Mantenha-se forte
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Oi, boa leitura chuchus.
Levo um susto e acordo com o coração na boca. Meu celular estava vibrando por causa do despertador pra ir pra escola. Desligo ele e lembro da noite passada, tomo coragem pra sair da cama, vou até o corredor, paro e penso no pior. Na pior situação que poderia ter acontecido. Isso porque eu não queria me decepcionar. Penso no fim e minha cabeça doí, doí muito. Choro e vou até o quarto. Fechado. Desço as escadas e vejo meu pai sentado na cadeira de cabeça baixa, ele levanta a sua cabeça lentamente e me olha com os olhos cheios como se fosse explodir. Meu coração volta a doer. Vou até ele e o abraço por cima, ele chora. Muito.
Depois de um tempo, ele me explica o que aconteceu. Se foi. Sabe quando você perde algo? ou quando você descobre que a pessoa que você passou namorando a um bom tempo passa a gostar de outra e você ainda gosta dela? sabe a sensação de quando um amigo te mágoa? sabe quando sua mãos tremem e você perde o fôlego e sente como se seu coração fosse sair com o vômito que estar pra vir? todas essas dores e angústia eu sentia. Grandes e longas pontadas em mim. Joelho jogado no chão, ouvindo as pequenas palavras "ela" "morte" "ela... Ela se foi" “eu sinto muito”, palavras entre suspiro e mágoa. Eu estava chorando o que tinha pra chorar e eu estava me permitindo sentir naquele momento, isso me ajudava um pouco.Estava parado na escada, as lágrimas nem saíam mais. eu estava observando meu pai olhando todas as suas fotos com ela. Ele pegava as fotos as observando muito bem. até as tocava, como se pudesse acariciar pessoas presentes na foto. Eu peguei as forças que não haviam mais, subi cada degrau que faltava como se fosse uma caminhada ao inferno. Sabia que chegaria e a dor estaria lá ainda. Me deitei na cama e olhei a janela fechada. Nada, absolutamente nada passava na minha cabeça. As lágrimas pesadas voltam. Sentimentos e mais sentimentos. Eu não conseguia suportar a dor de perder uma das únicas pessoas que eu amava e que me amava de volta. Eu não suporto a ideia de ter que se conformar com isso. Meu instinto era correr até ela e contar da minha dor, mas ela era a causadora. Não da pra suportar a ideia de perder alguém. Você a quer, você a ama, você precisa dela. Eu me contorcia na cama como se aquilo fosse voltar no tempo, eu me contorcia e gritava, é crueldade do mundo fazer isso, eu estava desesperado. Aquilo não estava funcionando, me levantei, corri até o meu guarda roupa e me coloquei lá. Chutava suas portas e pedia pra que o destino me desse mais uma chance. Pra que ele pudesse me dar mais um momento, que eu pudesse dizer que a amava e que queria que soubesse que era a melhor pessoa que conhecia, com o seu jeito amável. Aquilo era o pesadelo na vida real, mas como somos nada nesse mundo, a única coisa que eu podia fazer era chorar e chutar meu guarda roupa.Quarta feira, quinta feira, sexta, final de semana... As duas semanas passaram como um furacão. Eu não havia feito nada nesse tempo. Eu fiquei em casa ouvindo meus cds, chorando dentro do meu quarto sem comer. Não havia ligações dela de preocupação, o que me deixava mais decepcionado. Júlia nunca me ligava pra saber o porque de eu faltar aula, mas sempre me ligava pra dizer que estava com saudades. E essas ligações não estavam mais acontecendo, e eu estava com saudades. Precisava conversar com alguém. Meu pai ia trabalhar, voltava e ficava vendo séries no computador ou ficava zanzando pela casa como se isso pudesse ajudar. Eu posso dizer que estou cansado de chorar e ficar preso aqui em casa, iria me levantar e iria pra festa de Ana, nem que fosse pra achar algum bêbedo pra me ouvir, ou pra ser um dos bêbados. A verdade também é que queria ver Júlia, estava preocupado com a merda toda que eu fiz, queria poder saber se ela ficou com André na sexta, saber das novidades.Chegou a noite e estava pronto. Havia tomado banho, coloquei um moletom e uma calça preta mais justa. Respirei fundo e pensei em algo positivo. Avisei meu pai que queria na casa de Ana e provavelmente iria dormir