Notas iniciais
Galera, desculpem mesmo a demora! Eu realmente tentei ser mais rápida com minha irmã, mas estava meio difícil com provas e trabalhos finais... Mas agora estou de recesso de natal e ano novo então estou em casa, em minha cidade, com ela e deu para terminar o capítulo e fui um dos maiores até agora com quase 7000 palavras! Espero que tenha recompensado a demora... Boa leitura e desculpem os erros... Espero muito que gostem!

Jessica Valadares — POV's

Era um dia ensolarado que me chamava para fora. Na maioria das vezes eu prefiro dias chuvosos, mas eu sentia que esse dia era especial. Eu sentia o desejo de sair, como se algo me chamasse. Assim o fiz. Pisei para fora em uma das grandes pedras cercadas de grama que levavam para o portão de saída com uma cerca baixa. Mesmo sabendo que talvez eu não devesse, eu queria sair. Eu não sei porque cargas d'águas minha mãe havia me proibido de sair agora e não antes. Mas agora eu não podia nem pisar no passeio de casa sem antes perguntá-la e passar por um interrogatório que mais era para que eu desistisse. Cheguei perto da cerca e pude sentir a brisa que soprava em direção a minha casa. Podia ver a rua, podia ver pessoas. Eu me sentia melhor.

O jardim é a minha parte preferida da casa. Nele temos umas 8 árvores bem verdes e muita grama que me fazem devanear. A parte que menos gosto é a cozinha, porque não combina com o resto da casa. Está coberta por mofo e tem goteiras quando chove. Ela sempre me lembra que o mundo não é assim tão perfeito e que problemas existem. Tem vezes que chego a odiar o cômodo.

Preciso voltar para dentro. O sol começa a me esquentar e não gosto tanto da sensação. Não nesse momento. Viro e começo a caminhar em direção a porta. Meus olhos percorrem todo o jardim e se eu não tivesse prestado muita atenção não teria notado aquilo. Era de uma cor alaranjada. Tive que olhar novamente para ter certeza. Um cachorro ruivo pele e osso dentro do quintal. Estava arfando. Deve ter conseguido passar por algum vão da cerca. Meu coração se contorce. Chamo minha mãe.

~*~

A loja de animais era grande. Tinha uma parte para vender os animais e outra com muitas coisas para comprar. Agora que eu teria um cachorro temporário, precisava comprar coisas para ele. Pensei que minha mãe fosse ficar brava, mas ela ficou com dó dele e concordou em leva-lo ao veterinário e ficar com ele temporariamente. Afinal ela disse que “Não podemos simplesmente deixá-lo na rua. É como se ele nos estivesse escolhido ou como se tivesse sido mandado para cá”. Eu só concordei e então ela me deu a liberdade tão esperada. Disse para mim ir na loja de animais e comprar algumas coisas enquanto ela o levava ao veterinário. Eu fui.

Entrei na loja e fiquei olhando a vitrine sem saber quais vitaminas ou remédios comprar. Fixei meu olhar numa ração que dizia algo como “ração especial com gosto de carne de porco e pássaros”. Achei aquilo meio estranho. Na verdade, de certo modo me perturbou.

Um barulho me tirou do devaneio. Barulho de sacos de ração caindo de uma prateleira ao lado. Um garoto ruivo havia derrubado. Agachei e comecei a ajudá-lo.

— Sabe, era para mim estar te ajudando. Obrigado.

Levantei meus olhos para entender melhor o que ele dizia. Foi então que achei um crachá. Ele trabalhava na loja. Parei por um instante de ajudá-lo e fiquei olhando. Nossas mãos se encontraram e então ele se levantou rapidamente, colocando os últimos sacos.

Também me levantei.

— Obrigada por me ajudar, sinto que estou em uma dívida eterna com você! A propósito, meu nome é Adhan – Então Adhan levantou seu rosto e me olhou nos olhos, sorrindo, não pude deixar de sorrir também, só que por vergonha.

— O meu é Jessica.

— Ótimo Jessica, precisa de ajuda?

Tinha algo de encantador nesse Adhan. Talvez pelo fato de ele não parar de sorrir.

— Sim! Eu tenho uma lista com coisas para comprar, mas não sei onde procurar — Entreguei a lista a ele.

— Ah sim! É porque ficam no outro lado. Por favor Jessica, me acompanhe.

Como um cachorrinho obediente, eu o segui. Agora que penso, não gosto dessa analogia. Como alguém que precisava encontrar algo, eu o segui.

— Aqui está!

— Ah obrigada! Sinto que estou em uma dívida eterna com você – falei, aumentando meus olhos para dar mais efeito.

Ele riu.

— Certo, certo... mas, arrumou um cachorro recentemente?

Comecei a pegar o que precisava.

— Ele não é tããão meu, mas sim.

— Eu amo esses animais. É por isso que trabalho aqui.

— Ah claro! Eu imagino.

Terminei de pegar minhas coisas e fui para o caixa. Ele começou a arrumar aquela prateleira que eu estava mexendo mas pude perceber que não tirava os olhos de mim. Comecei a sair da loja.

