Mantenha-se forte
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Boa leitura!
Depois de beber um pouco e conversar com outras pessoas, eu, Ana, Júlia e Carol fomos para um quarto. Carol mesmo sendo uma pessoa divertida não me atraia muito. Pelo que já soube Ana e Carol se gostam, mas são orgulhosas demais pra admitir, então apenas se pegam quando ninguém vê. Aquela porta me faz ter uma nolstagia maluca, aquele quarto me lembra minha primeira decepção amorosa. A primeira vez que viemos na casa da ana, tínhamos treze anos. Eu nunca havia beijado ninguém e como conhecia a Jú desde pequena e nós dois não saímos de perto um do outro eu sabia que ela também não. Até esse dia. Eu estava indo levar uma bebida pra ela. Ela estava nesse quarto. Eu estava pronto pra me declarar. Estava tudo na minha mente. Estava tão feliz por me sentir determinado. Foi então que abri a porta e a vejo com a língua na boca de outro. Ela estava sentada na cama e o garoto estava ao lado. Ele estava com uma das mãos no pescoço dela e ela estava com as mãos soltas na cama, por não saber o que fazer. Com a outra mão ele pegava em sua coxa e a acariciava. Eu estava com muita raiva, minhas mãos tremiam, meu coração estava acelerado e por segundos me senti traído. Eu queria poder bater nele, entrar no quarto e dizer coisas a ela, pedir uma explicação, mas não podia. Eu pensei que aquilo era infantilidade demais. Respirei fundo e fechei a porta, sai dali e a esperei lá em baixo. Quando Júlia voltou perguntei onde estava fingindo ter me perdido no segundo andar da casa. Me disse a verdade e acabou chorando. Disse que não estava pronta e que queria pegar um ar lá fora, me sentia mais calmo por ela ter me contado. Sentamos na calçada e ela colocou a cabeça no meu ombro. Me pediu desculpa e eu fiquei calado. Quando fui abrir a boca pra perguntar o porque do pedido de desculpas, ela colocou os braços em volta do meu ombro, chegou mais perto e sussurrou no meu ouvido algo que até hoje não entendi por ter sido extremamente baixinho e rápido. Ela começou a beijar meu pescoço e eu sentia suas lágrimas quentes. Seus lábios eram macios. Meu coração estava acelerado, estava nervoso. Parou e me encarou, eu olhei em sua direção pra poder beijar seu rosto, seus olhos e por fim sua boca. Jú me olhou por segundos, abaixou a cabeça e disse que estava agradecida por eu ser amigo dela. Até hoje posso dizer que não entendi o que aconteceu, só sei que ela me chamar de amigo quebrou um pouco meu coração, na verdade já estava totalmente quebrado."Vai pegar ela hoje?" ouço Júlia sussurrando no corredor pra Ana atrás de mim e da Carol. "Só se você pegar alguém" rebate. Meu sangue sobe de raiva. Entramos no quarto, e eu sento na cama com Júlia e, Carol fica em pé. Ana ia fechar a porta até André entrar. "E aí chuchu?" pergunta ele entrando. Eles se abraçam e vem pra perto de mim depois de cumprimentar todas. Um silêncio domina o recinto e então Carol faz um sinal pra Ana e elas saem do quarto. André levanta da cama e chama Júlia pra dar uma volta, ela me olha com uma cara de quem está perguntando se não tem problema, se eu não ficaria bravo de me deixar sozinho. Faço um sinal que ela pode ir e percebo o quanto sou idiota.Depois de vinte minutos ainda na cama me remoendo por deixar ela ir, saio do quarto na esperança de achar alguém pra conversar. Não acho. Fico deprimido e pego um cigarro em cima da mesa da sala. Fumo lá fora e vejo que Júlia está apoiada numa árvore conversando com André na minha reta. E por um segundo sorrio. Júlia desviou de uma tentativa de beijo. André fica sem jeito e ela abaixa a cabeça e diz algo, sai de perto da árvore e atravessa a rua. Quando chega mais perto faz uma cara de surpresa por me ver. "O que você está fazendo aí?" ela da uma risadinha falsa, parecendo estar triste. "Me senti sozinho", André passa pela gente e entra na casa. "Me desculpa por ter te deixado lá" "tudo bem" "nunca mais farei isso, prometo" me sento na calçada, ela me acompanha. Acabamos ficando por ali mesmo, fumando no silêncio que aquela noite podia nos dar.
Notas finais
E aí gostou?
Obrigada por ter lido até o final.
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