Notas iniciais
Oi, voltei!! Ai desculpas, mas tive tantas coisas a fazer que nem consegui pensar nesse capítulo direito. Confesso que não saiu como eu queria, mas prometo me dedicar mais! Então, boa leitura a todos!

– Boa noite, Rodrigo!

– Boa noite, Manu! – Rodrigo me responde em meio a um sorriso enorme – Pensei mesmo que você não viria.

–Pois é se enganou. Aqui estou!

Ficamos nos encarando com um pouco de constrangimento até que o garçom tomou uma atitude e puxou uma cadeira para eu me sentar. Assim, pude verificar um pouco o interior do restaurante. Não era tão chique, mas era acolhedor, do jeito que eu gosto. Havia música ambiente e um espaço para aqueles que quisessem aproveitar e dançar. Não conhecia o restaurante, mas até agora é um lugar que eu gostaria muito de voltar a frequentar.

– Então, Manu, esse restaurante é ótimo. Vim aqui com um cliente e gostei muito. Você ainda tem alguma precaução por causa da operação?

– Na verdade, sim! Foi uma operação delicada e ainda estou me cuidando conforme o médico receitou. Vou pedir algo leve, mas confesso que gostei bastante do ambiente do restaurante.

– Que bom, sabia que ia gostar. Quando estive aqui só me lembrei de você, porque é do jeitinho que você gosta.

– Sim, você adivinhou – falei um pouco envergonhada.

– É... eu soube pela Nanda que você terminou o seu relacionamento com o Gabriel. Você está bem?

Não entendi bem o porquê da pergunta do Rodrigo, ele não tinha nada a ver com o meu relacionamento com o Gabriel. Onde ele estava querendo chegar? Tentei ser a mais sincera possível, mas sem entrar em detalhes, pois isso não lhe dizia respeito.

– Eu não sei por que a Nanda foi falar isso pra você, mas sim eu e o Gabriel terminamos. Foi algo amigável, sem traumas. Gabriel é um homem maravilhoso e se tornou alguém muito especial na minha vida. Nosso relacionamento só me fez bem, ele apareceu na minha vida em um momento muito delicado e, com seu jeito de ser, acabou se tornando muito fundamental. Mas hoje somos somente amigos.

– Confesso que não é fácil escutar essas palavras.

– Não interessa se é fácil ou não, você perguntou e eu estou respondendo. Poderia não ter respondido, mas fiz. E você não tem o direito de se importar com minhas palavras. Eu estava solteira, podia me relacionar com quem eu quisesse como você fez com...

Parei de falar porque percebi que isso ainda me afetava. Não queria que o Rodrigo percebesse o quanto ainda fico abalada quando falo sobre o que aconteceu.

– Desculpa, eu não queria te chatear. Eu sei que você podia se envolver com outra pessoa, assim como eu fiz com a Ana. Eu fui o idiota de te deixar, eu mereci sentir todo o ciúme do Gabriel calado, sem contestar. Eu tinha errado e você tinha conseguido seguir adiante.

– Peraí você fala como se eu tivesse me relacionado com o Gabriel assim que nos separamos. Quem fez isso foi você, não eu. Eu demorei muito pra aceitar o Gabriel porque eu estava totalmente descrente do amor, do relacionamento entre homem e mulher. Meu coração estava totalmente fechado, pedrado. O amor que ainda havia restado só pertencia a Júlia.

– Eu me sinto muito culpado por ter causado isso em você. Isso eu jamais esquecerei, carregarei essa culpa pelo resto da vida, mas será que isso não pode se reverter? Você não está mais com Gabriel e eu agora posso dizer sem dúvidas que te amo. Eu te amo, Manuela!

Antes que eu pudesse responder ao Rodrigo, fui surpreendida por um som familiar. Na verdade, um som mais que familiar, um som que representava muito na minha vida com o Rodrigo: estava tocando a nossa música. Fiquei sem reação e desviei os meus olhos dos do Rodrigo. Eu não queria demonstrar emoção, apesar de que por dentro o meu coração estava sangrando por todas as lembranças do nosso amor que insistiam em passar pelos meus pensamentos naquele momento.

– Está tocando a nossa música. Você aceitaria dança comigo em nome dos bons momentos?

– Você não deve estar falando sério. Claro que não, Rodrigo!

– Por favor, Manu, dança comigo. Uma dança, só isso. Prometo que não tento nada.

