Notas iniciais
Estou aqui mais uma vez, pleno, renascido das cinzas depois de tanto tempo sem atualizar kkk' Peço mil perdões pela demora excessiva em trazer uma atualização para esse projeto, mas eu estava com 0 inspiração. Mas, espero conseguir retomar o ritmo de atualizações nesse trabalho que eu tanto amo! Boa leitura a todos!

Busan, duas semanas atrás

Os dedos longos se chocavam levemente sobre a superfície gelada daquela mesa de madeira escura, os olhos delineados fitando atentamente cada simples movimento que o tecido branco do jaleco que usava fazia sempre que os dedos se chocavam contra a mesa repetidas vezes. Sempre ficava daquela forma quando se colocava a pensar intensamente sobre algo, e naquele momento precisava se concentrar caso quisesse encontrar as respostas para o que precisava.

Suspirou pesadamente, encostando-se brevemente sobre a poltrona onde estava sentado, os olhos rasgados voltando-se para um ponto aleatório daquela sala há muito familiar para si. Vagou brevemente pela grande estante de livros que tinha na parede logo ao lado da porta, correndo então para a outra parede, colorida e com alguns desenhos infantis que gostava de pendurar ali, além de puffs coloridos, alguns brinquedos e livros de colorir que estavam espalhados pelo chão. Os olhos em seguida migraram para a segunda poltrona naquela sala, mais especificamente para a poltrona que estava do outro lado de sua mesa, imediatamente de frente para si, que há minutos atrás era ocupada por um de seus pacientes mais promissores.

Apenas então se permitiu fechar os olhos, deixando um breve e relaxado suspiro escapar de suas narinas. Era em momentos como aqueles que se sentia completamente realizado em sua profissão.

No entanto, acabou sendo tirado de seus pensamentos ao ouvir algumas batidas na porta, o que o fez voltar a abrir os olhos.

— Entre! – Disse, mais do que depressa recuperando a compostura, endireitando a coluna para receber mais um paciente naquele dia.

Os olhos delineados se arregalaram levemente quando a porta se abriu, revelando a figura que estava esperando aparecer por ali. Os olhos rasgados passearam pausadamente pelos cabelos pretos e lisos, com algumas mechas pequenas em um tom amarelado, os olhos castanhos gordinhos e o rosto oval que apenas evidenciavam os lábios avantajados e em tons de rosa. Piscou por breves momentos antes de lhe lançar um sorriso cordial, erguendo uma das mãos em seguida e apontando para a poltrona no outro lado de sua mesa.

— Por favor, sente-se. – Disse, observando a figura esgueirar-se até a poltrona, a cabeça levemente baixa e os olhos castanhos correndo por todo o ambiente até finalmente caírem sobre si. – Há muito tempo que não o vejo, e você não mudou nada, Park Jimin.

O Park não respondeu em um primeiro momento, preocupando-se apenas em se sentar sobre a confortável poltrona enquanto encarava o rapaz à sua frente com a cabeça baixa, daquela forma evidenciando pela primeira vez as olheiras que tinha abaixo dos olhos gordinhos e que estavam mal cobertas pela maquiagem.

O rapaz então suspirou, voltando os olhos delineados para a própria prancheta que repousava sobre a mesa, finalmente pegando-a junto com uma caneta.

— Eu queria te fazer algumas perguntas antes de começarmos, tudo bem? — A voz grossa soou cordial, seguida por um sorriso igualmente amigável. — Nós podemos conversar melhor logo depois, mas é apenas um pequeno procedimento que eu gosto de fazer.

— Eu sei. — A voz de Jimin saiu mais rouca do que imaginava. — Não é a primeira vez que vou ao psicólogo, Taehyung.

— Então seremos rápidos, não? — Voltou a sorrir, a caneta começando a escrever sobre o papel preso na prancheta. — Apenas quero deixar claro algumas coisas, tudo bem?

Jimin ergueu uma das sobrancelhas, encarando Taehyung diretamente.

— Que coisas?

— Bom. — O psicólogo suspirou, ajeitando-se à própria poltrona. — Eu não faço ideia de como foram as suas outras consultas, mas faremos diferente aqui. Nos conhecemos faz tempo e isso nos dá a oportunidade de nos aprofundarmos em certos temas mais... Facilmente.

Jimin então franziu o cenho, erguendo a cabeça para o médico a sua frente. Havia entendido perfeitamente sobre quais temas Taehyung estava se referindo, porém estava levemente surpreso pelo rapaz ter sugerido algo do tipo logo em uma primeira consulta.

— Quer que eu fale sobre o Namjoon? É isso? — Jimin cerrou os olhos na medida em que Taehyung sorria de canto.

— Apenas se você quiser. Podemos falar sobre qualquer coisa aqui, Jimin-ssi. — O médico continuou, levando uma das mãos aos cabelos escuros e jogando-os para trás. — O que estou tentando dizer é que não precisamos nos resumir a assuntos do dia a dia, e também essa não é a minha intenção aqui.

Taehyung observou a maneira como Jimin erguia mais uma de suas sobrancelhas, os olhos estreitos como se estivessem analisando-o, e de fato estava. Park Jimin já havia passado por muitos psicólogos e psiquiatras ao longo da vida, e justamente por isso que sabia exatamente como cada um deles agiam. No entanto, era a primeira vez que um lhe falava tão diretamente.

Porém, mais do que depressa Jimin recuperou a expressão cautelosa que tinha desde o momento em que entrou naquele consultório.

— Eu só estou aqui porque o Jungkook disse que seria uma boa ideia. — Respondeu simplista, e Taehyung mais do que depressa tomou nota daquelas palavras.

— Vocês dois são muito próximos, não? — O médico perguntou, inclinando a cabeça levemente para o lado. — É muito bom saber que você tem uma pessoa tão dedicada ao seu lado, Jimin.

— É... Realmente... — Um sorriso desenhou os lábios do Park, o que não passou despercebido pelo médico. Era nítida a mudança nas feições do rapaz apenas em mencionar o nome de Jungkook. — Nós somos muito próximos, e... O Jungkook é uma pessoa muito importante para mim.

