Manhunters
78 Eu sou um monstro?
Notas iniciais
O céu claro de Las Vegas dava lugar aos tons da noite. As cores de cima se tornavam aos poucos escuras e as estrelas mais visíveis eram os pontos de luz vindo de prédios e cassinos. A cidade se transformava à noite, era uma visão mágica, atraente e perigosa ao mesmo tempo. Grissom via aquilo todos os dias e já não sentia quase nada.
O sargento voltou ao prédio do departamento trazendo consigo uma caixa de arquivos grande; logo atrás vinha outro oficial carregando outra caixa parecida. Aquilo era nada mais, nada menos, que o trabalho de Park, ou pelo menos o que ele e o irmão da vítima conseguiram recolher do quarto e escritório de Ryan. Carregar aquilo fazia o sargento sentir uma sensação estranha. Atuar na investigação daquela morte o deixava estranho. Não que parecia errado trabalhar caso de alguém que tirou uma foto sua anos atrás e que agora estava morta; só que não era a mesma sensação em trabalhar nos outros casos. Será que ele era mesmo o responsável por aquela morte?
Grissom informou a situação a Brass, que antes aprovara o recolhimento das provas. Por segurança, ele deixou as caixas em sua sala, bem em cima da mesa para que não se esquecesse. Até pensou em ficar ali por mais algumas horas... sozinho; mas estava estressado. Antes de sair da sala ele pegou o celular para ver se não havia alguma ligação perdida ou mensagem. Nada. Mal tinha certeza se Sara chegou a ler a mensagem que mandara.
Olhando para o nada ele pressionou o celular sobre a mão e o guardou no bolso da camisa. Pegou a pasta que carregava consigo, deixada há alguns dias na sala, pensando em levar alguns arquivos de Park. Voltou às caixas lacradas com fita adesiva e a ficou encarando. Dentro dela havia um notebook e um HD. Não era o mesmo notebook que ele encontrou no quarto de Park em Cold Springs, esse era diferente. Talvez precisasse de um técnico especializado para decodificá-lo e acessar os arquivos devido à senha que o protegia.
Por instinto o sargento olhou para a porta atrás dele. Ele conhecia muita gente do departamento e da unidade, mas tinha receio. Se aquela fosse a melhor chance de conhecer Zodíaco e de alguma forma aqueles itens sumissem seria o fim de Grissom. Profissionalmente e eticamente era proibido levar provas para casa. Deixá-las na polícia, num lugar que não é 100% seguro e confiável assim como várias outras instituições sujeitas a integrantes corruptos era um risco; e Grissom não gostava de correr riscos.
Todavia, se descobrissem que ele as levou para sua casa isso poderia acarretar um grande e irreversível problema no tribunal. O júri não iria aceitar os itens como prova, caso valessem como uma. O HD caberia em sua gaveta trancável, mas o notebook, não. Haviam câmeras sobre o andar, exceto nas salas particulares dos oficiais. Não dava para passar a noite ali, seria desconfortável e o sargento precisava repousar.
A escolha era dele e tinha de tomar logo.
Então fez isso: pegou a caixa que continha os objetos mais importantes e guardou embaixo da mesa. Grissom tinha medo de perder aquilo, mas o medo maior era de todas aquelas provas se tornarem inúteis por erro dele. O sargento decidiu sair logo antes que se arrependesse. Ele trancou a porta da sala, se despediu dos colegas e deixou o prédio.
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Esfriou bastante na região, mas isso não impedia as pessoas de perambularem sem parar na cidade que não dormia. Grissom não levou o sobretudo por esquecimento, mas o lugar aonde ia não se fazia necessário. Ele tocou a campainha e foi recebido por uma mulher um pouco jovem, mais ou menos da idade abaixo de Sara.
— Quero falar com Heather. Ela sabe quem é. — disse sem focar muito na mulher que o recebeu porque não sabia quem era. Rosto novo.
Ela pediu que o sargento entrasse e foi ao escritório da Lady chamar por ela. Não demorou muito e ela apareceu com aquele semblante misterioso, que poucos conseguiam decifrar.