— Tem alguma chance de você voltar aqui?!

Aquilo havia me pegado de surpresa também pelo fato de nunca ter sido flertada assim e pelo modo de todos olharem para mim. Respondi envergonhada:

— Claro, com certeza! – Mas não tinha certeza.

Depois disso voltei apressadamente para casa.

Elisa Arpini — POV's

Ajeitei meu suéter azul escuro de mangas longas e levantei meus cabelos, logo, envolvendo-os em um rabo de cavalo alto, levemente solto. As ondas castanhas escuras dos meus cabelos balançaram, assim que soltei o rabo e me virei de frente para a rua, muito movimentada devido ao horário, em que a maioria das pessoas estavam saindo do trabalho ou escola e dirigindo-se, cansados, para casa.

Abaixei a cabeça para meus pés envoltos em sapatilhas bege com lacinhos nas pontas. Senti saudades de meus avós paternos, que haviam dado-me-a quando nos vimos no natal passado. Uma vez que meu pai mudou-se para a cidade de minha mãe quando se casaram, meus avós ainda moravam do outro lado do estado, então ficava difícil nos vermos, se não fosse uma data festiva. Eles haviam me ligado quando viram o noticiário na TV, já que meu pai quase não falava com eles por estar sempre ocupado com a empresa, mas depois disso quase não nos falamos. Anotei mentalmente que precisava revê-los.

Levantei o olhar e estreitei a vista para a esquina, de onde esperava que uma garota loira caminhasse em minha direção. Por hoje ser segunda-feira, eu tinha sessão com a psicóloga da escola ás 16:00, dessa forma, apenas uma hora depois era que eu esperaria por Dylan do lado de fora do colégio, porém hoje seria diferente. Após a grande insistência de Calissa, havia aceitado dormir em sua casa, em pleno meio da semana. Meus pais sempre deixavam, porque meu pai estava ocupado demais para realmente nos ouvir e minha mãe gostava de nos dar liberdade para decisões como essas, talvez fosse por isso que Dylan não informava realmente onde ia apenas se despedia de nós, quando saia de casa.

Ontem de manhã, depois de ir com Jibby a festa das Monet no dia anterior, Calissa mandou mensagens para o nosso grupo, bem, o antigo grupo que Júllya criara no Whatsapp, e que agora possuía apenas eu, Lissa e Jess, pois Bianca se excluira até mesmo de nossas redes sociais. Em suas palavras ela dizia a respeito de ter descoberto algo sobre o assassino da Jú e que precisava nos mostrar, mas para isso ela escreveu que deveríamos dormir na casa dela, porque ela não achava seguro nos contar em meio a escola toda e era algo que ela só poderia falar pessoalmente. Parecia muito drama. Como se fosse algo bastante sério, e mesmo dada as circunstâncias não sabia se ela estava blefando, contudo acabei por aceitar e marcamos de nos encontrar depois da minha sessão. Apenas eu, porque a mãe de Jessica não a deixava sair de casa, para sua segurança completa, ela só podia ir da escola para casa e da casa para escola, quando não estava sobre supervisão da mãe ou da avó. Bastante exagerado eu diria.

Cinco minutos mais adiante e uma bicicleta verde repleta de adesivos do emblema de ONG’s ou filmes de terror surgiu em meio ao tráfego de veículos, na avenida em frente a entrada do colégio. Era Calissa, logicamente, mesmo se não estivesse vendo a garota de cabelos repicados e mechas verdes nas pontas, moletom, jeans e seus tênis verde limão da Adidas favoritos, eu saberia que aquela bicicleta pertencia a ela. Que outra pessoa no mundo poderia ser tão obcecada com ajudar o mundo, terror e romances policiais? Eu não apostaria em nenhuma outra.

—Nunca percebi como o trânsito da escola era tão movimentado…

Calissa comentou enquanto parava ao meu lado. No momento, em que ela ficou mais próxima pude perceber que ela estava com uma longa mecha verde limão no lado direito do cabelo e retocara as pontas, porém o mais estranho era que ela carregava sua mochila vermelha nas costas, embora eu é quem fosse dormir na casa dela e estivesse levando apenas escova de dentes e uma troca de roupa dentro da minha bolsa preta de tirar.

—Você fez isso hoje a tarde? — Levantei alguns fios esverdeados com a ponta dos dedos, me lembrando que de manhã eles ainda estavam loiros naturais.

—Ah, sim, é para uma boa causa. Eu ia repassar anilina nas pontas, então resolvi complementar, pela Júllya… Quero carregar ela sempre comigo e, independente de qualquer coisa, e porque hoje vamos surpreender aquele assassino idiota antes que ele possa achar que já venceu! — Ela enfatizou como se estivesse em mais um de seus discursos em eventos de suas ONG’s favoritas.

—Ta legal… Mas o que quer dizer com surpreendê-lo? — Indaguei confusa.

—Sobe aqui e eu te explico no caminho… Ah, antes, lembra isso? — A loira apanhou de dentro do bolso de sua moletom um papel amassado e me entregou.

