Notas iniciais
Tô capengando de sono e vou postar. Avalie o esforço dessa que vos fala, quase fechando os olhinhos, mas que entrega capítulo novo! Hoje tem maratona de Oliveiras, maratona de malandragem. Escolha o seu Oliveira fanfarrão preferido - depois do cemitério, depois da praça, depois da padaria. Leiam para entender!

Com as sacolinhas de cachorro-quente para viagem, chegamos à casa do Bruno. Nosso ponto de encontro foi numa lanchonete por ali por perto. Um alvoroço gostoso para aliviar a cabeça, eu diria, porque desde a fila de atendimento a gente aprontava.

Dali mesmo começamos a montar uma possível lista de músicas para cantar no níver do Vinícius e tava uma epopeia só, pois o critério tinha que ser de artistas que o namorado gosta, e tava saindo todo tipo de coisa, como se esses bonitinhos fossem cantar essas ideias no palco. Até parece! Duvido que a Iara fosse cantar Beyoncé, por exemplo.

Não que o Vinícius odeie a Beyoncé (alguém odeia?), mas ele não é de ouvir as músicas dela. Nem da Miley Cyrus, nem da Fergie. Talvez uma Lady Gaga ou Katy Perry seja passível de se ver no player dele, agora um deles subir pra declarar seu amor ao Vini com elas, eu duvido-dê-ó-dó.

Claro que era zoeira deles e claro que era zoeira minha, eu só tava seguindo a dança das cadeiras, mas o tiozão do dogão tava achando que tava rolando briga real. Teve um momento, quando chegou a nossa vez de fazer os pedidos, que ele quis nos separar, o coitado. E aí a brincadeira foi pra outro nível, porque a gente ficou se provocando com o tiozão no fogo cruzado. Até que eu soltei uma pérola para apartar a confusão.

— Sabe uma coisa que só percebi agora? Eu nunca entrei na casa do Bruno. Eu só sei onde ele mora.

Daniela me fitou com seus olhos geniosos, pronta pra falar a frase clássica dele, com os gestos clássicos de complemento, dando a direção encadeada:

— Depois do cemitério, depois da praça, depois da padaria.

De fato, falamos uníssonas, enquanto recebíamos o pedido – 6 cachorros-quentes para 6 criaturas. No caso, o Vinícius vai chegar com atraso.

Agora, na calçada desse digno Oliveira, a gente espera pela emoção de enfim descobrir como ela é por dentro. Bom, eu ao menos, porque a Dani já veio várias vezes aqui, e os outros não entraram nessa pilha.

Só que o Bruno se demora TANTO lendo uma mensagem no celular que eu não sei se é de propósito ou não. Quando a Dani vai pro lado dele, para procurar as chaves, eu descubro que não é zoeira dele, mas se torna uma zoeira dela – de certa forma.

Porque fica um negócio muito engraçado ela metendo a mão nos bolsos dele, sem nenhum pudor, com ele tranquilíssimo, de olho no celular.

Essa não passa pela Iara e nem por mim:

— Gente, que assalto descarado é esse?

— Eu tô tão chocada quanto a I.

Mas o comentário do bonitinho safado é:

— Pra vocês verem o que eu passo.

Ao achar a chave, Dani a suspende em vitória e provoca o namorado.

— Antes eu era a charmosinha, né? Esqueço não.

Ele, ainda verificando sabe-se lá o quê na tela do celular, levanta a cabeça só pra ser um lindo – safado, mas lindo.

É a minha charmosinha. Mas que às vezes apronta gostoso comigo, isso apronta.

Bruno basicamente ativa a sessão de baderna, né, pois chove vaias – tanto pra ele, quanto pra ela. Dani até vira a chave na fechadura, mas antes que possa nos dar a passagem à casa-mistério, coloca as mãos na cintura, afrontosa.

— Pra vocês verem o que eu passo!

O bendito guarda enfim o celular e, ao subir o batente e dar um beijo na bochecha da namorada, ele solta uma pérola é pra mim, que tô quieta.

— Eu vou é esperar o Vini chegar pra perguntar o que ele passa, porque ele sim entrega a namorada.

E emenda mais uma bomba para o casal atrás de mim:

Esses dois aí ainda estão na lua de mel.

Ele dá uma corridinha pelo terraço porque sabe pra onde fugir, mas entro logo em seguida a ele e a Dani. Aproveito as bombas dele para traçar uma observação.

— Mas acho que mesmo depois da lua de mel deles, o Sávio não vai entregar nada. É mais fácil o Vini do que ele.

Bruno chega na porta da sala, abre pra gente e sai ligando as luzes.

— Vou contar essa pro Vini, viu?

— Ele sabe, ué.

— Então é isso que ele passa, né? Mas vou esperar o testemunho dele.

