Manual de Sedução Ii - do You Love Me?

8 Capítulo 8 - Passo a passo até a verdade.


- Irmão? – Despertou de seus pensamentos.

- Fala...

- Você o conhece? – O loiro perguntou e, curiosamente era a mesma pergunta que ele se fazia.

- Eu não sei, Hyoga. Eu não sei...

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“- Talvez o seu sacrifício não tenha sido suficiente. Talvez eu precise depurar Camus também. Talvez o seu sacrifício não tenha sido suficiente. Talvez eu precise depurar Camus também. Talvez o seu sacrifício não tenha sido suficiente. Talvez eu precise depurar Camus também.”

As palavras de Shion martelavam na cabeça de Milo, fazendo-o estremecer. Ainda estava deitado na cama do hospital, mirando a janela do quarto do hospital, numa posição que poderia considerar confortável, mas sabia que em breve receberia alta, provavelmente naquele mesmo dia, e isso o estava perturbando.

Aioria também estava lá. Tinha chegado na manha seguinte a visita de Hyoga, o dia em que Milo receberia alta. O loiro não brigou com o amigo pela furada de ter dado o seu endereço para o ruivo. Na verdade, não disse nada. Estava perdido demais em seus pensamentos para dar a senhora bronca que pensou em dar quando o visse. Mas não o fez. Apenas direcionou um olhar vazio para o amigo, reflexivo, introspectivo, até um pouco sombrio.

O leonino por outro lado interpretou aquele silêncio como raiva e resolveu permanecer quieto, sem graça. Sentou na cadeira próxima da cama e ficou olhando para as próprias mãos, sem saber o que dizer. Ficaria ali, pois queria pelo menos se explicar. Não teve intenção de prejudicar ou colocar os amigos em risco, jamais imaginou que Shion seguiria Camus. Fechou os olhos com força, reprimindo uma vontade de se bater. Estava se sentindo um idiota e quase colocou tudo a perder.

- Desculpe-me... – Aioria tomou coragem e sussurrou, depois de um longo tempo ali, sem falar nada. O sussurro baixo de Aioria despertou Milo de seus devaneios e lentamente voltou seus olhos para o amigo. Suspirou cansado, levando as mãos à cabeça, massageando as têmporas.

- Eu tinha te falado... – Começou a dizer, sem vontade nenhuma de falar.

- Eu sei... eu sei, mas é que... O Camus foi lá em casa e ele estava desesperado atrás de você. Eu achei que... que não teria problemas e até que... sei lá, do jeito que ele estava, talvez ele pudesse te ouvir. – Nessa hora Milo arqueia a sobrancelha.

- Como assim me ouvir? O que achou que eu contaria a ele? – Aioria se levanta nervoso andando de um lado a outro.

- Eu não sei... só achei que ele estava mais suscetível ao que você quisesse falar... sei lá. Desculpe-me. – Milo bufou.

- Está tudo bem Aioria, deixa pra lá. Agora já está feito. – Disse e voltou a olhar para a janela. O moreno volta a sentar, apoiando-se na cama.

- Milo? O que o Camus queria?

- O Sr. Minos convidou o Camus e a mim para a festa e ele veio me perguntar de onde ele nos conhecia.

- Mas ele mandou os convites no mesmo dia em que você esteve lá?

- Não. Parece que ele avisou da festa pelo telefone, nos convidando informalmente, uma coisa assim.

- E o que você disse?

- Que eu não sabia de nada.

- Hunn...

- Eu só não sei o porquê que o Sr. Minos fez isso. Eu disse que queria o Camus lá, mas não comigo.

- Será que ele tem um plano próprio? – O leonino cogitou e Milo meneou a cabeça, desconfortável.

- Eu estou começando a perder o controle da situação... – Disse mais para si do que para o amigo. Aioria, sem entender, perguntou:

- Como assim?

- O Shion... ele esteve aqui. – Disse mirando um ponto imaginário na parede.

