Notas iniciais
Venho a avisar que esse capítulo está extremamente pesado e não é indicado para pessoas sensíveis.

Um lindo sorriso desenhava os lábios daquelas duas figuras alegres que caminhavam juntos, abraçados um ao outro pelas ruas escuras de Busan. O rapaz de cabelos pretos exibia os dentes perfeitamente alinhados, virando vez ou outra para a figura mais baixa ao seu lado, admirando com os olhos brilhantes os cabelos pretos grossos que caíam graciosamente pelos ombros e seguiam pelas costas. A expressão no rosto da mulher ao seu lado era alegre, o olhar brilhante de quem aproveitou o dia ao máximo e se divertiu imensamente.

— Muito obrigada pelo dia de hoje, Jimin-ssi! Eu realmente me diverti muito hoje! – A voz doce da mulher ressoou pela rua, animada, ao mesmo tempo em que a mesma se voltava levemente para a direção do homem ao seu lado, que levou os cabelos pretos com poucas mechas amareladas na lateral para trás, com as mãos.

— Eu fico feliz em ouvir isso, Yun Hee. – Jimin sorriu mais uma vez, porém continuava com o olhar fixo na rua, puxando a mulher para mais perto de si com o braço. – Podemos encerrar esse dia de uma forma ainda mais especial. – Finalmente voltou os olhos delineados para a mulher, que mordeu o lábio inferior levemente. – Você pensou no que eu te disse? Eu prometo não fazer nada que você não queira, mas poderemos ter uma maior privacidade na minha casa.

A mulher pareceu ponderar sobre aquilo, suspirando pesadamente enquanto os passos ficavam um pouco mais lentos. Há alguns dias Jimin estava insistindo para que fosse até a casa dele e, por mais que achasse impróprio pelo pouco tempo em que o conhecia, estava sinceramente tentada à acompanhá-lo daquela vez. Yun Hee então sorriu mais uma vez, voltando os olhos pequenos para Jimin.

— Tudo bem Jimin-ssi, mas eu preciso voltar para casa ainda hoje. Você sabe que eu preciso adiantar minhas tarefas da faculdade. – Comentou, o que acabou atraindo o enorme sorriso de Jimin para si, que apertou consideravelmente os ombros de Yun Hee contra o seu peito.

— Você não vai se arrepender, meu anjo. Eu te garanto. – Jimin se aproximou da mulher e abaixou levemente o corpo, depositando um beijo suave sobre a sua testa. – Minha casa não é muito longe daqui, logo chegaremos lá, tá bom?

Com isso, ambos continuaram a caminhada descontraída, Jimin guiando a mulher pelo caminho que levava até a sua casa. Não demoraram muito para chegar, de fato, à residência do rapaz, e Yun Hee contemplou com os olhos pretos marcantes a casa típica da região, porém levemente elevada à rua, com pequenas janelas que indicavam a existência de um porão ali. Luzes amareladas saíam do local, e Jimin foi puxando o corpo se Yun Hee, guiando a mulher que até então pensava que iriam entrar pela porta principal, para os fundos da casa.

A jovem franziu o cenho levemente, voltando os olhos pretos para o rapaz Park mais uma vez.

— Jimin-ssi? Por que estamos indo pelos fundos? — Perguntou levemente estranhada, porém os olhos brilhantes do rapaz à sua frente acalmaram o seu coração.

— A porta da frente está quebrada, então vamos entrar pelo porão, tudo bem? — Jimin sorriu, os cabelos escuros balançando na medida em que caminhava. — Parece uma cena de filme de terror, não é?

Yun Hee balançou a cabeça positivamente, fazendo Jimin rir alto. Logo estavam próximos das portas inclinadas que separavam eles do interior do porão, e o Park rapidamente se prontificou, abaixando-se para abri-las. Um rangido alto se fez presente, e então Jimin segurou uma das mãos de Yun Hee, ajurando-a com o primeiro degrau.

— Lá dentro tem outro lance de escadas que levam para a cozinha, então eu acabo usando esse lugar como uma dispensa, pela comodidade. — Explicou, voltando-se para a porta do porão. — Pode ir na frente? Eu preciso fechar as portas por dentro e é um pouco chato fazer isso da escada.

— Então eu vou descendo e te espero lá em baixo.

— Ótimo... Não irei demorar.

Park Jimin sorriu antes de voltar-se para as portas e Yun Hee pernaeceu observando-o por um tempo antes de terminar de descer aquele lance de escadas. O porão era muito bem iluminado e era exatamente como o rapaz disse: uma dispensa. Haviam algumas prateleiras com alimentos dispostas de forma que fizessem um complexo de corredores pelo local e que terminavam em uma porta, que aparentemente havia sido colocada ali há pouco tempo. A mulher imaginou se tratar do lance de escadas que Jimin havia mencionado anteriormente, e se surpreendeu ao ver que a porta estava aberta ao tocar na maçaneta.

Aproveitou a oportunidade para abrir a porta e mais do que depressa sentiu o ar gélido do interior daquele cômodo se chocar violentamente contra o seu corpo. Yun Hee até mesmo levou ambas as mãos ao rosto, assoprando-as por conta do frio que sentiu, e então deu os primeiros passos para dentro daquele lugar. Sentia um cheiro estranho, o mesmo cheiro que sentia ao abrir o congelador da própria casa. Os olhos pretos correram aquele cômodo à procura de algo que pudesse identificar, porém a luz da porta apenas conseguia iluminar uma parte da parede branca que, ao estreitar os olhos, percebeu estar coberta por lascas de gelo.

