Manu e Rodrigo - A Vida Segue

2 “Dê uma segunda chance ao amor de vocês”


Notas iniciais
No primeiro capítulo de "Manu e Rodrigo - A vida segue", o arquiteto foi até a casa da chef para conversar sobre eles. É a primeira vez que Rodrigo fala abertamente com Manu sobre a relação, insegurança, dúvida e, agora, certeza.

Com um largo sorriso no rosto e cheia de disposição, Manu prepara um café da manhã caprichado para Júlia, que nem se lembra de ter acordado no meio da noite. A mãe dá um beijão na filha e pede que ela coma tudo para conseguir brincar com os amiguinhos na escola. Nem era preciso o pedido. Os olhinhos de Júlia brilham diante de tanta guloseima. Sempre faminta, a menina nem sabe por onde começar o ataque.


Júlia: Mamãe, o que deu em você? Você fez muita coisa! É tudo pra mim?
Manu: Deixa de ser comilona, Juju. Se você comer tudo isso, você vai ficar com muita dor de barriga e voltar para o hospital. Você não quer, né? Mas é importante você comer bem para poder brincar bastante na escolinha.
Júlia: Ué, mas se eu não comer tudo isso, quem vai comer? Só se eu chamar o papai para comer com a gente.
Manu: Eu fiz tudo isso para nós duas, minha filhotinha, não se preocupe, nós vamos dar conta. Ah, Ju, hoje a mamãe vai para a casa da bisa. Preciso conversar algumas coisas com ela, por isso não vou conseguir te buscar na escolinha. Mas eu já falei com a sua mãe Ana, e ela vai passar lá, tá bom? Depois, ela me disse que vai te levar naquela sorveteria que você adora, sabe, para comer uma banana split bem grande. Não vai ser legal?
Júlia: Oba!!! Então nem vou comer meu lanche na escola para conseguir comer tudo na sorveteria, tá?
Manu: Não, senhora. Você precisa comer o lanchinho para não voltar ao hospital. Depois, você come o sorvetinho com a mamãe Ana.
Júlia: Ah, tá bom.

Assim que deixa a filha na escola, Manu liga para a avó avisando que já está a caminho de Gramado. Iná, sempre preocupada, pede que a neta dirija com cautela na estrada. A empresária promete tomar cuidado.