- O que?? O Shion esteve aqui?? E o que ele queria? – Praticamente gritou.

- Shii!! Fala baixo! – Milo ralhou. – Sim, ele esteve e o que ele veio fazer é óbvio: me ameaçar. Ameaçou fazer com Camus o que fez comigo naquela época. E ainda incluiu Hyoga na história. O estranho é que ele disse que não me mataria... talvez ele não tenha feito pelo Hyoga tê-lo visto aqui, ou porque quer me fazer sofrer um pouco mais aqui em vida mesmo... – Milo começou a cogitar as possibilidades.

-Bom, seja o que for que o fez não querer te matar, pelo menos isso né?! E o que ele quer em troca para não fazer isso?

- O de sempre, quer que eu alimente as idéias torpes que o Camus tem de mim. Mas, você acredita nisso?

- No que?

- Que ele não quer me matar... – Milo deu um sorriso amargo. – Bom, de certa forma ele já me matou. Eu sinto como se esse desespero nunca fosse acabar, como se o Camus estivesse sempre em perigo. Fico com medo, de repente ele dá um surto e comece a fazer algo de ruim com ele...

- Olá meninos... – Dois toques na porta foram suficientes para Anapanter que sem mais avisar, entrou no quarto carregando consigo um pacote num saco de plástico branco.

- Ana... estava com saudades! – Milo disse sorrindo abertamente para a amiga.

- Eu também. Ih aquele consultório está uma loucura sem você Milo! Você não pode ficar de férias muito tempo não, viu? Seus fãs estão loucos de saudades! – Riu. Aioria se levantou e ficou de pé perto da cama enquanto ela sentava na cama, antes cumprimentando o leonino.

- Também estou com saudades. – Disse com um olhar saudoso, se aproximando para um abraço caloroso.

- Veja só Milo! Veja o que te trouxe! – Ela disse entregando um pacote e olhando sorridente para Aioria depois que ele pegou o pacote. O loiro riu.

- Bolo de laranja... – Constatou e inspirou o cheiro delicioso do bolo fresquinho.

- Eu mesma fiz! Modéstia a parte, está delicioso! – Riram.

- Eu imagino, mas não precisava. – Ele sorriu docemente para a amiga.

- Ahn? Como não precisava? Claro que precisava! Imagina se nesse hospital iria ter comida que preste. – Os rapazes riram.

- Tratamento VIP! – Comentou Aioria rindo.

- Imagina... – Ela comentou, brincando. – Vamos, experimente um pedaço!

- Ok, vamos lá. – Disse pegando um pedaço. Regozijou-se assim que sentiu o bolo de desmanchando deliciosamente em sua boca. Com os olhos fechados, não precisava de palavras para ela saber que ele tinha adorado, deixando Ana super feliz.

- É o preferido dele. – Comentou para Aioria, que riu.

- Hunn.... uma delícia! – Disse ainda com os olhos fechados. Abriu-os lentamente e sorriu amplamente para ela, que retribuiu o sorriso. – Eu não sei nem como agradecer, Ana.

- Agradeça saindo daqui e voltando a trabalhar e ser o loiro lindo, deslumbrante, arrasador de coração que você é! — Disse levantando os braços. Milo sorriu.

- Você tem uma fã e tanto! – Aioria comentou.

- Fã e amiga! – Ela complementou. – Ah, eu estou cansada de te ver assim Milo! Nem acredite que você teve uma crise de estresse! Imagina, logo você que sempre se cuidou muito bem, sempre fez esportes, teve uma vida muito boa. Esse definitivamente não é você... Eii, seu danadinho, não coma tudo! Deixe um pouco para o seu amigo! – Riram, ela tentando pegar o pote e Milo segurando infantilmente.

- Ahnnn... eu quero mais!! – Milo resmungou com manha vendo que ela pagara o pote e ofereceu um pedaço a Aioria.

- Seu bobo... – Ela comentou rindo.

- Só um pedacinho Milo... – Agora foi a vez de Aioria brincar. – Obrigado Ana.