No mesmo instante os olhos pretos se arregalaram ao perceber que a única fonte de luz do local fora embora, e o som da porta batendo atrás de si fez com que Yun Hee saltasse, assustada, voltando-se para trás.

O ambiente havia ficado mais frio de repente. Correndo em direção a porta, a mulher esticou os braços para encostar naquela superfície gélida e fechou ambas as mãos em punho, batendo ali com força.

— Jimin! Jimin me ajuda! — Yun Hee falava praticamente gritando, o corpo tremendo pelo susto e pelo frio intenso que sentia. Naquele mesmo momento sentiu alguém tocar em seu ombro, apertando-o com força e a fazendo virar para o lado. E logo em seguida Yun Hee sentiu uma dor aguda na altura do estômago. — Ah!

Os olhos pretos estavam arregalados quando a luz finalmente iluminou todo o cômodo. Imediatamente à sua frente estava Park Jimin, os cabelos pretos e lisos caídos de forma graciosa pelo rosto, os olhos, antes carinhosos, eram tão frios quanto o ar gélido que reinava naquele lugar. O rosto, um semblante sem expressão, e quando Yun Hee desceu o olhar até a barriga finalmente encontrou o motivo da dor que estava sentindo: Um facão havia atravessado o seu corpo na altura do estômago, o sangue manchando as roupas que usava, este que jorrou ainda mais quando Jimin apertou o cabo do facão para enfiá-lo mais fundo, fazendo Yun Hee grunhir em dor.

Foi então que a risada alta de Jimin se fez presente, tão de repente quanto sua presença ali. Os olhos castanhos continuavam frios, mas um sorriso maldoso agora desenhava seus lábios, para a confusão de Yun Hee.

— Eu sei o que está pensando. — Jimin finalmente se pronunciou, a voz levemente grossa. — Está se perguntando o que está acontecendo, ou por que estou fazendo isso, não é? — Sorriu ainda mais, retirando a faca de uma vez.

Yun Hee levou as duas mãos ao ferimento, caindo de joelhos antes do corpo finalmente encontrar o chão. Jimin se aproximou, posicionando um pé de cada lado do corpo da jovem mulher de cabelos pretos, abaixando-se apenas o suficiente para mirá-la nos olhos.

— É o que todos vocês pensam, mas não interessa. Afinal, você vai acabar como todos os outros acabaram. — Jimin apontou com uma das mãos para o lado, o que fez Yun Hee voltar os olhos para a direção em que o Park apontava.

A mulher separou os lábios em um grito mudo ao se deparar com aquilo. Um gancho enorme, amarrado por uma corda que descia do teto, era usado para prender o que restara do corpo de um jovem rapaz, que estava pendurado ali já sem as pernas, braços e parte do tronco. Jimin gargalhava da expressão de horror de Yun Hee, que apenas chorava abaixo de si.

— Sabe... O normal a se dizer em uma situação dessas seria que o problema não era você, e sim eu. — O Park comentou, fazendo um leve biquinho. — Mas a verdade é que o problema é você, Jung Yun Hee.

Foi então que a porta voltou a se abrir e os dois voltaram os olhos para a mesma. Postada ali estava uma figura ligeiramente mais baixa e mais magra que Jimin, os cabelos pretos levemente frisados escondendo os olhos pequenos. Era possível ouvir um resmungo vindo do fundo da garganta daquele homem, que separou os lábios para dizer algo, porém foi interrompido por Yun Hee:

— Socorro! Por favor me ajuda! — Ela pediu desesperada, esticando um dos braços na direção daquele homem, o que apenas fez Jimin gargalhar novamente.

— Que merda, Jimin! — O rapaz resmungou com a sua voz rouca, suspirando pesadamente enquanto entrava naquele ambiente olhando especificamente para a poça de sangue que estava espalhado no chão. — Eu te falei para não desperdiçar tanto sangue! Como que eu vou defumar os intestinos dela agora?

— Francamente Yoongi, você sabe como foi trabalhoso convencer essa daqui a vir para cá? — Jimin franziu levemente o cenho, balançando o facão na direção de Yun Hee. — Estou te ajudando a não morrer de fome e é assim que você me agradece?

— O que?! — A mulher exclamou, alternando o olhar apavorado entre os dois.

Jimin e Yoongi trocaram olhares com a jovem por alguns segundos até que o professor de anatomia suspirou pesadamente, desviando os olhos castanhos da cena que estaria por vir. O Park mais do que depressa entendeu o que o amigo professor estava querendo dizer com isso, e então voltou a atenção para Yun Hee, o facão apontado para o pescoço dela.

— Pense que pelo menos estará morrendo para fazer duas boas ações. Saciar a fome do meu amigo aqui, e ajudar a inocentar o amor da minha vida. — Jimin sorriu mais abertamente, e em um único movimento degolou Yun Hee com o facão.

