo é frio eu encontrei a outra história de Elsa e Jack O’Sioc.

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Termonfeckin, condado de Louth, Irlanda. ― Século XVIII (1730)

O povo antigo daquela pequena cidade era extremamente tradicional. Soube que a história deles era dos tempos primórdios, mas apesar de ser um ser eterno não tinha consciência da existência de Termonfeckin.

Contudo o que realmente importa não é o tempo daquele povo, mas sim a sua hostilidade. Apesar de muito simples a grande maioria deles eram extremamente mesquinhos e irritadiços. Especialmente quando se tratava da rainha que os regiam.

Observando um jovem aldeão que descobri carregar o estranho nome de Hiccup (e logo depois estranhar mais ainda ao me dar conta de que, era o mesmo Hiccup amigo do Jack idiota que vivera na Argentina) conversar com uma moça que logo lembrei ser a jovem Merida, irmã de Elsa a holandesa, soube o motivo de tanta hostilidade.

Ao que parece a rainha deles era extremamente fria, calculista, e carregava o apelido de Coração de Gelo. A jovem vivia trancada no seu castelo desde os oito anos e devido à morte precoce dos pais teve que subir ao trono pouco depois de completar seus vinte e um anos.

Algum tempo se passara desde que a Rainha Coração de Gelo atingira sua maioridade, mas devido à tradição firme do seu reino, os súditos não aceitaram bem o fato de a moça ser solteira.

Desse modo a rainha se viu obrigada a forjar um casamento às pressas antes que um de seus parceiros comerciais lhe roubasse o trono pertencente por um motivo absurdo, mas que devido às leis do pequeno reino a muito impostas era “seu por direito”.

Sendo assim ela se casara com um jovem príncipe de um lugar já conhecido por mim durante a primeira era da humanidade que se chamava Ilhas do Sul. As Ilhas do Sul era um lugar pacato, embora tivesse uma participação bem grande duas eras anteriores na Segunda Grande Guerra Mundial.

Soube que o príncipe não foi o mais indicado dos pretendentes, pois sendo filho do meio da família real de Ilhas do Sul, era o terceiro na linha de sucessão. Contudo, os outros dois irmãos já estavam comprometidos, mesmo que o mais novo desfrutava de seus poucos dezesseis anos.

Mesmo assim após toda a burocracia e assinaturas em papeis que ao meu ponto de vista não valiam de nada, agora ambos os jovens de sangue real estavam muito bem casados.

Confesso que, embora estivesse procurando os donos da história de amor mais bela que já vi, não pensei que pudesse os encontrar tão cedo. Para mim, poderia apenas ser mais uma história comum, como aquelas que outrora eu assistia.

Mesmo assim, senti a necessidade de presenciar uma história, que fosse de amor ou não, me instigara. O laço matrimonial, para os humanos, selava um momento importante, o inicio de uma nova vida a dois, e saber que houvera um, sem a presença de um sentimento tão forte quanto o amor, me senti curiosa.

Portanto, é claro que eu fui atrás desses dois.

E é claro que eram ninguém menos que Jack e Elsa.

E é claro que o casamento arranjado deles não estava dando certo.

Acontece que para meu azar, ou sorte, eu os encontrei em meio a uma discussão. E não uma discussão qualquer. Era algo bem sério. Pude supor ao notar que, o ar do cômodo onde estavam, parecia mais frio, pesado.

Passei por entre as paredes de pedra do castelo seguindo para o leste de onde podia ouvir uma gritaria.

Cheguei ao que parecia ser uma sala, enorme e decorada com itens de prata, ouro e tapeçarias que eu sabia valer muito para os humanos. Talvez, o suficiente para usar como motivo para uma chacina.

Humanos mesquinhos.

Na maior parede, ao lado esquerdo da sala um quadro pintado à mão retratava um homem e uma mulher sendo que esta estava sentada em uma poltrona enquanto aquele estava em pé ao seu lado.

Ambos usavam roupas grossas e cheias de badulaques. Tanto no belo quadro, quanto no presente momento. Duas coroas enfeitavam lhes a cabeça, tanto no quadro, quanto naquele exato momento. E ambos estavam felizes, esboçando um sorriso no quadro, enquanto no momento, estavam em pé no meio da sala olhando-se furiosamente.

Jack e Elsa.

Do mesmo jeito que eu me lembrava dos dois. Exceto pelas expressões de fúria e veias saltando á testa.

― Você não pode continuar a agir dessa forma Elsa! ― Jack disse seriamente para a jovem que o fuzilava com os olhos azuis gelo. ― Anna precisa de você! O seu reino precisa de você!

― Anna não precisa de mim O’Sioc. Nem o meu reino. Nunca precisaram e eu sei melhor do que ninguém os quão felizes eles estariam se eu tivesse morrido há dois anos quando essa maldita cidade sucumbiu em meio à neve.