Taehyung balançou a cabeça brevemente, tentando não perder muito tempo na medida em que tomava nota daquelas informações preciosas demais para si. Estava tentando ser o mais cauteloso possível. Havia recebido algumas informações importantes de Jungkook sobre o comportamento e personalidade de Jimin e justamente por isso que precisava tomar cuidado com os próximos passos que tomaria para que conseguisse se aprofundar mais nas coisas que o rapaz falava.

Não podia simplesmente construir uma relação entre médico e paciente. Na verdade esse era justamente o motivo que o fazia ter sucesso com grande maioria de seus pacientes: Kim Taehyung acabava se tornando um amigo, alguém com que seus pacientes poderiam contar para o que precisassem, e sempre estaria disposto para eles.

Respirou fundo, espantando aqueles pensamentos para então se voltar mais uma vez para Jimin à sua frente.

— Dizem que policiais são realmente muito confiáveis. — Disse e Jimin balançou a cabeça positivamente. — Dê valor à ele, imagino que seja um bom amigo para você.

O Park então mordeu o lábio inferior com aquilo, desviando o olhar para um ponto qualquer do consultório.

— Hm? Vocês são amigos, não? — Taehyung perguntou, até mesmo deixando a prancheta de lado para prestar mais atenção no que ele iria responder.

— Ele me vê como amigo, sim. — Respondeu rápido, encostando-se melhor sobre a poltrona.

— E você não? — Ergueu uma das sobrancelhas, percebendo o rapaz vacilar brevemente. — Você pode confiar em mim, Jimin. Pode me contar o que está se passando na sua cabeça.

Taehyung tentava disfarçar o quão curioso estava para ouvir alguma coisa dos lábios de Jimin sobre o assunto. Era de seu conhecimento o quão próximo era de Jungkook, visto que o próprio policial lhe dizia enquanto trocavam mensagens e era evidente a preocupação do Jeon para com o rapaz. Jimin naquele momento desviou o olhar para um ponto qualquer do consultório, respirando fundo vez ou outra na medida em que pensava no que falar naquele momento. Toda a sua experiência com os mais diversos psicólogos e psiquiatras que frequentou ao longo da vida permitiram com que pudesse identificar certos padrões na forma com que esses profissionais acabavam se comportando.

E o assunto de confiança era algo comum entre todos os profissionais. Jimin tinha conhecimento do sigilo profissional, e de fato não tinha medo de falar sobre determinadas situações com seus psicólogos justamente por conta desse detalhe em específico.

Com isso em mente, Jimin suspirou, voltando os olhos castanhos para Taehyung, que já havia pego a prancheta novamente e apenas aguardava que se manifestasse finalmente.

— Jungkook e eu... Temos uma ligação especial. – Disse, e o psicólogo ergueu uma das sobrancelhas com aquela informação.

— Você o ama? – O Kim perguntou, vendo o outro rapaz assentir brevemente. Rapidamente tomou nota do que o mesmo disse.

— Mas é diferente. É outro tipo de amor. – Jimin rapidamente se pronunciou. – Toda a minha vida na verdade pertence à outra pessoa. Tudo o que eu faço, cada respiração, cada pulsar de minhas veias, tudo é em função de outra pessoa.

— E quem é essa pessoa, Jimin-ssi? – Perguntou novamente, estreitando os olhos quando o Park os voltou para si, cerrados.

— Você sabe muito bem que é essa pessoa. – Lançou um sorriso de canto para o médico. Sim, Kim Taehyung sabia exatamente de quem ele estava falando, mas precisava ouvir dos lábios de Jimin para que pudesse finalmente levar aquilo em consideração. No entanto, não esperava pela reação que se seguiria, onde o Park se levantou brevemente, apoiando ambas as mãos sobre a sua mesa para se aproximar do rosto de Taehyung com um sorriso de canto. – Você estava lá naquele dia, eu me lembro muito bem. Lembro perfeitamente da expressão no rosto de seu irmão quando meus lábios tocaram os de Namjoon daquele jeito, quando as mãos dele passaram pelo meu corpo na quadra de esportes.

Taehyung procurou não expressar a surpresa daquele momento, afinal, sempre foi muito bom em esconder o que de fato sentia. Assim como o Park, também se lembrava perfeitamente do dia em que o coração de seu irmão mais velho foi cruelmente esmagado pelo homem que mais amava no mundo. Lembrava-se perfeitamente dos olhos felinos de Park Jimin encarando Seokjin maldosos enquanto beijava o jovem Namjoon, exatamente como estava fazendo consigo naquele momento.

Park Jimin sabia ser mau, e aparentemente não havia mudado com o passar dos anos.

— Então seu coração ainda pertence ao Namjoon? – Resolveu focar novamente na consulta, não permitiria que Jimin o desestabilizasse. Era um profissional no fim das contas. Porém, não deixou de tomar nota daquilo, escrevendo freneticamente sobre a prancheta. – Eu imagino que você deva estar passando por um momento difícil, depois de tudo o que aconteceu.

Jimin suavizou o olhar com aquilo, voltando a se sentar normalmente, o que acabou arrancando um sorriso de Taehyung. Também tinha as suas cartas na manga, afinal.

— Eu tento imaginar como deve ser difícil ver a pessoa que amamos em uma situação tão delicada como essa. É difícil aceitar, não é? – Sorriu cordial para o outro, que apenas assentiu enquanto o encarava. – A relação de vocês parecia ir bem quando estudávamos juntos.

— Eu sempre o amei. – Jimin respondeu mais do que depressa, interrompendo os pensamentos de Taehyung. – Namjoon também me ama... Mesmo depois do término, eu sei que ele ainda me ama.

— Vocês terminaram? – Ergueu uma das sobrancelhas. Já tinha aquela informação, visto que o próprio Jungkook lhe havia fornecido. Mas queria ouvir dos lábios do próprio Park qual seria a sua versão da história. – Faz muito tempo? – Jimin meneou a cabeça positivamente. – O que aconteceu para que vocês terminassem assim?

O consultório de repente ficou em silêncio, e Taehyung o preservou enquanto observava a forma como Jimin abaixava a cabeça, abrindo e fechando as mãos em punhos enquanto parecia tentar se livrar de lembranças que não lhe eram muito confortáveis. O médico então esperou pacientemente, analisando com os olhos delineados o rapaz que mordeu o lábio inferior com certa força, antes de erguer os olhos gordinhos para si, evidenciando as olheiras fundas por conta do ângulo.