Jimin sequer se importou com o sangue que espirrou do pescoço da mulher, sujando toda a sua roupa, ao mesmo tempo em que Yoongi resmungava sozinho algo sobre o desperdício excessivo de sangue. No entanto, o professor de anatomia começou a se preocupar de fato quando o sorriso no rosto de Jimin desapareceu, dando lugar à um semblante sério novamente.

— Jimin? — Yoongi chamou, porém foi completamente ignorado.

O rapaz segurava com firmeza o cabo do facão enquanto observava fixamente Yun Hee perder a vida logo em baixo de si. Sua mão tremia tamanha a força que fazia, e antes que Yoongi pudesse dizer qualquer coisa, Jimin trincou os dentes, o semblante frígido mudando para um embebido em raiva. O Park empunhou o facão mais uma vez e começou a desferir uma facada atrás da outra contra o corpo quase sem vida de Yun Hee, praguejando sozinho.

— Jimin! — Yoongi arregalou os olhos e se aproximou do amigo. — Jimin, para com isso! — O professor segurou o pulso do outro com força, sentindo muita dificuldade em parar o amigo pela força que o outro fazia contra o corpo de Yun Hee, agora morto.

— Ela... Era amiga daquela maldita... — Jimin disse em um tom baixo, ainda fazendo força para atingir mais uma vez o corpo da mulher. Yoongi apertou o pulso do Park com força, franzindo o cenho em uma expressão firme.

— Ela já está morta há muito tempo, Jimin. Ela não vai mais te fazer mal. — Yoongi mordeu o lábio inferior, tentando escolher as palavras certas para usar com ele. Percebeu quando lágrimas começaram a se formar no canto dos olhos de Jimin. — Você se lembra do que o Namjoon te disse? Você acha mesmo que ele quer que você faça as coisas desse jeito, Jimin-ah?

Foi apenas naquele momento que o Park finalmente soltou o facão, o som da lâmina ecoando por aquele ambiente frio. Jimin arfou, deixando a característica fumaça branca escapar de seus lábios, os olhos castanhos fitando o corpo sem vida de Yun Hee abaixo de si, assim como seu corpo completamente sujo de sangue, o cheiro de ferro invadindo suas narinas quase que imediatamente.

Park Jimin sentiu o estômago embrulhar naquele momento, assim como as lágrimas que começaram a descer pelo seu rosto, grossas. Yoongi aos poucos foi tirando o amigo de cima de Jung Yun Hee, acomodando-o em seu peito enquanto o deixava chorar.

Min Yoongi já estava acostumado com aquela súbitas alterações de personalidade do amigo, eram comuns sempre que Jimin cometia assassinatos em nome de Namjoon ou Jackson. Porém, não tinha certeza da fonte que o amigo teve para matar aquela mulher, desta forma fazendo uma nota mental para questionar Ka-Yee quando tivesse a oportunidade. Afinal, não seria a primeira vez que Jimin matava um inocente.

Tratou de espantar aqueles pensamentos da cabeça. Sua prioridade agora era cuidar da saúde mental do amigo. Desta forma, levou uma das mãos ao rosto fino, forçando um sorriso carinhoso para Jimin, que o olhava com os castanhos marejados.

— Vamos sair daqui, o que acha? — Disse em um tom de voz brando, acariciando os cabelos pretos do amigo. — Está muito frio, eu faço um chá para você se esquentar enquanto limpo essa bagunça aqui em baixo.

Jimin balançou a cabeça positivamente e com a ajuda de Yoongi, foi se levantando do chão e caminhando na medida em que era apoiado pelo amigo. O professor fechou a porta atrás dos dois e então seguiram pelo estreito corredor que levava até o lance de escadas que ligava o porão à cozinha. Em primeiro lugar Yoongi levou Jimin ao próprio quarto, onde o ajudou a tirar as roupas sujas de sangue e o levou até o banheiro dali, ligando o chuveiro e controlando a temperatura para que o amigo esquentasse o corpo. Estava distraído quando sentiu o toque leve das mãos pequenas de Jimin em suas costas e então se virou para trás.

Jimin estava completamente nu atrás de si, e Yoongi simplesmente não conseguiu não olhar para o corpo delineado do amigo. Independente dos problemas de Jimin, o professor precisava admitir que o Park permanecia com a sua beleza: As coxas torneadas perfeitamente proporcionais ao quadril delineado e aos braços longos com seus poucos músculos aparentes, o osso da clavícula marcado logo abaixo do pescoço branco que sustentava o rosto de beleza angelical.

Precisou suspirar pesadamente antes de finalmente desviar o olhar, pigarreando.

— Acho que a água está em uma temperatura boa. — Comentou, dando espaço para Jimin passar, que o fez.

— Muito obrigado, hyung. — Respondeu com um sorriso tímido, o que fez Yoongi enrubescer levemente.

O professor virou de costas, respirando fundo pela enésima vez.

— Eu vou separar umas roupas para você, vão estar em cima da cama, tá bom?

Não esperou para ouvir a resposta de Jimin e mais do que depressa deixou o banheiro, indo até o armário para separar as roupas que emprestaria ao amigo enquanto pensava o que havia acontecido consigo para ter se demorado no corpo do Park por tanto tempo, sem reação.