Pego uma almofada do sofá só pra tacar na cara dele. Não é como o código com o Murilo, é pra sufocar mesmo o safado. Quando penso que a Dani entra pra defender ele de mim, ela pega é outra almofada pra dar nele. Bruno corre para a cozinha, escapando com uma das sacolas.

— Até tu, Brutus?

Daniela cruza os braços e cola em mim. O casal fica mais atrás, só risinhos.

— Tu que começou, tu que levou. Só estou propagando justiça.

O bonitinho ajeita o cabelo, os cachos que quase foram desmanchados, e coloca a sacolinha na mesa da cozinha.

— Vocês sabem que eu amo vocês, né?

Dani ignora ele, conferindo suas unhas.

— Olha ele tentando arrumar o que desarrumou.

— Eu só não quero mais confusão, tá bom? Não quero mais um encontro de tragédias. Me digam que hoje não tem tragédia.

Eu sei que ele fala brincando, mas eu penso seriamente nisso. Porque antes já estava em dúvida se levava a eles as últimas notícias ou não, porém, é neles que confio e com quem posso conversar sobre essas coisas. Ao mesmo tempo, quero exatinho o que o Bruno declarou. Não quero mais um encontro de tragédias ou sobre tragédias.

Acho que eles todos esperavam alguma tirada minha e quando não dou, fica um silêncio estranho e os semblantes deles mudam. Eu, no entanto, tento resgatar a leveza com uma piadinha besta que soa meio séria.

— Já que não posso prometer isso, talvez seja melhor... eu ir?

Só que eu de fato me viro, como se fosse ir para saída, e a Dani me segura, enquanto um sonoro “nãaao” vem deles todos. Me sentindo num impasse, e num clima esquisito, deixo vazar algumas informações.

— Eu até tenho algumas atualizações sobre as tragédias que a gente... Mas eu também não quero que nosso encontro seja sobre isso.

Bruno, mais maleável e sincero, vem na minha direção, ao passo que a Iara e o Sávio também se aproximam logo atrás. Assim que tiro a bolsa do corpo e pouso no sofá atrás de mim, as meninas fazem o mesmo, mas fazem para me cercar. Na minha frente, Bruno me cutuca as ideias ao me segurar a mão e balançar de leve meu braço.

— Que tipo de amigos nós seríamos... se não estivéssemos juntos para todas as quebradas?

Fico sem resposta para essa, só mordendo a bochecha interna. Daniela então responde por mim, trazendo a leveza que não consegui resgatar, pentelhando o boy dela.

— Seríamos os piores, mas o pior dos piores com certeza é o Bruno.

— Sua chata.

Ele me puxa pela mão, mas dá língua à namorada, que se delicia. Enquanto vou seguindo pelo espaço, que antes tanto quis conhecer, sinto que na verdade estou é me nutrindo da companhia deles, que me fazem esse bem danado. Assim, antes mesmo de chegar na mesa da cozinha, faço uma pequena exigência, renovando meu espírito traquina.

— Tá, mas eu quero suco.

— Mas eu trouxe refrigerante.

— Mas eu preciso de vitamina.

Bruno me deixa na cadeira e sai perambulando atrás de copos.

— E tu acha que suco congelado tem vitamina?

— Tem mais do que refri.

A Iara concorda, sentando-se.

— É, ela tem um ponto.

Bruno então abre o congelador, para tirar umas polpas de suco e prepara o ataque àquela que me salvou dele.

— Vê as coisas que eu passo, Sávio? Tu tá quieto demais, cara.

Muito do tranquilo e já bem acomodado na mesa, Sávio arremata essa.

— É que tô deixando tu te amarrar sozinho.

Daniela bate palmas com uns gritos de “uhuu” e leva eu e a Iara junto a comemorar. Termino replicando essa também, apontando pro Sávio.

— Eu gosto é desses. Quando abre o bico, abala o mundo.

Ajustando o liquidificador na bancada, Bruno balança a cabeça em negação.

— Tô vendo daqui o complô que vocês formaram contra minha pessoa. Logo eu, o mais...

Ninguém deixa ele completar, porque vamos jogando outros adjetivos na parada:

— O mais malandro do grupo.

Sim, fui eu.

— O mais noiado, isso sim.

A Daniela.

— O mais... fanfarrão.

A Iara.

Fanfarrão? Alguém ainda usa essa palavra?

Ele tenta se defender, enquanto lava as mãos.

— Meu avô usa muito pra falar do Murilo.

Eu gargalho dessa verdade, Brasil. Mas gargalho muito mais por esse clima gostosinho de afrontas, ultrages, pirraças e picuinhas que eles estão tirando do absoluto nada. É, aliás, bem diferente do que foi o domingo com os Muniz e os Garra, porque esses pilantra tudo estão fazendo de boa vontade, nada combinado, sendo os Oliveiras que são.

É tudo o que posso querer neste momento.