— Bom te ver. — A mulher falou, convidando-o a entrar a seu escritório com o indicador.
Grissom a seguiu no momento em que foi chamado, mas seu rosto demonstrava hesitação, coisa que ele tentou disfarçar. Ele apenas assentiu.
— Pelo visto você está aqui para conversar, creio eu.
O sargento concordou, mas não olhou para ela. Ficou parado no meio da sala.
— Ótimo. — Com um sorriso no rosto ela saiu da sala e disse algo para a mulher que o recebeu, prestes a subir a escada.
Quando Heather voltou ela encontrou Grissom quase da mesma forma de antes; parado no meio do escritório, desta vez com a mão à testa.
— Sente-se, Gilbert. — A mulher se aproximou dele e apontou para a costumeira poltrona que ele se sentava — Diga-me o que está te deixando assim.
Surpreso por nem precisar dizer que estava incomodado o sargento fez uma careta para a amiga. Ele se sentou na poltrona aos poucos, apoiou-se nos braços do móvel e soltou um suspiro. A ruiva se sentou frente a ele numa poltrona igual. Diferente do amigo ela esbanjava serenidade.
— Sou egoísta por vir aqui falar sobre... a minha vida? — perguntou na defensiva. Nem sempre Grissom aparecia na mansão para falar de si mesmo, muitas vezes os dois conversavam sobre assuntos variados; temas que muita gente acharia incomum ou até bizarro, mas eles gostavam, sentiam-se bem.
— Claro que não. — Ela sorriu.
Grissom umedeceu os lábios se preparando para o que ia dizer, porém ele não sabia o que falar, por onde começar. Estava perdido dentro de si. Era muita coisa presa em sua mente que se recusava a sair. Ele levou as duas mãos à testa e as pressionou. Heather ficou em silêncio, atentando para ele. Do tempo que o conhecia aprendeu que Grissom tinha seu próprio tempo para se abrir.
— Heather. — Chamou ele quando apoiou o cotovelo esquerdo sobre o móvel e cobriu o queixo com a mão — Você... acredita na existência de monstros?
Uma pergunta peculiar, todavia, ela já estava acostumada com isso.
— Depende da sua definição de o que é ser um monstro. — Ela gesticulou — O que você entende como um monstro?
— Sempre consideramos “monstro” aquele que... comete o mal a outrem de propósito e se contenta com isso, não é? — O sargento entrelaçou os dedos e ficou se assistindo — Foi o que eu sempre achei.
— Acredito que “monstro” é uma definição inventada pelo ser humano para traduzir seus piores atos aqui na Terra. Como pode alguém causar tanta dor a outro? — Recitou ela — Este não pode ser considerado um de nós. Um monstro.
Os dois se encontraram num olhar breve.
— Monstros não nascem, Gilbert. Eles são criados, alimentados.
As mãos dele se fecharam. Heather não precisou de muito esforço para saber que seu amigo estava transtornado, mais transtornado que em outras visitas.
— Você tem alimentado o seu?
A pergunta o pegou de surpresa. Ele engoliu em seco. Não respondeu.
— Qual o motivo da pergunta? Sente-se perturbado?
— Eu... — O sargento suspirou — Tive um sonho. — Ele pareceu ter expelido as palavras. Ficou em silêncio em seguida.
— Do que se tratava?
Ele não respondeu de cara, ao receber a pergunta pareceu ter se retraído.
— Se não estiver à vontade, não precisa continuar.
— Não. Eu... preciso sim. — Assentiu, finalmente erguendo o pescoço para encará-la à altura — Estava no meu quarto, dormindo... Acordei de repente e aos poucos me vi cercado por sombras. — Ele engoliu em seco e semicerrou os olhos — Aquelas sombras me possuíram, tomaram o meu corpo e eu não pude fazer nada para impedir. Depois eu me vi sendo levado a um lugar que nunca vi antes... Só que de algum jeito eu sabia que podia controlar aquelas sombras... eu estava sob controle na hora.