lá, era isso que falava todos as sextas que saia. Saindo de casa, ela está encostada na parede do lado da porta. "Oi" ela sussurra numa voz falha. "Estava com saudades... Você está bem?" ela termina e me olha com uma carinha triste. "Estou" ficamos nos olhando e eu levanto a sobrancelha por estar com dúvida, ela parecia saber de tudo. "Seu pai me contou na quarta passada de manhã, me desculpa por não ligar, eu queria, mas estava com medo, esperei você ligar... Mas..." ela realmente parecia estar sendo sincera. "Tudo bem" digo e dou um sorrizinho falso, quando eu vejo ela está me abraçando. Sussurra que lamenta muito, me abraça mais forte e diz que me ama. Diz que está ali por mim, que se eu precisar ela irá fazer o possível pra me ver sorrindo. Depois disso meu corpo se acalma, respiro fundo e ela sorri depois de terminar o enrolo que fez com nossos corpos. "Deveríamos ir, já ficasse de luto, está tudo bem? vamos nos divertir" nem ela parecia estar tão convencida no que estava dizendo, mas estava tentando, e era isso que eu deveria fazer. No caminho conversamos sobre o que aconteceu na aula, sobre o que aconteceu com a minha mãe e até sobre André. "Por causa de você, não teve festa semana passada, por respeito..." ... E sabe eu não queria ficar com ele, as vezes ele é muito babaca... Eu realmente não estava afim, mas pensei e... Não vamos namorar. Vamos ficar, apenas, ele é bonito então..." ela diz insegura e com vergonha, ela iria ficar com ele hoje. Sentia aquelas pontadas no coração, de novo, pelo menos se eu chorasse poderia dizer que era sobre minha a minha mãe e poderia ir pra casa. Não sabia como estava aguentando ouvir aquilo saindo de sua boca... Realmente, ela não gostava de mim. "Mas, só vamos ficar uma vez, e que isso fique bem claro, eu estou ficando com ele por ele ser bonito e por eu estar muito tempo sem beijar" ela ri com o que acabou de dizer e diz que esta arrependida por falar isso alto. Meu corpo reagiu estranho, algo na minha cabeça dizia pra ficar calmo, porque ela gostava de mim, ela estava apenas, só apenas ficando com ele, não significa que goste dele. Júlia para de ficar sorridente e se volta pra mim. "Vai ficar com alguém? espero que não, você é só meu" ela da um sorriso com um olhar carinhoso e eu fico olhando ela. Não respondo, mas fico pensativo, como eu odiava essa situação, era estranho, admito, ela estava tentando não me deprimir, mas eu estava de luto, me perguntar se vou ficar com alguém não é melhor opção. Seguimos mesmo assim.
Lá estava Ana, com seu short curto, sua pele brilhante, seu cabelo bem ajeitado e suas curvas. Ela sempre ficava lá na frente pegando o dinheiro do pessoal ou também a bebida. Sempre cumprimentava as pessoas e com a gente não era diferente. "Juuuu" ela grita quando nos avista, elas se abraçam como se não tivessem visto hoje de manhã. Ela me da um oi e um abraço, diz que está impressionada que eu estava ali, disse que lamentava e que queria que eu me divertisse. Nós ficamos conversando enquanto um garoto ruivo que eu nunca havia conversado ficava na porta fazendo o trabalho da dona da festa. "Ahn Ju, esqueci de falar" sorri e sua pequena covinha no queixo fica evidente. "Alguém está te esperando lá em cima" ela para e fica seria para mostrar que o assunto era sério. Então imaginei que não fosse André, ela provavelmente estaria fazendo uma cara mais divertida se fosse. Júlia diz que vai subir e que iria pegar uma bebida antes, ela se despede e sai. Ana acompanha ela pelos olhos, ela chega mais perto e fala: "você sabe né? é André que está lá em cima" fico sem entender "por que esse ódio?" "porque ele é babaca, eu falei que é pra ela não ficar, mas ela não me ouviu..." ela iria falar algo a mais, mas ficou quieta, quem sabe ia me culpar, mas não podia fazer isso, eu não havia conversado com Júlia nessas semanas, mas também mal sabia ela que eu que planejei tudo isso. "Eles só vão ficar, ela só quer beijar na boca e deu" "mas, e se ele quiser algo a mais? eu me preocupo com ela e sei que você também, nós dois precisamos ficar de olho nele" fiquei preocupado, mas sabia que André não era