~;~

Não esperamos o Vinícius para atacar e nem para fazer um brinde. A Daniela que puxa, levantando seu suco, depois que a Iara comentou que faltava uma entrada de ano digna nossa, já que o grupo tava desfalcado na virada, além de que a Dani passou no palco sem poder saudar o novo ano no estilo.

— A um ano de mais paz!

— E o Vinícius, gente, não conta? Ele ainda não chegou.

— A gente repete, ué. A um ano de zoeiras das boas!

Bruno até que me convence nessa. Levanto também meu suco.

— Tá. A um... Um ano da gente junto.

Sávio eleva seu refri depois de um gole.

— A um ano de liberdade.

E a Iara completa, satisfeita:

— A um ano de aventuras do bem! De preferência, eu não saindo na filmagem tropeçando na barra do vestido.

— Essa tu não me contou, bonita!

— É que foi tanta coisa naquela noite, Mi... As coisas ainda estão vindo. Tipo a vassourada que o Bruno levou.

De imediato, ele tenta abafar o caso.

— Ei! Isso foi segredo.

Daniela faz uma careta engraçada, enquanto termina a última dentada no dogão.

— E ainda existe segredos entre nós?

Eu, no final do meu cachorro-quente, limpo a boca apenas para suplicar essa história. Uniria as palmas em prece se preciso.

— Contem, pelo amor de Deus, contem.

Bruno leva as duas mãos ao rosto, os cotovelos na mesa, e o Sávio dá umas batidinhas de consolo nas costas dele. A Daniela até se empolga toda, mas se detém.

— Ai, gente, foi engraçado olhando agora, mas na hora foi uma doidice só. Até porque ele tava só tentando ajudar. Me ajudar, no caso. Na verdade... rolou um negócio meio sério umas horas antes da festa começar.

Iara se ajeita na cadeira para ouvir melhor.

— Tipo o quê?

— Bom... Não sei se você sabe dessa... É que eu tenho uma fobia. De cachorros. Principalmente os grandes. Enfim. No último dia, eu fiz um ensaio com a banda, porque tinha algumas músicas que a gente não tocava faz tempo, e tinha aquela em italiano, né...

Um pouco nervosa, Dani tenta dispersar a sensação que lhe toma conforme relembra o caso.

— Daí... o Bruno ficou de me buscar no começo da tarde. Como algumas pessoas da cozinha estavam chegando com umas compras, eu me afastei da entrada, né, para deixar eles passarem. E nisso fiquei mais pro lado da esquina, ali da área residencial. Só que teve um morador que tava saindo com o carro da garagem e o cachorro dele aproveitou essa hora pra fugir. E ele correu pro meu lado.

Tanto eu quanto a Iara damos um suspiro de espanto, entendendo o que aconteceu.

— E-eu... Errr... Eu entrei em pânico, né. E também corri. E foi um alvoroço tamanho, com os entregadores tentando pegar o cachorro junto do tutor, e eu... eu em prantos, sabe, me tremendo todinha. E aí foi desse jeito que o Bruno me encontrou.

Ele a abraça de lado, num carinho só deles, onde ela se derrama, mas também se mantém forte para contar o restante. Chega a fungar até, apertando as mãos.

— Eu não fiquei bem, gente. A crise me detonou legal. Mas o Bruno me levou pra casa e ficou comigo. Porque aí comecei a pirar por conta de ter que subir no palco nessas condições, físicas e mentais. Só que eu tinha um compromisso profissional, sabe? O show da virada não era uma brincadeira, não era algo leviano. Eu não poderia dispensar assim.

— Mas se tu não tava bem, Dani...

Começo a dizer, porque essa parte também me pega.

— Foi o que eu tava dizendo. Que não precisava ela ir se não tava bem.

— Acontece que as pessoas estavam contando comigo, gente.

Mantendo uma afago na namorada, ele completa, brando:

— É, mas imprevistos acontecem. E foi um abalo bem grande pra ti.

Daniela fica incomodada, só que não por isso.

— Mas as pessoas de geral não compreendem, sabe? Quando falo dessa fobia, não compreendem. É como se eu estivesse contando uma grande piada.

— A gente aqui compreende, amor. Não é, gente?

Chovem nossos “totalmente”, “sim”, “com certeza” e “demais”, todos entremeados. Dani suspira, porque encontrar compreensão e acolhimento assim não é fácil mesmo. Fora todo o transtorno de vergonha e medos, tudo duma vez só.

— Mas vocês entendem que nem sempre eu encontro isso?

Assentimos todos.

— Foi aí que eu disse pra ela dar qualquer desculpa. Um mal-estar, uma virose, sei lá. Qualquer coisa mesmo. Não queria que ela se submetesse a isso naquele estado.

Ao lado dele, Dani suspira, balançada com isso.

— A responsabilidade com o grupo me pesou muito, gente. Eu tinha que ser sincera. Então, depois do susto, liguei pro CK. Ele ficou como o Bruno, tentando me tirar de cena, e eu preocupada em como ele iria segurar as pontas, porque a gente tinha separado nossos horários e as partes, e aí de repente ele teria que fazer a minha parte e a dele, sabe? Seria muito cansativo.