- Então? O que aconteceu hein? – Perguntou voltando a entregar o pote ao loiro. Milo ficou olhando para o bolo, pensativo.

- Eu também sinto saudade Ana. Como sinto! Mas não dá. Não dá para voltar agora...

- É o Shion, não é? – Ela perguntou e pela forma como ele a olhou, ela teve a confirmação. – O que você vai fazer depois que sair daqui?

- Eu não sei... ele está me ameaçando. Ameaçando o Camus...

- Milo... não está na hora de contar tudo ao Camus?

- Não... até porque ele não acreditaria em mim...

- Mas mesmo assim. Milo, você não pode segurar isso sozinho.

- Além do mais, você tem que parar de agir como se ele fosse uma criança. – Dessa vez foi Aioria que disse. – Ele é grande e sabe se defender. Mas para isso precisa saber o perigo que corre.

- Eu concordo com Aioria...

- Eu não sei, vou pensar. – Milo disse colocando o pote na barriga e deitando, voltando com o olhar reflexivo de antes.

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- Que bom que aceitou meu convite, Shaka.

- Confesso que fiquei surpreso com seu convite, Camus. Tem tanto tempo que não nos falamos que me surpreendeu seu telefonema dizendo que queria falar comigo.

- É verdade, tem muito tempo mesmo. – Camus comentou enquanto ambos caminhavam pelo amplo jardim da casa de Shion, aproveitando o lindo dia ensolarado, céu límpido, azul sem uma nuvem sequer, apenas com uma brisa para refrescar.

Fiquei sabendo que Milo está no hospital. Está tudo bem com ele? – Shaka perguntou.

- Sim, ele teve uma crise de estresse, mas já está bem. Hoje mesmo deve receber alta.

- Eu tive vontade de ir visitá-lo hoje de manhã, mas você sabe que meu pai não gosta muito dele...

- Eu sei, ainda sobre aquela história?

- Ele não fala muito sobre isso, mas creio que sim.

- Shaka... – Camus parou de caminhar, ficando de frente para o loiro, que também parou para ouvi-lo. – Você não acha estranha essa situação do seu pai com o Milo?

- O meu pai é muito protetor comigo, sem falar que ele não gosta que eu me envolva com pessoas que ele julga que não são boas companhias, pessoas que ele acha que pode me tirar do meu destino como um grande mestre guia budista. Eu sei que ele exagera, mas tento entender, afinal é o meu pai.

- Entendo... – Camus comenta desviando o olhar para o jardim, pensativo. – Ele soube... de nós? – Shaka se surpreendeu com a repentina pergunta, mas não se esquivou de responder.

- Acho que não...

- Não é estranho o fato de ele ter esse tipo de reserva com Milo e não comigo? Quer dizer, o Milo pode ter uma má fama, mas no final das contas, eu... você sabe.

- Sim, sei. É por isso mesmo que acho que ele não sabe de nada. Não acredito que ele permitiria sua presença perto de mim caso imaginasse que... bem, que nós...

- Uma coincidência infeliz. O seu pai visitou o Milo ontem à noite. Achei estranho. Se ele não gosta do Milo, por que foi lá? O que foi fazer lá?

- Eu acho que deve ser por causa daquele episódio em frente à Mundus.

- Acha que seu pai foi lá para falar para ele se afastar de você?

- É provável...

- É, pode ser isso mesmo. – Camus concluiu. A resposta dada pelo indiano fazia sentido e muito provavelmente era isso mesmo. No entanto, porque Milo mentiria quanto a visita dele? Não havia nenhuma razão para mentir.

- Naquele dia o Milo estava na porta do prédio e até me ligou usando o telefone daquela moça que me levou para conhecer o prédio da instituição.

- Marin?

- Ela mesma. Ela me deu um celular e quando atendi era ele que estava na linha. Fiquei muito surpreso, até assustado, pois não esperava por isso, tinha tanto tempo que não falava com ele e além do que se meu pai soubesse que estava falando com ele ficaria uma fera...

