Mansão de Vampiros
4 O indesejado começa a acontecer.
Notas iniciais
Mansão de vampiros!
Levou Maria até a cozinha tentando acalmá-la enquanto ela contava tudo o que havia acontecido. Sentou-a em uma das cadeiras que tinha na mesa da cozinha e foi pegar um pano e um pouco de gelo. Colocou o gelo no centro do pano e o enrolou, formando uma espécie de bolsa, levou-o até Maria e colocou em sua mão inchada.
Maria ainda tinha algumas lágrimas escorrendo por seus olhos, mesmo tentando impedi-las. Blaze agia como uma mãe agora, penteando seus cabelos e dizendo que tudo estava bem, que tinha passado e que logo tudo voltaria a ser o que era. Os soluços da mais nova ecoavam pela casa, agora, silenciosa, e isso deveria ter acordado os outros dois que apareceram na cozinha com olhares preocupados se aproximando rapidamente.
– O que houve? – perguntou Amy preocupada se ajoelhando na frente de Maria e tentando secar as lágrimas que escorriam por seu rosto e parecia não cessar. Os soluços da garota continuavam e seu corpo ainda tremia, Amy percebeu que ela não se acalmaria com apenas algumas caricias. Mas outra coisa lhe chamou a atenção. – Por que sua mão esta inchada? Por que esta chorando?
– Dois caras entraram aqui e atacaram a mim e a Maria. – respondeu Blaze fazendo Amy arregalar os olhos e Knuckles serrar os punhos com força por causa da raiva. Amy abraçou Maria de uma maneira maternal tentando novamente acalmá-la, só que dessa vez a si mesma também. – Parece que são bem mais preparados que qualquer abusador normal. Pelo menos no meu caso não tive a menor chance.
– Viram quem eram? – perguntou Knuckles quase trincando os dentes.
– Quem me atacou foi um garoto albino, com olhos dourados que parecia brilhar no escuro, uma pele fria e por mais incrível que pareça caninos afiados. – falou Blaze relembrando o que havia acontecido de madrugada. Ainda tinha aquele sentimento de desejo, mas já havia diminuído comparado ao que sentia antes, o que a permitia ignorá-lo.
– O que me atacou era um garoto moreno, com olhos vermelhos que também brilhavam no escuro, forte, muito forte mesmo e com os caninos afiados. – disse Maria já um pouco mais calma. – Acho que tem a marca da mão dele na parede quando ele me encurralou.
Maria se levantou ainda com as pernas um pouco tremulas e levou todos até seu quarto. Não era um quarto muito chique igual ao de Blaze, mas mesmo assim era bonito. As paredes de madeira escura como as mobílias, a cama era uma simples cama de solteiro com lençóis rosa, bagunçados, havia uma grande janela com cortinas finas rosadas. Era um quarto realmente simples.
A mais nova dos quatro se aproximou do canto perto da janela e passou a mão pela parede de madeira para logo depois olhar para seus amigos apontando para o local que tinha passado a mão. Blaze se aproximou e tocou levemente o lugar, para logo depois arrastá-la por mais alguns centímetros da parede sentindo o que parecia uma depressão na madeira. Seja o que for que se chocou ali fez um estrago não visível, mas mesmo assim evidentemente perigoso.
– Acho melhor irmos embora. – falou Blaze dando a volta. – Eu falei que essa casa não era um bom lugar, e se eu estiver certa eles não vão parar com essa noite.
– Podemos chamar a policia. – sugeriu Amy tentando amenizar as coisas. Não queria que essa viajem acabasse desse jeito, afinal era praticamente a ultima vez que via seus amigos e queria aproveitar. E mesmo que não quisesse admitir nem para si mesma não queria estar perto de seus pais.
– Não acho que eles sejam capazes de pegá-los Amy. – disse a garota morena olhando para Maria que praticamente havia começado a tremer. – Não sei o que são eles, mas sei que não são normais e não quero arriscar perder ninguém aqui sendo que poderíamos ter feito algo. Melhor irmos embora o quanto antes.
– Não seja tão dramática Blaze. – disse Knuckles colocando uma mão no ombro da amiga. – Vamos hoje para a cidade e conversamos com a policia e ver o que podemos fazer. Acho que depois disso eles devem se aquietar até irmos embora.