— Mas o teu bem-estar tem que vir primeiro, amor. Sempre. Vou continuar batendo nessa tecla até o fim dos tempos, porque isso pode acontecer de novo, e se acontecer... Mesmo que você tenha conseguido dar conta, pode haver vezes que não dê e... É preciso respeitar.

Meu amigo mantém um carinho doce nela, mas é esse sensato. Inclusive, sobrepõe as mãos dela com a sua. E Iara segue esse gesto e logo depois eu, embora eu nada diga.

— Eu tô com o Bruno.

Daniela suspira novamente, desgostosa da situação – tanto a que passou, quanto a de agora, com a gente meio dividido nas opiniões. Quer dizer, eu me sinto meio dividida, mas o Bruno tá sendo bem expressivo na ideia dele e a Iara apoiou. Pelo que espio do Sávio, na outra cabeceira da mesa, ele parece estar considerando os dois lados, sem se posicionar no momento.

— Bom, é algo que eu vou avaliar com o tempo. Naquele dia, no entanto, eu me senti sem saída. De verdade. Mesmo com o Bruno e o CK abrindo todas as portas pra mim. Acho que, agora que passou, consigo ver que era porque mexia com meu o senso de dever. De compromisso. E ter que entregar assim, por causa de uma merda de fobia, é um negócio... meio alucinante, sabe?

— Como entregar um trabalho pela metade?

Dani vira a cabeça pro Sávio de repente e sua expressão se ilumina.

— Sim. Como entregar um trabalho pela metade e tendo a preocupação de se virar com o restante. É de dar agonia a qualquer pessoa que quer entregar algo bom no seu trabalho, não é?

Isso faz o restante de nós pensar.

— Porque aí eu pensei sim em outras maneiras. Pensei em diminuir as músicas, pensei em entrar mais tarde, fazer mais pausas... e ver realmente como eu me saía naquelas condições. Porque eu não tava preparada pra desistir – nem do meu trabalho, nem de mim.

— Eu entendo demais isso.

Eu solto que nem percebo, com o copo de suco a centímetros da boca. Dani suaviza seu ímpeto, voltando-se então para mim e colocando a mão sobre a minha, pousada à mesa.

— A tua fobia, né, Lena? Essa temporada deve estar sendo complicada pra você também.

Bebo uns goles do suco para manter a boca hidratada ao falar disso, pois de geral isso me seca como um deserto, além de me deixar à deriva. Admiro-a de longe por conseguir se expressar de maneira tão aberta e até calma. O que não significa que não há vergonha envolvida.

— Está e muito. Mas não quero te interromper e isso... isso eu deixo pra outro dia.

Espero mesmo algum dia eu poder falar assim.

— Tudo bem. Quando você quiser, eu posso te ouvir. Sabe que sim, não é?

Ela me afaga o braço e eu assinto tomando um novo gole do suco, pra desviar do tópico realmente. Não era hora pra isso, e, embora todos saibam de alguma instância do que é minha fobia, prefiro me preservar.

— Voltando à questão, então, eu... O CK depois me ligou e veio com uma ideia. De acrescentar mais uma banda, pra dar conta do serviço. É a banda de um amigo dele e eles meio que tavam procurando uma oportunidade pra tocar em um lugar diferente, porque eles tiveram umas experiências ruins em umas casas de shows e pubs da vida... E essa era a proposta. Ele ia conferir com os caras, mas tava me perguntando primeiro se eu toparia algo assim. E eu topei.

— Caramba, então aquela outra banda...

Iara me ajuda engajando nessa parte da história e deixando mais e mais a minha para trás. Se isso foi intencional ou não, não importa, eu agradeço internamente do mesmo jeito.

— Sim, eles foram meu suporte. A maioria das músicas tava no repertório deles e algumas outras também foram adicionadas, pra dar esse espaço pra eles. Só assim mesmo que senti mais segurança de ir, pois eu poderia sair a qualquer momento sem problema. De alguma maneira bem louca, até me deu mais força nas pernas. E... ironicamente, o Bruno levou uma vassourada no meio das pernas.

O assunto tava tão pra outro lado que resgatar essa parte nos pega de surpresa e em coletivo liberamos um belo “Quê?” que faz o Bruno se soltar da Dani só pra deixar o rosto cair na mesa, pro lado do Sávio, que ri de um jeitinho discreto e outra vez dá umas batidinhas nas costas dele.

— Eu aqui todo solidário, cara, todo romântico, cuidadoso... e minha namorada me entregando assim.

Ao som de nossas risadas, Daniela afaga seu namorado com um carinho aos seus cabelos e seu jeitinho para reavivá-lo à conversa.

— Ô, amor, eu só tava contextualizando. Cadê meu Bruno determinado, hein? É a vez dele de explicar.