- E o que o Milo disse naquele dia?

- Ele disse que precisava muito falar comigo. Tudo aconteceu rápido, eu não esperava que ele estivesse lá e muito menos que me procurasse. Perguntou se podia me ver, que precisava muito de minha ajuda, conversar, resolver algumas coisas.

- Que tipo de coisas? – Camus perguntou sentindo que estava próximo. Ajuda? Milo também pediu ajuda a Shaka?

- Eu não sei, eu não tenho nenhum assunto com ele. Bem, tirando a nossa história no passado.

- Shaka, que história é essa? Porque o Milo precisaria da sua ajuda? – Camus perguntou já ficando aflito.

- Eu também não sei exatamente no que eu poderia ajudá-lo.

- Mas você não faz nem idéia? O que ele poderia falar com você? Que história do passado é essa?

- Ah, na época o Milo me ajudou num segredo, quando fui a uma casa de show e ele estava lá e me ajudou a sair do lugar sem maiores problemas. Eu bebi um pouco, foi a primeira e última vez. Ele me ajudou muito nesse dia. Acabou que meu pai descobriu, mas mesmo assim meu pai ficou grato a ele porque me ajudou a ir para casa com segurança. E foi nesse momento que ele e meu pai conversaram pela primeira vez.

- O que eles conversaram?

- Eu não sei, meu pai nunca me disse muita coisa. O que eu sei, já contei. – Camus suspirou e colocou as mãos nos cabelos, angustiado.

- Tem que ter alguma coisa. Porque ele te procuraria? Porque ele te pediria ajuda?

- Eu não sei. Sinto muito Camus. – Shaka disse verdadeiramente condoído com o amigo. Enquanto o ruivo mergulhava em pensamentos, a governanta da casa chegava até eles com um cartão na mão.

- É um convite para uma festa. Estão convidando a mim e a meu pai. – Shaka comentou olhando o convite placidamente. Camus também voltou seus olhos para o convite e se surpreendeu.

- Você também foi convidado para a festa do Sr. Griffon?

- Acabei de receber. Você recebeu esse convite?

- Recebi uma ligação avisando da festa, comunicando para ir com o Milo. Não o conheço, mas ele parece nos conhecer, já que sabe da minha relação com Milo. Você o conhece?

- Não, mas meu pai deve conhecer. É estranho, porque os convites que ele recebe não costumam vir com meu nome assim...

- Você pretende ir?

- Eu não costumo ir nessas festas Camus.

- Mas o Milo vai até a festa. Se vocês se encontrarem lá, talvez ele diga no que você pode ajudá-lo.

- Não acho que o meu pai permitiria... principalmente se souber que ele estará na festa.

- Bom, mas ele não precisa saber. – Camus disse olhando seriamente para Shaka.

- Mas como vou justificar minha vontade repentina de ir até lá? Quer dizer, eu nunca vou nessas festas... ele vai estranhar que eu queira ir agora. E o Milo disse para eu não contar nada para o meu pai. – Camus arqueou a sobrancelha, mas desistiu tentar entender. Era fato que alguma coisa estava faltando e iria descobrir o que era.

- Fale que fará companhia a mim. Se quiser eu posso pedir para ele... – Shaka suspirou e voltou a olhar o convite.

- Não, tudo bem. Vou conversar com ele, vou tentar convencê-lo. – Camus colocou as mãos no ombro dele chamando sua atenção.

- Não sabe como isso é importante para mim. – Sorriu e teve o sorriso retribuído.

- Eu sei sim... — Shaka disse, sorrindo-lhe complacente. Entendia os motivos para Camus estar tão aflito. Sempre soube dos grandes problemas que eles tiveram e sempre se sentiu meio responsável, apesar de não imaginar o que teria felto para se sentir assim. Mas uma coisa era certa, iria ajudá-los no que pudesse. Isso sim era o certo a fazer.

Continua...