— Kim Seokjin aconteceu. – A voz de Jimin de repente saía gutural, do fundo de sua garganta, baixa e grave. Taehyung suspirou pesadamente. – Ele sempre encontra um jeito de ficar entre mim e Namjoon.

— Já eu acredito que tenha sido apenas uma coincidência. – Taehyung rapidamente se pronunciou ao perceber a tensão que de repente havia se formado ao redor de Jimin. – Assim como foi ele, poderia ter sido eu o responsável pelo caso de Namjoon, já que trabalhamos no mesmo lugar. Você não acha?

— Não. – Jimin rebateu. – Ele está sempre, sempre no caminho. – Continuou, apertando com tanta força os dedos no punho que havia se formado que os mesmo estavam perdendo a cor.

— E o que você gostaria de fazer? – O psicólogo perguntou, o cenho brevemente franzido enquanto aguardava a resposta do Park, que não tardou em vir.

— Cortar cada pedacinho daquele maldito rostinho bonito que ele tem, até o deixar completamente desfigurado, uma aberração.

Busan, atualmente

Estava tão entretido em seus pensamentos que sequer percebeu que o café que havia pedido já repousava há alguns minutos em sua mesa. As últimas duas semanas atendendo Park Jimin o estavam deixando extremamente preocupado com seu estado de saúde psicológica. Tinha um palpite sobre o problema que o rapaz provavelmente havia desenvolvido ao longo dos anos, mas ainda precisava investigar mais a fundo alguns aspectos pessoais de sua vida antes de tomar qualquer decisão.

A verdade que não queria admitir era que estava um pouco assustado com Jimin, não apenas por ele apresentar um perigo real para seu irmão mais velho, mas também para qualquer pessoa que ele viesse a considerar uma ameaça ao o que ele entendia ser uma relação entre ele e Namjoon. Mas não podia deixar isso interferir em seu profissionalismo, antes de tudo era o médico que fora designado a ajudar Park Jimin com a sua condição psicológica, e era exatamente isso o que faria. Admitia também estar curioso com seu caso, não se lembrava de ter tido algum paciente semelhante antes, o que apenas aumentava a sua determinação.

No exato momento em que Taehyung levou a xícara de café aos lábios, os olhos delineados foram voltados para a porta do estabelecimento, por onde o já conhecido policial trajando sua farda preta passou, os olhos escuros correndo todo o ambiente até se encontrarem com os seus.

Jungkook sorriu no momento em que viu Taehyung, caminhando na direção do homem que ainda estava usando o seu jaleco branco e as roupas igualmente brancas por baixo. O médico apontou para a cadeira à frente de sua mesa e o Jeon se sentou à mesma quando estava próximo o suficiente.

— Desculpe pela demora... Tinha alguns relatórios importantes para entregar ao delegado hoje. – Disse com um sorriso nos lábios finos, Taehyung apenas assentiu antes de colocar novamente a xícara sobre a mesa.

— Está tudo bem. – Respondeu simplista, voltando os olhos para o amigo policial. – Você queria conversar sobre o Jimin, não é?

— Sim, queria saber como ele está se saindo nessas duas semanas. – O policial chamou o jovem garçom que atendera Taehyung anteriormente para fazer o seu pedido, e o médico ficou a matutar sobre como tocaria naquele assunto com o outro.

Kim Taehyung era extremamente profissional, e seu profissionalismo exigia que cumprisse ao pé da letra com o seu sigilo. Não poderia expor o Park daquela forma, até porque ainda não sabia até onde Jimin era sincero com Jungkook e o quanto se expressava e desabafava ao lado do policial.

Com isso em mente, recostou-se sobre a cadeira quando os olhos do Jeon voltaram a repousar sobre os seus.

— É um caso curioso, tenho que admitir. – Disse, bebericando de mais um pouco do café que até então repousava sobre a mesa. – Jimin está me deixando com muito em que pensar.

— Eu sinceramente espero que isso seja uma coisa boa. – Jungkook comentou com um meio sorriso, mordendo o lábio inferior brevemente. Taehyung estreitou os olhos para o policial à sua frente, que agora encarava um ponto qualquer da cafeteria que descobriram que ambos gostavam de frequentar. Jungkook movia uma das pernas de forma incessante, como se estivesse tentando liberar um pouco de nervosismo e estresse que pudesse vir a estar sentindo.

— Aconteceu alguma coisa? – Perguntou em seu tom de voz suave, atraindo os olhos de Jungkook para si.

O policial suspirou pesadamente, deixando os ombros caírem.

— Há alguns dias atrás... O Jin e o Jimin se encontraram aqui perto e vieram para cá. – Começou a falar, ainda encarando um ponto qualquer da cafeteria, agora tendo a total atenção de Taehyung para si. – Ao o que parece, o Jimin teve um surto de raiva quando viu que o Jin tinha o meu número salvo no telefone e que mantínhamos contato. Jin acabou me contanto isso e logo depois o Jimin também me disse, e não foi uma conversa muito agradável.

— Em que sentido? – Taehyung estava completamente focado nas palavras de Jungkook. Afinal, qualquer pista sobre as atitudes de Jimin fora do consultório eram importantes para si também.

— Acabamos discutindo. Jimin é... Muito sensível e ciumento com as pessoas que ele gosta. – O policial suspirou mais uma vez, encarando Taehyung nos olhos. – E isso me preocupa bastante. Jimin sempre foi o tipo de pessoa que se apegava rápido demais, e depois que consegui prender Namjoon isso parece ter piorado.

— Você acha que ele ficou mais apegado a você depois do que aconteceu? – Taehyung questionou, e ambos fizeram silêncio quando o garçom voltou a se aproximar com a bebida de Jungkook.

— Eu tenho certeza. Já éramos muito próximos desde antes de toda essa loucura vir à tona, mas ele se aproximou mais. Como se... Precisasse se apegar em alguém para se manter são, entende? – O Jeon encarou Taehyung com um olhar um tanto perdido, e o psicólogo apenas meneou a cabeça positivamente.