De cara na mesa, ele quem suspira, desanimado. Nessas condições, ela oferta uma contraproposta:

— Quer que eu conte o restante?

No mesmo segundo, Bruno levanta a cabeça, tomando um fôlego e uma coragem. Nem parece que tinha enfiado a cara na mesa, derrotado.

— Tá. Então... Ninguém ri, viu? Senão eu vou pro meu quarto, deixo todo mundo aqui e nunca mais vejo vocês. Eu tô falando sério.

Ele aponta para cada um e a gente vai amassando um lábio no outro, sinalizando que nenhum sorriso vai passar por nós e que ele pode ir seguro.

— Era umas oito da noite quando a gente voltou lá na pizzaria pra receber essa galera. A Dani entrou com o CK para mostrar o local pros caras... do Controle-Remoto – pois é, esse é o nome da banda – e eu fiquei do lado de fora com o representante deles, que tava descarregando uns instrumentos da kombi lá. Daí um dos caras da limpeza e um garçom foram ajudar com os materiais de suporte, amplificadores e sei lá mais o quê.

Autocentrado, meu amigo parece encadear as coisas até para ele mesmo.

— Depois eu só escutei que era pra eu levar também, já que eu tava meio de bobeira na portaria. Tipo, disseram “traz esse aí”, que era o case da guitarra ali do lado, onde tava o raio da vassoura, que o cara da limpeza deixou lá quando saiu pra ajudar. Só que antes de eu pegar o case, alguém desatento também não viu a vassoura, e tropeçou ou pisou... nem sei, só sei que fez a ponta do meu lado levantar e... eu só vi as estrelas.

Meu amigo até suspende o braço mostrando o movimento da vassoura e logo mais fecha os olhos, todo singelo. Por impulso, sem querer deixo uma lamúria escapar:

— Awn.

E tão logo me tapo a boca e seguro qualquer expressão mais, porque os outros se mostram em alto esforço para manter o bico fechado e o riso longe. A Daniela até fecha os olhos com força. Mas quando o Bruno torna a falar, ela finge que nada aconteceu, mostrando-se bem atenta a ele.

— Enfim, quase derrubei o case em cima dos pés e, caramba, me encolhi tanto que fui no chão.

Sávio, contudo, solta uma pérola, apesar de sua expressão impassível:

— Soldado ferido.

E a Iara, de frente pro Bruno, complementa no mesmo tom:

— Os soldadinhos, né?

Nosso amigo torna a derrubar a cabeça na mesa. Sávio então diz:

— Te juro que ninguém tá rindo.

Pra dispersar essa sensação, comento outra impressão:

— E vocês estavam tão lindos, gente. Lindos e felizes nas fotos que vi. Fotos espontâneas.

Dani, ao meu lado, explica:

— No meu caso, acho que foi a maquiagem mesmo. Tem corretivo que corrige mesmo a expressão – e olha que eu não tava escondendo de ninguém, propriamente, porque eu deixei que soubessem o que aconteceu comigo e o tamanho do meu abalo, o que também foi libertador.

Essa é a meta, digo para mim mesma, tentando não focar tanto nisso.

Dani faz um carinho no namorado, que continua com a cara de tacho na mesa, mas que se volta para ela quando continua a falar.

— Mas ter a garantia da outra banda, gente... Foi de um alívio tremendo. Foi muito importante ter as pessoas me dando esse suporte. Me permitiu viver o momento sabendo que tudo tava no lugar, além de que pude fazer minhas pausas sem problema. O Bruno pode achar que aquela foto da gente numa mesinha de canto era zoeira, mas pra mim foi um marco enorme. Tipo, eu continuei ali e tava conseguindo ser forte porque havia um suporte me segurando na base. Mesmo com ele com a sacola de gelo – que, claro, não apareceu na foto. Até porque tava debaixo dos panos.

De onde estou, consigo capturar um sorrisinho meigo dele a ela, bem cúmplice, desses que diz sem palavras algo como “faria de novo se preciso” ou “faria muito mais por você”, o que é realmente um alento. Isso faz com que o Bruno se ajeite e levante o corpo da mesa enquanto a Dani continua seu testemunho.

— Eu ainda tô sem palavras por ter encontrado esse nível de suporte, essa é a verdade. Porque, na minha cabeça, eu só queria compensar todo mundo pelo transtorno, toda envergonhada, e eu tava preocupada sobre dar conta ou de ter que colocar tudo na conta do CK sozinho. Então, acho que eu continuei pelos motivos “errados”... mas durante o processo encontrei as “pessoas certas”?

Daniela lança essa como uma pergunta a si mesma, com os dedos das aspas recolhidos e tudo, e eu entendo bem essa sensação, ou a questão. Como o Sávio disse anteriormente, é como entregar um trabalho pela metade, e como ela mencionou também, é como se preocupar alucinadamente com como entregar o restante e isso forma uma redoma confusa na nossa cabeça.