Grissom parecia perder a emoção na fala a cada detalhe.
— Quando cheguei ao lugar, a essa casa, fui direto ao quarto. Havia um homem deitado, provavelmente dormindo. De alguma forma eu sabia que aquele homem era um criminoso, do pior tipo. — Grissom balançou o indicador. Estava tranquilo até, exceto no momento seguinte, quando sua voz pareceu falhar — Quando dei por mim... eu... minhas sombras o engoliram.
Atenta, Heather não pareceu se afetar por ouvir toda aquela história.
— Eu ainda me lembro de ouvi-lo gritar. — O sargento olhou para o nada — Acho que ele estava implorando para que eu o poupasse, não sei ao certo... provavelmente sim. — Ele se recostou à poltrona e se ajeitou — Depois daquilo eu fui embora dali. Achei que tinha terminado, — gesticulou — que aquele homem seria o único, mas... me vi partindo para outro lugar.
Grissom, olhando para baixo, não percebeu que parou de falar. Heather preferiu ficar assistindo até onde ele iria chegar.
— Da mesma forma-... do mesmo jeito... que... aconteceu com o primeiro eu... matei outros criminosos e não foram poucos...
— Sentiu-se bem? — Ela perguntou não muito indiferente.
A pergunta o pegou de surpresa. De tantas coisas que poderia questioná-lo definitivamente Grissom não esperava aquela.
— O... quê?
— Perguntei se você gostou daquilo, se sentiu bem. Você gostou?
Incomodado ele ficou prestes a se levantar, mas parou quando se apoiou nos braços da poltrona. Ele sabia que fugir ou desviar da pergunta era inútil, então cobriu o rosto com as mãos. Não respondeu de imediato e ficou batendo o pé esquerdo no chão por ansiedade. Aquela era uma pergunta que nem mesmo ele teve coragem de fazer a si mesmo.
— Como eu disse, não precisa-
— Gostei. — Ele soltou a palavra de repente — Gostei de ter aqueles poderes, de assumir o controle, de ter o controle. — Estava quase ofegante quando terminou de falar — A sensação que tive ao tirar a vida de alguém que cometia crimes foi... — Grissom parou de falar aos poucos e acabou levantando — céus, o que eu... eu sou um monstro?
— Se lembra da pergunta que fez antes? De alguém que faz mal aos outros deliberadamente? Você fez isso na vida real?
Eu machuquei muita gente. Essa era uma verdade que ele não podia esconder de si mesmo. Gostar daquilo? Claro que não, mas isso não o impediu de pensar na possibilidade de se enxergar como alguém ruim.
— Não, mas-
— Então você não é. — A ruiva também se levantou.
Será mesmo?
Sem rumo, Grissom caminhou pela sala de cabeça meio baixa. A cena era triste, mas era seu jeito de pensar no que estava acontecendo. Ainda assim parecia perdido. Ele não era um monstro, ainda não era.
— O sonho não acabou por aí. — Ele caminhou para trás da poltrona e apoiou as mãos sobre ela — Quando aquela carnificina acabou, de repente, me vi sendo “sugado” de volta para casa. — O sargento fechou os olhos por um instante — Estava na minha cama, as sombras já tinham ido embora como se nada tivesse acontecido. Mas aí...
— O que houve?
Não era vontade sua contar, mas palavras acabaram saindo.
— Ela estava lá. — Já de olhos abertos a voz saiu tão baixa que Grissom pareceu ter sussurrado.
Não foi necessário muito esforço para Heather identificar quem era a mulher. A dominatrix abriu um sorriso quase malicioso. Ao notar o sorriso ele virou o rosto para o lado, mal sabendo como continuar aquilo. Ele nem devia falar sobre a parte do sonho, mas não havia ninguém que pudesse compreendê-lo melhor que Heather.
Grissom esfregou a mão no rosto e respirou fundo. Estranho comentar sobre aquele sonho logo agora. Os dois estavam juntos, não deveria ser um problema falar sobre isso com mais facilidade. Só que para ele era complicado. Aos poucos ele se retraiu, deixando escapar um sorriso bobo.
