Manhunters
70 Calmaria antes da tempestade
Notas iniciais
— Você ligou para Annie Ross. Se estiver ouvindo essa mensagem deixa o recado após o sinal.
— Que milagre é esse que você não atendeu minha ligação, Annie? — falou a detetive, sorrindo.
Sara tinha acabado de chegar em casa. Levou menos tempo no táxi como de costume; final de domingo, ruas um "pouco vazias", isso foi bom. Esvaziou sua bolsa, tomou um banho rápido e vestiu roupas simples: calças de algodão pretas e uma blusa larga vermelha. Cobriu-se com seu velho moletom e calçou sapatilhas pretas confortáveis.
— Queria saber como você tava. Voltei de Cold Springs agora a pouco... — Sentada no sofá, ela olhou para o lado — foi uma loucura, mas acho que estamos progredindo bem. — Suspirou — Falando naquilo... eu estou bem, ok? Estou muito bem agora. — Quando falou aquilo pensou logo em Grissom, porém evitou falar sobre os dois no momento — Fico feliz em não ter desistido e espero que você também fique feliz por isso. Eu sinto que as coisas vão andar desta vez. — Assentiu.
Ela pressionou um botão no celular e o visor mostrou a hora. Ainda tinha tempo para falar.
— E então... como é que você tá? Não recebi notícias suas nesses dias, espero que você esteja bem. — Se recostou no sofá e olhou para o teto — O trabalho tá muito puxado? Você estava reclamando dele ultimamente... espero que consiga se resolver aí.
A detetive fez uma pausa.
— Eu vou desligar agora, Annie. Fica bem, tá? Eu amo você. Se puder mande lembranças pro Russell e pro meu pessoal.
Sara encerrou a chamada e olhou para a tela de seu celular com certa melancolia. Não podia esconder a forte saudade que sentia da irmã. Mesmo tão diferentes, Sara e Annastasia aprenderam a entender uma a outra e a viver em harmonia. Foi mais difícil sem Cassandra, entretanto, da mesma forma foi o momento em que precisaram ficar mais fortes.
Num lugar distante de casa a falta de alguém próximo era evidente. Mesmo agora vivendo um relacionamento com Grissom isso não tirava a saudade que sentia de sua irmã mais nova a quem compartilhou poucas e boas; e até mesmo o Russell. Por muitas vezes ele foi um ombro amigo e ela nunca se esqueceria disso.
A morena apoiou suas pernas na mesa de centro e se recostou no sofá. O melancólico final de noite como muitos diziam se comprovava. Sara pensou em ligar a TV, mas deixou de lado a ideia. Quando soltou outro suspiro, mais longo desta vez, acabou se lembrando daquela noite de domingo quando jantou na casa de Rose. Ela estava ali mesmo no sofá esperando por Grissom.
A detetive abriu um sorriso. Muita coisa mudou em poucos dias. Muitos, talvez, não aguentariam tanta carga emocional, física e psicológica. Ela estava aguentando; já aguentou tanta coisa, coisa muito pior.
O silêncio da casa colaborou para que ela ouvisse o som do motor do carro lá fora. Bem próximo da porta, era ele. Prontamente a morena pegou sua bolsa de viagem novamente, desta vez refeita, o celular e seguiu para a porta. Apagou a luz, trancou a porta e caminhou até o carro. Abriu primeiro a porta de trás onde deixaria a bolsa quando foi surpreendida por uma presença inesperada na outra extremidade do banco.
— É... — Ela franziu o cenho — Não esperava por ele aqui.
— Quis fazer uma surpresa. — Grissom se virou para trás e afagou a cabeça do cachorro.
Sara deixou a bolsa no banco e acariciou brevemente o animal.
— Oi, Hank, quanto tempo, não é? — Ela mal percebeu que ficou mais tempo com ele do que planejou. Ao término das carícias, Sara fechou a porta e seguiu para o banco do carona.
— Ei, querida. — O sargento se virou para ela e se aproximou para beijá-la. Grissom estava vestindo uma camisa xadrez de tonalidade marrom, calça jeans e mocassim escuro. Ela não disse, mas se impressionou pelo modo como ele se vestiu, achando até que a levaria para outro lugar.