Logo em seguida foi na direção da cozinha novamente. Não poderia deixar o corpo de Yun Hee daquele jeito no chão. Além disso, estava com muita fome. Apenas ele próprio sabia o quanto estava se torturando com o pouco de carne que lhe restava, e aquele era o momento que estava esperando para finalmente matar a sua fome.

Yoongi tinha um kit de lâminas específicas para cortes daquele tipo, era um apreciador de coisas artesanais e adorava fazer tudo com as próprias mãos, incluindo fazer os cortes dos corpos antes de limpá-los e guardá-los em seus respectivos lugares dentro do congelador que havia construído em seu porão. Admitia que era desta forma que conseguiu as melhores notas na faculdade de anatomia quando ainda era um aluno, e como professor, precisava manter isso. Com isso em mente e já com os seus utensílios em mãos, desceu para fazer o seu trabalho no porão.

Demorou um pouco para terminar com o seu trabalho antes de subir com um pulmão em uma das mãos, deixando-o dentro da pia para guardar as suas coisas. Aproveitou para limpar o órgão e cortá-lo em cubos, já estava com uma receita em mente, porém nunca a fez com aquele órgão em específico. Pegou todos os ingredientes que precisaria para fazer a sua receita, assim como a panela, e então começou a cozinhar, o estômago roncando alto quando o cheiro do tempero e do pulmão subiram no ar.

— O que está fazendo?

Yoongi deu um pequeno pulo em um espasmo assustado, estava tão entrertido que não percebeu a aproximação de Jimin logo atrás de si. Observou quando o rapaz se aproximou, olhando para a panela.

— Estrogonofe de pulmão. — Yoongi respondeu, quase salivando e ignorando completamente a carranca que o amigo fizera para si.

— É tão estranho ver você cozinhando... Desse jeito. — Jimin ergueu as duas sobrancelhas para o professor, que piscou demoradamente antes de soltar mais um suspiro.

— Não sabe o que está perdendo. A carne humana tem um sabor único. — Sorriu enquanto falava. — Tem certeza que não quer experimentar?

— Absoluta, essa eu passo quantas vezes forem necessárias. — Jimin se virou e se aproximou da mesa de jantar, sentindo um arrepio percorrer sua espinha apenas em imaginar estar provando aquilo.

Yoongi aproveitou para observar Jimin por alguns segundos, este que já estava devidamente limpo e confortável em seu conjunto de moletom cinza. Acabou sorrindo de canto antes de se voltar para o fogão, aparentemente o Park estava bem e de volta ao seu estado normal.

Não demorou para terminar de cozinhar, colocando tudo em uma travessa e pondo a mesa, ao lado da panela de arroz que também estava sobre a mesa. Yoongi se serviu de um generoso prato e comia com tanta vontade que até mesmo resmungava prazerosamente ao sentir novamente a textura esponjosa do pulmão que tanto amava, enquanto era observado por um Jimin carrancudo que, até o momento, estava usando o celular.

O Park precisou desviar o olhar para o outro lado, engolindo em seco. Não gostava de presenciar o momento em que Yoongi "ocultava" os cadáveres. Entendia perfeitamente a situação do amigo professor, mas simplesmente não conseguia se acostumar com aquela ideia.

— Como estão indo as consultas com o Taehyung? — Yoongi perguntou, atraindo os olhos castanhos do Park para si, que suspirou.

— Estão indo como devem ser. — Abaixou o olhar de volta para o celular.

— Só? — Yoongi ergueu uma das sobrancelhas, apoiando os dois braços sobre a mesa. — Taehyung me parece ser um bom profissional, além de saber muito bem o que faz.

— O que quer dizer? — Jimin ergueu o olhar para o amigo novamente, este que se serviu de mais comida.

— Quero dizer que talvez você deva dar uma chance à ele. Talvez ele consiga te ajudar. — Manteve o olhar firme no Park, que mordeu o interior da boca.

— Eu... Só quero fazer o possível para que ele volte a me amar, hyung. — Jimin entortou os lábios levemente em uma expressão tristonha, fazendo o professor fechar os olhos. Precisava ter paciência.

— Jimin, eu estou falando da sua fixação exagerada pelo Namjoon e também pelo Jungkook. — Disse, atraindo o olhar dele novamente. Continuou. — O Taehyung pode te ajudar nesse aspecto, e eu tenho certeza que o Namjoon ficaria muito satisfeito em ver o seu progresso.

Jimin piscou algumas vezes, parecendo ponderar sobre aquilo, o que deixou Yoongi um pouco mais aliviado. Sabia muito bem que mencionar Namjoon nas conversas onde o Park precisava tomar alguma decisão era algo importante, já que sabia muito bem como que o outro vivia em função de Namjoon.

Yoongi conhecera Namjoon quando ele ainda mantinha um relacionamento com Jimin, e justamente pela convivência que tiveram desde então que conhecia muito bem o amigo, e em como o mesmo não aceitou bem o fim da relação e desde então faz tudo o que for possível para reconquistá-lo. Sabia mais do que ninguém que usar Namjoon naquela situação era um golpe baixo, mas se isso fosse ajudar Jimin a continuar o seu tratamento com Taehyung, faria uso disso quantas vezes fossem necessárias.

Acabou relaxando os ombros com aquilo, finalmente entendendo porque Namjoon havia pedido que olhasse por Jimin enquanto estivesse cumprindo sua pena.

