Manual para ser pedida em casamento

9 Don’t blame me, love made me crazy...


Notas iniciais
Preparadas???

POV BELLA

O mar de Capri parecia mais azul naquele dia.

Mais vivo.

Mais perigoso.

Talvez fosse só impressão… ou talvez fosse porque tudo dentro de mim estava fora de controle.

O iate de Damon cortava a água com elegância, deixando um rastro branco que desaparecia lentamente atrás de nós, como se a própria ilha estivesse tentando apagar nossos passos. O sol refletia na superfície com uma intensidade quase hipnótica, e o vento batia no meu rosto enquanto eu me apoiava na lateral da embarcação, tentando ignorar a confusão absurda que se instalou dentro do meu peito desde a noite anterior.

Eu ainda conseguia sentir Edward.

Na minha pele.

No meu corpo.

Na minha memória.

E isso tornava tudo mais difícil.

Muito mais difícil.

— Bella.- A voz de Damon veio atrás de mim, suave demais.

Controlada demais.

Eu me virei devagar.

Ele estava impecável como sempre. Camisa branca aberta no peito, óculos escuros, postura relaxada. Mas havia algo diferente nele. Algo que eu não sabia nomear, mas que fazia meu estômago revirar levemente.

— Está gostando? — ele perguntou.

— Está lindo — respondi.

E não era mentira.

Mas também não era a verdade inteira.

Porque beleza nunca foi o problema.

O problema era o que vinha junto com ela.

Damon se aproximou.

— Hoje você não foge de mim, Isabella Swan.

A frase veio em tom leve.

Mas… não soou leve.

Soou como um aviso.

Meu coração falhou por um segundo.

Antes que eu pudesse responder...

— DAMON!

Emmett.

Claro.

Ele surgiu como um furacão animado, já com uma bebida na mão.

— Vem aqui, cara! Você prometeu me explicar esse negócio de motor!

Damon fechou os olhos por um segundo, claramente contendo alguma coisa.

Irritação?

Controle?

Ora, Emmett?- disse ele com uma expressão de poucos amigos.

— Ora amico mio ! — ele respondeu animado, puxando Damon pelo ombro. — Isso é importante pra minha evolução como homem rico pai de gêmeos.

Jasper apareceu logo atrás, segurando o riso.

— Ele não vai parar até você explicar.- disse ele gesticulando com as mão para Damon.

Damon olhou para mim, por um segundo longo demais.

Como se estivesse decidindo alguma coisa.

Então… sorriu.

— Va bene.

E foi.

Levado por Emmett.

E naquele instante… eu senti.

Edward.

Se aproximando.

— Você está evitando ele — ele disse baixo, ao meu lado.

Eu não olhei.

— E você está se aproximando demais.- respondi

— Eu sempre estive — ele respondeu.

Silêncio.

O vento.

O mar.

E aquele espaço entre nós que nunca foi realmente vazio.

— Bella… — ele disse.

— Não...Agora não, por favor- disse fechando os olhos.

— Só me escuta — ele pediu

— Não — repeti, mas minha voz falhou.

Ele segurou minha mão e dessa vez… eu não soltei ou fugi.

— Eu não vou fingir que aquilo não aconteceu — ele disse.

Meu coração disparou.

— Eu também não — respondi suspirando.

Silêncio.

Pesado.

Vivo.

— Então para de fugir de nós — ele sussurrou a centímetros de mim.

E foi isso.

Foi o suficiente.

Eu puxei ele e nós entramos para dentro do iate, para o banheiro da suite.

O espaço era pequeno, fechado e extremamente quente.

E a tensão entre nós parecia maior do que qualquer lugar poderia conter.

A porta se fechou e dessa vez… não houve hesitação.

Edward me beijou contra a porta, como se tivesse passado semanas segurando aquilo.

E talvez tivesse.

Era urgente.

Desesperado.

Cheio de tudo que ficou guardado.

Minhas mãos encontraram o rosto dele.

O cabelo.

O corpo.

E tudo parecia familiar e novo ao mesmo tempo.

— Bella… — ele murmurou contra minha pele me carregando e me apoiando na bancada da pia quanto eu o envolvia com minhas pernas.

Eu não respondia ,porque não conseguia parar de beijá-lo .

Porque sentir era mais fácil do que pensar.

Muito mais.

O mundo lá fora deixou de existir.

Não havia Damon.

Não havia Capri.

Não havia escolha.

Só… nós.

Eu abri a calça de Edward e a partir dai foi Rápido, intenso, quente e cheio de amor.

Era extremamente errado e ainda assim…inevitável.

Até que quando chegamos num orgasmo perfeito...A porta abriu com tudo.

— EU SABIA!

Eu congelei.

Edward também.

Rosalie.

Encostada na porta.

