Manual para ser pedida em casamento
14 Just gonna stand there and watch me burn
Notas iniciais
POV BELLA
Seattle amanheceu silenciosa.
A chuva fina escorria pela janela como um sussurro constante, e pela primeira vez em muito tempo… aquilo não parecia tristeza.
Parecia paz.
Eu estava encostada na porta da cozinha, observando Edward sem que ele percebesse, ou fingindo não perceber.
Camisa branca levemente aberta no colarinho.
Cabelo ainda bagunçado.
Movimentos concentrados demais para algo simples como preparar café.
Ele parecia… real.
E talvez fosse isso que me prendia ali, parada, só olhando.
— Você está me observando de novo — ele disse, sem virar.
— Você sempre sabe.- Eu sorri automaticamente.
— Sempre — respondeu, agora virando o rosto, os olhos encontrando os meus com aquele brilho que ainda fazia tudo dentro de mim desorganizar.
Eu caminhei até ele devagar, sem pressa.
Sem urgência.
Passei os braços pela cintura dele, encostando o rosto nas costas quentes.
— Bom dia…
Ele virou no meu abraço, segurando meu rosto com cuidado.
— Bom dia, noiva.- disse ele sorrindo torto e beijando a ponta do meu nariz.
Meu coração… não desacelerou.
Ele nunca desacelerava com ele.
— Eu ainda não me acostumei com isso — murmurei.
— Com o quê?- perguntou rindo.
— Com a gente… estar certo...noivos...
Ele me observou por um segundo, mais sério e presente.
— Eu também não.- confessou.
Silêncio.
Mas não era desconfortável.
Era cheio.
— E sabe o que é estranho? — ele continuou tirando minha mecha de cabelo do meu rosto e colocando atrás da minha orelha.
— O quê?
— Eu não quero mais esperar nada ficar perfeito.- disse ele acariciando meu rosto.
— Isso vindo de você é quase assustador.- Eu ri baixo.
— Eu só quero viver isso.- disse ele me puxando para mais perto e seus olhos prenderam nos meus. — Com você.
E foi isso.
Foi o suficiente.
Ele segurou minha cintura com uma firmeza inesperada, me levantando no colo antes que eu pudesse reagir.
— Edward!
Mas eu já estava rindo quando ele me colocou sentada no balcão da cozinha.
As mãos dele ainda na minha cintura.
O olhar… mais escuro, mais intenso.
— A gente ainda tem tempo — ele disse, olhando rapidamente para o relógio na parede. — Muito tempo antes do trabalho.
Meu coração disparou.
— Edward…
Mas ele já estava perto demais.
Os lábios encontrando os meus outra vez.
Mais profundo.
Mais lento.
Mais… necessário.
Minhas mãos foram para o cabelo dele automaticamente, puxando levemente, sentindo ele mais perto, mais presente, mais meu.
— Eu te amo… — ele murmurou contra minha boca.
— Eu também te amo…
— Eu te amo muito, Bella.
— Eu já entendi…—Eu ri baixo, sem fôlego.
— Não — ele respondeu, encostando a testa na minha. — Eu não disse isso o suficiente antes.
Meu peito apertou.
— Então diz agora…
Ele sorriu e me beijou de novo.
E dessa vez não era só beijo.
Era saudade sendo resolvida.
Era escolha.
Era entrega.
O resto do mundo deixou de existir.
E, pela primeira vez…
não parecia errado.
Parecia exatamente onde eu deveria estar.
(...)O escritório parecia mais barulhento do que eu lembrava ou talvez fosse só eu… voltando a sentir tudo.
— BELLA?! — Angela praticamente correu até mim.— Você voltou!
— Eu voltei — ri, abraçando ela com força.
— Você sumiu por semanas!- disse ela me ralhando de brincadeira.
— Eu precisava…
— De um colapso emocional em outro país? — Jessica completou, surgindo do nada, como sempre com duas xícaras de café na mão.
— Algo assim.—Eu ri.
— Ok. Tem alguma coisa errada.— Jessica me analisou de cima a baixo rindo.
— Errada?- arqueei a sobrancelha.
— Ou muito certa — Angela corrigiu, estreitando os olhos.— Você está diferente...
Silêncio.
— Eu sempre fui assim.- disse brincando e dando uma voltinha para elas.
— Não — Jessica cruzou os braços. — Você está… feliz.
Aquilo me pegou desprevenida.
— Isso é suspeito — ela completou.
Eu respirei fundo e então…
— Eu vou casar! — gritei mostrando o anel para elas.
Silêncio.
Um segundo.
Dois.
— VOCÊ VAI O QUÊ?!- gritou jess animada— COM O EDWARD?!
— EU SABIA!- gritando Ângela e me abraçou de novo, quase me derrubando.— Eu sabia! Eu sabia!
— Eu preciso de detalhes. Todos. Agora.— Jessica colocou a mão no peito.
— Não agora...- disse tentando acalmalas
— AGORA.- Jessica exigiu me fazendo cosquinhas.
Eu ri.
E, pela primeira vez…aquilo não doeu.
Contar sobre Edward.
Falar sobre nós.
Não parecia mais algo frágil.
Parecia sólido.
Real.
⸻O trabalho voltou como um reflexo.
Natural.
Fluido.
Eu digitava, revisava, coordenava, decidia…
E tudo fazia sentido.
— Isso aqui está impecável — meu editor disse, olhando a tela. — Você voltou muito melhor.
