Manhunters
23 Reconheça-se
Notas iniciais
Lá estava ele. Dessa vez, sentado à beira da cama, de frente para a janela, de costas para a mulher. Parecia mais um admirador de arte que encarava a obra com toda atenção. Sara fechou a porta e o som provocado induziu o homem a virar o pescoço de lado para identificar quem entrava no espaço.
— Sabia que era você. — disse ele, voltando-se a observar a janela.
— Que bom. — respondeu ironicamente, deixando a bolsa numa poltrona próxima.
— Está melhor?
— Eu quem devia te perguntar isso, não? — Sara retrucou, pegando a cadeira de metal do lado direito da cama e levando para o outro lado. Ela deixou o móvel do lado esquerdo à cama, de modo que pudesse encará-lo de perto, quase frente a frente. Então se sentou.
— É... o almoço estava bom, até. Estou mais lúcido.
Sara se encostou na cadeira e cruzou os braços, esperando por alguma reação dele. O sargento, por sua vez, tirou, finalmente, sua atenção da janela, dirigindo-se diretamente a ela. Nesse meio tempo, a detetive pôde perceber que o semblante de seu rosto estava mais abatido, diferentemente de antes. Imaginou que estava de volta à realidade, situando-se no tempo presente.
— Sobre o que eu disse antes...
— Eu não quero falar sobre isso. — Ela disse, cortando-o friamente.
Grissom notou a força naquelas palavras, desconcertou-se, até. O melhor seria mudar de assunto o mais rápido possível, antes que o clima ficasse mais pesado.
— Então... conte-me... tudo que aconteceu.
A morena descruzou os braços e olhou para o lado, tentando buscar as palavras para começar a explicar os detalhes.
— Vou falar na ordem cronológica. — disse ela.
— O... o que aconteceu com o garoto? — Ele tomou a palavra, primeiramente.
Sara o encarou por alguns segundos.
— Está morto.
Assim que a ouviu, Grissom franziu as sobrancelhas e olhou para o chão. Sentiu-se extremamente mal por aquilo. Ela percebeu, mas ficou em silêncio.
— Merda. Foi... culpa minha. — lamentou em voz baixa, levando a mão direita ao rosto — Céus...
Ela reparou na expressão angustiada que o sargento trazia, como se o peso do mundo inteiro tivesse caído sobre seus ombros.
— Eu não consigo entender você, Grissom. Realmente, não consigo. — Ela falou, balançando a cabeça repetidas vezes.
Ele virou o rosto para vê-la.
— Só queria saber: por quê? — Sara perguntou franzindo a testa.
Ela sabe.
O sargento dirigiu seu olhar para a janela.
— Dá pra você olhar pra mim? — Inconformada com a falta de resposta, insistiu.
Cinco segundos ele atendeu ao pedido, e a encarou nos olhos.
— Por que você não destravou sua arma?
Ao ouvir aquelas palavras seu coração acelerou. Grissom engoliu em seco, mal conseguia se manter fixo nela.
— Gilbert, por que você não destravou sua arma quando estava frente a frente com aquele garoto? — Ela repetiu a pergunta, dessa vez mais séria.
Sara o chamou de Gilbert novamente, o que fez o coração acelerar ainda mais. Ele pressionou seus punhos sobre o colchão e depois segurou o tecido com as mãos fechadas. Relutava consigo mesmo e com ela.
— Tá, você não vai responder? Então essa conversa acabou. — Sara foi curta e clara. Estava prestes a se levantar da cadeira para deixar o lugar.
Finalmente ele esboçou alguma reação, erguendo um pouco o braço direito, impedindo-a de se levantar:
— Eu me esqueci. — respondeu em voz baixa, olhando para baixo.
As palavras dele pairaram no ar como a poeira que entrava no quarto por aquela janela.
— Você se esqueceu. — Ela retrucou quase sarcasticamente, voltando a se sentar — Você se esqueceu. — repetiu, dessa vez balançando a cabeça e sorrindo ironicamente — Você simplesmente se esqueceu do procedimento mais vital ao segurar uma arma, assim, do nada. — Deu de ombros.
— Eu-
— Tenta de novo. Isso não me convenceu e não vai me convencer nunca.