Desdobrei e franzi o cenho enquanto lia as palavras levemente apanhadas que continha. Ela me perguntou se eu me lembrava… De início, não entendi o que queria dizer com Juliet e Romeo, parecia mais uma parte de uma peça que um bilhete, então, notei o endereço anexo e não identifiquei o lugar, só quando minha tenção de voltou para a parte do batom preto e eu notei o beijo na folha, foi que me lembrei de Júllya na festa do pai dela. Àquela que fui com as meninas e minha família, já que a Bencatel Universal e a Arpini Internacional são afiliadas.

—Eu me lembro… Esse é o bilhete que a Júllya recebeu com o batom?

—Exatamente. E se você não comparou ainda, esse J delicado de Juliet é o mesmo que o de Júllya naquele bilhete que eu achei na sorveteria. Sobe aqui, precisamos ir.

Embora estivesse completamente confusa guardei o papel e me impulsionei, de forma que ficasse na garupa da bicicleta de Calissa, assim, diferentemente da maioria dos carros na avenida movimentada, avançamos em poucos segundos e a loira parecia determinada enquanto me guiava.

—Espera… Onde estamos indo? A sua casa não fica para o outro lado? — Questionei enquanto segurava firme em seus ombros e me aproximava um pouco de sua orelha direita.

—Para o endereço do papel, oras! Vamos descobrir onde o nosso “Romeo” mora — Ela tirou as mãos do guidom para fazer as aspas e meu coração de contorceu por segundos, apesar de saber que a minha melhor amiga era aventureira e radical o bastante para saber o que estava fazendo — Ou onde ele se encontrava com sua “Juliet”, ao menos — Mais uma vez e mordi o lábio.

—Não tira as mãos, Lissa! — Ela soltou uma risada leve — E acha mesmo uma boa ideia?

—Precisamos descobrir, certo? Calma, vamos só olhar…

Assenti. Mentalmente não estava tão certa, todavia sabia perfeitamente que não tinha outra maneira. Calissa não tiraria aquela ideia da cabeça e era melhor que eu estivesse com ela, do que deixá-la ir até lá — onde quer que lá fosse — sozinha.

~*~

Avançamos por mais dois bairros a frente, antes de chegarmos ao do suposto endereço. Ficava em uma área mais afastada da cidade, contornada por bosques, assim como minha antiga casa, apesar de a minha ser do outro lado e muito mais afastada, sem que tivesse nenhum vizinho se quer. Paramos apenas uma vez para perguntarmos a um senhor, que estava sentada do em frente a uma casa, onde ficava a rua, então, prosseguimos até lá. Quando Lissa encostou a bicicleta em um poste e finalmente colocamos nossos pés no asfalto, senti um enorme alívio. Minhas pernas já estavam doloridas, embora não estivesse pedalando, por estar me apoiando na bicicleta.

A loira foi a frente e começou a procurar pelo número 124. Do lado esquerdo da rua os números eram ímpares, portanto caminhamos observando as casas afastadas do lado direito. Calissa parecia mais ansiosa a cada instante e os números avançavam à medida que andávamos. 98. 104. 110. 112. 116. 120. 122. 126. Ela se virou bruscamente para mim quando chegamos a última casa.

—126? Essa é a última? Não pode ser… — Ela apontou para um espaço afastado entre as duas últimas casas — Ela deveria estar aqui!

A loira se virou e começou a procurar pelos números do outro lado, apesar de sabermos que era inútil. Todos eram ímpares. Caminhei até ela e segurei-a pelo braço. Sabia que a melhor maneira de resolver isso era simplesmente ir embora. Talvez, o endereço estivesse errado… Talvez a casa fora demolida… Eram explicações estranhas, mas não podíamos perder muito mais tempo. Estavamos em um lado distante da cidade e o sol já terminava de se pôr. O céu já estava escurecendo e não parecia muito confiável permanecermos ali. Mesmo sem querer admitir, o medo começava a me atingir.

—Lissa, precisamos voltar… Não pode ser aqui e já está anoitecendo… Vamos.

Eu a puxei em direção a bicicleta e por meio segundo, talvez, ela pareceu me ouvir e se render, o que não tinha mesmo nada a ver com a garota determinada que ela era, porém, logo, se soltou de mim de repente e encarou o espaço entre as casa, novamente. Dessa vez, compenetrada e atentamente.

—O que… ta fazendo? — Balancei a cabeça intrigada e apoiei no poste.

—Ahá! Espertinho… — Ela soltou mais para si mesma que para mim — Vem! A casa é por aqui.

—Do que ta falando? Não tem nada aí! Só árvores! Estamos perto do bosque — Joguei as mãos para cima indignada.

—Não ta vendo a trilha? — Ela apontou para folhas irregulares e neguei totalmente — Bem ali. Se você prestar atenção parece que a pessoa tentou esconder esse lugar, mas essa parte tem um pouco menos folhas e parece amassada… Talvez, porque alguém pisou por aqui… Tem que ter alguma coisa ali!

—Você… — Engoli em seco apenas pela ideia me perpassar o cérebro. Ela estava começando a me assustar — Não ta pensando em entrar no meio da mata, está?

