Manto Negro

2 Capítulo II


Todos caíram no chão quase em sintonia depois do tiro disparado, eu e Holly estávamos próximas ao banheiro, e a puxei para dentro.

— Oh merda, preciso chamar a policia —

Holly estava tão nervosa, que suas mãos tremiam e demorou seculos até ao menos desbloquear o celular. Ouvi um dos rapazes dizendo pra olhar dentro dos banheiros.

— Estão vindo aqui, esconde isso! — Falei

Ela não me ouvia, peguei o celular da mão dela e coloquei no meu bolso de trás, isso a despertou do transe.

— Guta! —

— Ta querendo morrer? —

Dentro do banheiro, tinha um armário, aonde guardavam os matérias de limpeza, entramos e nos esprememos ali dentro. Depois de alguns segundos, alguém entrou,passos pesados e rápidos.

— Você poderia usar seus poderes... — Holly sussurrou

Holly era a única pessoa, fora minha mãe, que sabia das minhas habilidades. Eu a fitei, sem dizer uma palavra, ela sabia o tipo de consequência isso poderia gerar.

— Vamos esperar a policia resolver isso — Respondi

O som de algo se quebrando e logo em seguida, o som de tiros foi disparado, o rapaz que estava no banheiro, correu para saber o que tinha acontecido. Choros e gritos preencheram qualquer canto que estava em silencio.

— Faça algo, Maria Augusta! — Holly insistiu — Ninguém vai saber que foi você, estamos seguras aqui dentro

Minha decisão foi a mais estúpida, aceitei correr o risco, aceitei usar minhas habilidades.

— Ta bom! — Dizendo isso, Holly abriu um sorriso idiota

Eu fechei os olhos, senti um calafrio pelo meu corpo, e no momento em que abri, tudo ao meu redor ficou em preto e cinza. Holly estava de olhos abertos, porém não enxergava, ouvia ou sentia algo, era esse o meu poder, eu podia extinguir algo tipo de contato que você tinha com o mundo, deixar você só no meio de milhares de pessoas. Te deixar impotente.

Todo o cinema estava coberto por uma escuridão, e eu podia enxergar tudo que ela cobria. Meus olhos foram para aonde estavam os criminosos, um homem tentava bancar o herói, e acabou baleado. Enquanto os criminosos, e as vitimas, entravam em desespero pelo que estava acontecendo, eu foquei apenas nos dois.

Expus seus medos, seus crimes da pior forma possível, deixei que sofressem e chorassem como uma criança. Assisti as manifestações de seus medos saírem do lado mais obscuro de suas mentes e os atacarem, até chegar em um ponto em que seus olhos se arregalaram e eu soube que estavam paralisados.

Retornei a realidade, aonde Holly estava na minha frente, chorando. Uma das coisas que não consigo controlar é isso, todas as pessoas que ficam dentro do meu poder, caem em seus próprios pesadelos.

— Acabou, Holly! — Dei um beliscão em seu braço era uma das maneiras de tirar alguém do transe, causar dor.

Ela respirou profundamente e depois saiu do armário correndo, buscando mais ar.

— Eu odeio quando faz isso! — Gritou

— Você que insistiu! — Retruquei

Peguei o celular no meu bolso e disquei para a policia, depois de alguns minutos eles apareceram, os criminosos estavam em pé, paralisados, chorando pelo transe em que foram submetidos. As outras pessoas ficaram bem, depois de alguns minutos.

— Hey, o que você fez? — Holly sussurrou assistindo a policia nos ajudando e levando eles

— Vão ficar em transe por um longo tempo... não sei se algum dia poderão sair — Respondi