— Você acha mesmo que ele vai ficar feliz em saber que estou sendo tratado pelo Taehyung? — Ele perguntou, tirando Yoongi de seus pensamentos.

— Eu tenho certeza. — Disse, dando outra garfada na comida. — Na próxima ver que ir visitá-lo, irei falar sobre o seu progresso em seu tratamento. Então dedique-se.

— Eu posso ir também? — Ele perguntou, os olhos castanhos brilhando em expectativa enquanto o Min o encarava sem expressão por alguns minutos. Não conseguia entender o motivo por trás de Namjoon não querer que Jimin o visitasse no hospital psiquiátrico, mas confiava que o amigo sabia o que estava fazendo.

— Namjoon disse que ainda não é o momento. — Disse simplista, ouvindo um resmungo de Jimin.

— Como vamos conseguir tirar ele daquele maldito lugar se eu nem posso ir às visitas com você? Isso é muito injusto! — Fez um bico, abaixando o olhar novamente.

Iria falar mais alguma coisa, porém foi interrompido pelo som de um telefone celular tocando. Jimin voltou os olhos castanhos para a mesa, mirando o visor de seu celular com os caracteres "Jackson" escritos nele. O corpo ficou tenso de repente e engolindo em seco, pegou o aparelho para atender, sendo observado por Yoongi a todo momento.

— Ja-Jackson? — Jimin praguejou mentalmente pela voz ter saído falhada, e engoliu em seco com isso.

— Coloque no viva-voz. — Foi a única coisa que ouviu do dono daquela voz rouca do outro lado da linha. O Park sentiu os pelos da nuca se arrepiando apenas com aquelas poucas palavras, mas obedeceu, afastando o telefone para ligar o viva-voz, em seguida repousando o aparelho sobre a mesa. — Yoongi? Você está aí?

— Em carne e osso. — Respondeu, voltando a atenção para o seu estrogonofe. Não iria questionar Ka-Yee sobre como ele sabia que estava com Jimin, visto que ele já havia feito isso outras vezes. — A que devo a honra?

— Bom, faz tempo que não nos falamos desde que voltei para Hong Kong para resolver aqueles assuntos pendentes. — Jackson frisou as últimas palavras, o que fez Yoongi semicerrar os olhos levemente. — Acho que vale a pena nos reunirmos mais uma vez.

— Onde você está agora?

— Na minha casa em Goyang. Voltei para a Coréia do Sul há alguns dias. — Respondeu, suspirando pesadamente. Yoongi voltou os olhos para Jimin, que estava em silêncio, olhando para a tela do celular de forma fixa.

— Vamos logo ao ponto. — O Min endireitou a postura, até mesmo deixando de lado o prato de comida, voltando os olhos para a tela do telefone. — Eu sei que você não ligou apenas para dizer "oi".

A risada de Jackson pôde ser ouvida, e Yoongi e Jimin trocaram olhares por breves minutos.

— Aproveitando o jantar, Suga? — O Min fez uma carranca com aquilo e não respondeu, o que apenas fez Ka-Yee rir ainda mais do outro lado da linha. — Eu sei o que está fazendo, afinal eu mesmo orientei o Jimin dessa vez.

— Imaginei que fosse isso. — Arfou. — Pelo menos era uma menina que fez alguma coisa errada.

— Eu não disse isso.

Um silêncio se fez presente naquele ambiente, Yoongi franzindo o cenho para o celular antes de se voltar para Jimin mais uma vez, este que desviou o olhar. A risada do Wang se fez presente novamente, divertida.

— Interprete isso como quiser, Yoongi. — Comentou e o Min suspirou, levando uma das mãos às têmporas, pressionando ali impaciente.

— Vá logo ao ponto, Wang. — Pediu ríspido, a agressividade no olhar assustando Jimin levemente.

— Vamos com calma, hyung. — O Park se pronunciou. — Ele deve ter visto alguma coisa relacionada ao Namjoonie...

Yoongi respirou fundo, encostando-se melhor sobre o encosto da cadeira antes de deixar os ombros relaxarem, estalando a língua entre os dentes levemente. O Min não gostava de Ka-Yee, apesar de Namjoon insistir em dizer que ele era uma pessoa confiável, não conseguia simplesmente acreditar neste fato. Porém com o Kim detido não tinham muitas opções.

Após longos minutos de silêncio, Jackson finalmente se pronuncia:

— Namjoon já começou os seus movimentos. Estou de volta à Coréia do Sul por isso.

Jimin separou os lábios em surpresa, voltando os olhos arregalados para Yoongi, que mantinha a mesma expressão no rosto. E então se entreolharam mais uma vez.

— O que você viu?! — Jimin perguntou mais do que depressa, arrancando uma risada nasal do Wang.

— É melhor que não saibam por enquanto. Não quero que acabem atrapalhando os planos dele. — Jackson fez mais uma pausa, tossindo levemente antes de continuar. — Mas para que funcione vamos precisar trabalhar juntos.

— Hã? — Yoongi resmungou, em seguida bufando e rolando os olhos. — O que quer dizer?

— Quero dizer que quem irá decidir quem vive e quem morre a partir de hoje serei eu.