louco de forçar ela a fazer algo que ela não queria. Logo após de dançar e beber muito com Ana, percebo o quanto ela é divertida. Sempre conversamos e somos amigos bem próximos, mas ela, por algum motivo é bem fechada, não conta novidades e nem toca no seu passado, só que bêbada até que ela se abriu um pouco mais. "Meus pais? eles morreram esse ano" fica mais seria pra terminar a frase "no começo desse ano eles faleceram, eu ia fazer 18 em um mês e meio e então minha tia disse que eu podia morar sozinha, me deu uma boa quantia de dinheiro" ela sempre fazia pausas pra lembrar dos detalhes "eu paguei as contas que meus pais tinham, parei comprar coisas desnecessárias e comecei a fazer festas e trabalhar. Passei a estudar mais pra ter um futuro" me orgulhava de ouvir isso, queria poder ser esforçado como ela. "E como eles morreram?" perguntei sem nenhuma sensibilidade, mas ela não se importou "acidente de carro, eu tenho uma irmã beeeem mais velha, mas ela mora longe e as vezes manda dinheiro pra mim ou vem me visitar. É a única que é próxima de mim da família, e eu a amo" ela grita e da uma risada, bebeu um pouco e completou "você é legal, obrigada por me ouvir" eu balanço a cabeça e dou uma piscadinha pra ela. Estava me sentindo bem, acho que era a bebida e a ana que estavam me fazendo isso. A vodka passando pela minha garganta me fazendo queimar por dentro, me fazendo não sentir tristeza, e a Ana com o seu senso de humor e sua facilidade de falar coisas inteligentes. Nós dois estávamos na sala ao redor de alguma pessoas, elas estavam bêbadas assim como nós e então não estávamos nem ligando pra companhia delas. Mesmo com tudo isso, ana não parava de olhar para Carol. Ela parecia estar sofrendo por algo, ela olhava com carinho como se Carol fosse sua única esperança. Ana estava decepcionada e isso estava na cara. "O que foi?" ela para de olhar e olha pro chão "como assim?" não digo nada porque sei bem que ela entendeu. "Carol terminou comigo, estou arrasada... Eu acho... Ahn eu acho que a amo" as últimas palavras foram dita bem baixinho, rapidamente e ela se aproximou para sussurrar pra mim. "Deveria falar isso pra ela" "você acha?" pergunta tão insegura como nunca antes "sim, se você ama... Não tenha vergonha de dizer o que sente. Não seja orgulhosa, você só vai perder" faço uma careta pensando no que eu acabei de falar e antes que eu possa rir e dizer que era baboseira, Ana está chamando Carol. "O que foi?" "eu..." ela bebe um golão e termina a garrafa de vodka "eu te amo ok? você é a garota mais linda que existe, você é a pessoa que eu penso todos os dias, e eu te amo pra caralho, te amo mais do que minha casa. Mais do que tudo que lutei pra ter... Você é minha e de mais ninguém. Porra eu estou completamente apaixonada e eu te culpo sim... Porque se você não fosse essa pessoa incrível que você é eu não choraria todas as noites por sentir sua falta" e ela chora, foi engraçado por ela estar chorando, ela estava fazendo aquilo por medo e vergonha, e também claro ela estava sobe o efeito da bebida. todos aplaudem e riem da situação e falam que foi lindo, eu começo a rir e bato palmas com todo mundo. Claramente ninguém estava fazendo por deboche, todas da sabiam da relação das duas e o que ela disse foi lindo e até ela começa a rir de si mesma, chega a dar gargalhadas. Pega minha garrafa e bebe mais um pouco, isso para tomar coragem pra pegar na mão de Carol. Em falar na Carol, ela não estava com a melhores caras, parecia constrangida, brava e bem provável sóbria. No momento em que Ana tenta pegar na sua mão, Carol num movimento rápido retira de perto da Ana, se vira de costas para sair da sala. O lugar que era só de risadas, sorrisos bobos e olhos curiosos foi para um lugar sombrio onde as pessoas ficaram sérias e espantadas. Eu, que dei a estúpida ideia, penso que sou um otário e tento ajudar, mas fico na minha para não estragar mais. Carol, para a surpresa de alguns, vira para ana e a responde "eu te amaVA" da ênfase na última sílaba e volta a falar "na verdade, nunca te amei". Ana estava chorando de verdade, por isso peguei em sua mão e