– Não quero mais ficar aqui. – disse Maria se encolhendo mais. Sentia sua mão latejar pela dor, e pensar que fora por causa de bater naquele garoto. A pele dele parecia ser feita de mármore ou algo parecido ou ainda mais duro. E apesar do gelo ter feito o inchaço diminuir um pouco e nenhum osso ter quebrado era possível ver o estrago que fora feito.
– Calma Maria. – disse Knuckles tentando acalmar a amiga que voltara a ter lágrimas nos olhos. – Eles não vão nos incomodar mais. Eu prometo que tudo isso vai acabar.
– Meu deus até parece que vocês estão enfrentando algo sobrenatural. – falou Amy saindo do quarto e indo até o seu. Blaze e Maria se entreolharam pensando a mesma coisa. Talvez Amy tivesse razão e estivessem mesmo enfrentando coisas sobrenaturais, afinal viram a força e a velocidade deles, sem contar que ao parecer eles queriam mordê-las como... Vampiros.
Horas depois o grupo de amigos estava caminhando pela cidade que ficava perto da casa em que estavam hospedados. O assunto do que havia acontecido na madrugada havia sido apagado, pelo menos não fora mais mencionado depois que falaram com a policia. Blaze achou estranho a reação deles quando ouviram o lugar que eles estavam, mas deixou isso de lado e tentou pensar em um jeito de manter aqueles garotos longe de Maria e de seus amigos.
Estava na ponte que juntava as duas partes do vilarejo que eram separadas por um pequeno riacho de águas cristalinas. Olhava distraidamente alguns peixes que passava, as pedras no fundo do riacho, algumas folhas das árvores que rodeavam o lugar, e o vento as levavam para o riacho, deixando-as cair no mesmo e ser levadas agora pela corrente. Só queria saber a fraqueza daqueles abusadores.
Em um breve momento viu o reflexo do sol na água cristalina do riacho, a fazendo reluzir ainda mais com pontinhos dourados. No mesmo momento veio a sua mente a lembrança de quando aquele garoto estava prestes a perfura sua pele com seus caninos afiados. Ele não havia feito porque o sol estava saindo! Porque ele iria ser tocado pela luz.
Saiu correndo na direção que estavam os outros. Agora tinha uma maneira de afastar esses garotos estranhos, mesmo que fosse um método meio estranho. Realmente pareciam estar lidando com algo sobrenatural, afinal quem não gostaria da luz do sol?
No sótão, Silver olhava impaciente pela janela esperando o sol ir embora. Estava ansioso para morder aquela garota, mas não cometeria o mesmo erro de antes. Não demoraria tanto para mordê-la como havia feito da ultima vez. Perdera muito tempo brincando com ela, mas agora ia direto ao ponto. Já estava de tarde e faltava pouco para anoitecer, mas para o albino essas eram as horas mais demoradas que já passaram em sua longa vida.
Podia ver ela chegando com seus amigos na casa. Tinham ido a praia logo depois que voltaram da cidade, e mesmo a garota morena estando completamente molhada podia sentir perfeitamente o cheiro adocicado dela que vinha com o vento. Era tão tentador, podia sentir a boca salivar e os caninos se afiarem. Tinha que se segurar até o sol se esconder, se não as coisas iam ficar bem piores.
– Você tem que se controlar melhor. – disse uma voz a suas costas. Virou o rosto só para se encontrar com um de seus companheiros, Sonic, que estava sentado em uma das varias caixas do local. – Sabe o que acontece quando entramos em contato com a luz.
Silver suspirou. Sabia bem o que acontecia quando um deles ficava debaixo de qualquer tipo de luz, afinal havia acontecido com ele mesmo e não queria nem lembrar o massacre que aconteceu depois. Tinha poucas lembranças do ocorrido, mas as poucas que tinha não eram muito boas.
– Vai atacar hoje?- perguntou tentando mudar de assunto e voltando a olhar pela janela. Todos já tinham entrado e o sol já estava com mais de sua metade escondida no horizonte, agora faltava pouco.