— Não é arriscado fazer isso? — Sara o interrompeu colocando a mão esquerda em seu peito.
Rapidamente o homem checou a rua ao olhar pela janela e retornou.
— Não estou vendo ninguém passando. — Ele sorriu confiante, dando de ombros.
— Sem essa. Não vou me arriscar ser vista beijando o meu parceiro. — Ela recusou, mas não tirava o sorriso debochado do rosto — Vou deixar você com a vontade até chegarmos em casa.
Ele arqueou as sobrancelhas.
— Sério? Mesmo depois do jantar? — O sargento ligou a ignição do carro.
— Você fez o jantar? — Sara apontou para ele bastante surpresa.
— Não. Mas pedi a comida num restaurante que faz comida vegetariana.
— Pediu comida vegetariana só por mim?
— Não posso agradar a minha parceira? — brincou ele.
— Claro que pode. — respondeu sem disfarçar a satisfação que sentiu. Fechou o cinto de segurança, olhou para Grissom e notou que estava sorrindo, agora olhando para frente. Ela tocou em sua perna e atraiu a atenção dele, mesmo que breve — Obrigada, meu amor.
O coração acelerou ao sentir aquele toque. Grissom pegou sua mão e a beijou carinhosamente enquanto mantinha seu olhar no caminho.
— Isso está me lembrando aquela noite em que fomos jantar na casa da Rose.
— É, não tem como esquecer. — Ela entrelaçou a mão dele na sua. Respirou fundo e olhou para trás, onde viu o cachorro deitado no banco tranquilamente — Quer dizer que você se arrumou todo só para me levar pra sua casa?
O sargento olhou para baixo a verificar suas roupas.
— Não sabia o que vestir direito... Quis usar algo que-
— Me deixasse impressionada? — brincou ela.
— Não, quis me apresentar bem para você.
Ela sorriu.
— Então conseguiu. Você está... lindo. — Ela falou baixo, concentrando-se nele.
Grissom corou, o que dificilmente acontecia com ele. O homem sorriu sem jeito e ela percebeu.
— Matou a saudade do Hank?
Ele assentiu.
— Faltou pouco para ele me derrubar quando me viu. — O sargento respondeu com riso.
A mulher sorriu de lado. Soltou sua mão da dele e observou o animal novamente. Seu olhar parecia meio triste.
— Hank é bem leal a você. — Deixou escapar aquele comentário quando voltou a olhar para a frente.
Grissom, que não podia concentrar seu olhar na parceira percebeu em seu tom de voz que ela não estava sorrindo. Aquele nome parecia trazer pensamentos desagradáveis ainda. O sargento sabia que pedir a ela que se esquecesse do ex era uma tarefa difícil. Não podia simplesmente fazer isso achando que Sara se esqueceria dele como num passe de mágica. Tudo que podia fazer era construir boas memórias ao lado dela.
— Ele é passado. — falou ternamente — O que importa agora somos nós dois... e o Hank daqui.
Sua vitória foi conquistar um sorriso dela.
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Não levou muito tempo até chegarem ao apartamento de Grissom. Na garagem não havia ninguém e o elevador desceu vazio; melhor para Sara que queria o máximo de discrição possível para o bem dos dois. Quanto menos vezes fossem vistos juntos, melhor.
Carregando a bolsa de viagem dela, os dois, junto do cachorro, chegaram ao apartamento de Grissom.
— Pronto, chegamos. — disse o sargento ao fechar a porta e deixar a bolsa em cima do sofá.
— Nossa, que cheiro bom! — Sara estava realmente impressionada — Tem certeza que não foi você quem fez a comida e está me enganando?
— Quem me dera. Se fosse eu quem estivesse preparando o jantar, provavelmente estaria na cozinha até agora tentando me decidir.
Ela não segurou a risada.
— Ah, sim. — Sara se aproximou dele e envolveu sua nuca e beijou seus lábios lentamente — Obrigada por isso, Gil. — disse com a testa colada dele.
