Notas iniciais
Boa leitura!!

Volto pra casa com a cabeça a mil, pensando no que eu concordei em fazer, levar Júlia pra André, como pude? eu estou encrencado, precisava falar com ela sobre isso, e não só como ela se sentia, mas os meus sentimentos também. A entreguei pra poder esquece-la. Meu pensamentos voavam até sentir algo bater contras as minhas costas, seus cabelos loiros que caíam em meu ombro e sua risada não escondiam quem era. Ela fazia força e eu estava quase caindo. "Oi" ela diz se colocando na minha frente depois de quase cair no chão me levando junto. "Onde você estava? você não é de sumir" "eu fui... Ahn... O que são essas coisas?" pergunto pra fugir do assunto "fui na padaria, você quer fumar?" "sim. Claro". Espero ela voltar depois de ir na sua casa deixar suas comprar. "Ok. Vamos".

O vento estava bem forte. Ela se deita e traga. Sento no seu lado e fico a encarando. Seus cabelos voavam, e seus olhos estavam cerrados pela claridade. Ela os fecha e joga o cigarro pra trás. Logo depois de se levantar, começa a girar contra o vento sussurrando uma das suas músicas preferidas. Fecho meu olhos. Penso em falar com ela, mas algo me diz pra esperar. Sinto ela se deitando em mim, me abraça forte e sinto que também fecha seus olhos, sinto uma pequena esperança, ela me abraça e eu sinto algo brotando em mim, quem sabe coragem, eu sinto esperança, como se algo finalmente fosse acontecer. Estar nos braços dela, estar perto, poder ouvir sua voz, sua risada, seus suspiros era como um presente, algo muito bem dado, o único problema é eu sempre estragando tudo. “Você ficaria com André?" ela levanta a cabeça do meu corpo e pergunta "de novo isso?" "me desculpa..." aquilo saiu da minha boca sem eu esperar, eu estava sem reação assim como ela "... É que ele queria muito" "mas eu não quero... Mas quer saber" diz ela se levantando "diga que irei ficar com ele... É só marcar" e sai andando em direção a saída. Saio daquele lugar alguns minutos depois a procura dela. Não a achava, pensei que amanhã na escola falaria com ela. Assim eu acho.

Finalmente a noite já tinha ido e pude ir a procura. O dia não podia ser pior. A culpa estava me consumindo e além do mais estava com machucados pela falta de luz, tive que me arrumar no banho gelado e no escuro. Cheguei na escola com os olhos em tudo. Perguntava pras pessoas se tinham a visto. Júlia estava brava e eu sei disso, não queria deixar ela chateada, mas o pior é o sentimento de egoísmo, só fiz isso pra pegar alguém e pra esquece-la, mas agora está tudo feito, vou atrás dela, peço desculpas e torço pra que isso tudo se resolva.

Cansado e com a certeza de que ela não está na escola, chego na sala de aula atrasado e a professora pega no meu pé. Diz das minhas notas, das faltas e como era irresponsável. Sento na minha carteira com a cabeça explodindo. Acabo me distraindo pensando em como seria meu futuro, um pensamento rápido e do nada. Eu não tenho dinheiro, não trabalho, meus pais não tem condições, meu irmão mais velho não liga pra minha família, não tenho as melhores notas, na verdade nem nota tenho, só falta mesmo. Eu estava fodido com todas as letras. Mas, agora, nesse momento sinto que fodi tudo com a Júlia. E era a única coisa que importava nessa foda toda.

Bate o sinal e saio correndo para o campo. Jogo minha mochila no chão e saio em direção as pedras, que era o melhor lugar para se ver. Subo com dificuldade, mas o esforço valeu a pena. O vento fazia barulhos em minha orelha e meu cabelo que era um pouco maior do que o cabelo comum dos garotos, se mexia. Tudo parecia estar em meu alcance, queria muito pular dali. Ver qual era a sensação, seria genial se eu caísse em pequenos pedaços de rosas ou margaridas, no aconchegante espaço que aquilo reservava. Logo depois das flores, havia uma floresta enorme e vasta, que nem eu e nem Júlia tivemos coragem de ir, mas uma vez ela disse que se atreveria a vasculhar. Isso abriu minha mente. Oh meu Deus ela está lá. ela sempre sumiu, sempre foi embora, nunca sabia onde estava, mas agora sei. Saio das pedras as pressas, pego minha mochila e corro em direção à aquele desconhecido lugar pelos meus olhos. As árvores faziam pequenos movimentos. Tinha pássaros de vários tipos e outros animais. Como era lindo aquilo tudo, mas não estava por diversão, queria pedir desculpas. Eu parecia estar fazendo um drama, penso comigo mesmo no caminho. Não sei, algo dentro de mim gritava que eu fiz algo de errado e ela é minha melhor amiga, não queria decepcionar ela.

Enquanto gritava o seu nome entre aquelas enormes árvores, eu estava sendo picado por vários e vários mosquitos. Não a acharia nunca. O certo era esperar ela voltar, o certo seria esperar e se desculpar. Olho aquilo tudo, gigante comparado a mim, contemplo, sorrio, fico emocionado, aquilo estava mexendo com o meu emocional e com certeza voltaria lá algum dia depois. Peguei o mesmo caminho e voltei para o pequeno lugar que me abraça quando preciso. Me deito entre as flores e choro. Meus olhos se fecham. Minha cabeça doía e parecia que aquilo estava me matando. A culpa sobre ela, meu egoísmo, meu imenso amor. Estava perdido. Eu preciso de uma bebida. Preciso de um cigarro e uma garota que me faça ter certeza. Não uma que me fazia ficar com dúvidas. Eu vivo com esse drama a anos. Meu coração estava doendo por estar com isso em mente. Toda a minha dor estava escorrendo pelo rosto. Chorar era o único remédio que eu tinha e só não choro por ela, mas como por tudo que a vida me faz. Eu realmente não sabia direito o por que de estar tão emotivo. Em menos de um dia, um assunto que não era tao sério estava acabando comigo, eu estava me acabando de chorar por uma garota. Minha respiração estava ofegante. Minha mente pedia um descanso. Eu precisava dormir. Foi aí que ouvi ela gritando 'durma, durma' e pela primeira vez eu concordei com a minha mente.

