Manto Negro
20 Capítulo XX
— Vamos voltar pra Casa, antes que aquilo regresse — Horus pediu
— Por algum motivo o Carniceiro não atacou... — Hazel comentou ignorando Horus
— Ainda é dia, Guta e Horus não podem se expor, são criminosos — Vlad alertou
Eu mastigava calada um pedaço de carne seca, enquanto ouvia os três debatendo sobre o que fazer.
— A entrada para acesso ao túnel esta a 30 minutos daqui, não sei se conseguimos chegar em segurança — Continuou
Aos poucos eu sentia minhas energias voltando, depois de ontem provavelmente não conseguiria usar meus poderes por alguns dias, e isso seria bom, porque preciso realmente recuperar meu físico saudável de antes.
Os três ainda debatiam enquanto eu ia no quarto de Hazel e pegava duas jaquetas, uma verde militar e outra preta. Ajeitei por cima do moletom, prendi o cabelo e cobri meu rosto com o capuz.
— Horus, pensa rápido — Joguei contra ele a jaqueta
— O que vamos fazer com isso? — Perguntou depois de segurar
— Ir embora, acha que vou ficar aqui esperando aquela coisa voltar? —
— Você sabe o risco que corre ali fora... — Vlad aconselhou
— Sinceramente, as pessoas estão tão focadas em seus celulares e músicas, que nem olham pra frente, ontem comprovei isso pessoalmente — Rebati
Abri a porta e fui recebida por um frio congelante, estava nublado e parecia que ia chover forte. Eles vieram atrás, resmusgando mas ignorei cada palavra e segui de cabeça baixa.
— Como sabe aonde estamos indo? — Vlad perguntou andando do meu lado
— Entrei tantas vezes pelos túneis, que conheço a maiorias dos acessos — Respondi
O acesso mais próximo era em um metro subterrâneo, que estava tão velho e esquecido que ninguém entrava. Quando descemos, encontramos o boeiro que levava até os tuneis.
— Esse é um dos caminhos mais rápidos pra Casa — Vlad disse
— É por esse que vocês vem? — Perguntei
— Sim, minha casa fica próximo, então é perfeito —
Queria ter essa satisfação de poder morar fora da Casa, viver em paz tendo minha privacidade, invejei Hazel e Vladimir por terem esse privilégio.
— Até entendo que Hazel consiga fingir ser normal, mas como você consegue Vlad? — Perguntei
— Por conta do meu passado, tenho certos privilégios por ser um ex militar — Respondeu
— Por que deixou de ser um militar? —
Senti Hazel puxando meu pulso, como se me repreendesse pela pergunta.
— Achei que soubesse, até porque seu poder faz eu reviver esses momentos toda hora — Retrucou
Fiquei em silencio por alguns segundos.
— Vejo o que quero ver, não tudo que esta na neblina — Corrigi
— Então talvez eu te conte —
Me senti tentada a entrar na cabeça dele e descobrir, mas nem se eu quisesse poderia.
— Já preparou o discurso para os mutantes da Casa? — Vlad me perguntou
— Não, achei que você fosse falar —
— Disse que iria falar com Erza, mas é você quem vai fazer o pronunciamento, me deixa de fora dessa carnificina —
— Ninguém vai morrer, Vlad. Pare de ser tão pessimista —
— Sabe que sou realista, Hazel -
Senti uma presença estranha dentro dos tuneis, podia ver a alguns quilômetros o Carniceiro parado, nos procurando.
— Ele esta aqui — Eu e Hazel falamos juntas
— Vamos apressar então — Disseram
Começamos a correr, faltava pouco para chegar até a Casa, mas menos ainda para o Carniceiro nos alcançar, ele se movia como uma brisa.
— Vamos, esta perto! — Avisei
— Não vai dar tempo — Hazel disse
Vlad então parou de correr e disse.
— Vocês três vão na frente, vou atrasa-lo.
— Nem pensar, não vou te deixar sozinho com ele — Hazel rebateu
Vlad não contradisse seu posicionamento, talvez porque já soubesse o quanto Hazel é teimosa.
— Horus vai na frente e chame reforços — Pedi
Horus não era lutador, ou ao menos corajoso o suficiente para querer lutar, apenas afirmou com a cabeça e correu.
— Guta, sai daqui, sua ajuda pode nos matar, sabe disso — Vlad disse
Era verdade, se por acaso eu usasse meus poderes poderia facilitar para o Carniceiro. Peguei um pedaço de madeira que estava no chão e usei como arma.
O Carniceiro veio andando até aparecer na nossa frente, tão alto e esguio que precisou se curvar para poder andar pelo túnel, seus braços se arrastavam pelo chão, como se fossem pesados de mais para ergue-los. Parou a uns 4 metros de distancia e abriu a boca, e ficou assim, nos olhando de boca aberta.
— O que ele esta fazendo? — Perguntei
— Não quero esperar pra saber — Vlad disse
Vi uma bola de fogo me cegar por alguns segundos e atingir o Carniceiro, fazendo ele soltar um grunho agudo e irritante. Logo em seguida Hazel correu em sua direção, golpeando em uma velocidade incrível. Até que ele a arremessou contra a parede, fazendo ela bater de cabeça e desmaiar.
Corri até seu corpo, ignorando a besta que estava do meu lado, quando acolhi sua cabeça sobre a minha coxa, vi que sangrava e um desespero enorme encheu meu peito.
— Guta, sai daí! — Vlad gritou
Mas era tarde, prostrado do meu lado estava ele, eu podia sentir sua respiração engasgada e seu odor podre sobre meu ombro. Fiquei paralisada, não queria virar o rosto, pois sabia que daria de cara com ele. Senti sua mão tocar meu ombro esquerdo, mas não violentamente, ele apenas encostou e um frio penetrante tomou conta do meu corpo.
Vlad pulou contra ele, fazendo ele sair de perto e me tirando do transe.
— Tira Hazel daqui, isso é uma ordem! — Gritou
Meu corpo se mexeu automaticamente, ergui Hazel pelo braço e carreguei seu corpo inconsciente. Estava com medo, com tanto medo que não quis olhar pra trás, não queria ver o que estava acontecendo até que vi a luz que levava a Casa.
— Guta, cade o Vlad? — Kurt me perguntou
As palavras travaram na minha boca, foi então que tomei coragem de olhar pra trás, e pude ver usando minhas habilidades, que o Carniceiro estava arrastando seu corpo. Meu ombro esquerdo queimando como fogo, acabei soltando Hazel, sorte que Kurt a segurou, logo depois cai de joelhos, gritando de dor.
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