O sargento olhou para cima e fechou os olhos por breves segundos. Depois se voltou a Sara, forçando-se ao máximo para se concentrar nela.
— Me esqueci... porque estava preocupado com você.
O tom de voz que ele se dirigiu a ela não foi de reprovação, ou questionamento, ou raiva. Quase o mesmo tom que ele usou ao dizer que se lembrava da mulher.
Sara apontou o dedo para ele. Mas acabou se enrolando nas palavras, ficando estática. Recompôs-se logo.
— Seu babaca! — soltou aquelas palavras em voz alta, explicitamente inconformada. Acabou se levantando da cadeira — Se esqueceu de destravar a arma porque achou que eu tinha levado um tiro?! É isso?!
— É, é isso. — Ele retrucou, numa voz mais firme.
— Você quase morreu, Grissom! — A mulher se afastou dele, indo para o meio do quarto. Sua voz estava alterada. — Que merda! Você quase...
— Eu sei! — O sargento tentou rebater, sua voz estava mais impaciente.
— Não, você não sabe! — Ela ergueu as sobrancelhas, gesticulando com as mãos e falando mais alto — Num momento como aquele você tinha que se esquecer que eu existia! Tinha um garoto com uma arma na mão! Se ele soubesse atirar bem você estaria numa gaveta de um necrotério, merda!
Os dois trocaram olhares por alguns segundos. Enquanto Grissom tentava se manter firme, na defensiva, Sara continuava a mesma, inconformada e revoltada.
— Sidle, você é a minha parceira!
— Ah! Agora eu sou sua parceira! — riu ironicamente, erguendo os braços — Quando te convém eu sou sua parceira, não é?!
Alguns segundos de silêncio e um clima mais pesado que antes.
— Eu fiquei preocupado com você, droga! Achei que tivesse levado um tiro! — o sargento, também alterado, exclamou. Aquela atitude o fez levar a mão esquerda à área atingida. Sara tinha certeza que ele ainda sentia dores.
— Você não entende a gravidade dessa história! Caramba! Por causa dessa sua imprudência olha o que aconteceu! — Sara apontou para ele — O que você acha que ia acontecer caso você... — Não conseguiu terminar de falar, levando a mão direita à testa.
— Eu não sei, tá? Eu não sei!
Ela ergueu a mão direita para o alto e fechou seus olhos.
— Eu sei. Iam acabar com o caso e mandar tudo para o FBI sabia? Eu nem precisava te perguntar isso porque você sabe muito bem! — Sara apontou para ele quase agressivamente.
Grissom franziu as sobrancelhas, cerrou os punhos e olhou para o chão. Não conseguiu retrucar.
O silêncio que se prosseguiu era perturbador.
Enquanto ele não percebia, Sara percorreu com os olhos o rosto de Grissom. Viu nele uma mistura de melancolia e raiva. A detetive não queria ficar discutindo por toda a vida, e imaginou que ele também não. Estavam desgastados demais.
— Chega, tá bom? — Ela ergueu a mão direita, de repente — A gente vai ficar nisso até anoitecer e eu não quero me estressar mais. Chega. O que está feito, está feito. — Tomando a iniciativa, ela retornou à cadeira e se sentou, para a surpresa dele, achando que ela ia deixar o quarto.
— Certo. — Ele disse, quase aliviado por ela descontinuar a conversa.
— Depois que... levaram você, eu fui olhar a cena do crime. Foi aí que eu acabei descobrindo que você não atirou por causa disso.
— E o que aconteceu depois?
— Destravei sua arma. — Ela disse sem hesitação.
— O que foi que você fez?!
— Foi isso mesmo. — Ela deu de ombros.
O sargento tentou se ajeitar na cama, porém, mal conseguiu se mover direito.
— Você adulterou uma cena de crime!
— Sim, eu fiz isso! — concluiu convicta, assentindo.
— E se arma disparasse?!
— Ela não disparou.
— Céus! Você acabou de falar de mim e olha o que faz! — Ele apontou para a mulher.
— Pois é! Se você não tivesse sido imprudente, nada disso teria acontecido!
— O meu erro não justifica o seu! — expressou-se, inconformado.
