Notas iniciais
Galera, eu não sei qual nome colocar nos capítulos, então vao continuar nessa maneira. Boa leitura.

Era sábado. Minha cabeça doía. Estava deprimido, acordei de mau humor. Para me distrair saio de casa as duas e vou até a casa de Júlia. Ela me atende em segundos. Estava com o cabelo amarrado, seus jeans rasgados e soltos e um moletom que nunca tinha visto. "Vamos fazer alguma coisa?" pergunto no corredor "ahn... Não sei..." "Vamos no apartamento do seu pai, podemos ir lá na piscina" "está frio" "por favor" imploro a ela. Estava cansado de ficar naquele lugar. "Ok" ela abre a porta do seu quarto, entra e coloca a música mais alta. Pega uma saia de cima da cama, a coloca e tira a calça. Me olha, chega mais perto e sussurra "vamos" e sai correndo entre os corredores de sua casa e eu desligo o rádio. O caminho para o apartamento era uns dez minutos, se correr, como estávamos uns cinco. Entrando no elevador, Júlia reclama de ter que dar um oi pra ele. Ela odiava seu pai. Ele nunca deu bola pra ela, mas o sr Matheus sempre fazia o que Júlia pedia só por "obrigação de pai" como ele mesmo diz e ela apenas aceita.

Chegando no apartamento, falamos com ele e fomos direto para a piscina. Era enorme e fechada, estava sem ninguém, já que era inverno. Tinha alguns bancos e toalhas limpas. Sentamos na borda e colocamos o nosso pé na água. Não havia silêncio, tinha o barulho da água se remexendo e do vento que entrava pela janela, mas ninguém pronunciava uma palavra. "Você não gosta do André?" falo jogando as palavras no ar sem perceber, do nada. "Não" ela fica em silêncio por alguns segundos, mas continua "como amigo gosto..." um grande silêncio "... Por que?" "não ficasse com ele" "ele é meu amigo, só isso". Silêncio. Me sentia um idiota, ela não é minha namorada, ela é minha amiga, não posso ficar irritado e nem perguntar essas coisas. Balanço minha cabeça pra tirar os pensamentos ruins. Me sentia um completo babaca e o vento que entrava pelas janelas batia no meu rosto e fazia me sentir mais estranho pela situação que eu me coloquei. Estava realmente frio e estava muito afim de ir para casa, me sentia desconfortável. Ela se encosta em mim, coloca sua cabeça em meu ombro, puxa seu braço pra minhas costas e me acaricia, sua outra mão vai até a minha. Eu a olho e meu coração está pulando. Ela é linda. Eu não podia acreditar. A minha cabeça estava confusa. Eu estava nervoso. Meus joelhos tremiam e minha mão suava. Pelo medo que eu estava sofrendo eu peço para ir e ela reclama, mas no fim me abraça e vamos desse jeito. Juntos e abraçados.

Já era seis e meia e faltava uma hora pra mãe de Júlia chegar. Me deito com ela na cama e ficamos olhando para o teto, pensava que estava um tanto estranho esses dias. "Você está bem?" pergunta ela, se colocando em perna de borboleta e olhando para mim. "Na verdade não... Odeio esse lugar. Eu queria poder ir embora, acho que isso aqui não me pertence, tem algo de melhor fora daqui, tem que haver" "não deverias se sentir mal por estar aqui, nós conhecemos aqui... Aqui é aonde você mora... Onde estão suas memórias... Não fique triste" eu olho pra ela e me pergunto da onde ela tira essas coisas. Sua expressão era séria e ela estava mais falante do que nos outros dias. "E você gosta daqui?" "poderia ser pior, eu poderia não ter o que comer... Ahn... Poderia morar na rua... Poderia ter câncer... Poderia ter um padrasto que me estupra... Poderia... Ahn... sei lá... Poderia ser bem pior, só dou valor o que tenho" parecia deboche. "É" digo sem jeito. "Mas também nem tudo é flores. Odeio a escola. As pessoas. Meu pai. Meu padrasto. Minha mãe..." ela para, da um sorriso torto e termina "você". Sinto ela parar de me olhar, a olho e vejo ela observando a parede e ainda está sorrindo. Você me odeia? é? é assim é?". Me levanto e fico de joelhos. Pego seus pulsos e a jogo contra a cama. A música ficava mais penetrante em meus ouvidos, o vento que entrava me arrepiava. 'A BEIJE. A BEIJE' algo na minha cabeça gritava. Fui me aproximando. Me faltava ar. Ela lutava comigo e não me deixava ganhar, mas estava rindo, colocando travesseiro na minha frente. Estava muito próximo. Até ouvir sua mãe batendo em sua porta dizendo que chegou. MERDA, eu estava conseguindo, eu estava ganhando. Ela sai de baixo de mim, estava com raiva, imagino que seja pela sua mãe. "Tenho que pular a janela?" falo baixinho desesperado. "Faça o que você quiser" ela sai do quarto, fecha a porta e eu saio pela janela, mais confuso que antes.