Confesso ter ficado meio atordoada ao ouvir apenas essa parte do diálogo. Isso significava que Anna a princesinha irmã da camponesa Elsa, estava viva nesse tempo e que Elsa quase teria morrido... Mas eu não compreendi a forma como ela estava falando. Tão hostil, tão... Fria.

― Ouça bem o que disse Elsa. Anna é sua irmã. E é do seu reino que está falando. Seu povo. E não me chame de O’Sioc. Sabe muito bem que perdi este sobrenome no momento em que nos casamos! Quer você queira ou não, eu sou um Alberona!

― Não ouse pronunciar esse nome imundo em minha presença! ― Elsa ralhou em um grito estridente, mas que eu sabia que podia comandar um batalhão. Suas pupilas se dilataram e os olhos azuis ficaram encobertos por uma névoa negra.

Eu não a reconhecia. Aquela não era a Elsa. Não podia ser.

― Por qual motivo você tem tanto ódio de seu próprio sobrenome? Você é uma Alberona! Assim como os seus pais! ― Ele fechava as mãos em punhos e gesticulava com os braços.

Ní! Não!Eu não possuo esse nome, e aqueles não eram os meus pais! ― Elsa gritou alto assustando até mesmo a mim.

Naquele momento um vento extremamente gélido se fez presente no cômodo. E Jack não ficou alheio a isso. Elsa tinha as duas mãos cobertas por uma luva, agarradas ao peito as bochechas estavam coradas e fios soltavam-se de seu cabelo e caiam-lhe sobre os olhos.

O belo penteado que outrora usava, estava praticamente em ruínas devido À força do vento. Não compreendia o motivo de todo o ar estar girando naquela sala. As janelas e portas estavam fechadas.

― Elsa... Acalme-se... ― Jack deu dois passos calculados na direção da loira, que pressionava o corpo contra a beirada de uma mesa. Os dois de repente pareciam assustados. Assim como eu.

― Saia daqui. ― Elsa levou uma das mãos em direção à outra como se ameaçasse tirar uma das luvas.

Naquele exato instante, o ar se tornou mais pesado ainda, e um ruído já podia ser ouvido devido ao seu movimento. Vez ou outra, o movimento em espiral derrubava alguns objetos que estavam apoiados sobre as mesas. A bela lareira ao fundo da sala já havia tido a sua chama apagada.

― Não faça isso. ― Ele deu mais um passo em direção a ela, o que resultou em um leve puxão na luva esquerda, mas que ainda permanecia tampando-lhe a mão. ― Elsa... Você não pode fazer isso. Você não quer fazer isso.

O lustre de cristal acima de suas cabeças tremeluziu de leve, o vento de repente transformando o enorme cômodo em um ambiente apertado e sufocante.

― Está errado. Eu posso e quero fazer isso. Saia já daqui Jack. Ou irei te machucar.

― Não pode me machucar esqueceu? Eu sou como você. Independente de sua vontade, de queres ou não, somos iguais. Por isso casei com você. Por isso que... Eu te amo Elsa.

A coroa de Jack voou de sua cabeça ao tentar se aproximar da loira. Ele assustado, recuou levemente, mas a expressão determinada em seu rosto não sumira. Quase vi o brilho reluzente do Jack alemão, dos campos de batalha, cintilar em seus olhos azuis.

― Mentira! Está mentindo. Não me ama nunca me amou e jamais o fará. ― Nesse momento os olhos dela se encheram de lágrimas e ela tirou a luva da mão esquerda apontando-a para Jack que parecia desolado e subtamente com um medo crescente.

O quadro na parede ameacou cair.

Eu não compreendia o que estava acontecendo. Estava aturdida, confusa e perguntas rodeavam meu ser insesantemente e eu não conseguia encontrar a resposta. O que era aquele vento estranho e congelante, concentrado num unico cômodo? Nunca havia visto nada parecido em toda minha eternidade.

― Por que diz isso? Não acredita em mim, Elsa? ― Ele andou até ela, se sentindo empurrado contra o vento, assustando-a quando envolveu sua mão com as duas dele. O rosto vermelho dela estava manchado de lágrimas que escorriam como uma cachoeira.

Os cabelos loiros e soltos ricocheteavam seu rosto, os de Jack uma bagunça completa.

― Você é como todos os outros. ― Sua voz, outrora manchada por raiva e agressividade, agora estava envolta por uma mágoa sem fim. ― Acha que sou um monstro por causa desses estúpidos poderes, e vai me abandonar, assim como meus pais e Anna o fez. Só está aqui por obrigação. Para proteger Termonfeckin do monstro Coração de Gelo.

― Não diga isso. ― Ele demonstrou ofendido com sua acusação. ― Sabe que não é verdade. Você só é... Mal interpretada. Não compreendida. Diferente dos outros, Elsa, eu sei que você não é esse monstro, tudo o que fez foi para proteger quem ama. De um perigo que só existe em sua cabeça.