— É muito comum que após grandes traumas as pessoas queiram encontrar um porto seguro. Mas o problema começa quando começamos a distorcer esse tipo de sentimento. – Explicou. – Na maioria dos casos, as pessoas que passam por esse tipo de trauma acabam encarando esse momento de sensibilidade e troca de carinho como algo a mais. Como se estivessem em um relacionamento com essa pessoa, ou então, apenas confundem os sentimentos e acabam nutrindo algo além da amizade.

— Jimin é apaixonado por mim, eu tenho certeza disso. – Jungkook suspirou cansado. – Ele já se declarou para mim algumas vezes, mesmo eu já tendo deixado claro que não sinto o mesmo. – O Jeon mordeu o lábio inferior, fazendo uma pausa. – Eu espero sinceramente que você consiga ajudá-lo. Eu sinto que tem coisas que infelizmente não sou capaz de fazer por ele, simplesmente por não ter o conhecimento e as habilidades que você tem.

Taehyung não conseguiu conter o sorriso que desenhou os lábios finos, acabando por abaixar a cabeça brevemente. Sabia que era um excelente profissional, mas ouvir isso de outras pessoas o deixava extremamente encabulado. Tal reação não passou despercebida por Jungkook, que também sorriu ao encarar o rosto agora rosado o médico à sua frente.

— Além do Jimin, você vem recebendo muitos pacientes nesses últimos dias? – O policial perguntou, encostando os cotovelos sobre a mesa.

— Ah... Sim, mas alguns já estão perto de receber alta. – Explicou, erguendo os olhos novamente, encontrando os castanhos de Jungkook sobre os seus. – Como está a sua rotina nesses últimos dias?

— Sinceramente? Entediante. – Jungkook acabou rindo do próprio comentário. – A carreira na polícia possui os seus altos e baixos. Quando você é um novato você acaba fazendo infinitas patrulhas entediantes, até que um grande crime acontece e todas as unidades são acionadas e designadas a cuidar daquele caso em específico. – Bebeu mais um pouco do café. – E então, depois vem aquela calmaria.

— Você está na fase da calmaria, então? – Taehyung perguntou, sorrindo quando o outro assentiu. – Eu normalmente fico muito preocupado quando essa fase de calmaria vem. Significa que eu perco dinheiro.

Jungkook não conteve a risada, sendo acompanhado por um Kim Taehyung que fechou os olhos no durante. Estava gostando de se encontrar com o policial nos últimos dias e estava se surpreendendo com o quão divertido o mesmo parecia ser. Às vezes acabava se lembrando da época em que todos estudavam na mesma escola. Jungkook era o mais novo do grupo de meninos e desde sempre nutriu o sonho de se tornar um homem da lei. Não tinha tanto contato com ele como Jin, nunca foram muito próximo de fato, mas precisava admitir que estava gostando de conhecer o policial.

— Sabe uma coisa que eu sempre tive curiosidade? – O policial comentou, e Taehyung gesticulou para que ele continuasse. – Por que você decidiu se tornar um psicólogo? Eu nunca imaginei que você fosse seguir os passos do Jin.

— Ah... – O Kim coçou brevemente a bochecha, sorrindo de canto. – Sinceramente? Não tinha muitas coisas que eu gostava na época. E eu sempre... Admirei muito o meu irmão. Jin sempre foi uma pessoa incrível. – Comentou, os olhos delineados agora encarando a janela. Jungkook acabou sorrindo com aquele comentário do psicólogo, que nutria uma expressão nostálgica no momento. – Ele sempre foi o meu exemplo para tudo e... Bom, acabou me ajudando quando resolvi estudar psicologia.

— É muito bom quando temos uma pessoa que nos apoie, não é? – O policial comentou, olhando também para a janela enquanto se perdia em pensamentos.

— Todos nós temos uma pessoa que nos apoia e que é o nosso porto seguro. – Taehyung respondeu simplista, voltando a entrar um Jungkook que estava com uma expressão tristonha de repente. – Jeon?

— Nem todos, Taehyung. Nem todos... – O policial suspirou pesadamente, erguendo uma das sobrancelhas ao ver a expressão confusa do Kim para si. – Jin não te contou?

— Contou o que? – Perguntou impulsivamente, e Jungkook acabou rindo daquilo, balançando a cabeça.

Ainda demorou a responder, desviando o olhar para a mesa enquanto mexia no copo de café com uma das mãos. Tocar naquela história era delicado demais para si, mesmo já tendo se passado um bom tempo desde o ocorrido. Apenas lembrar-se do que aconteceu fazia um aperto crescer em seu peito.

Em seguida, voltou a olhar para Taehyung, que estava com os olhos curiosos fixos em si enquanto procuravam entender o que estava acontecendo. Jungkook passeou o olhar pelo rosto do Kim, analisando os cabelos escuros cortados em um mullet que realçavam o rosto marcado, os olhos delineados e os lábios finos. Tinha feições belas e harmoniosas, o que fez o policial suspirar pesadamente.

— Você me lembra um pouco dela. – Jungkook comentou e Taehyung franziu o cenho, confuso. – Min Hee.

— Eu deveria saber de quem você está falando? – Perguntou e o policial riu alto daquela vez.

— Jeon Min Hee era minha noiva. – Explicou, sorrindo mais abertamente quando os olhos de Taehyung se arregalaram, finalmente entendendo do que tudo aquilo se tratava. – Você teria gostado de conhecê-la. Min Hee era uma mulher sensacional, ela tinha uma serenidade incrível, e nunca antes uma pessoa me apoiou como ela. Ela sempre procurava ajudar os outros, sempre pensava nos outros em primeiro lugar.

Taehyung acabou sorrindo pela forma como Jungkook falava daquela mulher, o brilho nos olhos escuros do Jeon se tornando mais evidente enquanto divagava em seus pensamentos e lembranças.

— O que houve com ela? – O Kim perguntou depois de um tempo em silêncio, e então o sorriso que Jungkook tinha nos lábios acabou por desaparecer, dando lugar a uma expressão mais séria.

— Assassinada. – Disse de forma fria, mordendo o lábio inferior no durante. – Estava no meio da investigação do caso do estripador de Busan, todas as pistas estavam levando à Namjoon como autor de todos aqueles crimes. E... – Jungkook fez uma nova pausa, fechando ambas as mãos em punho. – Min Hee foi mais uma das vítimas de Namjoon.