Sinto o sol batendo no meu rosto. Aquela sensação me fazia melhor. Não sentia o calor fazia séculos. Me levantei, olhei pela janela e pude ver as crianças do bairro brincando no parquinho, aproveitando o dia que faltava em suas vidas. Vou até o banheiro, tomo um banho e vejo a hora. Faltava meia hora pra duas da tarde, não sabia como eu dormia tanto. Coloquei uma calça e um moletom, isso porque estava ventando. Me sentei na cama e pensei sobre ontem. Pensei que tudo estava tão estranho. Sempre fomos muito amigos, mas ela sempre demostrou algo a mais. Queria muito poder beijá-la, dizer que o sinto, quem sabe por um segundo ela sinta o mesmo, mas ontem ela não deixou, me empurrou pra longe, provavelmente por brincadeira ou pela sua mãe. Seja o que for eu estou disposto a parar, disposto a seguir em frente e ver que somos apenas amigos. Estou nessa desde que a conheço. Preciso achar alguém novo, estou cansado. Ou eu conto a Júlia ou é adeus. Procuraria André e pediria ajuda. Ele é meu melhor amigo a muito tempo e vai me ajudar.

Depois de tanto pensar e de ter comido vou até a casa dele, determinado. "E aí" ele me diz e eu entro. "Faz tempo que você não vem aqui. Fiquei surpreso" ele da um sorrizinho. "É, faz tempo... Mas na verdade, preciso de uma ajuda" "fala" ele senta no sofá e a mãe dele entra na sala "André quem... Oi Léo, quanto tempo" ela me abraça "você quer alguma coisa pra comer? me desculpa a bagunça". Adorava a "bagunça" daquela casa. A mãe do André era artista. A casa era cheia de quadros criativos e expressivos. Era cheia de tintas e também quadros vazios jogados pelos cantos. Era uma obra a casa. Quando pequenos, eu e André pintamos o quarto dele, da uma nostalgia muito louca entrar lá, eu realmente sinto falta desse cheiro familiar. "Não, muito obrigada sra. Joana" agradeço e me sento no sofá e a vejo saindo da sala, obviamente indo pra cozinha fazer algo pra nós dois. Olhei ao redor e esperei André parecer interessado, e sei que ele está, André sempre foi bem atencioso comigo e com os outros amigos que temos, ele parece ser um babaca e até pode ser um pouco, mas lá dentro sei que ele é uma boa pessoa. "Fala, estou curioso" ele finalmente pergunta "você não quer ir para seu quarto?" digo baixinho, já que a cozinha pra sala não tinha porta e a mãe dele podia ouvir. "Claro". Chegamos no quarto e eu posso ver que estava igual a alguns anos atrás. "Então" digo sentando na cama "preciso de dicas pra pegar garotas" cada palavra me fazia ficar com mais vergonha e me fazia me sentir como uma criança. Ele solta uma risada muito alta. "Você tem dezessete anos, você ainda quer ajuda?" fico quieto, minha vontade era de sair correndo. Basicamente eu só fiquei com uma garota na vida, não tenho atitude. "Pera ai, pera ai, você já transou né? beijar eu sei que já, mas..." fico quieto de novo. "Oh. Meu. Deus." ele diz pausadamente. "eu só fiquei com a clara, você sabe disso" "mano, você tinha quinze anos, como consegues ficar tanto tempo assim? e como assim você nunca pegou a Júlia?" fico o encarando. Como ele podia ser tão babaca a esse ponto. Estava aqui pedindo a ajuda dele e ele fala isso. "Cala a boca, sério, somos amigos" "ok, ok eu respeito, mas você precisa urgentemente acordar esse seu amigo" fico parado, o encarando. "Ok, vamos fazer assim, eu te dou uma mina nessa sexta que vem e você me da a Júlia" "O QUE?" grito com ele, mesmo pensando em resposta mais sensata. Júlia não é uma mercadoria ou um objeto. Repito isso a ele, por fim ri "por isso que você não pega ninguém".

Notas finais
Espero que tenham gostado. Obrigada por ter ido até o final. Beijão.