Estava difícil de acordar, meus olhos estavam pesados, eu não estava sentindo meu corpo. Olho para os lados sem entender absolutamente nada. Estava tudo embasado, meus olhos estavam cerrados observando aquele lugar escuro. Eu estava confuso, estava molhado e perdido. Me recordo com demora. Esfrego minhas mãos nos meus olhos, respiro fundo e me jogo pra trás. Solto o ar, coloco minhas mãos na grama e me fecho para o mundo de novo. Penso que peguei chuva e nem percebi, estava no sereno, eu deveria ir pra casa ou senão eu ficaria gripado. Me levanto com dificuldade, estava com dores como se eu tinha corrido uma maratona. Pelas minhas roupas molhadas tive dificuldade levantar. Olho para os lados e tento me levantar, olho para trás e levo um susto. "Achei que não ia acordar nunca" ela fala bem baixinho com uma voz rouca lendo uma revista com a sua mochila ao lado. "São sete da noite você sabia?" completa num tom debochado e eu fico olhando pra ela confuso sem saber o que responder. Eu queria poder avançar nela, mas não para beijar, queria estrangulá-la, estava furioso. Depois de um momento sem falas eu pergunto sem muitas forças "onde você estav... Eu te procurei por toda a parte" não conseguia terminar uma fala. "Eu queria um tempo" olha pra mim com uma expressão rasa, sem muita emoção. Pego minha mochila no chão e saio dali, posso sentir que ela se levanta também e fica atrás me acompanhando. Me irrito. "Aonde estava? eu te procurei por essa floresta a fora, ok, não fui muito longe, mas precisava fugir? se não quer ficar com André é só me dizer" ela, para uma expressão vazia vai para uma de confusão. "São os meus sentimentos, você encheu minha cabeça com esse assunto. Chega. Pronto. Ficarei com ele" queria poder gritar com ela 'não faça isso, não me traía de novo', mas parecia que já não importava mais. Respiro fundo para não gritar com ela, e falo como se não estivesse furioso "ok, sexta na festa da Ana. Júlia, sexta… Me deixa em paz" meu corpo é consumido por ciúmes e eu vou para casa calado, irritado e confuso.

Estava com dor de cabeça, vou até a cozinha e pego um remédio. Tomo e me sento na cadeira. Minha cabeça ainda estava confusa. Eu estou com aquele sentimento de quando você gosta tanto que você passa a odiar. A odiar os lábios carnudos, a pele macia, os cabelos loiros com suas mechas, suas mãos que me ajudavam e se apanhavam numa brincadeira, aquele sorriso torto que sempre foi meu. Ou não. Eu estava cansado dela, mas querendo mais doses. Eu queria ela precisando de outra. Minha mente gritava vá em frente e meu coração me parava. Eu estava vivendo um drama que eu mesmo criei. "Onde estava?" meu pai pergunta furioso "estávamos preocupados garoto, são quase oito da noite... Você está bem?" ele chega mais perto depois de olhar bem pra mim, vendo que eu não estava com a melhor aparência. "Estou pai, estou" tento sair de seus braços protetores, me levanto pra ir para o meu quarto e fico de costas pra ele. "Você quer conversar?" me viro "não". Eu amo meu pai. Ele sempre foi o melhor que podia. Sempre estava ali, mas nesse momento não quero. Não preciso dele e nem de sua ajuda. Subo as escadas, passo pelo quarto... A vejo tossindo muito. Nós sabíamos que ela estava doente, mas não sabíamos o que ela tinha. Ela tossia, tinha febre constante, vomitava demais. Ela me chama e pede pra que eu coloque o balde perto dela. Minha mãe mesmo doente ria daquilo, disse que não seria uma noite fácil e ri da situação. Ela começou a vomitar e eu estava paralisado a olhando, eu não sabia o que fazer. Mesmo assim, sentei na ponta da cama e esperei meu pai entrar. Ela estava passando dos limites e eu estava Começando a ficar preocupado, corro até a cozinha e peço para o meu pai subir comigo e a ajudar. Chegando no quarto, meu pai vai até a cama e pergunta se ela precisa de algo. Ela estava roxa e parecia não conseguir respirar. Meu pai grita que era pra eu o ajuda-lo, mas o que eu poderia fazer? ele grita mais alto e começa a correr pela casa procurando algo que pudesse ajudar. Eu olho aquela cena e lágrimas rolam, meus pés pareciam estar grudados no chão. Eu sentia a pressão da situação. eu não sabia no que fazer, meu coração doía tanto, como se alguém o pegasse e o jogasse no chão. Eu estava chorando como uma criança, ver minha mãe numa situação e não poder fazer nada. Eu não conseguia controlar aquilo. Meu pai entra no quarto de novo e me pega pelas costas e eu fecho meus olhos e caio, ele me leva para o meu quarto, me deita na cama e eu só vejo um borrão e ouço apenas berros. fecho meus olhos e espero o furacão ir embora.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Um beijo.