– Para, isso não faz o menor sentido e...

Não consegui nem terminar minha justificativa e o Rodrigo já está de pé se encaminhando até onde estou. Ele chega próximo a mim e diz:

– Eu já estou de pé e ficarei assim até você aceitar dançar comigo. E eu não estou brincando.

Eu fiquei tentando decifrar os olhos do Rodrigo e meu Deus ele estava falando a verdade. Então pra não passar a noite com esse homem plantado ao meu lado, eu levantei e me encaminhei até a pista de dança. Mas fiz questão de não dar o braço a ele. Isso já era demais.

Então, ao som de “Idade do Céu”, começamos a dançar. Enquanto dançávamos, tentei manter minha mente ocupada para não focar no toque do Rodrigo em meu corpo. O jeito como ele me abraçou me causou arrepios, mas tentei disfarçar. Também tentei abstrair a respiração do Rodrigo perto da minha nuca e às vezes que quase achei que seriam pequenos beijos dele em mim. Quando nos separamos um pouco, ele tentou continuar a dança, mas agora me olhando nos olhos. Eu já não estava mais conseguindo me abster aqueles olhos me olhando profundamente, desnudando a minha alma, então pra não cair em tentação e fazer algo em que pudesse me arrepender depois, me soltei do Rodrigo e interrompi a dança.

–Você já teve a sua dança, agora chega. Olha você já me disse o que queria e agora é a minha vez de falar. Sinceramente, não acredito no seu amor, não mais. Quem me garante que você ainda não ama a Ana? Eu já sofri muito e não quero sofrer de novo. Nós já estamos bem, já conseguimos conversar civilizadamente... por que não continuar mantendo isso assim?

– Porque eu te amo e sinto que você também me ama. Eu entendo que você está receosa, mas vou tentar te convencer que o que sinto é verdadeiro.

– Eu não sei...

– Me deixa pelo menos tentar. Eu não vou forçar a barra, mas quero estar na sua vida, no seu cotidiano. Se durante esse período, eu não conseguir te provar o quanto eu te amo, eu juro que não te incomodo mais. Eu só quero uma chance, por favor.

– Eu não estou te prometendo nada, nem te dando alguma esperança. Você quer estar mais próximo a mim? Se não for de forma abusiva, então eu aceito. Mas só apareça lá em casa autorizado, tudo bem?

–Tudo maravilhoso. Vamos deixar acontecer. Irei até a nossa casa ver a Júlia como sempre faço, se tivermos uma chance de conversar, ótimo; senão terei paciência.

– Ok, agora está tarde e acho melhor ir embora.

– Tudo bem, eu te deixo em casa.

– Não precisa, eu pego um táxi.

– Manu, por favor, você mesmo disse que está tarde. Eu te deixo em casa e não aceito um não como reposta.

– Uma carona, somente. Nada mais.

Apesar da resistência, aceitei a carona do Rodrigo. Não queria, mas sabia que se não aceitasse, ficaria a noite toda com o Rodrigo no meu pé. Durante o trajeto, pouco falamos e desejei chegar o mais rápido em casa. Enfim, quando o carro do Rodrigo parou na porta eu me apressei em me despedir dele:

– Obrigada pelo jantar e pela carona. Boa noite, Rodrigo!

– Obrigada pela companhia, Manu. E quero que saiba que farei tudo certo dessa vez. Vou provar pra você que sou merecedor do seu amor, merecedor de estar novamente ao seu lado.

– Ok, Rodrigo, boa noite!

Quando vou abrir a porta do quarto, sinto o braço do Rodrigo no meu braço. Viro pra saber o que ele quer e vejo ele se aproximando de mim lentamente. Perdida em seus olhos e quase sem respiração, fico estática esperando o que ele vai fazer. Rodrigo então se aproxima de mim e, de forma devagar, chega tão próximo ao meu rosto que posso sentir a sua respiração. E com um gesto terno, ele me dá um beijo na minha bochecha, tão próximo a minha boca que consigo senti-lo roçando o canto dos meus lábios. Sem pensar, fecho os olhos e espero já aceitando o próximo passo que ele dará.

Notas finais
Aiii, esse Rodrigo não quer perder tempo, né? Manu quer se manter difícil, mas acho q não será tão fácil! rs Continuarei durante a semana. Até lá! Bjus