– Vou, mas não vou matá-la ainda. – disse Sonic também olhando pela janela. Via o mar que agora tinha uma cor meio alaranjada por causa do reflexo do sol. – Quero aproveitar cada gota de seu sangue, mas ficaria chato fazer isso de uma vez.
Silver não disse nada. Queria tanto o sangue da garota que não pensava em fazer o que Sonic estava pretendendo e talvez nem mesmo tinha a experiência do companheiro para resistir tanto. Sonic estava preocupado com seu amigo. Sabia que essa obsessão toda ia acabar atraindo ele até essa garota, e se isso acontecesse tanto ele como ela iriam sofrer as conseqüências. Já bastava Shadow, seu irmão, que estava sofrendo por mais de quinhentos anos e agora sofria mais ainda ao relembrar o passado por causa daquela garota.
– Como esta Shadow? – perguntou Silver sem desviar o olhar. Sonic um pouco surpreso, mas então suspirou, para logo depois falar.
– Ainda não disse nada. Fica apenas sentado em um canto pensando em não sei o que. – mentiu. Sabia muito bem porque Shadow estava daquele jeito, só não sabia se devia falar isso para Silver, era uma história um tanto delicada. Ficou um pouco preocupado pensando que o garoto albino notaria que estava mentindo, mas o mesmo nem prestava atenção.
Quando o sol finalmente se pós Sonic se impressionou com a velocidade que o garoto saiu do local. Foi tão rápido quanto ele, um dos vampiros mais rápidos do mundo. Suspirou e olhou novamente para fora da janela. Tinha a impressão que eles estavam perto e isso seria um problema. Tinham que matar essas garotas antes que eles chegassem a essa área ou se não as coisas iam ficar feias.
Enquanto isso Blaze já estava pronta para ir dormir. Já tinha falado com Amy e Knuckles sobre seu pequeno plano de afastar esses garotos, já que seus amigos não queriam ir embora. Agora só faltava falar com Maria que tinha ficado tão amedrontada que não tinha falado mais nada o dia inteiro.
Entrou no quarto dela e a encontrou sentada em um canto encolhida no escuro. Seus olhos estavam cheios de medo e lacrimejando como nunca. Aproximou-se correndo dela e se ajoelhou a seu lado perguntando sem parar o que havia acontecido. Maria apenas a mirou com os olhos cheios de lágrimas e de repente a abraçou com força chorando. Blaze ficou meio confusa, mas retribuiu o abraço e tentou acalmá-la.
– Eu to com medo Blaze. – disse abraçando a amiga com força e tentando reter as lágrimas. – Tenho medo de dormir e ele voltar. Não quero que aconteça de novo.
– Calma Maria, eu sei um jeito dele não te incomodar. – falou Blaze se separando um pouco de Maria e sorrindo carinhosamente para ela. As duas são praticamente como irmãs já que uma foi a primeira amiga verdadeira da outra, por isso Blaze sempre ajudava Maria em tudo e Maria sempre ia atrás de Blaze quando estava com medo ou precisando de ajuda, por que sabia que podia contar com ela.
– E qual? – perguntou Maria limpando as lágrimas e mirando confusa a amiga que apenas sorria divertida.
– Quando o garoto que te atacou foi embora? – perguntou sorrindo e deixando a amiga ainda mais confusa, mas ao mesmo tempo pensativa.
– Quando o sol começou a nascer. – disse Maria sem entender. Blaze a mirou expectante esperando que ela descobrisse a resposta com aquela outra. Maria pensou um pouco até que chegou a uma pequena conclusão, por mais estranha que fosse. – Eles não gostam de luz?
– Isso! Penso que se deixamos as luzes dos quartos, acesas, eles não nos incomodariam mais. – falou a mais velha com um extenso sorriso. – É só um palpite, mas acho que pode dar certo.
– Vou tentar. – disse Maria devolvendo o sorriso. Blaze se levantou e ajudou a amiga a se levantar também. A mais nova se deitou na cama ligando as luzes do quarto enquanto Blaze saia e ia até o seu próprio, mas no momento a mesma não tinha sono por isso antes de ir para o quarto foi para a cozinha.