pedi pra que fôssemos para seu quarto. Num toque de segundos me puxa pra perto e fala alto pra carol, que já estava saindo da casa, "esquece” ela quase cai num passo falso e termina a frase mais bêbada possível “eu nunca te amei". Carol que estava de costas, pronta pra pegar na maçaneta da porta que já estava fechada, se vira num movimento muito rápido, mas basicamente eu e ana estávamos nos beijando. Eu estava pegando em suas curvas e eu não nem ligando pra nada, porém percebo que não estou prestando atenção no beijo, foi aí que Ana parou, olhou pra mim com uma cara de confusa e saiu correndo pra escadas, onde iria, quem sabe, chorar e se arrepender de ter feito isso. Carol que ainda estava com a mão na maçaneta sai dali como se estivesse em nuvens de ódio. A platéia que acumulamos parou de olhar para Carol quando ela saiu e começou a olhar para mim, como se esperassem uma reação ou um movimento meu. Não sabia onde colocar minha cabeça, eu estava envergonhado. Sai dali as pressas pra contar o que tinha acabado de acontecer para Júlia, mas no meio da escada lembro que ela está com André. Meu coração palpita. Lembro do nosso acordo, ele traria alguém pra mim, foi então que eu sai em direção ao quarto de ana, a procura dos dois, eu não estava raciocinando bem, algo dentro de mim dizia para ir atrás de Ana, só que as minhas pernas corriam atrás deles.Chegando mais perto do quarto ouço choro, fico preocupado, penso que pode ser ela, deveria pedir desculpas, é a oportunidade perfeita. Bato na porta com vontade de sair correndo. Ela a abre com a maquiagem escorrendo e quando percebe que sou eu, balança seu braço como um convite pra eu entrar. "Me desculpa" peço entrando no quarto. "Está tudo bem, eu que fiz a merda toda" ela solta uma risada falsa. "Mas enfim... Tudo bem?" "sim" ela inspira, olho para o teto e expira. "só estou com raiva" "quer desabafar de novo?" "bom, pra começar ela é que quis fazer essa merda toda, ela queria que a gente ficasse, isso porque ela me achava gostosa e queria experimentar, já que nunca tinha ficado com uma garota, e eu? eu achei bom porque achava ela uma boa amiga... E ficamos, ficamos e ficamos mais... Comecei a me apegar" ela começou a chorar de novo "ela era minha melhor amiga, passou a ser mais carinhosa porque estava gostando também. Passamos a sair mais juntas e conversar e não só beijar. Pegava na minha mão, dizia que me amava..." ela colou suas mãos em seu rosto para parar de chorar "e eu me apaixonei e não parava, até ela me dizer que estava cansada daquilo e eu não entendi nada... Eu perguntei o porque e ela disse que estava confusa sobre seus sentimentos e nunca achou que ia gostar de uma menina... Eu estava com raiva disse que a odiava e que ela estava sendo patética... Brigamos óbvio e ela disse pra terminar" eu fiquei sem entender, ana foi meio injusta "você foi meio injusta com os sentimentos dela, ela estava confusa, ela nunca havia se apaixonado por uma garota, ela deve estar se descobrindo" "tá, mas eu também, e pra mim foi muito tranquilo" ela não estava alterada e nem irritada "mas cada um reage de um jeito, não adianta você querer que ela continue normal, pra ela isso era só um jogo... Mas ela te ama, do jeito que você a ama... Ela só precisa de um tempo. Ela ficou brava com você por você não entender o lado dela" ela me olha com uma expressão duvidosa "como... Ahn como você sabe disso?" "eu não sei, só é meu ponto de vista" ela ficou corcunda e pensativa, acho que ela concorda comigo, começou a chorar menos e se deitou na cama. Depois de alguns segundos, eu digo que estou saindo e espero que dê tudo certo, pego na maçaneta, me viro e num rápido momento eu abraço de uma maneira esquisita porque ela estava deitada. Vou a procura de Júlia. Não conhecia a casa, tinha ido apenas para aquele quarto e na sala, não sabia onde mais tinha lugares, eu só fui seguindo o enorme corredor. Logo na frente tinha duas entradas, direita e esquerda, peguei a direita e olhei, só tinha uma televisão e um sofá, estava bem ajeitado e limpo. Aquela pequena e velha televisão estava me dando pouco de medo, admito, e