— Vê-la no meu sonho foi a melhor coisa que aconteceu. — falou baixo e após seis segundos, continuou — Aquilo só provou a mim mesmo que estava apaixonado por ela. — Após terminar de falar ele voltou a sentar na poltrona, apoiou-se sobre as pernas e entrelaçou as mãos.
— Ela fez o seu lado obscuro desaparecer.
Ele chegou a mover os lábios para responder, mas parou e ficou refletindo sobre o comentário.
Tenho mesmo um lado obscuro, não é?
— Cheguei a me esquecer o que havia feito antes. — Ele balançou a cabeça, disfarçando após ficar em silêncio — Eu só queria... ficar perto dela.
— Você teme que “ele” seja parte de você.
O sargento sorriu achando que fosse uma piada. Uma piada bizarra, é claro. Mas no fundo havia certo receio e isso não podia esconder. Medo dele mesmo.
Alguém começou a bater à porta. Imaginando o que era, Heather ergueu a mão e se encaminhou de atender à chamada.
“Ele”...
Talvez estivesse mais incomodado que parecia.
— Obrigada. — Disse Heather. Grissom despertou de sua viagem ao conseguir ouvir aquela palavra.
A Lady retornou carregando uma bandeja; em cima dela havia um bule de chá, duas xícaras e açúcar.
— O chá não pode faltar para o nosso encontro.
Grissom sorriu novamente, mas dessa vez sem segundas intenções. Ele se levantou para se aproximar da amiga e em pouco tempo os dois se serviram. Foi a oportunidade para Heather analisá-lo de perto, saber como sua postura, olhar e semblante o caracterizavam no momento. Não muito tempo depois eles retornaram aos seus respectivos lugares.
— Tem algo mais a me dizer? — perguntou, depois focou em seus olhos.
Ele, que observava o vapor saindo da xícara ao tomar um gole, a encarou meio confuso.
— O que quer dizer com isso? — Forçando um sorriso brincalhão ele a questionou.
— Você sabe muito bem, Gilbert. — Mas Heather não pareceu ter entrado no clima — Existe algo por dentro deste olhar inquieto.
Grissom baixou o olhar novamente, observando o vapor da xícara e se concentrando no relaxante aroma do chá de ervas. Era quase impossível esconder algo de Lady Heather e sua capacidade de escavar o pensamento humano.
Depois de relutar muito, o sargento baixou a xícara até o pires, sustentando-os por entre a perna esquerda. Suspirou e passou a língua por entre os lábios. Não tinha escapatória com Heather, quando estava perto dela Grissom era um livro aberto.
— Não tive a oportunidade. — Disse ele lentamente olhando para a esquerda.
Era um risco prosseguir com aquilo, mas como esconder a verdade evidente dos olhos daquela mulher? Ele aguardou o máximo de tempo possível para finalmente declarar.
— Nós... estamos juntos.
O sorriso hipnotizante vindo de seus lábios vermelhos lhe causou arrepio até na espinha. Ela já sabia, pensou Grissom e toda aquela magia da surpresa desapareceu.
— Já esperava por isso. — Heather fez um gesto positivo com o pescoço — Só de reparar no jeito em que falava dela desde a primeira vez que citou seu nome eu imaginei que ela fosse especial. Muito especial.
— Heather. Esta conversa não pode sair dessas paredes. De jeito nenhum. — Alertou-a completamente sério, chegando a mudar a postura na poltrona.
— Eu entendo. Além de sua parceira ela corre outro risco sendo sua amante.
E eu não sei?
— É, mas eu não vou deixá-lo tocar nela.
— Não pode protegê-la de tudo, Gilbert.
O sargento franziu a sobrancelha ligeiramente, mas se conteve. Era a única frase que mais o incomodou até agora. Ele se levantou aos poucos, xícara em mãos e a deixou na mesinha de centro à esquerda.
— Sei que está chateado pelo que falei, mas é a verdade. Também é verdade que parte deste desejo imparável de proteger sua parceira vem de muito antes.