Viu pela ultima vez o quarto de Maria ainda preocupada com a mesma, mas logo depois se direcionou até a cozinha pegar um copo de leite. Deixou a luz da cozinha completamente ligada o tempo todo que estava lá e mesmo depois de terminar de tomar o copo de leite continuou no mesmo lugar apenas mirando o chão sem realmente vê-lo.
Por sua cabeça passavam montes de coisas que nem ela mesma conseguia entender. Aquele desejo que sentira, a sensação que passara a ter de que já conhecia aquele garoto, o fato dele não gostar de luz, ter dentes afiados... Tudo estava muito confuso. Podia sentir a cabeça latejar com tantas coisas que passavam por ela. Levou as mãos até a mesma e fechou os olhos com força tentando espantar a dor que sentia, mesmo sabendo que era inútil.
De repente as luzes se apagaram a fazendo se girar com o coração já começando a bombear sangue cheio de adrenalina para todo seu corpo. Mas não tinha medo, muito pelo contrario. Por mais que não quisesse admitir para si mesma sentia ansiedade em ver aquele garoto de novo.
Olhou para todos os lados procurando o que sabia que estava junto com ela. Mas ao invés de encontrar os dois olhos douradas brilhando no escuro encontrou apenas com a penumbra. Suspirou um pouco aliviada e decepcionada para logo depois andar até a porta da cozinha.
– Sentiu minha falta? – perguntou uma voz conhecida atrás de si a fazendo sentir um calafrio e virar rapidamente para ver aquele garoto albino novamente.
Ao se virar a franja do cabelo da garota se soltou do rabo de cavalo e caiu no olho. Silver pode sentir seu morto coração começar a palpitar fortemente ao ver como o rosto da garota ficou ainda mais bonito com a franja caída. Não, tudo menos isso! Pensou repreendendo a si mesmo. Isso não podia passar de desejo, tinha que ser apenas isso!
Blaze se virou e saiu correndo tentando alcançar o interruptor, mas o garoto fora mais rápido e entrou na sua frente para logo depois segurar seu pulso. Com a outra mão Blaze tirou uma de suas facas de debaixo do vestido e a fincou no peito dele em um instinto de sobrevivência e desespero. Mas ao invés dele agoniar de dor ele apenas olhou a faca, sem soltar o pulso da garota, e a tirou como se não fosse nada. Blaze observou admirada e surpresa como o ferimento se cicatrizava rapidamente.
– Depois de me matar o que você pretendia fazer? – perguntou sorrindo ligeiramente. Blaze se soltou ainda um pouco perplexa e se afastou lentamente.
O garoto tirou um pequeno lenço do bolso e limpou a faca para logo depois se aproximar lentamente da garota que se afastava a cada passo que ele dava. Silver acabou perdendo a paciência e ficou a apenas alguns centímetros de distancia de sua presa em questão de milésimos de segundos. Segurou seu pulso e corto-o com a própria faca da garota, para logo depois lançá-la na parede de madeira, fincando-a na mesma.
Blaze viu os olhos dele se nublarem depois que respirou fundo. Tentou se soltar da pegada do albino, mas o mesmo a segurava com muita força. Tudo isso estava tão confuso! Mas as coisas pioraram ainda mais quando ele levou seu pulso a boca e começou a beber lentamente seu sangue. Podia sentir os caninos dele roçando a pele, mas não a mordiam.
A língua dele fazia todo o trabalho, lambendo lentamente o ferimento o fazendo sangrar mais ainda e transmitindo um prazer imenso para seu corpo. Teve que morder o lábio inferior para reter um leve gemido que queria escapar de sua boca. O garoto usou o outro braço para pegar sua cintura e trazê-la para mais perto, acariciando-a com fervor, enquanto Blaze não suportou mais e soltou um alto gemido de prazer, levando uma mão até a camisa dele com força.
Sabia que isso estava mau. Sabia que tinha que parar aquilo antes que passasse dos limites, mas não conseguia parar aquilo. Era como se seu corpo todo estivesse pedindo aquilo. Era um êxtase hipnotizante.
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Amy já estava dormindo tranquilamente em seu quarto, mas o problema era que sua luz estava apagada. A causa? Não gostava de dormir de luz acesa, incomodava-a demasiado para fazer isso. Sem falar que achava que tudo isso que Blaze estava fazendo era um exagero.