Manu: Oi, vó, que saudade.
Iná: Que carinha boa, Manu.
Manu: Ai, vó, desculpe vir assim de uma hora para outra. É que eu precisava muito conversar com a senhora, queria que fosse pessoalmente. Até pedi para a Ana ficar com a Júlia hoje à tarde.
Iná: Nossa, filha, assim você me deixa preocupada. Senta aqui à mesa que eu estou preparando uma torta de banana para nós duas. Aquela que você gosta, sabe?
Manu: Não acredito, vó!!! Deste jeito, eu não vou embora tão cedo daqui hoje. Aliás, não me deixa esquecer de levar um pedaço para a Juju. Ela também ama esta torta.
Iná: Claro, minha filha. Mas me diga... O que houve?
Manu: O Rodrigo foi lá em casa ontem à noite, vó. A Júlia já estava dormindo, achei que tivesse ido para vê-la, mas não. Ele começou com um papo estranho, me convidou para viajar com eles quando a Júlia estivesse recuperada do transplante, como se ainda houvesse uma ligação entre nós. Eu me fiz de desentendida, não queria dar esperanças, sabe? Ou me encher de esperança. Mas aí ele começou a falar de nós dois, do quanto foi importante para ele ter passado por toda esta situação no hospital...
Iná: (interrompe) Eu imagino, minha filha. Ele não arredava o pé de lá, ficava horas sentado no sofá à espera de notícias de vocês duas. Tive pena quando os médicos comentaram sobre o seu problema no transplante. Ele ficou desesperado, chorou como uma criança. Até o Gabriel ficou preocupado, foi confortá-lo.
Manu: Mas então, vó, o Rodrigo falou que a partir dali ele entendeu que não havia mais divisão nenhuma. Até achei estranho porque... Nesta correria toda, acabei nem te contando, vó, mas o Gabriel e eu terminamos. Ele me falou que, depois de tudo que viu no hospital, percebeu que o que havia entre mim e o Rodrigo não havia se encerrado. Falou também que eu nunca tinha conseguido me entregar a ele. De uma certa forma, vó, o Gabriel tem razão. Embora eu tenha tentado, eu não conseguia me entregar por completo, entende? Havia uma barreira, não sei. Era diferente. A impressão que dava é que eu nunca mais ia conseguir estar em uma relação com a mesma intensidade.
Iná: Eu sei, minha filha, e isso é normal. Muitas vezes, amamos só uma vez na vida. E é um amor que vale por muitos. E o primeiro deles, por experiência própria, é sempre mais especial.
Manu: Pois é, vó. Eu até fiquei me perguntando se o Rodrigo sabia que o Gabriel e eu tínhamos terminado. Na verdade, a Júlia acordou, não conseguimos terminar a conversa. Nem sei também se foi uma conversa, até porque eu escutei mais do que falei. Eu não quero me machucar de novo, entende, vó? Nas últimas semanas, voltamos a ficar de novo próximos por causa da Júlia. Teve um dia que ele até dormiu lá em casa, e na mesma cama que a minha. De uma hora pra outra , me vi de novo compartilhando meu dia a dia com ele, sendo confortada. Acho que me desprotegi um pouco. Ao mesmo tempo, parece que tudo ficou para trás. Tudo ficou tão pequeno diante dos problemas com a Júlia. Foi como se aquele momento tão difícil tivesse servido como um remédio, entende? Mas eu não me sinto pronta, apesar de o Rodrigo ainda mexer muito comigo. E eu o senti tão perto de mim, tão aberto, tão disposto a resgatar a nossa história. Parecia aquele Rodrigo de antes do...
Iná: Filha, dê uma segunda chance para vocês dois. As pessoas erram. Mas o erro, muitas vezes, é importante para enxergar o acerto. Se de alguma forma o passado foi resolvido, então siga em frente. O mais bonito disso tudo é se permitir. Não pense você que o Rodrigo não sofreu. Para ele, também foi muito difícil. Primeiro, porque ele perdeu a família que amava. E não é fácil você cortar um laço tão forte de um passado que você nunca viveu. Imagine, ele ficaria uma vida toda com dúvidas, perguntas. De uma certa forma, foi um sonho adolescente compreendido, finalmente com início, meio e fim. E eu tenho certeza que, depois disso tudo, a relação de vocês vai ser ainda mais sólida. Agora, sem o fantasma do passado sobre ele e você. Também sem qualquer tipo de culpa. Eu já te disse uma vez, e não fui eu quem viu, mas sim as cartas... O Rodrigo é o parceiro da sua vida.
Manu: É que é tão difícil... E ainda tem a Júlia nesta história. Ela já sofreu demais com a nossa separação. E se a gente percebesse que a nossa história se esgotou? Eu não suportaria ver minha filha triste mais uma vez. E a Ana?
Iná: Ninguém entra em uma relação pensando no fim, minha filha. E nesses últimos meses eu acompanhei de perto como foi dolorida para você a separação. Se isso não é amor... A escola da vida me ensinou. Escute a sua avó, dê uma segunda chance para vocês, dê uma segunda chance ao amor de vocês, a esse amor que transformou a Júlia nessa menina linda, que fez o “Sabores da Juju” ser esse sucesso. Querendo ou não, por causa da história com a Ana, você e o Rodrigo, por mais que se amassem, nunca se entregaram para valer. Pelo menos foi isso que eu senti todo esse tempo.
Manu: Eu sei, vó, é que eu queria me proteger, sabe?
Iná: E viver infeliz para o resto da vida? Isso não é se proteger. Isso tem outro nome.
Manu: Antes de qualquer decisão, eu preciso falar com a Ana. A gente conversou muito pouco desde que eu saí do hospital. Ela estava em um torneio de tênis em São Paulo. Nem sei se a Sofia venceu. A final seria ontem.
Iná: Não se preocupe com a Ana, Manu. Aliás, hoje cedo ela me ligou para perguntar se teria algum baile lá no clube. Ela queria trazer o Lúcio aqui de novo neste fim de semana.
Manu: A Ana e o Lúcio?
Iná: Sim, você não sabia? A Ana me contou que ela e o Rodrigo perceberam que a história deles já tinha se encerrado. Ela até falou que estava de uma certa forma aliviada, pois durante muito tempo carregou todo aquele fardo, alimentou um sonho que já não era mais possível ser vivido.
Manu: Vó, então agora tudo está muito claro. Eles terminaram e, para não ficar só, o Rodrigo foi me procurar.
Iná: (interrompe) Não tire conclusões, minha filha, converse antes com ele. Pelo que eu conheço, o Rodrigo não faria isso. Quando você estava sozinha, e ele sem a Ana, ele nunca foi atrás de você. Você mesma comentou comigo sobre aquele e-mail que ele te mandou... Se o Rodrigo te procurou agora, e se abriu assim para você, não foi porque te viu como um prêmio de consolação, mas sim porque finalmente se sentiu pronto e inteiro para você. Ouça a sua avó.
Manu: Está bem, vó, preciso ir agora. Ainda tenho uma reunião lá no buffet, não posso me atrasar. Depois eu te ligo para a gente conversar mais, tá? Só queria levar um pedacinho da torta para a Juju. Você embrulha pra mim?

Naqueles quilômetros e quilômetros que separam Gramado e Porto Alegre, Manu não consegue pensar em outra coisa que não seja em Rodrigo. A cozinheira pega o celular para ligar para Ana, mas pensa melhor e desiste. Ela sabe que este é um assunto que deve ser tratado pessoalmente, não por viva voz.

O telefone toca.


Rodrigo: Oi, Manu, tudo bem?
Manu: Tudo.
Rodrigo: Pode falar agora?
Manu: Desculpe, Rodrigo, você pode me ligar depois?
Rodrigo: Manu, Manu, é rápido, te prometo.
Manu: É que eu estou dirigindo, estou na estrada, voltando de Gramado para Porto Alegre.
Rodrigo: Ah, desculpe. Então, passo mais tarde em casa e aí continuamos aquela conversa, pode ser?
Manu: Sim.
Rodrigo: Beijos.

Se Rodrigo já ocupava todo o pensamento de Manu, agora, mais forte do que nunca, o ex-marido seria o protagonista máximo de sua ansiedade. As próximas horas serão as mais longas dos últimos tempos.

Notas finais
No terceiro capítulo, Rodrigo volta a procurar Manu em sua casa. A pedido de Júlia, empolgada com a presença do pai, ele janta com elas. E é durante a descontraída conversa que o arquiteto descobre que Manu e Gabriel não estão mais juntos. Como vai reagir Rodrigo? Descubra nos próximos dias!