—O que foi? Não viemos até aqui para voltarmos de mãos vazias… — Ela colocou as mãos na cintura — Além disso eu trouxe uma lanterna — Ela abriu o zíper da mochila e retirou uma — Não precisa ficar com medo.

—Eu não estou com medo! — Parte de mim sabia que era mentira, mas que outra pessoa concordaria em entrar no meio da mata, em um lugar desconhecido, a noite, atrás de um suposto esconderijo do assassino de uma adolescente?

—Então, vem! Ou se quiser… Pode ficar aí sozinha… Eu vou entrar.

Dez segundos foram o suficiente para eu realmente cogitar ficar esperando por ela, contudo parte por estar sozinha no escuro, com pessoas estranhas andando pela rua, e outra por medo de que algo pudesse acontecer com Calissa se eu a deixasse fazer loucura por conta própria, fizeram com que, respirasse fundo e me empurrasse mata adentro atrás da loira, que por sorte não havia avançado muito. Ela estava muito quieta, tentando não chamar atenção e encontrar o caminho, quando me esbarrei em sua mochila. Ela realmente pensara em tudo. Viéra equipada e com calçados mais confortáveis que os meus, apesar de estar com calças legging azul de ginástica, que costumava usar nos dias em que tinha treino de natação, mesmo esse não sendo um desses.

—Shii! — Ela sussurrou para mim e estendeu a lanterna a nossa frente.

Segurei na alça de sua mochila para que não me perdesse dela, em hipótese alguma, e permaneci quieta e enquanto deixava com que ela guiasse o caminho. Passamos por alguma árvores e fiz o possível para não tropeçar em meio aos galhos ou folhas, quando começou a ficar cada vez mais escasso. Parecia que estávamos voltando para a rua, pois as árvores foram diminuindo de grossura. Por um momento pensei que tínhamos andado em círculos, o que era algo esquisito, porque Calissa era excelente em trilhas e caminhadas. Seu hobbie era escalar, explorar e se aventurar sem medo e nem olhar para trás. Ela já havia pulado de paraquedas! Esse foi seu presente de aniversário de 15 anos! Enquanto, algumas pessoas como Júllya e Bianca fizeram festas maravilhosas e memoráveis, e outras como eu convencera os pais a deixar com que fizesse um tour pela Europa com minhas très melhores amigas, uma vez que Jess estava no grupo e na cidade apenas há cerca de 3 meses.

Minha afirmação foi negada quando adentramos em uma espécie de clareira, contornada por mais árvores e banhada pela luz da lua que entrava a cavidade entre elas. Lissa parou de andar e apontou a lanterna para algo à nossa frente. Me soltei dela e prostrei-me ao seu lado. Meus olhos se arregalaram, quando a luz se ajustou e uma casa velha e abandonada surgiu em frente aos meus olhos. A construção estava derrapando aos poucos, uma das janelas estava com um vidro quebrado, enquanto outra tinha uma das madeiras soltas, o que fazia com que víssemos a escuridão do lado de dentro. A porta de madeira estava rachada em diversas partes, um pedaço da parede da frente havia derrapado e o buraco fez com que galhos selvagens adentrassem e no meio das telhas velhas podia-se ver um buraco no topo da casa. Alguns tijolos estavam desmoronados ao lado. A loira ao meu lado permaneceu em silêncio, enquanto analisava o local, mas apenas quando a luz da lanterna refletiu nos números gastos e enferrujados, é que tivemos certeza. 124. Era aquele mesmo o local onde Júllya fora encontrar com o seu assassino 3 meses antes de ser brutalmente assassinada.

Palavras lutavam para sair da minha boca. Eu tinha que falar. A cada segundo meu coração se acelerava mais. O que uma garota rica, patricinha e que tinha tudo o que poderia pedir viera fazer em um lugar como esse com alguém que ela nem se dera o trabalho de nos contar? éramos suas melhore amigas… Pensei que não tivéssemos segredos. O que mais ela teria escondido de nós?

A loira nem desviava o olhar da construção e passaram-se mais alguns poucos minutos, quando finalmente, decidi sussurrar algo para ela. Me aproximei lentamente, porém algo roubou nossa atenção e fez com que eu simplesmente engolisse as palavras. Eliminando qualquer probabilidade coerente, uma luz fraca acendeu-se do cômodo da janela quebrada e fez com que meu coração desse um enorme pulo e a circulação parece em minhas veias. Por um impulso maior do que poderia imaginar, agarrei o braço de Calissa e arrastei-a de volta até a bicicleta. Não sei como, mas meu cérebro havia guardado todo o caminho, porque não pensei nenhuma vez onde estava indo enquanto corria. Não gritei e prendi a respiração, embora meus pulmões ansiassem por soltar todo ar.

Apanhei a bicicleta e empurrei para Calissa, que subiu nela e esperou para que eu me impulsionasse na garupa, porém quando estávamos prestes a dar meia volta escutamos um barulho e um grito ecoou por toda a rua. Demorou alguns segundos para que eu percebesse que havia sido eu quem gritara.