Mas o que ela não sabia era que fazendo isso havia facilitado o trabalho da pessoa que se encontrava oculta no escuro. Ele a mirava com os olhos verdes brilhantes, cheios de puro desejo e empolgação. Ele subiu na cama rapidamente se colocando de quatro em cima da garota, que ainda não despertara, o que fez Sonic sorrir extensamente. Ao parecer sua vitima tinha um sono pesado.
Com um pequeno canivete cortou um pouco da pele do pescoço dela deixando o sangue escorrer. Esperou um pouco para ver se ela ia acordar, mas como ela não fez nenhum movimento continuou. Aproximou-se do pescoço dela e começou a beber seu sangue. Não a mordeu, apenas lambia o sangue que saia do pequeno machucado.
De repente a garota acordou surpresa, mas já estava preparado para isso. Segurou os pulsos dela com apenas uma mão e continuou bebendo livremente, apreciando cada gole. Depois de alguns minutos pode ouvir como ela soltava pequenos gemidos. Isso não era de se surpreender, já que a saliva de um vampiro tem uma bactéria que ao entrar em contato com os nervos humanos transmite uma sensação de prazer, diferente do veneno que tinha nos caninos que causava uma dor imensa por causa da transformação.
Mas não só o humano sentia prazer, como o vampiro também tem uma sensação prazerosa por causa do sangue que esta bebendo que é como uma droga para eles. E esses fatos causam o que muitas vezes é um problema, quando as coisas passam do limite e o humano e vampiro tem um caso, apesar disso não causar nenhum transtorno para vampiros transformados. Por terem sido “mortos”, os vampiros que foram mordidos quando humanos tinham seu sistema reprodutor danificado, impedindo-os de ter filhos, mas, como era diferente dos vampiros transformados comuns, era arriscado de mais ter uma relação com um humano. Porém como tinha anos de experiência podia se controlar.
Ela começou a gemer mais alto e isso o excitava ainda mais. Pela primeira vez em mais de milhares de anos começou a perder o controle, começou a querer ouvi-la gemer mais e mais, começou a querer ouvi-la gritar. Levou uma mão até uma das pernas dela e a passou por sua cintura.
Continuou bebendo o sangue dela, acariciando sua perna com fervor até que a ouviu gemer melosamente e fechar os olhos com força. Separou-se dela no mesmo momento saindo da cama e batendo na parede com força. Sua respiração estava agitada e descompassada enquanto a garota voltara a dormir tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Limpou a boca e saiu de lá rapidamente, não antes de ocultar a única prova de que esteve lá, tampando o ferimento no pescoço da garota.
Isso estava passando dos limites. Agora ele também estava na linha de fogo, e poderia não sair dessa sem sofrer as conseqüências, igual a seus amigos.
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Estava perto da janela do quarto dela. A luz ligada o impedia de entrar o que o frustrava um pouco. Queria chegar perto dela e comprovar que o que vira antes não era uma ilusão, que ela realmente era parecida com quem pensava. Respirou fundo e, de uma das sombras da noite, saiu um tentáculo de escuridão, agora não só como uma sombra, mas sim como uma matéria escura. Ele se estendeu lentamente até a sacada da janela, mas quando estava prestes a penetrar dentro do quarto a viu se mexendo levemente na cama.
Com o susto parou o tentáculo de sombra e acabou pisando em falso, fazendo com que pequenos cascalhos caíssem de onde estava causando um pequeno barulho que acabou acordando a garota. Viu a garota se levantar e olhar em volta quase desesperada. Ela saiu da cama e caminhou até a janela a abrindo totalmente.
Ocultou-se nas sombras enquanto ela olhava para todos os lados. Sentia o cheiro dela perfeitamente, principalmente por causa do vento fresco da noite que se chocava diretamente com ela. Serrou os punhos com força para se conter e não atacá-la. Só conseguiu respirar mais tranquilamente quando ela fechou a janela e voltou para a cama.
Suspirou aliviado e voltou a fazer o que havia parado. Levou a sombra até dentro do quarto e apagou as luzes, agradecendo mentalmente por não ter acordado a garota com esse ato. Entrou no quarto com o maior cuidado possível e se aproximou da cama, se ajoelhando para ficar na altura do rosto da menina.