Ela o beijou mais uma vez, dessa vez com mais urgência, mais paixão. Então até o pescoço e aproximou seus lábios dele. Abriu um sorriso malicioso.
— Você está muito cheiroso, sargento Grissom. — Ela voltou a beijar aquela região. Tinha um aroma suave, com uma característica cítrica. Não sabia se sua mente lhe estava enganando, pois aquele cheiro a fazia se lembrar dos tempos da Conferência.
Não resistindo àquilo, o sargento deixou escapar um gemido satisfatório. Ele a segurou pela cintura e a apertou sem reservas.
— Podemos continuar com isso lá dentro, detetive Sidle. Mas a comida vai esfriar. — Grissom esboçou um sorriso e depois lhe deu um selinho.
— Ok. Eu vou resistir dessa vez. Quero saber como você se saiu.
— Bom. A gente continua isso depois. — O sargento beijou sua bochecha e a tomou pela mão para acompanhá-lo até a cozinha.
Ao atentar para a mesa Sara observou todo o cuidado que ele teve em arrumá-la, cobrindo os pratos, talheres e tigelas com um tecido. Ele o retirou e convidou a parceira para se sentar.
— Se eu soubesse que isso era um encontro eu teria me arrumado melhor. — A detetive mostrou as roupas que vestia.
— Não se preocupe, você está incrível.
Seu comentário a deixou corada, mesmo tentando disfarçar. Ela levou a mão ao braço esquerdo e olhou para o lado.
— Falei algo ruim? — perguntou preocupado.
— Não!... É que... ninguém me tratou desse jeito. Ninguém, quero dizer, nenhum namorado.
Grissom se aproximou dela e tocou em seus ombros.
— Azar o deles. Aliás, você merece muito mais que isso. — Ele deslizou o polegar sobre sua bochecha.
— Está perfeito. — Ela segurou seu rosto para lhe beijar.
— Ótimo. — Sorrindo, Grissom puxou a cadeira para que ela se sentasse. Já ele se sentou bem próximo, ao seu lado esquerdo.
— Então, o que temos para hoje?
— Nada de extravagante. Curry de vegetais... e alguns outros detalhes para acompanhar o jantar.
— Não acredito que fez questão de comprar comida nesse restaurante. — disse impressionada — Deve ter sido caro!
— Eu não me importo com o preço. — Começou a se servir e fez um gesto para que ela fizesse o mesmo e mal percebeu que ela corou — Ah, esqueci. — Rapidamente se levantou e buscou a garrafa de vinho e duas taças no armário, trazendo-as para a mesa.
— Agora eu acredito que isso seja um encontro. — Ela brincou ao pegar a taça.
— Não teremos tantos momentos como esse, então... quero que seja especial. — O sargento a serviu e depois serviu a si mesmo, voltando a se sentar.
A detetive esboçou um sorriso mais que contente; ela não se esqueceria daquilo tão cedo.
— Finalmente nós... estamos tendo aquele jantar que não tivemos antes. — Sara comentou antes de provar a comida — Céus! Isso aqui... tá ótimo, Gil. — Ela chegou a fechar os olhos ao apreciar uma colherada.
— Bom, porque é a primeira vez que peço algo nesse lugar.
Ela riu.
— Você tem bom gosto.
— Está tentando me agradar.
— Consegui?
O homem atentou para os olhos dela que brilhavam como os olhos de alguém que alcançou uma conquista. Aqueles olhos brilharam como antigamente, como na primeira vez em que o detetive atentou para eles e sentiu algo que mexeu com ele demasiadamente.
— Conseguiu. — Sussurrou e voltou a comer logo depois — O pessoal da Conferência tinha me convidado para um jantar.
— Ah é? — Ela tomou um gole do vinho, e a propósito, gostou da escolha do parceiro.
— É. Mas não me senti confortável em aceitar.
— Você poderia se enturmar com eles. Por que recusou?
— Eu não sei... sabia que teria de ir embora depois... — Ele olhou para a taça de vinho ainda cheia — E não tinha alguém que eu queria por perto. — Olhou para o prato meio cabisbaixo.