o sofá era limpo, mas velho, tinha uma cor bonita de azul e tinha apenas dois lugares. Dei meia volta e fui reto que era a esquerda do outro corredor. Ouço alguns vozes, não consigo decifrar o que estão falando, chegando mais perto vejo uma porta e um gemido extremamente alto (para um gemido) saindo daquele quarto. Obviamente era outras pessoas da festa, Júlia não faria isso, ela tinha consciência de que eles só iam ficar. Queria abrir a porta e saber quem estava ali, só que não queria ver aquela imagem. Mais gemidos. Mais barulho de cama rangendo. Eu estava ficando preocupado. Gemidos mais altos. Engoli seco e sai de perto da porta, passei pelo corredor e fui até o sofá. Me sentei e fiquei esperando. Logo após sentar percebo que um pouco a cima da televisão tinha um relógio, para minha infelicidade, ele ficava fazendo alguns barulhos. Barulhos que na minha cabeça faziam o tempo passar mais devagar. Se passaram menos de três minutos e eu não aguentei, aquela agonia de saber quem era, a agonia dos poucos sons que haviam na sala. Por dentro estava furioso de ciúmes. Não podia acreditar que era Júlia. Não podia acreditar que entreguei para o meu melhor amigo a garota que eu gostava. Saí correndo no corredor e percebo que não havia mais nenhum barulho, parecia estar mais calmo. Até alguém sussurrar algo que não consegui ouvir. Eu não podia acreditar, era a voz de André. Meu coração quebrou em pedacinhos. Fui saindo de perto da porta aos poucos, eu não sabia o que tinha atrás de mim, mas ia de costas e pensando que aquilo tinha acontecido. Minha raiva foi para tristeza. Corri e comecei a chorar. De novo não, por favor. Não tinha palavras para descrever a dor, meu corpo estava mole e eu estava pra cair naquele enorme corredor. Ela era minha, ela ainda é minha. Ela é a garota que eu quero. Não posso admitir isso. Não posso acreditar. Chego na porta de ana e entro aos prantos. "Oh meu Deus. O que houve?" pergunta ela se levantando da cama. Chorava como se eu tivesse algo com Júlia. Chorava como se alguém pegasse toda a esperança que eu tinha e jogasse ela num terremoto de desilusões. Me deito na cama esperando carinho de ana, esperando um conforto. Ela chega perto e acha que estou chorando pela minha mãe. "Vai ficar tudo bem, ela está num lugar melhor" "não ela não está, ela não está perto de mim... Eu queria poder gritar com ela e dizer que a odeio, que odeio ela por me iludir por todos esses anos, como ela pode? como? eu sempre fui louco por ela e ela quebra meu coração desse jeito" "o que? do que você está falando?" "Júlia... Júlia estava transando com André" "o que? não sei se fico com raiva por ouvir isso ou se fico impressionada por você finalmente admitir... Como você sabe?" ana estava furiosa, se levantou da cama e repete a última pergunta pronta pra sair correndo atrás dos dois. limpo minhas lágrimas e me sento na cama "Eu ouvi, eles estavam naquele quarto dos fundos... Me desculpa por ser tão dramático" contínuo chorando e me sentindo um lixo, mas respiro fundo para não entrar em pânico, por mais que ainda estivesse. "Está tudo bem, nunca vi um garoto reagir desse jeito por uma garota na verdade, mas acho que você está muito abalado por tudo, e é bem fofo da sua parte. Fica tranquilo, vou guardar seu segredo" ela se senta e fala baixinho decepcionada. "Acho que não é ela, de verdade, ela não faria isso" "eu também não, eu..." choro mais "não chore por favor, não sofra por amor" ela da umas risadinhas de pena enquanto fala. "você me entende?" "claro que sim. Eu lamento muito" "você acha que ela gosta de mim?" pergunto querendo que ela fale tudo, mesmo sendo algo ruim "não sei, ela não é de falar muito sobre sentimentos, não falamos de você... Nem de carol nem de ninguém, você deveria conversar com ela" "você acha?" "sim... São seus sentimentos, se ela não souber sempre vai continuar sendo apenas uma amiga, o não você já tem, tente pelo menos uma vez". Limpo minhas lágrimas e fecho os olhos, queria dormir e em segundos faço isso.
Notas finais
Gostaram?
Obrigada por terem ido até o final.
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