Tirou alguns fios de cabelo do rosto dela deixando-o completamente a mostra, e já que ela estava deitada de lado e virada para ele era mais que possível vê-lo. Não fora uma ilusão na outra noite, as duas eram realmente parecidas. Desceu a mão do rosto dela até o pescoço e do mesmo até o braço, fazendo caricias leves e carinhosas. O que estava acontecendo? Não era carinhoso com ninguém! E mesmo que ela fosse parecida com a que o fez sofrer não devia estar agindo assim com ela. Era errado e sabia. Elas não eram a mesma pessoa, essa garota não era ela!
– Quem é você? – perguntou a garota o assustando. Olhou para ela determinadamente para ele e suspirou aliviado ao comprovar que ainda estava dormindo. Ao parecer ela falava em sonhos. – Por favor, me fale! Quem é você? Por que... acho que te conheço?
Shadow nada respondeu. Levou a mão até o rosto da garota, afundando seus dedos naquela cachoeira loira que descia meio onduladamente pelo ombro e ia até a cintura. O cheiro dela era irresistível para ele e podia perder o controle a qualquer momento, mesmo que isso não parecesse uma escolha tão ruim. Até que um brilho chamou sua atenção, o fazendo mirar o pulso da garota.
– Por favor... – sussurrou a garota mais uma vez. Levantou-se, tirou a mão do rosto dela e a colocou onde estava a pulseira, roçando levemente o dedo na mesma. Esse pequeno objeto o trazia várias lembranças, tanto boas quanto ruins. Surpreendeu-se ao sentir a mão dela roçar levemente a sua, como uma caricia de consolo.
Não perdeu mais tempo e saiu do quarto, não sem ligar a luz novamente logo depois que estava fora do quarto. Essa garota ia acabar sendo sua mais nova ruína.
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Ele a havia prensado na parede e continuava bebendo seu sangue com fervor, acariciando sua cintura e seu quadril. Os gemidos escapavam de sua boca com mais freqüência e o prazer aumentava junto com a temperatura. Seu sangue fluía rapidamente para fora de seu corpo pela ferida em seu pulso e era rapidamente tragado por ele que parecia não querer parar.
E por mais incrível que pareça até seu lado racional queria que não parasse, queria que continuasse desfrutando de seu sangue. Mas já estavam assim há muito tempo e ele já bebera muito de seu sangue o que causava nela um pouco de vertigem. Estava começando a se sentir mal. Tonta e prestes a perder a consciência, sem falar que suas pernas estavam começando a fraquejar.
Quando sentia que não podia mais e que desmaiaria a qualquer momento sentiu como o garoto para de beber seu sangue. Abriu os olhos – já que os havia fechado por causa do prazer – e o mirou um pouco confusa. Ele parecia estar irritado e não demorou muito para perceber o porque. O sol estava nascendo.
Não demorou muito para que o garoto desaparecesse, mas como estava muito fraca, caiu no chão sentada e com as costas escoradas na parede. Sua ferida ainda tava aberta e escorria muito sangue. Arrastou-se até a mesa e pegou um pano qualquer que tinha em cima, enrolando-o em seu pulso para parar o sangramento.
Sua respiração ainda estava agitada e seu coração quase saindo do peito. Isso que sentira fora a coisa mais estranha que já havia sentido em toda sua vida. Nem mesmo com seu ex-namorado conseguiu ter tanto... Prazer.
No sótão os três garotos haviam acabado de chagar. Todos pensativos e calados, o que preocupou a quarta companheira que apenas observava. Shadow não era tão difícil ver pensativo e sério, Silver era raro vê-lo sem o sorriso sínico no rosto e Sonic... Nunca o vira daquele jeito!!
– O que houve rapazes? – perguntou confusa. Via alguns vestígios de sangue na boca de Sonic e Silver, mas se o que pensava era certo era para os dois estarem falando sem parar e não estarem calados.
Mas o que estranhou mesmo Rouge foi o fato de que fora completamente ignorada, nem uma reclamação soltaram! Era como se nem estivesse lá! Alguma coisa estava errada e talvez pudesse passar com ela também.
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