O vento uivou, e ameaçou aumentar ainda mais. Jack apertou as mãos da loira com força, se sentindo empurrado por uma rajada forte que lhe atingira ás costas. Segurou-se firme para não cair sobre Elsa.

Ele acariciou as bochechas dela e levou a mão extremamente branca dela em direção a seus lábios dando um selinho demorado.

― Você está tão fria... ― Murmurou e um esboço de sorriso surgiu nos lábios rosados dela.

Eu sou fria, Jack.

Ele olhou-a fundo nos olhos e a puxou para um abraço. Estavam tão juntos como se quisessem se fundir. O sentimento humano é tão belo. O vento aumentava ainda mais.

― Da melhor maneira possível. Não se julgue tanto Elsa. Não é esse monstro que pensa ser.

― Obrigada Jack. ― Ela murmurou baixinho.

Em um movimento leve, ele ergueu o queixo dela obrigando-a a olhá-lo. Elsa ainda mais vermelha que antes, abriu levemente os lábios e cerrou os olhos. Jack a puxou mais para perto e encarou os lábios entreabertos.

Um segundo fora suficiente para cobrir a distancia entre os dois. O vento se moveu mais veloz, acabando por se chocar contra o próprio, gerando uma explosão de flocos de neve, algo magnificamente lindo.

A mão de Elsa, coberta pela luva moveu-se em direção à nuca de Jack enquanto o mesmo aprofundava o magnífico beijo. Separaram-se alguns segundos depois, dando leves beijos, como se interromperem o ósculo fosse uma tarefa extremamente difícil.

Elsa envolveu a cintura dele o apertando em um abraço e para meu espanto na direção da mão que estava descoberta pela luva foi coberta por uma camada fina e branca de... Neve.

Uma gargalhada baixa de Jack inundou o cômodo e as bochechas de Elsa ficaram em um tom vermelho vivo.

― Acho que congelei seu paletó... ― Ela sussurrou constrangida.

― Você acha?

― Tenho certeza. ― Ela sorriu e se desvencilhou dos braços dele secando o rosto com a mão encoberta com a luva. ― Vá se trocar. Vamos jantar no salão hoje.

Jack abriu um sorriso enorme e com um beijo na bochecha dela, deixou a sala. Elsa sorriu e foi em direção ao quadro onde a pintura deles estava, ainda torta.

Engoliu em seco, levando as mãos até a moldura e colocando a tela em sua devida posição. Respirou fundo colocando a mão sem a luva na direção onde a imagem de Jack estava e no mesmo instante aquela parte foi coberta com neve formal.

Um desenho magnífico de gelo foi se formando delicadamente sobre a pintura, e quando estava ameaçando sair do quarto para as paredes escuras da sala, o rosto da loira se contorceu, e ela fechou os olhos, como se fizesse algum tipo de força.

Ela suspirou retirando a mão dali e cobrindo-a com a luva novamente. Virou-se para onde Jack acabara de sair. Sorriu.

― Mo nifẹ rẹ, Jack. ― E sorriu. ― Eu te amo.

Naquela noite Elsa, Jack e Anna jantaram juntos pela primeira vez em uma eternidade, como Anna descrevera. Houve brincadeiras, risadas e até mesmo uma guerra de bola de neve, que incrivelmente Jack criara com as próprias mãos.

Apesar de toda a cena que aconteceu mais cedo todos agiram como aguas passadas, mesmo com Elsa continuando calma e demonstrando apreensão em alguns momentos.

E foi assim que todos foram dormir no reino aquela noite.

Confesso ter ficado assustada com tudo o que vi e as dúvidas apesar de tudo, não cessaram. Mas apesar de tudo tais dúvidas não demoraram a ser respondidas.

Quando encontrei Jack e Elsa novamente, posso afirmar que nunca os vi tão diferente em toda a minha existência. Mas essa reencarnação que se seguiu depois de Jack O’Sioc e da Majestade de Alberona, serviu para explicar as possíveis dúvidas que surgiram.

É por isso que irei contar a história de amor mais assustadora e se me permitem dizer, estranha que já vi acontecer.

Sobre uma jovem marcada pela malícia e o orgulho, e um jovem cercado pelo seu próprio alto e imensurável ego. Ambos oprimindo os sentimentos bons deixando-se levar pelo pecado da carne humana.

Dois jovens que decidiram disfarçar o amor forte que corria em suas veias desde os primórdios como se fossem alheios à presença um do outro.

Afinal, disfarçar amor com o ódio parece ser bem comum entre os humanos.

Apresento-lhes o ódio entre Elsa Romanov e Jack Metel Frost.

Notas finais
Então o que acharam? E o que esperam dos próximos Elsa e Jack? Dei spoiler ein! Beijos e até o próximo capítulo! ♥