—Foi a lanterna — Lissa disse quando parei de gritar.

—O que? — Minha voz tremia.

—Eu não guardei direito e deixei ela cair — A loira começou a se abaixar para pegar o objeto que se espatifara no chão e fizera o barulho, a qual eu ouvira antes.

—Não. Esquece Calissa. Vamos embora! — Me desesperei mais do que poderia imaginar e puxei o braço da garota.

A loira, extremamente mais calma do que eu, me obedeceu e deixou a lanterna quebrada enquanto girava a bicicleta e pedalava com toda a força, no caminho para sua casa, três bairros a frente. Em todo o trajeto meu coração continuou batendo com força contra meu peito. A adrenalina se apoderou do meu corpo e, ao mesmo tempo que queria gritar novamente e chorar pelo nervosismo que sentia, eu não conseguia nem abrir a boca. Apenas depositei todas as minhas forças em me segurar na bicicleta e agarrar comas mãos trêmulas e gélidas os ombros de minha amiga.

Bianca Biancastelly — POV's

O sol atravessava timidamente a vasta imensidão de nuvens acinzentadas no céu. Mordi meu lábio inferior enquanto encarava a paisagem através da janela. A rua estava levemente deserta, raramente alguma pessoa passava em frente à minha casa, pelo que podia notar através das frestas do portão de metal branco. Estava jogada sobre o sofá de couro da sala de estar com o rosto pousado sobre meu joelho direito e brincando com um esmalte rosa magenta na mão esquerda.

De início, pretendia pintar as unhas dos meus pés, que já estavam de rosa bebê há uma semana, porém uma lembrança atingiu a minha mente. Uma noite quando estávamos dormindo na casa de Júllya, ela havia nos entregado, para cada uma de nós três, uma vez que Jessica ainda não havia chegado a cidade, um esmalte exatamente como esse e nos dissera que esse era o código para o sucesso com o amor. Ela dizia que nos deixaria irresistíveis e, qualquer garoto desejaria nos chamar para sair.

Daquele dia em diante havia se tornado a minha cor favorita e eu, ao menos, uma vez ao mês passava o esmalte em minhas mãos e pés. Ele sempre me fazia sentir mais próxima dela, como se compartilhassêmos uma relação ainda maior que a das meninas. Calissa guardou o esmalte, mas nunca chegou a usá-lo, ela apenas gostava de passar base nas unhas e deixá-las em sua cor natural e, Elisa, por sua vez, usava-o raramente, ela sempre preferia cores voltadas para o tom pastel ou o dourado, não um rosa marcante. E, talvez, fosse a mais próxima dela, realmente. Acredito que seja por isso que esteja sendo a que mais está sofrendo… Ou eu apenas seja a mais fraca do grupo. Aquelas palavras, no mesmo momento, que apareceram em minha mente atravessaram, duras e frias, meu coração. Não gostava de pensar que poderia ser o elo mais frágil de todas as cinco, até mesmo de Jess, que chegara a poucos meses.

—Bianca! — A voz segura de minha mãe ecoou pelos corredores até meus ouvidos. Não respondi de imediato, me recusava a sair de meus pensamentos, quando a mulher atravessou o portal e me encarou do outro lado da sala — Aí está você, meu amor. Você precisa se trocar, eu e seu pai conversamos com a psicóloga da escola, e ela indicou que talvez você precise de preocupar sua cabeça com outras coisas… para esquecer completamente do incidente com a Jú…

Eu sabia que ela media as palavras enquanto pronunciava, para que soasse o melhor possível ao meu ver. Mas também não estava nem um pouco a vontade com meus pais conversando com a Sra. Letícia. Ela me dissera que não contaria nada a eles. Ela me prometera que ficaria apenas entre nós. E agora eles estavam querendo mandar na minha vida? Não conseguia entender o que aquelas palavras queriam dizer.

—O que? Ela me disse que não contaria nada! — Bravejei antes que fosse capaz de me conter.

—Não, meu bem, ela não nos contou nada de suas conversas. Dissemos que estávamos preocupados e queríamos ajudar e ela nos sugeriu que encontrasse algo para ocupar a mente.

—Como o que? Não vão me dizer que querem que eu entre para o clube do livro como a Elisa ou para a ONG de voluntariado como a Calissa ou o clube de arte como a Jessica? Isso não tem nada haver comigo…

—Não, meu amor, nós olhamos as vagas de todos os grupos e o único que tinha vaga era o clube de música. Parece que no início do ano todos lotam, mas um aluno foi transferido recentemente e o lugar dele estava vazio, até te inscrevermos. Você terá aulas de piano. Precisa se concentrar em alguma coisa no seu tempo livre, porque você não pode só ficar em casa relembrando da sua melhor amiga…