— Mas o fato de eu continuar, persistir, no final foi importante, porque isso também demonstrou quem são as pessoas que estão comigo e se estão de verdade ou não. Tipo, até que esperava uma compreensão do CK, mas do Dieguito e dos outros... foi também uma surpresa. E ainda dos caras do Controle-Remoto, sabe? Foi muito inesperado isso, mais do que o próprio cachorro vindo na minha direção naquela tarde.

Enterneço nessa parte porque foi assim que me senti também, com os trovões e tudo. O método do Murilo, mamãe no modo leve e o Vini na porta da minha casa. Até a Iarinha me dando a mão – e os ombros e um colinho. E depois mamãe e o Vini me levando até a porta do quarto para o Murilo poder conduzir aquela técnica dele na hora dos trovões depois da virada. E eles todos reunidos por mim quando eu tava confusa demais sobre minha realidade, sobre as coisas que eu falei dormindo... e sobre todas as coisas que vomitei. Isso é valioso demais.

— Só assim pude curtir um pouco do que foi esse dia insano, a virada e até brincar com os novatos no palco, que de novatos não têm nada, porque eles são até bem mais experientes do que a gente, mas vocês me entenderam. De todas as músicas, eu só queria manter aquela italiana, porque tinha treinado muito, e aquela do Bruno, de Smallville, Everything. Que fazia uma vida que eu tava tentando performar pra ele e que também não rolou no último dia de aula.

— Eu esperaria todo o tempo do mundo, tu sabe, pra ouvir ela na tua voz.

Dani vira para ele, naquele seu jeitinho quieto quando fica vulnerável assim.

— Mas entende que isso era importante pra mim?

— Entendo.

Ele dá um beijo na bochecha dela, em chamego, e isso me lembra de uma coisa.

— E teve beijo de virada no final das contas?

— De virada, na hora da virada, não, porque ela tava no palco nessa hora.

— É, e tava um negócio tão empolgante na hora que eu ainda levei mais umas três ou quatro músicas pra descer. Nem levantei no dia seguinte, porém, foi algo que super valeu a pena.

Por fim, é o Bruno que faz piada sobre sua situação:

— E eu preocupado com a coisa mais idiota do mundo... Sei lá, por um momento fiquei com essa ideia de que seria um desses casos que aparecem no Youtube, de ter o... os soldadinhos atingidos. A gente acha que nunca vai ser uma dessas pessoas até que...

Ele não finaliza, só deixa no ar. Recobrando o fôlego, Dani passa a mão pelos cabelos dele outra vez, demonstrando que valeu a pena contar. Em adição, ela fala um pouco do que foi encontrá-lo naquelas circunstâncias:

— Nem eu acreditei quando vi ele lá na calçada, gente. Tava caído e se retorcendo todo, o coitado. Pensei que tivesse levado algum choque, sei lá, por conta da fiação.

— E foi assim que fiquei um bom tempo com uma sacola de gelo no meu colo. É isto. Não é mais segredo secreto.

Dani então sela isso ao grupo:

— E teu segredo continua secreto porque ninguém aqui vai espalhar. Daqui não sai, né, gente?

Enquanto Sávio passa um zíper na boca, bem demonstrativo, a Iara enfatiza:

— Pode ter certeza que não.

Mas por eles falarem tanto nesses termos, segredo ou secreto, isso me toca num ponto que me deixa um tanto à deriva, que eles percebem. Só noto que estão me chamando quando a Iara se estica pra me puxar o braço.

— Oi.

A Dani que me responde. Ou melhor, pergunta:

— Tem algo que precise dizer?

Mexo um pouco a boca, hesitante, porém, depois assinto.

— Só um segredo master secreto que não pode sair daqui.

Então olho para eles na mesa, prontos para me ouvir.

Que tipo de amigos nós seríamos se não estivéssemos juntos para todas as quebradas?

— Mas eu confio em vocês.

Só que ao tomar um fôlego para me preparar para falar daqueles e-mails na minha caixa de entrada, a campainha toca.

~;~

De alguma forma silenciosa e intuitiva, todo mundo entendeu que eu só falaria depois que o Vinícius terminasse seu lanche, vez que ele apareceu tão esfomeado e agitado de outro trânsito parado por uma batida na avenida. Sim, o coitado tem um “chama” pra isso. Eu sei que para ele, ou para nós, isso é apenas mais um transtorno, porém, é preciso também ter empatia com aqueles que estiveram envolvidos na batida, porque bem sabemos o que é estar no meio de uma muvuca de emergência. E o último dia de aula envolveu um bocado disso, sem quase ninguém saber o que rolava de verdade no nosso prédio.