Braços cruzados sob a barriga de gravida e sobrancelha arqueada.

— Eu me sinto o xerife Swan agora — ela disse, segurando o riso. — Isso aqui está ficando familiar demais.

Edward se afastou imediatamente, se recompondo e vestindo novamente sua calça.

— Rosalie...

— Relaxa — ela interrompeu. — Eu já vi coisa pior.

Eu escondi o rosto por um segundo.

— Meu Deus…

Ela olhou para mim.

— Você está completamente maluca, né?

Eu ri.

Sem humor.

— Sim.

— Ótimo — ela respondeu. — Pelo menos você tem consciência.

Edward saiu primeiro.

Claramente… sem saber onde enfiar a própria dignidade.

Rosalie me olhou mais uma vez.

— A gente vai conversar.

E saiu.

E eu fiquei ali.

Respirando.

Sabendo que…

tinha passado de qualquer limite.


POV EDWARD

Eu não sabia se ria ou se entrava no mar e não voltava mais.

Mas uma coisa era certa.

Eu não ia mais recuar.

Não depois disso.


POV Edward

O caos começou no porto. Porque quando voltamos…

eles já estavam lá.

Renée.

Charlie.

Sue.

Phil.

Esme.

Carlisle.

Todos.

E a primeira coisa que minha mãe fez foi me abraçar.

A segunda…

foi olhar para Bella.

E a terceira…

foi olhar para Damon com desconfiança escancarda.

— Então você é o tal italiano.- Renée foi direta.

Damon sorriu.

— Damon Salvatore. Piacere.

Ela não apertou a mão dele.

— Eu não gosto de você.- ela disse baixo mas de uma forma que todos escutavam.

Silêncio.

Total.

— Mãe...- Bella tentou repreender

— Não — ela interrompeu, olhando diretamente para ele. — Eu sinto a energia das pessoas.

Damon manteve o sorriso.

Mas os olhos…

não.

— Interessante.- disse ele com um sorriso provocador.

— Mais interessante ainda — ela continuou — é o fato de você achar que pode enganar todo mundo.

Silêncio.

Pesado.

— Porque você pode enganar quase todo mundo por quase todo o tempo… — ela disse, firme — …mas não todo mundo o tempo todo.

Damon não respondeu.

Mas eu vi.

Vi alguma coisa mudar nele.

Algo frio.


POV Bella

O quarto de Alice parecia pequeno demais para tudo o que estava prestes a acontecer.

Eu estava sentada na beirada da cama, com as mãos entrelaçadas no colo, tentando manter algum tipo de controle que claramente já não existia mais. Alice andava de um lado para o outro, inquieta, como se estivesse organizando pensamentos em alta velocidade, enquanto Rosalie permanecia encostada na cômoda, braços cruzados, me observando com uma mistura de julgamento e preocupação.

— Eu ainda não acredito nisso — Alice murmurou, passando a mão pelos cabelos. — Bella, em que momento a sua vida virou um roteiro caótico de filme?

Eu soltei uma risada fraca, sem humor.

— Eu também queria saber.

— Não, sério — ela continuou, parando na minha frente. — Você fugiu pra outro país, se envolveu com um italiano misterioso, e agora...

A porta se abriu e tudo parou.

Renée entrou primeiro.

Esme logo atrás.

O silêncio que caiu no quarto foi imediato, pesado, definitivo.

Minha mãe cruzou os braços antes mesmo de falar.

— Eu quero entender que história é essa de “manual para ser pedida em casamento”.

Eu engoli em seco.

Alice e Rosalie trocaram um olhar rápido.

— Não é exatamente um manual…Foi uma brincadeira... — Alice começou envergonhada.

— Parece um manual — Rosalie cortou, direta. — E sinceramente? Faz sentido. Porque claramente alguém aqui precisava de um empurrão.

— Rosie — murmurei.

— O quê? — ela deu de ombros. — Eu estou sendo honesta.

Renée não sorriu.

Ela não estava com paciência para ironia.

— Explica — ela disse, olhando diretamente para mim.

E então… elas explicaram.

Alice contou.

Sobre as conversas, sobre o que Edward vinha planejando, sobre os sinais.

Sobre tudo que, de alguma forma, eu não quis, ou não consegui, enxergar. E quanto mais eu ouvia… mais difícil ficava respirar.

Até que Renée soltou um suspiro pesado.

— Ele falou com a gente.

Meu coração falhou.

— O quê? — minha voz saiu baixa, quase inaudível.

Ela me encarou séria e sem rodeios.

— Edward falou comigo e com o Charlie há meses sobre casar com você.- disse.

Silêncio.

Completo.

Eu senti como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés.

— Ele… mostrou o anel — ela continuou.

Meu peito apertou de um jeito quase insuportável.