Houve mais um longo momento de silêncio. Ambos os amigos se olhavam extremamente surpresos, visto que de todas as alternativas que haviam pensado, jamais haviam incluído uma intervenção direta de Ka-Yee. O chinês continuou em silêncio, aguardando pacientemente a dupla se recompor daquela informação tão repentina.

— Então você irá ficar no lugar do Namjoon? — Yoongi perguntou, ouvindo um suspirar pesado do outro lado da linha.

— Sim e não. — Disse. — Eu jamais sujaria as minhas mãos com pessoas desse tipo. Jimin pode continuar fazendo este excelente trabalho, afinal, você já está mais do que familiarizado com os assassinatos, não é, Jimin-ssi?

O Park sequer abriu a boca, o corpo encolhido na cadeira da cozinha enquanto era atentamente observado por um Yoongi que estava com um misto de emoções dentro de si.

— Não vamos quebrar o ciclo. — Jackson continuou. — Eu digo quem precisa morrer, Jimin cuida do assassinato, Yoongi continua comendo os corpos e eu continuo a receber os ossos que sobrarem.

— Por que diabos você faz questão de receber os ossos, Wang? — Yoongi perguntou após suspirar pela enésima vez, trincando os dentes pela risada que ouviu do outro lado da linha.

— Pergunte ao Namjoon em sua próxima visita. Tenho certeza que ele irá te explicar.

— Espera... — Jimin finalmente se pronunciou, atraindo os olhos pequenos de Yoongi para si. — Isso... Isso vai interferir no trabalho do Jungkook, não é?

— Ah não, Jimin. — O Min balançou a cabeça, fitando o amigo incrédulo. — Você realmente está preocupado com aquele policial de merda agora?

— Mas hyung... Eu não quero prejudicar o Jungkook! Você sabe como ele é importante para mim, hyung! — Jimin elevou o tom de voz, a expressão se alterando de uma tranquila para uma ansiosa, a respiração descompassada.

— Jimin, eu não queria fazer isso, mas você ficar em cima do muro já está me tirando do sério! — O Min estava usando um tom de voz mais ríspido, o olhar, antes carinhoso, agora firme. — Foi por causa do Jungkook que o Namjoon foi preso! Foi o Jungkook quem separou vocês dois em primeiro lugar! Você precisa decidir de qual lado está, Park Jimin!

— Não hyung! Não foi assim! — O rapaz estava tremendo, e levantou da cadeira com o olhar perdido entre Yoongi e o telefone. — Jackson... Jackson, você concorda comigo, não é?

— Desculpa, Jimin-ssi. Você não pode jogar em dois lados ao mesmo tempo. — A voz de Ka-Yee soou mais rouca do que o normal aos ouvidos de Park Jimin, que separou os lábios enquanto sentia as lágrimas se acumulando no canto dos olhos novamente.

— Eu não posso...

Yoongi bateu as duas mãos com força sobre a mesa, levantando-se logo em seguida. O som do impacto fez Jimin saltar em espanto.

— Que porcaria de amor é esse que você sente pelo Namjoon?! — O Min disse, trincando os dentes, os olhos brilhando em raiva aparente. — Quem é que você ama?! É o Jungkook ou o Namjoon?!

— Namjoon! Claro que é o Namjoon, hyung! — A voz do Park saiu trêmula e mais aguda que o normal. O rapaz levou as mãos aos cabelos pretos, apertando-os contra os dedos e puxando levemente, as lágrimas já desenhando o rosto bonito.

— Então esqueça essa droga desse policial! — Yoongi até mesmo rosnou, dando a volta na mesa e andando de um lado para o outro. — Jimin. — Voltou-se para o mais novo. — Se você não se decidir eu sou capaz de...

— De? — Jimin perguntou em um fio de voz, e um silêncio reinou entre os dois amigos. Yoongi o olhando com raiva, tão alterado que puxava o ar com força entre os dentes. — Do que você é capaz, hyung?!

— Matar, Jimin. Eu sou capaz de matar o Jungkook se você não se decidir. — Disse em um tom de voz frio, vendo a boca do Park se abrir em um grito mudo.

— Oh... Que reviravolta interessante... — Jackson finalmente se pronunciou, rindo novamente. No entanto fora completamente ignorado pela dupla de amigos, que se encaravam com um misto de sentimentos conflitantes um com o outro.

Jimin tremia na mesma intensidade em que chorava, soluçando miserávelmente apenas em considerar a hipótese de ver Jungkook morto. Mas ao mesmo tempo sabia que precisava fazer alguma coisa para ajudar Namjoon a sair do hospital psiquiátrico. Em outras palavras, estava se sentindo completamente perdido e sem saber qual próximo passo daria. Não queria abrir mão dos dois porque simplesmente não podia. Jimin não conseguia se enxergar sem Namjoon ou sem Jungkook em sua vida, e se algo acontecesse à um deles sua vida acabaria no mesmo instante.

Foi com isso em mente que, puxando os cabelos com força e involuntariamente por conta do nervoso, deu poucos passos para trás antes de sair em disparada pelo corredor da casa de Yoongi, rumando para o lado de fora aos prantos.

— Jimin! — O Min se voltou para trás, o cenho ainda franzido. — Jimin, volte aqui!