Àquela altura Taehyung não sabia o que responder à Jungkook, resumindo-se a apenas encará-lo com os olhos delineados arregalados, surpresos. Não esperava que o policial fosse tocar em um assunto tão delicado como aquele em uma simples conversa descontraída em uma cafeteria, sequer se sentia preparado para receber aquela notícia, desta forma, também não sabia o que dizer.

O Jeon terminou de beber o café que havia pedido, e iria comentar alguma coisa se não tivesse sido interrompido no mesmo instante por uma vibração vinda do bolso de sua calça. Rapidamente retirou o telefone dali, franzindo o cenho ao ver qual era o nome que aparecia no visor.

— É o Jimin. Podemos continuar essa conversa mais tarde? – Comentou, gesticulando para que Taehyung fizesse silêncio e o médico apenas assentiu, chamando o garçom com uma das mãos para que trouxesse a conta da mesa, e então Jungkook finalmente atendeu. – Alô?

— Onde você está Jeon Jungkook? – A voz do outro lado saiu tão alta que até mesmo Taehyung conseguiu ouvir do outro lado da mesa. O policial suspirou pesadamente, fechando os olhos com força antes de responder.

— Estou em uma patrulha diurna. Saí há pouco tempo da delegacia. – Explicou tranquilo, retirando a carteira do bolso e entregando o cartão assim que o garçom chegou, observando Taehyung fazer o mesmo. – Aconteceu alguma coisa? Você está bem?

— Você é um mentiroso, Jungkook. – A voz de Jimin saía arrastada pelo telefone, e o policial suspirou pesadamente outra vez. Não estava se sentindo bem o suficiente para lidar com Jimin naquele momento, não depois daquele assunto que acabou surgindo na conversa com Taehyung.

— O que está acontecendo, Jimin? – Perguntou, levantando-se logo em seguida e despedindo-se rapidamente de Taehyung. Não queria entrar em uma discussão na frente do psicólogo.

— Você está na cafeteria com Taehyung, eu consigo ver vocês dois.

Jungkook franziu o cenho com aquilo, olhando em volta a procura de algum sinal de Jimin quando finalmente pôs os pés para fora da cafeteria. As ruas de Busan continuavam como sempre, com o constante fluxo de pessoas que iam e vinham apressadas pelas ruas, bem como os carros que não paravam circular em nenhum momento. Porém, nenhuma daquelas pessoas era Park Jimin, o que o deixou brevemente curioso.

— Estava me seguindo? – Perguntou, caminhando tranquilo na direção da viatura que estava estacionada perto dali.

— Há quanto tempo vocês estão se encontrando? – Jimin perguntou, bufando do outro lado da linha pela ausência de resposta de um Jungkook que estava tentando destravar a porta da viatura. – Jungkook!

— Taehyung e eu somos amigos, você sabe muito bem disso. – Disse quando finalmente conseguiu abrir a porta, entrando no veículo e suspirando pesadamente ainda ao telefone. – Por isso eu o indiquei para você, ele é um excelente profissional.

— Isso ainda não justifica o fato de terem se encontrado às escondidas! – Jimin insistiu no outro lado do telefone e o policial apenas rolou os olhos.

— Jimin-ssi, não há com o que se preocupar. – Jungkook continuou insistindo, encostando-se melhor sobre o banco da viatura. Não era a primeira vez que o Park fazia aquilo, e até mesmo pensava que estava sendo seguido pelo rapaz às vezes. Normalmente não se incomodaria, afinal, estava ali para ajudá-lo o quanto podia, mas tocar no assunto de Min Hee com Taehyung não lhe trouxe sentimentos muito bons, e tudo o que queria fazer naquele momento era mergulhar em seu trabalho para se esquecer daquele passado tão triste.

No entanto, foi pego completamente desprevenido quando alguém bateu em sua janela com força. Jungkook pulou, surpreso, voltando o rosto para a janela do carro ao seu lado e deparando-se com um Park Jimin que estava com uma das mãos espalmadas sobre o vidro, o rosto oval tão próximo que embaçava um pequeno pedaço da janela por conta da respiração quente. O policial engoliu em seco, desligando o celular para guardá-lo no bolso da calça antes de abrir a porta, apenas naquele momento percebendo os olhos marejados do Park para si.

— Que porra foi essa, Jimin?! – Perguntou surpreso, porém, arrependendo-se logo em seguida por ver o rapaz soluçar como resposta, fechando os olhos. Jimin estava com os lábios trêmulos, com poucos pontos avermelhados que indicavam que provavelmente estaria mordendo-os recentemente. Naquele momento Jungkook deixou os ombros caírem, arrependendo-se no mesmo instante pelo tom de voz que havia usado com o mesmo.

— Jungkook-ie... – Jimin murmurou, e em seguida se lançou aos braços do policial, rodeando o corpo forte do Jeon enquanto desmanchava-se em lágrimas. O mais alto ficou sem saber o que fazer, os olhos arregalados enquanto encaravam um Jimin que escondia o rosto oval no peito do mesmo. Com isso, acabou retribuindo aquele abraço, afagando os cabelos escuros com poucas luzes do menor.

— Ei, Jimin... Calma... Não precisa ficar assim... – Disse em um tom de voz mais brando, procurando acalmá-lo enquanto as mãos grandes afagavam os cabelos lisos e as costas do Park, que ainda soluçava em seu peito.

— Eu não quero perder você, Jungkook-ie... Eu não quero ficar sozinho de novo, então, por favor... – Jimin fungou alto, erguendo o rosto bonito já molhado pelas lágrimas constantes de um pranto que não cessava, o cenho franzido e os olhos avermelhados. O Jeon engoliu em seco, fechando os olhos com certa força.

— Ei, Jimin, escuta. – Disse em um tom brando, sorrindo cordial para o rapaz mais baixo à sua frente. – Eu não vou te abandonar, está bem? Por que você pensa que eu faria isso com você?

— Porque... Ele é um Kim... – Jimin engoliu em seco, as mãos pequenas e trêmulas agora segurando firme o uniforme de Jungkook na altura do peito. – Aqueles irmãos... Eles não são confiáveis, Jungkook-ie... Seokjin tirou o Namjoon de mim, e eu não quero que o Taehyung tire você de mim!