Esme assentiu devagar.

— Ele estava esperando o momento que considerava perfeito.

Aquilo… aquilo me desmontou.

Porque eu sabia.

Eu sabia que ele era assim.

Mas ouvir aquilo em voz alta… tornava tudo mais real.

Mais concreto.

Mais doloroso.

Renée deu um passo à frente.

— E enquanto ele estava planejando um futuro com você… — a voz dela ficou mais firme — Você decidiu fugir pra outro país e se envolver com um homem que você mal conhece.

— Mãe...

— Não, Isabella — ela interrompeu. — A gente precisa falar sério.

O ar ficou mais pesado.

Mais difícil.

— Você está confusa querida — Esme disse, com mais suavidade. — E tudo bem estar. Mas o que você está fazendo agora… não é só sobre você.

Meu coração apertou.

— Eu sei…

— Sabe mesmo? — Renée rebateu. — Porque, pelo que eu estou vendo, você está tomando decisões que vão machucar todo mundo ao seu redor.

Silêncio.

E então…

— Elas ainda não sabem de tudo.- Rosalie falou.

Meu corpo travou.

— Rosalie… — tentei impedir.

Tarde demais.

Ela olhou diretamente para Renée e Esme.

— Eu peguei os dois no barco.

O quarto ficou em silêncio absoluto.

Alice piscou.

Uma vez.

Duas.

Como se estivesse processando.

— Espera… — ela disse, lentamente. — Você quer dizer que...

Ela me encarou.

Você transou com o Edward no barco?

A pergunta caiu pesada.

Direta.

Sem espaço pra fugir.

Eu fechei os olhos por um segundo.

E então respirei fundo.

— Sim.

Silêncio.

Alice abriu a boca.

Fechou.

E então arregalou os olhos.

— Bella…

Rosalie não terminou.

— E não foi só isso — ela continuou, implacável. — Eles também ficaram antes.

Alice virou completamente para mim.

— Você está brincando comigo, quando ela disse que não estava se sentindo bem.

Eu balancei a cabeça.

Devagar.

— Eu… fiquei com ele duas vezes.

A frase saiu baixa.

Mas foi suficiente.

Renée levou a mão à testa.

— Meu Deus, Isabella…

Esme fechou os olhos por um instante, claramente tentando manter a calma.

— Isso complica tudo — ela disse.

— Não — Renée respondeu na hora. — Isso esclarece tudo.

Eu levantei o olhar.

— O quê?

Ela me encarou.

Direta.

— Você ainda ama o Edward.

Silêncio.

Eu não respondi.

Porque não precisava.

Ela já sabia.

— Então para de se enganar — continuou. — E para de enganar aquele outro também.

Meu peito apertou.

— Eu não estou enganando ninguém…

— Está sim — Alice disse, mais baixa agora. — Você só não quer admitir.

Aquilo doeu.

— E tem outra coisa — Renée continuou. — Eu não gosto daquele Damon.

O nome dele no tom dela…

soou pesado.

— Mãe...

— Não gosto — repetiu. — Tem alguma coisa nele que não me desce.

Silêncio.

Alice cruzou os braços.

— Eu também não.

Eu olhei para ela.

Surpresa.

— Desde quando?

Ela suspirou.

— Desde que ele começou a parecer perfeito demais.

Rosalie assentiu.

— Exatamente.

O quarto ficou em silêncio outra vez.

Mas não era mais o mesmo silêncio.

Era um silêncio cheio de verdades.

Pesado.

Inevitável.

Renée deu um passo mais perto de mim.

— Você precisa acabar com isso, Bella.

Meu coração disparou.

— Com o quê?

— Com essa ilusão — ela respondeu. — E com o Damon.

Silêncio.

Eu olhei para o chão.

Depois para elas.

Depois para mim mesma.

E pela primeira vez…

eu percebi que não tinha mais como adiar.

Porque fugir…não era mais uma opção.

(...)

O jantar estava perfeito demais, parecia algo cinematográfico, tão perfeito que parecia falso.

Luzes douradas espalhadas pelo terraço, velas tremulando com o vento suave da noite, o som distante do mar quebrando lá embaixo como um sussurro constante… Capri parecia suspensa no tempo, como se o mundo tivesse parado só para assistir aquele momento.

E isso deveria ter sido bonito.

Mas não era.

Não completamente.

Porque havia algo no ar.

Algo que eu não conseguia nomear.

Damon estava quieto demais.

Observando demais.

Controlado demais.

Eu senti antes mesmo de acontecer.

— Bella…

A voz dele cortou o espaço.

Baixa.

Calma.

Mas firme o suficiente para fazer todos olharem.

Meu coração desacelerou de forma estranha.

— Damon…Nós precisamos conversar — murmurei tomando coragem para por um fim naquilo.