Aquela resposta foi tão fria quanto gelo e tão quente quanto brasa. Ouvindo aquilo, Sara franziu as sobrancelhas e desviou o olhar. Grissom, assim como ela, ainda permanecia de cara fechada, atento à mulher.
Alguns segundos se passaram.
— Minha vez de perguntar: por que fez isso, Sara? — A voz dele diminuiu, menos alterada desta vez, porém, ainda estressada.
A detetive continuava a evitá-lo. Ao receber a pergunta deu um longo suspiro.
— Por que, hein, Sara? Por que arriscou a sua carreira com isso?! — insistiu impaciente.
— Porque não quero a Corregedoria batendo à sua porta e acabando com o caso, só por causa desse deslize! — respondeu, quase cuspindo as palavras.
— Você não faria isto... — Balançou a cabeça — não mente pra mim.
Sara olhou para ela, dessa vez furiosa. Odiou ter que ouvir uma acusação como aquela.
— O que foi que você disse?! Você me conhece, por acaso?
— Escute-
— Não, escute você! — Apontou para ele — Eu estou dando tudo de mim, tá?! Não posso deixar que coisas como essa interfiram no noss-... no caso.
— Sara. — Grissom tentou ser mais persuasivo — Eu só quero entender o porquê? Por que se arriscou tanto por isso em vez de deixar que eu encarasse a Corregedoria?!
— Eles iam dar um jeito de tirar você, tenho certeza disto. Já vi tirarem pessoas por muito menos.
O sargento olhou para o chão. Percebeu a mudança no tom de voz dela.
— Você?
— E você não?
Grissom balançou a cabeça, e depois levou as mãos ao rosto.
— Sara, se eles descobrirem... — comentou, fechando seus olhos brevemente.
— Se, — Ela enfatizou a palavra — eles descobrirem, eu encaro o que vier. Mas eu tive cuidado, sei como isso funciona.
— Você não devia ter feito isso.
— É, mas eu fiz. E quero muito saber se vai valer a pena.
Sara apoiou os braços nas pernas e baixou um pouco a cabeça. O sargento a observou em silêncio. Ela levou as mãos ao rosto e por lá permaneceu por alguns segundos.
— Olha... isso não tá dando certo. — disse, ainda na mesma posição.
— Está falando do caso? Se for eu concordo, e muito.
— Estou falando de tudo. De nós dois. — terminou, tirando as mãos do rosto e olhando para ele — A gente tá num círculo vicioso, Grissom. Brigamos, pedimos desculpas e... tempos depois voltamos a discutir. Esse ciclo vai continuar até ele começar a ruir, e quando acontecer... acabou.
— Sara... — Ele levou a mão ao rosto e deslizou-a.
— É normal que as pessoas briguem, parceiros, inclusive. Mas... eu não sei! A gente simplesmente não consegue entrar num consenso. — A detetive cruzou as mãos, batendo os pés no chão repetidamente.
— Precisamos de uma trégua. — disse ele, assentindo.
— Não. — Ela balançou a cabeça — A gente precisa de paz.
Ambos se encararam mutuamente. Não falaram por algum tempo, mas era como se seus olhares clamassem por algo. Um grito silencioso.
— Ok. Admito. — O sargento ergueu as mãos rapidamente — Eu tenho errado ultimamente...
— Nós dois, Grissom! — Sara levantou-se novamente da cadeira, caminhando em direção à janela — Agora que estamos tentando ser um pouco mais sinceros, eu também admito. Estava empolgada antes de chegar a Las Vegas. Mas aí, essa... atitude sua em... me jogar de lado como se eu fosse uma inimiga me deixou com raiva.
— Nunca te achei uma inimiga. — retrucou, franzindo a testa.
— Ah...! Mas só pela cara que você fazia deixava essa perfeita impressão. Nem precisava dizer nada. — Ela se virou para ele, dando de ombros.
— Só queria resolver esse caso. Estava pressionado, sobrecarregado. E aí... eu recebo a notícia que uma detetive de São Francisco vem me ajudar a pegar um assassino que tem feito vítimas em Nevada. É... — Ele assentiu — Eu fiquei com raiva, também.
Sara ergueu as sobrancelhas em desdém.
— Custava perguntar alguma coisa pra mim, em vez de sair julgando? — perguntou ironicamente.
— Pois é! — Assentiu rapidamente — Por que mandaram você?