— Demorou, — A detetive deu de ombros — mas estamos aqui.
— Nem parece que oito anos se passaram. — Riu brevemente — É como se voltássemos da Conferência agora. — Então ficou passando a colher em seu prato.
— Ei. — Sara tocou em sua mão — Eu sei que não é fácil pensar no que houve e não ficar arrependido, mas olha pra gente agora! — Sorriu com um olhar esperançoso — Quem diria que estaríamos juntos depois de tudo que aconteceu. Eu não iria acreditar que seria namorada daquele detetive bonitão e inteligente de Vegas se me contassem.
Para sua felicidade o semblante dele mudou do jeito que ela gostaria.
— Nem um pouco?
— Bem... eu até pensei em te chamar pra jantar, mas na hora não tive coragem suficiente. — Ela se defendeu e voltou ao seu jantar.
Grissom parou de comer novamente, mas não porque ficou abatido. Desta vez observou a parceira voltar a comer e atentou para o sorriso que manteve nos segundos adiantes, deixando-se distrair por ele. Se pudesse olhar para si mesmo não iria acreditar no que se transformou ao dar espaço para algo que não fosse sombras de seu passado e de seu presente. Podia se ver como o Grissom do passado — ao menos um pouco — que não encarava as situações com todo o pessimismo e negatividade de agora. Por várias vezes ao lado dela ele pôde sorrir, algo raro de uns anos para cá. Talvez nunca seria grato o suficiente a ela por redescobrir o melhor dele.
— Que foi? — questionou-o, vendo que ele aparentava estar estranho novamente.
O sargento levou a mão ao seu rosto e limpou com o polegar o canto direito de sua boca. Ela ficou sem reação. Lembrou-se logo daquela noite de domingo em que o coração acelerou e o sangue correu como nunca sobre suas veias.
— Tinha... — O sargento ficou sem palavras desta vez ao encarar seus olhos que se mantinha fixos nele. Sem mais nada a fazer ele afastou sua mão do rosto dela aos poucos.
— Espera. — Sara agarrou sua mão e trouxe para perto novamente. Ela tomou o polegar com a boca e o lambeu sem pressa nenhuma e depois chupou o dedo vagarosamente.
O sangue dele ferveu. Aquele gesto provocou uma reação em cadeira por todo seu corpo. Ele engoliu em seco, umedeceu os lábios; as palavras não saíam da boca. Queria morar naquele momento e ao mesmo tempo queria terminar com aquilo para continuar com algo melhor.
Quando se deu por satisfeita ela deixou sua mão livre, sorrindo com o resultado estampado no rosto dele.
— Obrigada. — Sara voltou a comer como se nada tivesse acontecido.
— Eu... — Ele ficou totalmente sem jeito.
— Não gostou?
— Eu amei!... — disse de súbito, com medo estragasse tudo; mas aí achou que exagerou um pouco — Eu... — Ele levou a mão esquerda à nuca — Eu... gostei muito. — Terminou de falar sorrindo. E com aquele mesmo sorriso bobo o sargento se voltou para seu prato.
A morena riu e balançou a cabeça. Os dois continuaram o jantar sem muita conversa para não deixar o clima bom passar, mesmo que algum assunto maior viesse à mente. A companhia por si só já bastava.
— Existe um restaurante em Santa Mônica que serve uma comida ótima. Gostaria de levar você.
— Gostaria muito de ir quando isso acabar.
Ele baixou o olhar brevemente. Nunca poderiam se esquecer que só estavam juntos devido ao caso que os "uniu".
— É... — disfarçou, tomando um gole do vinho.
— Quando a gente for pra Califórnia vou fazer questão que conheça minha irmã. Se Annie estivesse aqui ela iria comer tudo sozinha. — disse ela após alguns minutos de poucas palavras.
Contente por ter acertado ele sorriu inocentemente.
— E a propósito, como ela está? — Puxou assunto enquanto pegava um pedaço de pão.
— Da última vez que conversamos estava bem. Liguei pra ela antes de você chegar, mas caiu na caixa postal.
— Por que está assim? — indagou quando percebeu certo abatimento em seu rosto.