— Deixe, Yoongi. — A voz de Jackson soou mais firme. — Ele precisa de um tempo. Precisamos nos concentrar nos próximos passos que daremos a partir de hoje.

Yoongi continuou olhando para o corredor por alguns minutos até finalmente desistir e voltar a se sentar à mesa para continuar a conversa com Ka-Yee. Mais ao fundo conseguiu ouvir o som da porta da frente ser fechada com força, indicando que Jimin havia saído.

O mais novo não enxergava nada à sua frente, apenas queria sair dali e correr sem rumo, como se isso pudesse, de alguma forma, organizar o turbilhão de pensamentos conflitosos que torturavam a sua mente naquele momento. Não conseguia parar de chorar, o peito subindo e descendo repetidas vezes na medida em que corria e fungava por conta do choro incessante. Não conseguia entender porque Yoongi era tão mau às vezes, obrigando-o a escolher entre os homens da sua vida.

Atravessou a rua correndo sem olhar para os lados, ignorando completamente o som do carro freiando bem próximo do seu corpo e os xingamentos do motorista para si. Às vezes esbarrava em uma pessoa ou outra enquanto corria, mas não se importava de fato com isso. Apenas parou quando as pernas, trêmulas, não aguentavam mais correr, e então se apoiou sobre os joelhos por breves momentos, os olhos fechados e a cabeça abaixada enquanto respirava forte, miserável, buscando por ar.

No entanto, quando abriu os olhos, tudo o que conseguiu ver foram as mãos banhadas em sangue fresco, como se as tivesse mergulhado no líquido escarlate. Os olhos se arregalaram com a visão e, na medida em que ia levantando o corpo, erguia os braços também, na altura dos olhos, incrédulo para aquilo.

— Não... Não... — Murmurava para si próprio, e então desviou o olhar para o lado. Jimin estava em frente à uma vitrine espelhada, e o reflexo que teve o desprazer de contemplar fez uma expressão de pavor preencher o seu rosto bonito.

Não era apenas os braços, mas o corpo inteiro banhado em sangue fresco. Ao seu lado o reflexo de Jung Yun Hee, esfaqueada, aproximava-se de seu corpo e o abraçava de lado, olhando diretamente nos olhos de Jimin. Em seu outro lado estava outra mulher, esta de cabelos curtos pretos, porém sem os olhos, apenas um par de buracos pretos no lugar do mesmo.

— Você não... De novo não... — Jimin levou as mãos ensanguentadas ao rosto, tampando-o levemente. Porém quando desceu as mãos, a visão apenas piorou. Yun Hee e a outra mulher estavam com a boca aberta, o rosto desfigurado como quem estivesse em decomposição por muito tempo. E, aos poucos, o próprio reflexo de Jimin começava a se decompor diante de seus olhos.

E então gritou. Um grito agudo de completo desespero e horror. As mãos involuntariamente puxavam os cabelos com tanta força que por um pouco mais os fios seriam arrancados do couro cabeludo. Jimin caiu no chão de joelhos, os olhos fechados com força enquanto se encolhia. Porém, por mais que suplicasse, mesmo com os olhos fechados conseguia visualizar a cena grotesca de seu corpo se decompondo bem na sua frente.

De repente sentiu algo envolver o seu corpo em um abraço apertado, porém como reflexo apenas conseguiu empurrar. Jimin não queria abrir os olhos, não queria ver aquilo de novo, e a única coisa que conseguia fazer era se debater e gritar em desespero.

— Jimin! Jimin sou eu, abra os olhos!

— Eu não quero ver! Sai daqui! — Gritava em agonia, ainda puxando os cabelos.

— Jimin! Abra os olhos, por favor!

Sentiu um toque quente em seu rosto e como um reflexo abriu os olhos castanhos, encontrando com um par de orbes delineadas encarando-os com extrema preocupação.

Jimin puxou o ar com força, voltando o rosto para o lado e finalmente percebendo que ainda estava na rua. Quando olhou para o seu reflexo na vitrine, apenas enxergava a si com o rosto molhado de tanto chorar e essa pessoa ao seu lado, vestida inteiramente de branco.

Os castanhos voltaram-se para aquela pessoa mais uma vez, o olhar perdendo-se nos cabelos pretos, no semblante preocupado e nos lábios volumosos.

— Vai ficar tudo bem... Você sabe quem eu sou? — A voz soou em tom baixo e tranquilizador, porém era assustadoramente familiar. Jimin continuou encarando aquela pessoa estranha ali, suas feições que se assemelhavam às de um anjo aos seus olhos.

— Você... Jin? — Piscou algumas vezes, vendo o rapaz sorrir logo à sua frente.

— Que bom que se lembrou de mim, Jimin. — O médico sorriu, levando uma das mãos aos cabelos do Park, acariciando-os levemente. — Você está melhor? Consegue se levantar?

O mais novo balançou a cabeça positivamente, levantando-se ainda apoiado em um dos braços de Seokjin, que passava por ali após ter saído de uma farmácia no fim de seu turno. Nunca poderia imaginar que se encontraria com Jimin em uma caminhada tão cotidiana. No entanto, estava feliz em ter cruzado o caminho do mais novo justamente em um momento tão delicado como aquele. Saberia como ajudar.