Revirei os olhos com o quão patético a situação estava. Minha mãe tentando entender pelo que eu passava, embora ela não fizesse ideia do número de pesadelos que eu tinha toda vez que fechava os olhos. Da quantidade de base que eu passava na linha d’água com o objetivo de disfarçar as olheiras e conseguir permanecer a Bianca bonita e elegante, que sempre existiu quando a sua melhor amiga deslumbrante reinava pelos corredores. De alguma forma, além dos pesadelos, eu me sentia obrigada a governar no lugar dela, era quase como se a escola estivesse vazia agora e ela gostaria que eu seguisse o seu caminho, porém eu não conseguia nem mesmo olhar para nenhuma das pessoas que estiveram comigo naquela noite. Me afastara de Elisa, Jessica e Calissa não por egoísmo, todavia porque estava farta dos pensamentos horríveis que me invadiam quando estávamos juntas e porque eu não queria mais ter nada a ver com aquele assassinato. Aquele bilhete, o celular hackeado, o vídeo e as mensagens ameaçadoras estavam me deixando agitada e a qualquer momento em que ficava sozinha ou no escuro, como sempre tivera medo do escuro -- tinha, agora, até que dormir com a luz do corredor acesa -- me sentia vulnerável e começava a estremecer, mas não contava aos meus pais e não pedia que ficassem comigo, eu sabia que eles andavam ocupados e que eu tinha muito para pedir algo mais, apenas Letícia sabia como me sentia.

—Eu não quero aprender música… Eu estou bem e não penso mais na Júllya, eu nem falo mais com as meninas. É passado. Nem me lembro mais dela — Doeu dizer aquilo. Ceder ao desejo de meu coração, que por mais que amasse a loira, sentia que nunca deveria tê-la conhecido ou que ela nunca tivesse existido para que não tivesse que lidar com tudo que estava lidando e me perturbava dia e, especialmente, noite.

—Certo. Mesmo assim você irá. Já está inscrita e suas aulas começam hoje, daqui meia hora, seu pai vai te deixar lá enquanto volta para o consultório. Nós queremos o seu bem, é isso — Me levantei indignada, contudo ela já estava dando meia volta.

Bufei e bati o pé direito no chão com força. Estava completamente fora de acordo com aquela situação, apesar de não ter nada a fazer, a não ser, me encaminhar para meu quarto e fechar a porta com força, antes de abrir minha caixinha de música francesa, que ganhara quando fora lá no verão passado para passar o natal em Paris, na cidade da luz. Sempre que estava sozinha ou me arrumando, o que sempre fora uma tarefa prazerosa para mim, eu a escutava, era a trilha sonora mais perfeita. Não era como uma caixinha de música qualquer que repete a mesma música milhares de vezes sem fim, mas uma série de músicas clássicas tocavam como um mini CD.

Abri a porta do meu closet e adentrei em meio a minha coleção de roupas e sapatos, além de acessórios de todos os tipos, e comecei a procurar a roupa ideal para uma aula de piano, onde eu seria a carne nova, embora já estudasse com alguns dos alunos desde sempre. Tinha que causar uma boa impressão. Eu tinha que mostrar o quanto era capaz de seguir em frente sem Júllya, ou melhor, mostrar o quanto a Júllya ainda estava lá. Ela era parte de mim e eu brilharia por ela nos corredores.

~*~

No momento em que meu pai estacionou em frente a escola, respirei o mais fundo que pude e desci o quebra-sol para que pudesse me encarar em frente ao pequeno espelho do carro. Meus olhos estavam iluminados por uma grossa camada de delineador e rímel, minhas bochechas estavam rosadas pelo blush e meus lábios antes nude, agora estavam magenta, pois eu acabara de passar um gloss colorido. Me voltei para meu pai e acenei, enquanto colocava minha bolsa sobre o ombro esquerdo e abria a porta para descer do carro.

Caminhei a passos decididos pela entrada do colégio com meus all star cor de rosa de cano alto favoritos. Usava uma blusa de babados salmão e um jeans de cintura alta apertado, uma vez que nas aulas extras não era obrigado o uso de uniforme. Meu cabelo solto e levemente ondulado balançava ao vento enquanto andava, em direção, ao corredor dos clubes, próximo ao prédio que me encontrava com a Sra. Letícia, enquanto as minhas argolas prateadas tilintavam. Por fim, havia finalmente, passado uma camada do esmalte milagroso de Jú em minhas mãos e pés. Estava pronta. Empurrei levemente a porta, onde continha uma placa com várias notas musicais decorativas e os dizeres: “Clube de Música”. Aquela era a sala onde todos aprendiam os diversos instrumentos que nossa escola ensinava e também o coral, embora eu fosse fazer apenas as aulas de terça e quinta ás 14:00, ou seja, piano. Sim, nossa escola é bastante diversificada. Ela também ensina xadrez, teatro e tem uma ONG particular, além dos esportes mais comuns, incluindo danças. Não éramos obrigados a participar, embora tivesse uma grande política que visasse os talentos de cada um, para que pudéssemos desenvolver nossas habilidades e descobrirmos para qual motivo nascemos. O que poderíamos fazer para o mundo e nossas vidas.

—Pois não, srta…. — Uma mulher alta com os cabelos escuros envoltos em um coque fixo e óculos sobre seus olhos puxados, devido a descendência japonesa, abaixou o olhar para uma prancheta com, provavelmente, a chamada dos estudantes — Biancastelly?