— Hã? Ah, na maioria das vezes ela atende às minhas ligações, mas... — Deu de ombros e acabou não terminando de falar.
— Está tudo bem entre vocês duas? — Grissom tomou um gole do vinho.
— Está, está sim. — Assentiu enquanto olhava para seu prato — É que... ela nunca apoiou minha ideia em vir a Vegas e quando falei um pouco sobre o caso ela ficou ainda mais furiosa.
— Falou pra ela do caso? — Mesmo querendo disfarçar a preocupação a sua voz deixou transparecer um pouco.
— Eu tive que falar. Já não contei quase nada antes de chegar aqui e se continuasse assim poderia piorar a situação. — Explicou-se.
Ele não disse nada.
— Às vezes nós duas temos esse problema de esconder "segredos". — Ela olhou para o lado e se lembrou de algumas situações desagradáveis — Já discutimos algumas vezes acerca disso e eu quis evitar maiores problemas, ainda mais agora.
Grissom voltou a encará-la e ela fez o mesmo quase ao mesmo tempo. O sargento fez um gesto positivo e parecia menos tenso desta vez.
— Não falei nenhum detalhe importante pra ela, confie em mim.
— Eu confio.
Ela sorriu de lado em agradecimento.
— Annie queria ficar um tempo comigo, mas não deixei. Por isso eu contei a ela que estamos atrás de um serial killer.
Aquela resposta o deixou surpreso, finalmente. Não esperava aquilo e sentiu certa culpa por se mostrar meio insatisfeito.
— Desculpe.
— Tudo bem. Eu tenho certeza que Annie vai guardar aquilo pra si mesma. Ela não gosta de se envolver em assuntos da minha profissão porque isso a faz lembrar do trabalho da Cassandra.
— E pelo visto não gostava do trabalho dela, não é?
A mulher ergueu uma sobrancelha.
— Não, ela odiava o trabalho da nossa mãe. Sempre dizia que era perigoso atuar no FBI. — Ela riu e balançou a cabeça — Agora ela olha pra mim e não se conforma com o meu desejo em seguir nessa carreira também.
— Você disse que... tinha uma vontade pessoal em entrar no FBI, por quê? — Grissom perguntou um pouco ansioso pela resposta. Ele nunca foi muito próximo dos federais, poderia contar sem problemas as vezes em que trocou farpas com eles; saber o motivo pelo qual sua namorada queria ser uma deles o deixava curioso.
— Nunca tivemos esse momento a sós para conversar sobre algo que não fosse trabalho, não é? Bem... eu... — Sara limpou a boca com o guardanapo e suspirou — minha vida sempre foi complicada, se posso dizer assim. Como você sabe eu fui órfã por um período... — Ela afastou o prato vazio e cruzou os dedos. Grissom atentava para ela a todo o momento — Eu já enfrentei muitos perrengues na vida e vi outros enfrentarem coisa parecida ou pior. — Assentiu — Eu... criei laços com essas pessoas, essa gente "invisível". Mesmo quando Cassandra me acolheu não parei de pensar nisso. — A detetive olhou para baixo brevemente — O tempo passou e eu passei a ter conhecimento de quase tudo que envolvia tráfico humano aqui no país.
Ele não mostrou reação imediata. Por dentro estava um pouco atônito ao ouvir aquilo. Grissom encarou bem o rosto dela e notou que seu olhar estava diferente, mais frio, mais obscuro. Cada vez mais que tinha conhecimento do passado de sua namorada ficava mais surpreso e compreendia melhor o que a movia.
Sara se levantou, pegou seu prato e o dele e os levou até a pia.
— Não se preocupe com isso, deixa que eu lavo a louça. — Insistiu ele, ainda sentado.
— Não tem problema. — Ela persistiu já começando a lavar os pratos. Ficou em silêncio momentaneamente; ameaçou continuar, mas ficou quieta.
Mas ele não queria deixá-la fazer o trabalho. O sargento se levantou e se aproximou ao seu lado esquerdo dela. Quando tocou em seu braço Sara virou-se para ele de repente; o que ele encontrou foi um rosto um pouco avermelhado.
