Manual de como não ser bem-sucedido

11 Capítulo 11: Como Finalmente Terminar Esse Livro


Parabéns, você chegou à reta final. Ou pelo menos deveria ter chegado, se não tivesse passado os últimos meses encarando a tela do computador, esperando que as palavras magicamente se organizassem sozinhas. Mas tudo bem, isso acontece com todo mundo. A questão agora é: como encerrar essa história de um jeito minimamente aceitável sem parecer que você simplesmente desistiu da vida no meio do processo? Fácil. Você tem três opções.

A primeira é explodir tudo. Simples assim. Meteoro, guerra, um apocalipse inesperado, qualquer coisa serve. Não sabe como fechar um arco? Destrua a cidade. Não sabe como resolver o conflito entre os personagens? Que tal uma praga mortal? Nada como um evento cataclísmico para apagar qualquer buraco no roteiro. E se alguém reclamar que foi um final preguiçoso, diga que a intenção sempre foi simbolizar o caos da existência humana. Fim. Literalmente. Agora, se quiser deixar o leitor ainda mais desnorteado, adicione uma profecia que ninguém sabia que existia até o penúltimo capítulo e diga que estava tudo lá o tempo todo. Pronto, agora você é um visionário.

A segunda opção é fazer o final parecer superinteligente e planejado, mesmo que você esteja inventando tudo na hora. Dê a impressão de que cada detalhe insignificante da sua história, até aquele gato que apareceu uma vez no capítulo três, na verdade, tinha um propósito oculto e genial. Melhor ainda, revele que ele era uma metáfora para algo grandioso que nem você mesmo entende. Solte uma frase de efeito do tipo: "E foi ali que ele percebeu... sempre esteve destinado a acontecer". O leitor vai quebrar a cabeça tentando entender a profundidade disso, e você pode fingir que é um gênio literário incompreendido. Se alguém perguntar "Mas e aquele personagem que sumiu no capítulo 7?", olhe com superioridade e diga que foi um comentário sobre a transitoriedade da vida.

A terceira e última opção é simplesmente parar. Isso mesmo. Sem grand finale, sem grandes revelações, sem nada. O personagem principal olha para o horizonte e a história acaba. Um objeto misterioso pisca em uma gaveta e pronto. Um diálogo é interrompido e nunca sabemos o que foi dito. Você não precisa terminar a história, apenas fazer parecer que o final está em algum lugar além da compreensão humana. Se algum leitor ousar perguntar, diga que quis deixar espaço para interpretação. Funciona com diretores de cinema, funciona com você também. O importante é que ninguém pode dizer que o final foi ruim, porque tecnicamente nem houve um. Se alguém perguntar "Mas e aí? O que acontece depois?", sorria e diga "O que você acha que acontece?". Isso funciona 100% das vezes para transformar preguiça em profundidade.

Agora, sejamos honestos: esse livro provavelmente será um fracasso. Não porque você não tentou, mas porque todo mundo que começa a escrever achando que vai ser o novo grande autor da geração acaba percebendo que escrever é apenas um hobby incrivelmente exaustivo que rende zero dinheiro e um milhão de dúvidas existenciais. Então, que tal procurar outra profissão? Algo mais estável, tipo tatuador. Claro, você não sabe desenhar nem um círculo decente, mas por que não arriscar? Pior do que isso é querer ser astronauta enquanto acredita que a Terra é plana e que o Sol gira ao redor da gente.

No fim das contas, não importa como você termine. Sempre vai ter alguém achando genial e alguém reclamando no Twitter que esperava mais. Não importa quanto tentem emplacar o X, é Twitter mesmo e foda-se. Os fãs vão debater teorias mirabolantes, alguns vão escrever textões explicando o significado oculto que você claramente nunca colocou lá, e outros simplesmente vão ficar revoltados porque perderam tempo lendo algo que não teve uma conclusão definitiva. Mas quer saber? Isso é problema deles, não seu. Seu único dever era terminar esse livro de qualquer jeito e partir para o próximo, que, ironicamente, você também não sabe como terminar. Mas tudo bem, porque agora você tem um método. Ou pelo menos três. E se nada der certo, sempre dá para abrir uma barraca vendendo pulseiras artesanais na praia. Boa sorte.

E lembre-se: o tempo é uma ilusão e os prazos foram inventados por alguém que claramente não sabia o que estava fazendo.

Essa frase não quis dizer nada, assim como esse livro. Bem representativo, não acha?


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!