Ela procurou pelos seus olhos, duvidando se o sargento agia provocativo, como várias vezes, ou não. Então caminhou para perto da cama dele, cruzou os braços e disse:
— Quase um acaso. — comentou, virando o rosto para o lado, voltando-se para ele em seguida — Foi após a morte da sétima vítima.
— Hum... Gavin...
— É. Gavin Ward. Morreu às sete da manhã próximo ao The Linq. Sete de julho.
— Ainda lembro de encontrar o corpo dele. Foi um sufoco para abafar aquele caso. — Grissom disse quase brincando ao olhar para o nada.
— Bem... ele era um amigo do comissário lá da polícia da Califórnia.
— Acho que já sei o resto. Ele ficou puto porque o responsável pelo caso não estava dando conta, e por isso falou com alguém, que falou com alguém, que falou com você.
— E aqui estamos. — Ela ergueu os braços, sorrindo de lado.
— É...
— Minha vez. Por que estava trabalhado sozinho num caso como esse? E... como o FBI não se intrometeu?
— Ah... — O sargento flexionou seu corpo um pouco para a frente — Dois motivos: o primeiro, eu tenho segurado os caras lá. Alguns contatos lá dentro. O segundo... tenho preferido trabalhar sozinho nesses últimos anos... questões pessoais. Nada contra você.
Sara notou que Grissom se apresentava visivelmente incomodado em responder àquela pergunta. Mas, como fizeram um "trato" antes, ele foi obrigado a responder.
— É, a gente tá preso um ao outro.
Grissom a encarou, vendo que ela riu por breves segundos a ouvir a si mesma.
— Então, — gesticulou com a mão, ao se ajeitar na cama — continue a falar sobre o que aconteceu.
Sara se virou para a janela, tentando se localizar e buscar as palavras corretas, que de uma hora para a outra, fugiram de sua mente.
— Tá, certo... — Sara retornou à cadeira e se sentou nela, agora mais calma — Depois de levarem você eu liguei pro Brass.
— Imagino como ele reagiu. — O sargento comentou sarcasticamente.
— Se pudesse me esganar pelo celular acho que conseguiria.
— Acabou de conhecê-lo num dia ruim.
— Só que aí a piada acaba. Ele disse que, assim que estiver melhor, a gente volta para Las Vegas.
Grissom franziu as sobrancelhas.
— Ele não pode fazer isso.
— Na verdade ele pode, sim. É o capitão.
— Não acredito que o Brass está nos obrigando a voltar logo agora!
— É, eu também não. Talvez ficou preocupado com você, sei lá!
— Eu vou ligar pra ele daqui a pouco. Não pode fazer isso com a gente. Depois de tanto tempo estamos com algo concreto ele faz isso?! — Ele se preparava para levantar da cama. Todo aquele esforço preocupou a detetive, que instintivamente se levantou para impedi-lo.
— Ei, o que está fazendo?
— Vou me trocar. Quero deixar esse lugar ainda hoje.
— E para onde você pensa que vai desse jeito, garotão?
O sargento se voltou para ela assim que a ouviu falar daquela forma. Tentou pôr os pés no chão, entretanto assim que dividiu o peso do corpo, sentiu dores na perna esquerda, que pareceu "se espalhar" até a região lombar.
— Grissom, como acha que vai deixar o hospital do jeito que está?! — Apontou a mão para ele.
— Preciso de muletas.
— Céus! — A detetive ergueu os braços inconformada e olhou para cima — Você é impossível!
— Já ouvi muito isso. Agora tenho que ligar para o Brass, para depois irmos a Baker e entrar em contato com Lewis.
— Ei, olha! — Ela se aproximou dele e tocou em seus ombros, na tentativa de fazê-lo parar — Se acalma, tá? Está se forçando demais.
— Já se passou muito tempo, Sara. — O sargento a encarou nos olhos, o que a fez se afastar novamente — Se alguém avisou Lewis, um dos guardas ou qualquer um da administração, ele vai fugir.
— Sobre isso, eu fui lá em Baker com o xerife Wright, encarregado do "seu" caso; e falei com a esposa de Lewis... ex dele.
— Quê?