O Jeon suspirou pesadamente pela enésima vez.

— Jimin, o Jin não tirou o Namjoon de você, entenda isso! – Tentou explicar, segurando o rosto do Park entre as mãos grandes. – Kim Namjoon é um criminoso altamente perigoso, você tem sorte de estar vivo, porque vocês se afastaram antes que ele pudesse te fazer algo...

— O Namjoon me ama! Você não entende! – Jimin esbravejou, fechando as mãos em punho. – Ele nunca seria capaz de me machucar! Nunca!

— Jimin...

— Ele não é um monstro! Ele nunca seria capaz de fazer essas coisas! – O Park continuou, segurando nos ombros do policial com força. Seus olhos estavam arregalados, e encaravam Jungkook de forma intensa. – Você precisa acreditar em mim, Jungkook-ie... Ele... Ele só confessou aquelas coisas porque-

— Chega Jimin! – O Jeon interrompeu, os olhos escuros encarando o mais baixo com firmeza. Definitivamente não conseguia entender os motivos por trás daquela obsessão de Jimin em provar a inocência de Namjoon.

O rapaz então se calou, engolindo em seco e encolhendo brevemente os ombros pelo tom de voz que Jungkook havia usado consigo, este que também deixou cair os próprios.

— Desculpe, eu não queria gritar com você. – Jungkook suavizou o tom de voz, voltando a acariciar gentilmente o rosto de Jimin. – Quer ir para casa? Eu te dou uma carona.

Jimin não respondeu, resumindo-se a apenas abaixar a cabeça e dar a volta no veículo, abrindo a porta do carona para de acomodar no banco. Jungkook apenas suspirou pela enésima vez antes de fazer o mesmo, colocando o cinto de segurança e finalmente partindo com a viatura para o subúrbio de Busan.

O Park dividia o apartamento com Jung Hoseok por indicação de Jungkook, por achar que seria mais seguro manter alguém de confiança ao lado de Jimin. O policial gostava do Jung, eram amigos desde o colégio antes de tudo acontecer e cada um acabar seguindo por um caminho distinto, até se reencontrarem de repente quando o caso de Namjoon apareceu na mídia.

Jungkook balançou a cabeça negativamente, concentrando-se no caminho que precisava fazer e às vezes olhando de relance para Jimin ao seu lado, que estava concentrado na paisagem urbana de Busan do lado de fora, os olhos gordinhos perdidos, o que indicava que estava divagando nos próprios pensamentos. O policial se perguntava vez ou outra sobre o que havia acontecido nos anos e que haviam perdido contato para que Jimin chegasse àquele estado, e nada conseguia tirar de sua cabeça que Kim Namjoon pudesse estar envolvido em tudo aquilo.

Não demoraram em chegar ao edifício de quatro andares, e Jungkook mais do que depressa estacionou no local apropriado, voltando-se para Jimin com um sorriso amigável.

— Está entregue. – Disse divertido, atraindo os olhos gordinhos do Park para si, que os abaixou logo em seguida, cabisbaixo. – Hm? O que foi?

— Pode subir comigo? – Pediu em um fio de voz que acabou fazendo o coração do Jeon se apertar um pouco. – Eu... Quero ficar um pouco com você... Não quero me sentir sozinho...

Os dois continuaram a trocar olhares por um tempo, e Jungkook simplesmente bufou derrotado. Precisava continuar a trabalhar, mas também não queria sair de perto de Jimin até ter certeza de que o mesmo estava se sentindo melhor.

Com isso em mente, meneou positivamente a cabeça, ficando um pouco mais tranquilo ao ver o sorriso bonito que de repente se desenhou nos lábios de Jimin. Deixaram a viatura e entraram no pequeno edifício, subindo as escadas que davam acesso aos apartamentos mais acima. Jimin e Hoseok moravam no segundo andar, desta forma, não demoraram em chegar.

Jimin destrancou a porta, estava ainda com o sorriso no rosto, feliz por ter a companhia de Jungkook por algum tempo. Não se viam há alguns dias, e por mais que trocassem mensagens constantemente, sentia falta de estar ao lado do rapaz.

Iria fazer um comentário sobre irem para o quarto para terem um pouco mais de privacidade caso Hoseok estivesse ali, porém, seus pensamentos foram interrompidos no momento em que os olhos gordinhos encontraram o sofá de três lugares que estava encostado à parede da sala.

Ali estava Hoseok, sentado sobre o colo de um rapaz mais baixo que estava no sofá, ambos em um ósculo intenso enquanto as mãos o outro percorria a barriga e cintura do Jung, procurando por um contato mais íntimo e visivelmente necessário. No momento em que a porta se abriu e o som de passos foram ouvidos, Hoseok se afastou, no mesmo instante saltando do colo do rapaz e ajeitando as roupas que usava, as mãos indo de encontro aos fios pretos e lisos que estavam levemente bagunçados.

— J-Jimin?! – A voz estridente de Hoseok se fez presente no ambiente. O rapaz estava surpreso e ria, visivelmente nervoso e desconfortável com a situação. Ao seu lado estava o homem de baixa estatura e cabelos pretos que estava sendo escondido pelo Jung, os olhos pequenos e a carranca de poucos amigos na direção de Jimin e de Jungkook, que ainda estavam parados à porta.

O Park levou uma das mãos ao rosto para tentar esconder o sorriso, falhando miseravelmente por ter começado a gargalhar. Tal reação obviamente não passou despercebida pelo policial, que encarava Jimin um tanto surpreso pela súbita mudança de humor que tivera em tão pouco tempo.

— Eu não queria atrapalhar, de verdade! – Disse entre as risadas, caminhando em passos lentos para entrar cada vez mais no apartamento. Apenas então Hoseok percebeu o rosto inchado de Jimin, e sua expressão, antes encabulada, mudou para uma banhada em preocupação.

— Jimin-ie... O que aconteceu? Você andou chorando? – Hoseok se levantou e se aproximou rápido, encarando os olhos de um Park que ainda estava com os orbes avermelhados. – Ah, pequeno, venha beber uma água. – Disse, já puxando o outro pelo pulso na direção da cozinha.

— Não precisa Hobi! – Jimin disse ainda entre os risos. – Vocês... Podem continuar, de verdade, desculpa!