— Bella — ele disse baixo — depois conversamos.

— Precisamos conversar agora...

—Depois...— disse ele me cortando com a voz firme e aquilo me incomodou profundamente.

Então ele se levantou devagar...

Chamando atenção de todos, como se cada movimento fosse calculado.

Como se aquilo tivesse sido ensaiado… ou inevitável.

— Signore e signori…- ele disse em voz alta trazendo a atenção de todos.

Os olhos dele passaram por todos, mas voltaram para mim.

Sempre para mim.

— Sabe… — ele começou, com um meio sorriso — as pessoas falam muito sobre grandes amores.

Silêncio.

Total.

Até o vento parecia ter diminuído.

— Elas falam como se fossem coisas bonitas. — Ele inclinou levemente a cabeça. — Como se fossem leves. Como se fossem… seguras.

Eu senti um arrepio subir pela minha coluna, aquilo não era um discurso comum.

Não era romântico.

Era… diferente.

— Mas isso é mentira.

Alguém soltou uma respiração presa.

Eu não sabia se era Alice ou eu.

— Grandes amores não são seguros, Bella.

A forma como ele disse meu nome…Baixa, íntima e quase possessiva.

— Grandes amores… destroem.

Meu coração começou a bater mais rápido.

— Eles bagunçam tudo. — ele continuou, os olhos fixos nos meus. — Eles tiram você do lugar onde você estava confortável… arrancam você da vida que você achava que queria… e te colocam diante de uma escolha que não tem volta.

Silêncio.

Ninguém se movia.

Ninguém respirava direito.

— E sabe o que é mais interessante? — ele deu um pequeno passo na minha direção — …Você nunca escolhe com a razão.

Meu estômago revirou, porque ele estava certo e isso tornava tudo pior.

— Você escolhe com aquilo que te destrói primeiro.

Ele sorriu,mas não era um sorriso leve. Era intenso.

Quase… febril.

— Eu já vi pessoas fugirem disso. — ele disse. — Já vi gente escolher o caminho seguro. O amor confortável. O amor que não dói.

Os olhos dele escureceram levemente.

— E eu sempre achei isso… covardia.

O ar ficou pesado.

Pesado demais.

— Porque quando você encontra um amor de verdade… — ele continuou, mais baixo agora — Você não deveria querer fugir.

Meu coração apertou.

— Você deveria querer se perder nele.

Silêncio.

Profundo.

Inquietante.

— Porque amar alguém de verdade, Bella… — ele disse, agora a poucos passos de mim — Não é sobre ser feliz o tempo todo.

A voz dele caiu quase para um sussurro.

— É sobre não conseguir mais ser inteiro sem essa pessoa.

Aquilo…aquilo não era só amor.

Era obsessão e todo mundo sentiu.

Eu vi.

Alice ficou tensa.

Rosalie cruzou os braços.

Emmett olhava com os olhos arregalados, como se finalmente ele tivesse caído na real.

Jasper estava com cara de poucos amigos como se ja imaginasse o que Damon iria aprontar.

O desconforto de meu pai, meu padastro, minha mãe, minha madastra, carlisle e esme era evidente.

O irmão de Damon Stefan olhava com cara de repreensão para ele.

Os pais de Damon sorriam como se estivessem vendo a coisa mais linda do mundo.

Edward…

Edward estava imóvel.

Mas os olhos dele…

estavam duros.

— E eu não quero metade de você — Damon continuou. — Não quero versões suas que ainda pertencem a outro lugar… a outro tempo… a outro homem.

Meu coração disparou.

Ele sabia.

Ele sabia.

— Eu quero tudo.

A frase caiu pesada.

Irreversível.

— Mesmo que isso seja confuso.

— Mesmo que seja errado.

— Mesmo que você ainda esteja tentando entender quem você é sem olhar para trás.

Ele respirou fundo.

E então…

se ajoelhou.

O mundo parou.

Literalmente.

— Porque eu não tenho medo disso — ele disse, olhando para mim como se não existisse mais ninguém ali. — Eu não tenho medo de você complicada, indecisa, dividida…

A voz dele ficou mais baixa.

Mais intensa.

— Eu quero você exatamente assim.

Meu coração estava fora de controle.

— E eu sei… — ele completou — …que você pode tentar fugir disso.

Um leve sorriso surgiu.

— Mas você não vai conseguir.

Aquilo me arrepiou.

De verdade.

Porque não soou como esperança.

Soou como certeza.

Ele abriu a pequena caixa.

O anel brilhou sob as luzes do terraço.

— Casa comigo, Bella.

Silêncio.

Ninguém respirava.

Ninguém se mexia.

E tudo que eu consegui dizer…

com o coração completamente descompassado…

foi:

— Você é louco?