Então mantemos um papo mais ameno enquanto o Vinícius lancha e se enturma, com a gente sendo os Oliveiras. Numa dessas conversas, a Iara fala do presente dela e até vai buscar, porque quando nos encontramos na lanchonete, ela entregou o conjunto pro Sávio guardar no carro e a Dani até quis espiar naquela hora, e só agora ele se põe a abrir.

A expressão de chocado dele é assim preciosa, ainda mais que a Iara demonstra o travesseirinho dela também, todo lilazinho, sua cor preferida.

— Ah não, gente, eu também quero meu DanBru!

É claro que a Daniela reclama que não ganhou, mas eu estendo essa onda de presentes porque agora é uma marca dos Oliveiras e nenhum cidadão – muito menos meu casal! – fica pra trás.

— Olha, pode deixar que vou pegar o contato da artesã que fez, pra ver os valores e mandar fazer o de vocês.

Dani se anima e até bate palminhas.

— Aí eu gosto. Se for o caso, até racho contigo.

Já o Bruno, ele coloca o braço no encosto da cadeira da namorada pra se aproximar da gente.

— Negativo, manda a conta pra mim. Tenho que garantir minha parte.

— Pra mim, tá valendo tudo.

Mal a Dani aceita a proposta dele, o outro casal, que tava na outra ponta da mesa se curtindo desde que abriram os mimos (e a gente nas conversas paralelas), de repente dá o maior beijão que faz a gente vibrar em gritaria. Só que o Vini apronta. Ele coloca a mão aberta na lateral do rosto para tapar a imagem de sua irmãzinha num momento de maior love e solta uma pérola:

— Ai, não... Agora eu sei o que o Murilo passa.

É óbvio que eu e a Dani vaiamos ele e o Bruno gargalha no processo, porque era basicamente disso que falávamos quando entramos em sua casa. O melhor é que, por incrível que pareça, isso não abala o casalzão, que até ri se abraçando. E a Iara, pra atentar o juízo de seu irmãozinho, resolve puxar a mão dele, pra remover a barreira e os dois ficam numa competição besta de mãos e bloqueios até alguém bater numa das garrafas de refrigerante, que vira com tudo em cima do Vinícius.

Eu nem queria rir, mas ninguém mandou suscitar as pedâncias do Murilo!

Todo mundo pula para se afastar, menos o mensageiro da vez, que recebeu o jato de refrigerante na calça. Meu Vini fica tão derrotado que nem se mexe depois de colocar a garrafa em pé na mesa de novo.

— Então... alguém tem uma calça ou bermuda pra me emprestar?

Eu queria ter dó dele, mas não tenho, porque foi ele quem pediu pro universo essa. Mas tá, né, já recebi um suco de goiaba na blusa uma vez, e foi durante um evento acadêmico de Administração, então seguro a gargalhada para não ser a próxima vítima.

Conferindo melhor de sua condição, Vini acrescenta:

— Acho que vou precisar de uma camisa também.

Eu e a Iara ajudamos ele a se afastar da cadeira, enquanto a Dani pega um pano ali perto, Bruno vai atrás de um rodo e o Sávio remove as coisas da mesa. Vamos nos articulando aos poucos pro Bruno não ser morto por seus pais que, felizmente, estavam fora por um aniversário e daria tempo de a gente fazer a limpeza. Acompanho meu Vini envergonhado, vez que sai pingando refrigerante até o banheiro. Pego umas roupas com o Bruno e deixo ali na entrada pra ele, porque do jeito que o coitado ficou, precisava ir para debaixo de um chuveiro.

Enquanto meu boy azarado repensa seus feitos, conto pra galera o que ele fez com a Lia uma vez e como ela devolveu a comida para a camisa dele. Conto também que eu tenho uma petição para levantar. Pisco para a I, sinalizando do que se tratava e ela devolve com um “ok”, de que ela havia conferido com o Sávio antes.

— Então, gente, é o seguinte. Eu tava conversando com o Vini dia desses...

— Mentira, eles estavam se pegando.

É assim que a Iara retorna pra mesa: criando caso. Pois eu também sei fazer.

— Tu quer mesmo que eu entregue coisas? Porque eu tenho coisas tuas pra entregar.

Nem preciso dizer que a Dani se empolga com esse suspense. Se empolga mais ainda quando o Sávio volta pra mesa e tapa a boca da namorada.

— Continua, que ela não vai mais interromper.

Eita que aí tem coisa!

Suspiro pra dar um fôlego a mais e continuar de fato.

— Bom, o azarado... Quer dizer, o Vinícius... Ele demonstrou interesse em fazer parte dos Oliveiras. Em espírito e no grupo digital no chat. Acredito que depois dessa zona toda que ele aprontou nessa noite, ele fez a proposta do modo mais avesso possível, mas fez. E uma coisa que preciso falar sobre sua pessoa é que... Como posso dizer? Ele ficou um pouco preocupado em relação ao Sávio.

— Eu?!

— É que você tiveram uma relação complicada ano passado... e agora ele tá meio sem jeito.