O Park naquele momento voltou os olhos para o rapaz sentado no sofá com os braços cruzados, que continuava com uma carraca no rosto, encarando-o sério. Aquilo foi o suficiente para fazer com que Jimin parasse de rir, respirando fundo três vezes antes de recuperar a compostura que havia perdido de repente.

— Tudo bem, Yoongi? – Jimin perguntou, a voz falhando brevemente quando o olhar do outro se voltou completamente para si, os olhos pequenos cerrados. O Park apenas engoliu em seco com aquilo.

— Sua cara está horrível. – Disse simplista, desviando o rosto para frente novamente.

Jimin então apenas se resumiu a acompanhar Hoseok até a cozinha, deixando finalmente os dois homens sozinhos. Naquele momento Yoongi ergueu os olhos para o policial que ainda estava parado na frente da porta, e então os dois rapazes trocaram olhares intensos. Yoongi não gostava de Jungkook, e vice versa. Jungkook havia prendido o seu melhor amigo, e Yoongi apoiava um dos maiores criminosos da Coréia do Sul.

— O que faz aqui? – A voz do policial se fez presente, e o Min ergueu uma das sobrancelhas.

— Eu quem pergunto. O que você faz aqui, Jeon? – O professor de anatomia se levantou de onde estava, o cenho franzido encarando Jungkook com firmeza. – Estou aqui para visitar o meu namorado.

— E eu estou aqui porque Jimin pediu. – Devolveu o Jeon em um tom arrastado, retribuindo o olhar sério e agressivo que o Min lhe lançava. Porém, logo em seguida se desfez do ar sério e tenso, sentindo os músculos de suas costas reclamarem. Jungkook não queria brigar com Yoongi, não naquele dia. – Olha, Yoongi... Vamos tentar fazer as coisas se tornarem mais fáceis entre nós, está bem?

— Não quero ter o mínimo de contato com a pessoa que colocou um homem inocente atrás das grades. – O Min respondeu de forma ríspida, e Jungkook estreitou os olhos para si quase que no mesmo instante.

— Um homem inocente não tira a vida de outras pessoas, Min Yoongi. – Respondeu, aproximando-se mais do professor de anatomia que estava com as narinas infladas. – Você acha que eu fiquei bem com tudo isso? Saber que um dos meus melhores amigos da escola havia se transformado em um assassino hediondo?

— Ele não matou ninguém! – Yoongi trincou os dentes e Jungkook fechou ambas as mãos em punho. – Que tipo de amigo é você, que sequer consegue confiar nas pessoas mais próximas de você?!

— Kim Namjoon assassinou a minha noiva! – O policial esbravejou, e no mesmo instante o professor segurou firmemente sobre a gola do uniforme de Jungkook, puxando-o para perto de repente. O Jeon por outro lado não fraquejou, erguendo o queixo enquanto o encarava.

— Você não tem como comprovar a morte de Min Hee, Jeon! – Yoongi respondeu em um tom de voz alto, os olhos pequenos flamejantes de raiva. – Namjoon não tem nada com isso!

— É óbvio que tem! Ele próprio confessou o assassinato da minha mulher! – Jungkook segurou no pulso do Min com força, apertando e o empurrando para que se afastasse. O policial puxava o ar com força para dentro dos pulmões, nitidamente nervoso. – Você não faz ideia do que é perder a pessoa que você mais ama na vida para um desequilibrado! Kim Namjoon é um monstro, um assassino cruel e dissimulado! Ele sempre foi estranho, desde o secundário! Não me surpreenderia se ele estivesse matando pessoas desde aquela idade!

— Você é um grande filho da-

— Cuidado com o que fala, ou poderei prendê-lo por desacato a autoridade. – Jungkook ameaçou, e Yoongi ergueu uma das sobrancelhas antes de olhar para o lado, um sorriso incrédulo brotando sobre os lábios finos enquanto balançava a cabeça.

— Claro, como se abuso de autoridade não fosse um crime, não é Jeon Jungkook? – Voltou a encará-lo, rindo nasalmente.

— Estou apenas cumprindo a lei, esse é o meu trabalho.

— Cumprindo a lei? – Yoongi fez outra carranca. – Se você fosse um homem da lei como diz que é jamais teria colocado Namjoon atrás das grades!

— Se não fosse ele, quem você acha que deveria estar em seu lugar? – O policial cerrou os olhos, em seguida sorrindo de canto para o mais baixo. – Talvez outra pessoa estivesse cometendo os assassinatos em seu lugar? – O Jeon deu poucos passos na direção do professor de anatomia, que, porém não moveu um músculo, apenas erguendo a cabeça para o policial. – Uma pessoa que talvez ninguém desconfiaria, um homem com uma nobre profissão, responsável por formar o futuro deste país.

— O que está querendo dizer com isso? – Yoongi franziu o cenho, trincando os dentes pelo sorriso maldoso que o policial lhe lançou. O professor mais do que depressa entendeu onde ele queria chegar com aquilo, o que o deixou mais do que indignado. – Você... Eu não acredito, está dizendo que eu quem matei todas aquelas pessoas, é isso?

— Quem mais poderia ser? As únicas pessoas que mantinham contato constante com Namjoon depois de nos formarmos eram você e Jimin, e nós dois sabemos que Park Jimin não passou de uma vítima das atrocidades doentes de Namjoon. – Jungkook se aproximou mais, um sorriso sacana nos lábios. – Faz muito sentido para mim, sabia Min Yoongi? Ter um mandante e um executor. Nunca de fato pensei que Namjoon pudesse ter feito o que fez sozinho.

O professor tencionou o corpo naquele momento, porém, conseguiu disfarçar o nervosismo que de repente acabou tomando conta de seu corpo. Jeon Jungkook não era idiota e sabia muito bem o que estava fazendo, e era exatamente por aquilo que havia sido selecionado para cuidar daquele caso em específico. No entanto, Min Yoongi era uma das poucas pessoas que realmente sabiam a verdade, e ver o policial sugerir aquilo e confirmar a suposta inocência de Jimin acabou fazendo com que começasse a gargalhar.