— Quer tomar um chocolate quente? Você parece estar precisando. — Sugeriu, vendo Jimin erguer o olhar para si. — Garanto que irá se sentir melhor com isso.

O Park apenas balançou a cabeça positivamente, deixando-se ser levado por Seokjin até uma lanchonete ali perto. Estava visívelmente desnorteado, como se o mundo à sua volta estivesse andando em câmera lenta. Quando menos percebeu, já estava sentado confortavelmente em uma cadeira com almofadas macias, e de frente para a mesa estava o chocolate quente, repousando ali por alguns minutos. Os olhos castanhos focaram-se na fumaça esbranquiçada que escapava da superfície líquida e ficaram assim por mais alguns minutos.

— Está se sentindo mais calmo? — A voz do médico se fez presente, e então Jimin voltou os olhos para ele outra vez. — Beba um pouco do chocolate quente, vai te fazer bem.

O Park voltou os olhos para a bebida láctea, e então segurou a xícara com as duas mãos antes de beber um pouco, arfando levemente ao sentir o líquido quente aquecer o seu corpo. Permitiu-se soltar um suspiro suave, apenas naquele momento percebendo o sorriso satisfeito nos lábios de Jin.

— Estava me seguindo? — Jimin finalmente se pronunciou, surpreendendo o médico.

— Seguindo? — Jin sorriu. — Estava voltando da farmácia. Nosso encontro foi puramente por acaso.

— Entendo... — Jimin desceu o olhar para a mesa, o telefone celular de Seokjin estava repousado ali, o que o fez se lembrar que havia deixado o próprio na casa de Yoongi. Engoliu em seco, continuando. — Você... Está cuidando do Namjoon, não é?

Seokjin franziu o cenho com aquela pergunta, até mesmo endireitando a postura levemente. Era fato que ele, Namjoon e Jimin tinham suas diferenças, mas naquele momento o médico precisava ser o mais profissional possível.

— Sim, muito bem. — Respondeu, pegando a própria xícara com o chocolate quente para beber enquanto era atentamente observado por Jimin.

— Como ele está? — Continuou com a pergunta, e Seokjin suspirou pesadamente.

— Estamos progredindo. Eu não posso entrar em detalhes por causa do sigilo, desculpe. — Respondeu simplista, o que aparentemente não agradou o Park, que inflou as narinas levemente pela resposta ríspida em seu ponto de vista.

Jimin iria comentar sobre mais alguma coisa relacionada à Namjoon, não fosse o telefone de Seokjin tocar naquele exato momento. Ambos voltaram os olhos para o visor, e por um momento o mundo de Park Jimin parou ao ver o nome que estava ali: Jungkook.

A única coisa que Seokjin conseguiu fazer foi pegar o celular antes de Jimin bater as duas mãos sobre a mesa com força, levantando-se de ímpeto. Aquilo fez o médico recuar levemente com a cadeira, o telefone ainda tocando em suas mãos na medida em que encarava Jimin com firmeza, este que estava com os olhos arregalados mais uma vez, porém, agora com raiva.

— Por que ele está ligando para você?! — Perguntou com a voz alterada, atraindo os olhares das pessoas que estavam em volta. Seokjin iria responder, mas Jimin se aproximou, levando as duas mãos à gola da camisa branca do médico, puxando-o para mais perto. — Por que você tem o número do Jungkook?! Não era para você ter o número dele!

— Jimin, calma. — Seokjin ergueu as duas mãos, abertas, falando em um tom brando procurando acalmá-lo. — Vamos sentar e conversar sobre isso...

— Eu estou cansado de vocês! — Jimin trincou os dentes, as lágrimas voltando a escorrer pelo rosto. — Estou cansado de vocês querendo tirar o Jungkook de mim!

— Ninguém vai tirar o Jungkook de você Jimin, eu garanto! — O médico piscou algumas vezes, olhando em volta enquanto tentava pensar em alguma coisa que pudesse tranquilizá-lo o suficiente para que pudesse se soltar.

— O que você pode garantir, Kim Seokjin? — Puxou o psiquiatra para mais perto, os rostos ficando a uma distância muito curta um do outro. Jin conseguia sentir a respiração quente do Park contra o seu rosto. — Eu sei qual é a sua... Você quer se vingar de mim pelo Namjoon ter escolhido a mim... Mas não vai funcionar!

— Jimin, vamos sentar e conversar...

— Eu não quero assunto com você, Seokjin! — Jimin o empurrou de repente e o médico precisou de apoiar na parede com uma das mãos para não cair no chão. — Você não vai conseguir tirar o Namjoon e o Jungkook de mim! Nem que eu tenha que te matar!

Seokjin ficou observando incrédulo a forma como Jimin o ameaçava em alto e em bom som, levando o dedo indicador à própria garganta e simulando o movimento de corte. Ficou encarando o mais novo até o mesmo sair da lanchonete, no entanto, não conseguia sentir raiva. Apenas conseguia lamentar o estado mental em que o rapaz se encontrava.

O celular começou a vibrar em suas mãos novamente, e então voltou os olhos para o mesmo. Era Jungkook mais uma vez. Seokjin não atendeu à ligação, desligando-a, pois precisava fazer um telefonema mais importante naquele momento.

Precisava falar com Taehyung.

Notas finais
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