Assenti e fechei a porta atrás de mim. A maioria das pessoas me encararam de imediato. Eles pareciam bastante curiosos sobre o que eu estava fazendo ali, sendo que nunca estivera em uma aula extra antes. Todos sabiam disso. Eu era a melhor amiga da ex garota mais popular do colégio. Todos sabiam que não éramos desse feitio, bem, Jú até participava do grupo de teatro, porém era a única aula que ela fazia. Apenas um garoto de cabelos castanhos escuros não havia me olhado, ele estava com a cabeça baixa sobre uma partitura e um caderno com a capa meio rabiscada e surrada, parecia ser bastante velho, repleto de papeis coloridos amassados dentro. Ele era o único que não tinha ninguém sentado ao seu lado, pois embora fossemos estudar piano, as mesas eram duplas.

—Pode sentar-se… — A professora estendeu a mão indicando o assento vago ao lado do menino — Você será a nova parceira do Sr. Lins.

Sorri para ela gentilmente e me sentei como havia mandado. Resolvi me virar para cumprimentar minha mais nova dupla, quando um garoto atrás dele colocou a mão em seu ombro e sussurrou algo para ele, não tinha certeza de se era para eu ter ouvido, porém simplesmente acontecera.

—Ei, parabéns cara! Agora que o Samuel-repleto de acnes-Moraes deixou a escola você ficou com uma parceira gata e ainda por cima, loira, exatamente o seu tipo!

O moreno soltou um riso abafado. Ele ainda não colocara os olhos sobre mim, mordi minha bochecha e senti que minha pele começava a esquentar. Não sabia direito o porque do constrangimento, uma vez que passava muito por isso quando andava com Júllya, embora normalmente ela fosse o centro das atenções, mas acabara de ser chamada de linda. Me esforcei para não agir de maneira ridícula. Eu tinha que honrar a Jú, ela simplesmente sorriria estonteante diante do elogio. Fiz exatamente com0 ela faria e desviei o olhar, finalmente, pousando sobre o moreno.

—Mas o que…?

Ele soltou surpreso. Meus olhos levemente se arregalaram e minha boca entreabriu-se alguns centímetros, enquanto meu cérebro se esforçava para entender a informação. Eu nunca imaginaria que o meu novo parceiro seria ele. Eu estava todo esse tempo tentando desaparecer e me distanciar de todos que antes eram próximos ou, ao menos, vivenciaram o assassinato comigo e agora estava de frente para o garoto que havia visto o corpo de Júllya comigo, além de Jibby. O garoto que me amparara quando eu estava desesperada e não conseguia parar de chorar. Quando a cena de Júllya ensanguentada estava fixa em minha mente e eu não parava de tremer. Não conhecia nada do garoto, apenas sabia que jogava Rugby com Dylan, a paixão de Júllya, mas nunca prestara a atenção nele até aquela noite. Embora depois me esquecera dele, me afastara de todos, e os meninos fossem os que menos eu me importava, pois não os conhecia direito, especialmente ele. Eu nunca nem havia falado com ele antes daquele dia. E agora eu estava forçada a quebrar todo o meu novo ideal de recomeçar completamente longe de todos que me lembrassem da perda macabra de minha melhor amiga. Eu teria de passar o resto do ano ao lado dele nas aulas de piano. Engoli em seco, pouco antes, da professora chamar nossa atenção para a frente. Encarei minhas unhas grandes e. perfeitamente, pintadas do magenta-sedutor. Minha mente girava em torno daquele nome. Bryan Lins. O garoto que dividia a bancada comigo.

Jessica Valadares — POV's

Aquela havia sido uma ótima tarde. Eu estava me dando cada vez melhor no clube de artes e aprendendo coisas novas. Essa era a única aula que eu podia relaxar de verdade, sem ter aquela pressão toda de aprender, além de que eu havia extravasado praticamente todo o peso, de ter um pai que foi embora, com pincéis e lápis. Além do fato de agora eu estar conversando com a pessoa que mais amava naquele colégio, a Elisa. Calissa ficava só um pouco atrás, também a amava muito. Podia falar da Bianca também, mas agora que ela se afastou não sei bem o que pensar dela. Lisa parecia querer me contar algo muito importante. Algo que não pôde ser contado por telefone na noite anterior ou que não podia ser contado na agitação do recreio. Enquanto saíamos da escola e ela parecia ter uma ótima oportunidade para falar, ou no caso, a última do dia Calissa nos alcançou e interrompeu:

—Então, vai contar a ela, Lisa?

A garota fez uma cara que mostrava um pouco de indignação ao responder a amiga:

— Ia agora, até você me interromper! — Embora ela estivesse brincando.

— Calma. Eu já vou indo mesmo. Até mais, meninas!

— Tchau, Lissa! — falamos em coro.

A loira correu para sua bicicleta antes de olhar uma última vez para nós e sorrir. Saber que elas queriam tanto me contar algo me fazia me sentir importante. Deixou aquele dia ainda mais especial. Como se nada o pudesse estragar. Quando Lisa ia começar a falar outra pessoa nos interrompeu.