Obviamente, Jungkook não esperava por aquela reação do Min, e sequer conseguiu disfarçar o deslize na postura por conta da risada do professor diante de sua afirmação, franzindo o cenho em aparente confusão. Durante toda a sua investigação sempre desconfiou de Yoongi e de sua estranha aproximação com Namjoon, tanto que em paralelo ao caso do estripador de Busan, também procurou levantar alguns dados sobre a vida do professor, porém, sem grandes conclusões.

— Você é patético, Jeon Jungkook. – Yoongi disse quando finalmente conseguiu se recompor da crise de risos. – Se você realmente soubesse como que as coisas funcionam...

Aquele comentário fez o policial franzir o cenho novamente, encarando os olhos pequenos de um Yoongi que naquele momento nutria uma expressão que não soube ler de imediato, porém, que o havia deixado pensativo. Iria questionar o Min quanto àquele comentário, porém, seus pensamentos foram interrompidos por um barulho de algo se quebrando.

Os dois rapazes de repente se voltaram para a direção da cozinha, onde Jimin fora com Hoseok assim que chegou com Jungkook. Um silêncio se fez presente no ambiente e apenas foi quebrado quando ouviram a voz gutural de Jimin dizer:

— Eu falei para você ficar longe!

Yoongi foi o primeiro a sair em disparada na direção da cozinha, sendo seguido por Jungkook. No momento em que chegaram, depararam-se com uma cena que fez com que o professor ficasse completamente paralisado por longos minutos.

Havia um copo de vidro quebrado no chão, os cacos espalhados pela superfície clara enquanto Hoseok estava ao lado da pia da cozinha, com um dos braços levantados na direção de um Park Jimin que estava com os olhos arregalados e cenho franzido, segurando uma faca de carne que Hoseok tinha guardado em seu faqueiro de madeira. O Park apontava o objeto na direção de Hoseok, ameaçando perfurá-lo.

Tanto Yoongi como Jungkook estavam alertas naquele momento, preparados para qualquer movimento agressivo que Jimin pudesse fazer conta o Jung.

— Ji-Jimin... Larga isso, por favor... – Hoseok pediu com a voz trêmula, visivelmente nervoso e alterado por conta da situação tensa que havia se instaurado ali de repente. Estava preocupado com o namorado estar sozinho com Jungkook na sala, pois sabia que os dois rapazes não gostavam um do outro e queria a todo custo voltar para a sala para fazer companhia para o mesmo e evitar que acabassem entrando em um conflito desnecessário.

Apenas não esperava que Jimin fosse interpretar aquilo da maneira errada e acabar tendo um surto naquele momento.

— Eu já disse que você não vai... – O Park estava com a cabeça abaixada, mas com os olhos erguidos para o Jung, que engoliu em seco pelo tom de voz que o outro usava. – Eu não gosto de você perto do Jungkook...

— Jimin... Vamos com calma, está bem? – Hoseok riu nervoso, tentando se aproximar, porém desistindo logo em seguida quando Jimin ameaçou investir a faca contra o corpo do mais alto.

Naquele momento o policial iria intervir, porém, Yoongi fora mais rápido, e mais do que depressa colocou o corpo na frente do de Hoseok, erguendo o braço para tentar tocar no de Jimin. O rapaz voltou os olhos gordinhos agressivos para o professor à sua frente, rangendo os dentes uns nos outros.

— Saia da frente. – Pediu ainda com o tom de voz agressivo, porém Yoongi não recuou, estava com as mãos abertas, ambas erguidas, olhando nos olhos de Jimin enquanto tentava passar um pouco de tranquilidade para ele. O Min suspirou pesadamente.

— Jimin-ah, você não precisa fazer isso, você sabe, não é? – Disse Yoongi com o tom de voz suave, até mesmo esboçando um breve sorriso para o jovem Park, que finalmente ergueu a cabeça para si. Ambos eram atentamente observados por Hoseok e Jungkook, que estavam mais atrás.

— Yoongi... Hyung... – A voz de Jimin estava mais suave naquele momento. – Você não sabe... Eu sei de coisas, e eu não aguento mais, hyung...

— Jimin-ah, agora não é o momento, você sabe... – Continuou, aproximando-se lentamente do rapaz, que aos poucos foi abaixando a faca. – Isso... Está tudo bem, eu estou aqui, você sabe que pode confiar no seu hyung, não sabe?

Os dois continuaram a trocar olhares naquele momento, Jimin continuava olhando para Yoongi em silêncio, sentindo as lágrimas começarem a se formar no canto dos olhos enquanto o professor continuava a se aproximar, até finalmente tocar o Park em um de seus ombros, finalmente abaixando a mão de Jimin, que ainda segurava a faca com firmeza.

— Hyung... Se você soubesse... – Jimin fechou os olhos, deixando as lágrimas escorrerem pelo rosto oval, criando um rastro em linha reta pela bochecha. O professor suspirou.

— Você sabe que não é isso o que ele quer Jimin-ah. – Yoongi insistiu, as duas mãos agora indo em direção a faca quando o Park abaixou a cabeça e encolheu um pouco o corpo. – Solte isso... Você vai acabar se machucando.

Jimin o obedeceu, afrouxando os dedos que seguravam a faca com firmeza e o Min rapidamente a pegou nas mãos, deixando-a sobre a pia ao lado dos dois e logo em seguida sendo surpreendido pelo movimento repentino de Yoongi, que o puxou pelo pulso para mais perto antes de envolver os braços ao redor do Park.

Jimin arregalou os olhos com aquele gesto, porém, não se afastou, retribuindo o gesto e afundando o rosto oval na curva do pescoço do professor enquanto se entregava ao choro pela segunda vez naquele dia. Yoongi estava com o cenho franzido, uma das mãos afagando os cabelos pretos do mais novo que estava trêmulo por conta do nervoso súbito que havia sentido. O Min então se abaixou aos poucos, sentando-se sobre o chão enquanto tentava acomodar o outro em seu colo em uma tentativa de acalmá-lo o mínimo possível, a expressão de preocupação nítida em seu rosto enquanto o ombro apenas ficava cada vez mais úmido pelas lágrimas de Jimin.

Porém, os dois eram atentamente observados por um Jungkook e um Hoseok em silêncio, encarando-os de forma atônita por conta da ação inesperada de Min Yoongi.

Notas finais
Comentários?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.