— Bem, continuando essa história... — Ela deu de ombros — Vou tentar resumir. Depois de um tempo, o xerife chegou junto da perícia. Jonah Wright, o nome dele. Falou comigo e disse que eu precisava ir com ele até a cidade porque havia certo "problema".
— O Brass sabe disso?
— Ele sabe apenas o que é conveniente. Depois que você foi levado ao hospital, a única coisa que eu disse a ele foi o seu estado, agora melhor.
— Certo. — O sargento assentiu — Melhor assim. E depois?
— O xerife me contou que Lewis está tendo problemas com a Receita. E já sabe né, Receita... Federais...
— Acho que posso dar um jeito nisso. Eu converso com eles e priorizo Lewis pra gente. Mais alguma coisa?
— Nada de importante. Falei com Janie Halley, ex esposa de Lewis, e ela me contou que ele só vai a Baker nos finais de semana. Trabalha em Elko e passa a semana toda lá. Se isso não tivesse acontecido, a gente poderia ir até lá, mas não tem como.
— E o que você faria, caso eu não tivesse acordado?
A morena olhou para o lado, disfarçando.
— Admito que se não tivessem me ligado do hospital, eu estaria lá em Baker, esperando por Lewis.
— Ainda bem que eu acordei. Como acha que ia conseguir alguma coisa de Lewis oficialmente?
— Eu ia dar um jeito!
— Não... não ia dar certo. Falar com ele nesse momento, sem nenhum respaldo oficial poderia ser um desastre. — Grissom olhou para a janela — Mais alguma coisa? — questionou ao se voltar à detetive.
— Seu amigo, o guarda Hawnkins, me enviou os arquivos sobre os outros.
— Ao menos uma boa notícia.
— Estive dando uma olhada nesse meio tempo, enquanto você estava aqui. Separei o que achei mais importante, até trouxe aqui, caso queira dar uma olhada.
— Ótimo, Sara. Obrigado.
Ele se esgueirou para pegar o celular na estante, à sua direita.
— Vai ligar para o Brass?
— Sim. Ah... — Ele respondeu, gemendo um pouco de dor após se esticar — Ele vai ter que acatar o nosso pedido.
— Grissom. Se ele concordar com a nossa posição, você vai mesmo sair daqui hoje?
— Vou, sim.
— E a sua saúde?
— Eu vou ficar bem, o médico disse que vou me recuperar logo.
— Se você ficar de repouso! — Ela gesticulou com as mãos.
— Já enfrentei situações piores, Sara.
— Duvido que o doutor Griffin vá te liberar hoje.
— Ele vai ter. — O sargento respondeu com desdém. E antes de acessar a tela inicial do celular, ele se dirigiu a Sara — Antes disso, vou chamar a enfermeira para me ajudar com a troca de roupa.
— Eu não acredito nisso. — A detetive quase riu incredulamente — Olha só, eu vou sair daqui e dar uma volta pelos cantos. Espero que quando eu voltar você tenha mudado de ideia!
— Pode esquecer. — Grissom assentiu, para maior irritação da morena.
— Ah! — Ela resmungou — Estou vendo que não posso convencer um cabeça dura como você.
— Pois é. — O homem voltou a assentir.
Sara fez uma careta, depois pegou sua bolsa. Ela balançou a cabeça repetidas vezes, olhando uma última vez para Grissom antes de deixar o quarto.
— Eu ainda estou com raiva de você! — terminou, apontando para ele. Deixou o quarto em seguida.
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— Olá, Gilbert, o que houve dessa vez? — perguntou a enfermeira Houston, uma mulher branca, de uns quarenta e poucos anos. Estatura média, um pouco magra, de cabelos pretos grisalhos e rosto triangular.
— Oi, Chloe. Não queria abusar, mas preciso de alguns favores.
— Diga. — Ela cruzou os braços ao se aproximar dele.
— Preciso que chame o doutor Griffin pra mim.
— Certo. — Assentiu — O que mais?
— Preciso de algum remédio que alivie minha dor. — A voz dele, baixa, evidenciava a luta que enfrentava contra a dor. Grissom, ao terminar de falar, tocou em sua barriga com a mão direta. O tempo todo em que esteve com Sara, disfarçou o seu semblante, evitando que ela percebesse qualquer sinal de fraqueza — Por favor.
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