— Oi, meninas! — Era Letícia, a psicóloga, que sorria. Ela segurava uma bolsa e andava apressada para sair do trabalho. Na verdade, todos que saíam andavam apressados. Eu também estaria se Lisa não estivesse me segurando para ficar.

Lisa rapidamente mudou a expressão de quem havia sido interrompido no momento certeiro de atirar em um alvo que levara tanto esforço, para uma sorridente.

— Oii, Letícia!

— Vocês parecem bem animadas hoje! Bem, vejo vocês depois.

— Tchau, Letícia! — Em coro de novo.

Não sei bem porquê, mas a garota esperou até que a psicóloga entrasse na moto com um rapaz para recomeçar. Ela olhou para os lados para ver se alguém ouvia e continuou:

—Ontem eu e a Calissa fomos até a casa abandonada onde a Júlia encontrava o suposto assassino.

Não era bem isso que eu esperava que ela me dissesse.

— Como assim? Como vocês sabem que ela ia nessa tal casa…?

— Então! A calissa foi naquela festa com o Jibby e o Dylan aí ela encontrou um bilhete, nós vamos te mostrar amanhã e aí... — A garota passou a me contar sobre tudo.

Enquanto ela ia contando eu pude devanear um pouco e olhei algumas vezes para o portão para observar quem saía. Pude ver quando o irmão da garota saiu todo suado com uniforme do time de rugby acompanhado pelos seus amigos. Não tenho certeza do que a garota disse porque parei de prestar atenção nela para vê-lo andar em direção a seu carro. Ele realmente fica lindo com o uniforme vinho e branco do time de rugby.

— Foi por isso que a gente pensou em ir para lá!

— Mas você tem certeza de que era a letra dele?

— Sim!

— Eu lembro dessa noite. Lembro de achar super estranho o fato dela passar batom preto assim, sem mais nem menos, mas confesso que não dei tanta importância a isso.

— Pois é.

—Elisa! Elisa Arpini! — A voz de Dylan ecoou no ouvido de Lisa mas ela nada fez. Ficou indiferente. Sentiu que não ouvia. Já eu não pude deixar de pelo menos olhá-lo rapidamente.

— Mas então eu e ela fomos até o tal endereço. Na verdade depois de ela me provar que era dele e meio que me forçar a ir até lá, não tive mais escolhas. No começo foi difícil achar a casa porque ela não estava na rua do papel, estava na floresta. A Calissa descobriu que tinhamos de entrar no bosque e me convenceu a segui-la mata adentro.

— Elisa!

Dessa vez a garota não pode se fazer de indiferente pelo fato das buzinadas. Ela olhou para o irmão com uma cara bem zangada. Impaciente o garoto gritou:

—Vou ir sem você!

—O que aconteceu quando chegaram lá?! Elisa!?

— Nada. Era uma casa realmente abandonada e destruída. Ficamos só observando em choque, até que de repente, a luz da casa se acendeu, o que é ainda mais estranho para uma casa naquele estado, funcionar uma lâmpada, por fim, saímos correndo.

— Mas é só isso então?

—Ele poderia ter nos seguidos! Fomos embora o mais rápido que pudemos… Calissa não para de falar sobre ter de voltar até lá e investigar… Mas eu sei não… Foi assustador, mas sabe que ela vai nos arrastar se puder.

Depois de falar essas palavras a morena olhou para o irmão que nos encarava e suspirou fundo começando a andar.

— Você acha que era o tal assassino na casa? O que acendeu a luz?

A adolescente começou a andar para atravessar a rua bem mais aliviada por me contar.

—Não sei, Jess! Provavelmente sim — Ela gritou de volta.

—Mas você não acha que ele viu vocês?! E se ele tentar alguma coisa?!

A garota pareceu não ouvir e passou a atravessar a rua devagar. Eu disse a mim mesma que estava ficando paranoica, como minha mãe. Observei a garota atravessando a rua e passei a pensar no assunto. Por isso, não vi muito bem quando um carro em alta velocidade passou a percorrer a rua. Não prestei atenção quando Elisa fez uma cara assustada quando viu o carro. Só ouvi o barulho. Que me tirou do transe. Quando a olhei, estava estirada no chão uns metros a frente de onde havia começado a atravessar. Fiquei alguns segundos olhando. Não consegui me mexer ou fazer algo. Fiquei parada. Vi Dylan sair do carro bruscamente e correr até o corpo da garota, gritando. Quando enfim pude correr até seu corpo, Dylan chorava. Uma cena que nunca pensei em ver. O desespero percorreu por todas as minhas veias quando percebi que minha Elisa não se mexia. O carro já não mais estava no local. Junto com a aflição e a adrenalina estava apenas eu e Dylan, em frente ao corpo da garota. Por debaixo dele corria um líquido vermelho escuro no asfalto.

Notas finais
Temos muitas ideias e tentaremos colocar em prática o mais breve! Espero que tenham gostado e que comentem, porque amo saber suas opiniões e críticas construtivas! Até breve, boas festas e feliz natal a todos vocês seus lindos! XOXO
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.