— Eu sempre fui boa — respondi, sem tirar os olhos do texto.
— Convencida.- Ele riu dando um tapinha no meu ombro.
— Preciso ser a melhor, lembra? — respondi brincando com ele.
Mas por dentro…eu sabia.
Eu estava melhor.
Porque eu estava inteira.
⸻Mais tarde naquela manhã, eu estava na minha sala fazendo uma matéria falando sobre Capri quando escuto batidas na minha porta e a abre colocando o rosto para dentro.
— Bella?— Era Kate minha secretária
— Sim?
— Tem alguém lá embaixo te esperando.- ela disse sorrindo.
Meu coração já sabia e quando eu desci…
lá estava ele.
Encostado no Volvo S60- R, como se aquele lugar fosse dele.
Como se ele fosse parte da minha rotina.
— Você veio me buscar para almoçar ?- perguntei sorrindo
— Eu achei que minha futura esposa merecia.- ele respondeu sorrindo torto.
Meu coração fez aquilo de novo.
— Você está se acostumando rápido com isso.- brinquei o abraçando.
— Eu esperei dez anos — ele respondeu. — Posso me permitir.
Aquilo…aquilo foi desonesto e lindo.
⸻O restaurante italiano era pequeno, elegante e aquele tipo de lugar que parecia esconder o mundo do lado de fora.
Edward puxou minha cadeira e depois sentou de frente para mim.
E ficou… olhando.
— O quê?- perguntei sentindo meu rosto corando.
— Eu ainda não acredito que você disse sim.- confessou acariciando minha mão em cima da mesa.
— Eu ainda não acredito que você perguntou.- respondi acariciando a mão dele também.
Ele sorriu.
— Alice marcou degustação.- disse ele rindo
— Já?!- arregalei os olhos.
— Três buffets, dois confeiteiros e uma degustação de vinhos e champanhe... Sei que a ultima opção te agrada muito...- ele riu.
— Ela está doente, completamente louca.- brinquei
— Ela está feliz por nós...Acho que esse sempre foi o maior sonho dela- respondeu Edward entre risos.
Silêncio.
Ele tocou a aliança em minha mão e me olhou sorrindo torto.
— A gente precisa escolher uma data.
Meu coração desacelerou.
— Você escolhe.- disse.
Ele me observou.
Pensou.
E então disse:
— 13 de agosto.
— Por quê?
Ele deu de ombros.
— Porque parece… a gente.
Eu sorri.
— Dramático?
— Intenso.
— Complicado?
— Perfeito.
Eu apertei a mão dele.
— Então é 13 de agosto.
Ele sorriu daquele jeito.
Aquele que desmontava tudo.
— Eu te amo. -disse ele
— Eu te amo mais.
— Isso não é competição.
— Sempre é.
Rimos e por um momento…o mundo ficou simples.
⸻De volta a minha sala, estava digitando a matéria sobre Capri com o notebook em cima da mesa.
E Edward… ainda ali sentada no sofá folheando revistas.
— Você devia ir — murmurei. —Daqui a pouco o Aro vai começar a me odiar por estar estragando o sócio dele...
— Eu devia mesmo — ele respondeu rindo.— Mas foda-se o Aro.
— Que boca suja, Edward Anthony Masen Cullen...
Ele levantou do sofá, mas não foi embora, pelo contrário ele deu a volta na minha mesa e só se aproximou.
Devagar virou minha cadeira para ele e me puxou de la me envolvendo em seus braços.
E me beijou, leve e demorado.
Cheio de pequenas pausas.
Pequenos toques.
Pequenos “eu te amo” sussurrados entre um beijo e outro.
— Eu te amo… — ele disse contra minha boca.
— Eu te amo…
— Eu te amo mais do que ontem.
Eu ri baixo.
— Você disse isso ontem.
— E é verdade hoje também.
Eu escondi o rosto no pescoço dele.
— A gente vai ser insuportável.
— Já somos.
Mais um beijo.
Outro.
Outro.
— Bella?- A voz de Jessica.
Eu me afastei rápido.
— Entra!
Ela abriu a porta.
Parou.
E o rosto dela mudou.
— Tem… uma coisa lá fora.
Meu estômago afundou.
— Que tipo de coisa?
— Você precisa ver.
⸻As rosas tomavam o espaço.
Vermelhas.
Muitas.
Exageradas.
Sufocantes.
O cheiro doce… forte demais.
Errado.
Muito errado.
Meu coração começou a bater rápido.
— Bella… — Edward disse, baixo.
Eu caminhei.
Devagar.
Como se cada passo fosse mais pesado que o anterior.
Peguei o cartão.
Minhas mãos tremiam.
Abri.
“Non è finita, amore mio.
Você pode fingir… mas eu vejo você.
— D.”
O mundo ficou silencioso.
Frio.
— Ele está longe — Edward disse, firme.
Mas minha respiração já estava descompassada.
Porque não parecia longe.
Parecia perto demais.
— Bella… — Jessica disse, hesitando. — Um italiano ligou mais cedo.
Eu virei.
Devagar.
— Ligou?
— Procurando você.
Silêncio.
Pesado.
Sufocante.
Meu coração não desacelerava.
E pela primeira vez desde que voltei…
eu senti.
Não saudade.
Não dúvida.
Mas…
medo.
E o pior…
era não saber de onde ele estava vindo.
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