Mantendo o equilíbrio

1 Prólogo - JP Andrade


Oi, meu nome é Jeremias Pinto. E sim, eu sei, já pode começar a rir, porque o nome é praticamente uma piada pronta, né? Se eu ganhasse um centavo toda vez que alguém solta uma risada quando me apresento, eu estaria tão rico quanto meu nome sugere… ou quase isso. Por isso, eu costumo me apresentar como JP Andrade. Mais descolado, mais moderno. Mas vou confessar: sempre dou uma risadinha e falo o original para quebrar o gelo. Até porque, é isso que esperam de mim. A vida já me deu um nome que rende piada, então que seja! Sou comediante, influenciador digital e, às vezes, tento a sorte como ator. E nas horas vagas? Bom, faço stand-up sobre a minha vida pessoal, que por si só já é um show diário.

Minha carreira é tipo uma montanha-russa, sabe? Eu comecei lá de baixo, bem no início, fazendo uns vídeos no YouTube, zoando a vida e tentando arrancar umas risadas de quem me assistia. Sempre fui meio doido, de improvisar, fazer as piadas que surgiam na cabeça. A galera foi curtindo, e comecei a crescer, a fazer shows, até que virou uma parada séria, um trampo mesmo. Aí não parei mais. Fiz stand-up, viajei o Brasil inteiro, e acabei indo pra televisão. Claro, minha vida não foi só flores, teve vários perrengues, momentos difíceis, como qualquer pessoa tem, mas eu sempre tentei tirar o melhor disso, mostrar minha verdade e dar risada de mim mesmo.

Viajar e fazer show é algo que me energiza de um jeito único. A sensação de ver as pessoas rindo, se conectando com as minhas piadas e, por alguns minutos, ter a chance de fazer a diferença na vida delas, não tem preço. É uma troca de energia incrível. Saber que, mesmo com um simples sorriso ou uma risada, consegui tocar alguém, é algo que me motiva a continuar. Sempre foi assim: fazer piada com tudo, até com as coisas mais sérias, sempre foi o meu jeito de ver o mundo. Zoar a minha própria vida, pegar o cotidiano e transformar isso em risadas, buscando sempre aquela nostalgia que a galera adora. Usar a minha própria história como alvo no palco, pra mim, é quase um favor para o público. Afinal, se eu não risse de mim mesmo, já teria pirado faz tempo.

Mas, falando sério, a real é que eu já enlouqueci algumas vezes.

Apesar de ter conquistado tudo isso aos meus 26 anos, de toda essa fama, dinheiro, eu me sinto sozinho. E na verdade, eu não sou nada do que todos acham que eu sou, fora dos holofotes, quando posso ser eu mesmo. Nada disso faz sentido. Usar os shows como um escape era o suficiente, mas hoje em dia, eu não sei mais. As coisas perdem um pouco de sentido.

Eu sei, talvez você esteja pensando: “Mas você é famoso, tem dinheiro, viagens, fãs, tudo que sempre quis”. E sim, tem toda essa parte boa, mas é justamente quando a gente está no topo que começa a perceber que talvez o que realmente falte não seja um palco ou uma piada nova. Talvez o que falte seja só um momento de paz, sem precisar estar sempre performando.

Eu sou o grande comediante JP Andrade, mas quem sou eu quando as luzes se apagam? É isso que eu estou tentando descobrir nesse exato momento.