No seu modo comum acanhado, porém mais aberto, Sávio quer remover qualquer mal-estar relacionado ao que se passou.

— Que é isso, não precisa nada disso comigo não. A I até me perguntou dia desses se eu tinha algum sentimento ruim em relação a ele e não, não tenho. De verdade. Além disso, o ano passado tá no passado agora. Tivemos nossas diferenças e ele tava no direito dele de... Enfim, acho que já recomeçamos essa relação e se é o meu voto o decisivo, por mim ele tá dentro.

A Iara vira pra ele e, embora vacilante, diz o que está em seu coração:

— Sabe que não precisa fazer isso por mim, se tiver algum desconforto, né? Não é porque ele é meu irmão que...

— Sei e eu entendo isso. E não tô fazendo pra te agradar ou mesmo ao Vini. Eu realmente quero estar de boa com o que passou. Fora que... Ele meio que já não era do grupo, não? Talvez só não soubesse. Porque pra mim eu que integrei agora. Mas se precisa oficializar, vamos oficializar agora.

Isso aplaca tanto as preocupações da I, que seus braços até caem na mesa.

— Te amo.

O casal se beija de novo, mas ao contrário da outra vez, que rendeu gritos e incentivos, agora a gente de plateia só enternece diante da fofura Saviara. Como a I é bem baixinha – mais baixa do que eu, Brasil! – ela se levanta pra abraçar o Sávio que tá sentado e eles se unem de um jeito tão meigo que até imito a Dani fazendo sinal de coração com as mãos.

Então o novo Oliveira dá uma de Oliveira:

— Eita que eu só apareço nas horas inapropriadas.

Se antes ele foi vaiado, agora rimos todos e com as duas garrafas de refrigerante bem fechadinhas e bem distantes das beiradas da mesa. Meu Vini circunda o local para voltar pro seu lugar com seu novo lookinho: camiseta, bermuda e chinelas a la Bruno. Eles até têm estilos semelhantes, de maneira que não fica tão destoante. O conjunto é uma combinação de azul e cinza que bate bem com o namorado, agora de cabelo molhado.

— Tô brincando, gente.

Ao se sentar, ele faz um esclarecimento extra, olhando para o teto:

— Tô brincando, universo!

Com essa, lembro do papo da Iara mais cedo, quando disse que precisávamos de uma entrada digna, bem o que ela tanto me propôs para a virada de ano, e lembro que temos um brinde pendente.

— Acho que tá na hora daquele nosso brinde. Bora lá? Cada um com seu copo, desejando algo para esse novo ano. Quem quiser repetir o seu, pode repetir.

Bruno e Sávio que dessa vez abrem as garrafas de refri e a gente vai se servindo devagar. Em paralelo, o Vini quer saber que história é essa de repetir desejo.

— É que os bonitos aqui não te esperaram pro brinde. Então essa é uma atualização.

— Hm... Só desculpo porque eu que cheguei atrasado. Só por isso.

Curiosamente, estávamos nos mesmos assentos de antes da zona que foi o refrigerante vazando, então seguimos a mesma ordem anterior. No caso, eu numa das cabeceiras, seguida da Dani e Bruno à minha direita, o Sávio na outra cabeceira, e o Vini e a Iara à minha esquerda. Para o brinde definitivo, Daniela faz a reabertura:

— A um ano de mais paz!

Bruno segue e malandro que é, também repete seu desejo, porque é um bom desejo:

— A um de zoeira das boas!

Já o Sávio edita um pouco do seu:

— A um ano de liberdade e... muita... fraternidade.

A Iara é outra que repete, pelo que lembro:

— A um ano de aventuras do bem.

Vinícius levanta seu copo e, amistoso, declara:

— A um ano de companheirismos.

E eu fecho com o meu, que é um mais que desejo, é talvez um sonho coletivo:

— A um de ano de a gente junto!

Batemos os copos e tomamos nossos goles.

Bruno então toma a dianteira e anuncia, balançando o celular:

— Parabéns, Vini, você é oficialmente um Oliveira.

O coitado quase se engasga.

— S-sério?

Sávio quem responde essa:

— É, eu tava ainda pouco contando que tu já era um, só não sabia.

E o que o meu Vini faz para estrear seu título?

— Então a Lena foi a geniazinha do mal que não me adicionou? Ou foi a Iara?

Uso a voz da sabedoria para colocar esse Oliveira na linha.

— Acho que foi o universo. Parece que ele quis te dar um banho primeiro.

Notas finais
TIVEMOS MAIS UM INCIDENTE COM UMA VASSOURA, BRASIL! Acho que o Bruno precisa aprender com o Vinícius sobre como o universo age, só acho. Trechinhos do próximo? Vou ficar devendo e nem é pelo sono, porque o próximo é badalado de babados e as criaturas me disseram aqui que é pra vocês esperarem, que não posso entregar nada. Então ATÉ BREVE!