Grissom caminhou para perto da grande janela coberta por uma cortina blecaute vinho. Passou a mão por uma delas no intuito de observar o lado de fora, mas nem tocou na janela.
— Se eu não cuidar dela... então o que restará de mim? — lamentou ligeiramente alterado.
— Essa é a vida.
Ouvindo o comentário ele deixou escapar uma risada.
— Um dia foi Holly e outro... quase foi você. E por quê? — O tom de Heather estava tão desafiador quanto nunca.
Ele se virou a ela para responder.
— Por que achei que a minha parceira-
— Porque você foi imprudente.
Ela o acertou em cheio. Numa pífia tentativa ele ainda tentou tirar a lança de seu peito. A última palavra fincou em sua mente como tantas outras, mas era uma palavra que ele tentou deixar de lado. Ele quase morreu porque tentou ajudar Sara, pensava ele; nem de longe outra possibilidade se encaixava nisso. Brass o alertou, mas ele não lhe deu ouvidos; agora foi a vez de sua amiga, e logo Heather, a pessoa que mais compreendia seus pensamentos.
Não foi ele quem quase perdeu Sara, muito pelo contrário.
“Eu quase perdi você.”
Mesmo a voz mais doce de sua parceira conseguiu assombrá-lo com aquela frase. Arriscar-se-ia admitir também que ele quase foi morto por Stone porque foi imprudente demais em não pedir ajuda antes de seguir para sua casa?
— Está aqui para falar comigo porque sobreviveu. Você não é de ferro e não pode proteger todo mundo que ama.
Seus ombros relaxaram, um suspiro foi soltou e os olhos foram fechados. Ele recusou essa ideia por muito tempo, mas parece que finalmente começou a aceitá-la.
— Céus...
— O primeiro passo para a mudança é a compreensão.
Talvez estivesse errado sobre muita coisa e talvez fosse a hora de mudar. E essa hora viria para cobrá-lo.
— Nós discutimos por causa disso. — Ele assentiu ao se lembrar da conversa que teve com Sara em seu apartamento. Seu rosto estava nitidamente triste.
— Até mesmo ela enxerga isso em você. — A mulher tomou um gole do chá. Diferente dele, Heather saboreava a bebida com lentidão.
— Eu amo tanto ela, Heather. — O sargento balançou a cabeça — Queria fazer de tudo para mantê-la segura.
— Tanto que... gostaria que ela voltasse para onde veio.
Ele tocou na lateral do rosto e deslizou a mão para baixo, pensativo.
— Eu queria, admito. Mas se não fosse por ela eu estaria até agora correndo em círculos com esse caso. — Fez uma pausa — Ela foi a melhor coisa que me aconteceu. Em todos os sentidos.
Só que ainda havia muito a ser consertado.
Grissom, enfim, retornou à sua poltrona junto de sua xícara quase cheia de chá que ele repôs. Foi o momento em que mudaram de assunto e falaram sobre outras coisas. A conversa durou bastante tempo, mais do que ele imaginava, tanto que perdeu a noção do tempo. Ele só foi tirado da realidade criado pelos dois quando o celular de Grissom começou a tocar. Não estava no modo vibratório, então Heather também ouviu o toque.
Se tinha uma coisa que ele aprendeu em sua posição de policial foi atender todas as ligações. O número era desconhecido, mais um motivo para não recusar a chamada. Confuso, ele atendeu:
— Grissom.
— Ei, escuta aqui. — A voz era feminina.
— O quê? Quem diabos está falando?! — Ele não gostou do jeito que a mulher começou a falar.
— Annastasia, irmã da sua parceira. — O tom afiado não cessou. Annie enfatizou a última palavra sarcasticamente.
Annastasia?!
Ele franziu a testa. Qual o motivo inexplicável e repentino daquela ligação? Já estava inquieto.
— Onde conseguiu o meu-
— Cala a boca e me ouve! A Sara tá encrencada!
Os olhos do sargento se arregalaram como se tivesse visto um fantasma. Tudo ao redor perdeu o foco.
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