— O que foi, querida? — perguntou devidamente preocupado por vê-la assim.
— Nada!... é que... — Ela balançou a cabeça e forçou um sorriso.
Sem esperar ela terminar de falar, Grissom tirou o prato e a esponja de suas mãos. A mulher baixou o olhar e em resposta ele tocou em seu rosto e o acariciou, trazendo a atenção dela para si. Ao reparar em seus lindos olhos castanhos viu certa vermelhidão neles e se sentiu culpado por ter criado todo aquele clima, provavelmente.
Sara lavou as mãos, sacudiu-as e secou-as num pano. Depois disso esfregou o antebraço em seus olhos apoiou os braços na borda da pia.
— Desculpe. — Sua voz estava meio embargada — Falar sobre essas coisas me deixa um pouco... mexida.
— Não se preocupe, Sara. — Grissom entrelaçou sua mão com a dela. Aquele gesto foi para reforçar que estava ali por ela.
— Talvez seja uma ideia impossível, mas eu quero tentar. Eu quero entrar para o FBI e fazer alguma coisa pra essa gente. — falou mais firme desta vez — São tantas pessoas que são levadas pra longe da família e depois nunca mais retornam...
— Isso não é uma ideia impossível. Só será impossível se ninguém tentar. — Grissom sorriu de lado na tentativa de mudar seu humor.
— Ah... — Ela balançou a cabeça novamente e fechou os olhos. Então se virou e se recostou na pia — Sabe por que disse a você que estava cansada, lá no evento? Por que eu não conseguia enxergar algo totalmente sincero no rosto de muitos lá. Talvez seja um sentimento criado por uma garota que cresceu órfã por boa parte da vida, mas... uma coisa é você fazer um evento de caridade e outra coisa é chamar um monte de empresários para se mostrarem num palco.
Sara deu de ombros e depois cruzou os braços. Grissom ouvia aquelas palavras carregadas de certa angústia e o sentimento de tristeza parecia não passar.
— Talvez eu seja egoísta demais por falar disso já que nunca tive sorte em ser acolhida por uma família, e quando era acabava sendo rejeitada. — A detetive respirou fundo e ficou em silêncio — Ao menos esses garotos vão ter algum apoio pra arranjar algum emprego depois... caso façam dezoito e continuem sós.
Finalmente ela se afastou da pia por alguns centímetros, porém não sabia para onde ir. Voltou com aquele semblante melancólico novamente, cobriu seus braços e esfregou as mãos tentando se aquecer. Recolheu-se. O sargento se aproximou dela e segurou sua mão, segurou firme para que ela se voltasse a ele.
— Você é uma lutadora. — Grissom se achegou a ela, tocou em seu ombro e depois em seu rosto.
— É, — Ela sorriu brevemente ao baixar a cabeça — eu... enfrentei algumas situações... complicadas. — sua voz falhou um pouco.
Ele beijou sua bochecha esquerda.
— Nós somos duas pessoas com muitas feridas do passado, não é, Gil?
— É, nós somos.
A morena ficou frente a ele. Segurou suas mãos e as ergueu até certo ponto.
— Tudo isso que aconteceu... foi tão rápido. — Disse impressionada — Num dia estávamos quase matando um ao outro e semanas depois... aqui estamos nós. — Sara olhou para ambas as mãos.
— Eu não acho que foi rápido. Isso começou há oito anos.
— Acho que tenho de agradecer ao Russell por ter me mandado àquela Conferência. — Sara se afastou dele para ficar frente a frente.
— Você não queria ir?
— Não, mas confesso que valeu a pena cada minuto.
Ele esboçou um sorriso meio sem jeito. Não tinha dúvidas que aceitar o convite de palestrar naquela Conferência foi uma das melhores coisas que fez na vida.
— Quer comer mais alguma coisa? Assistir a um filme? — Ele mudou de assunto alguns segundos depois para não apagar o bom clima.
— Vamos arrumar essa bagunça que a gente criou antes, que tal? — Brincou a mulher apontando para a mesa e para a pia.
Apesar da resposta inusitada, Grissom se sentiu melhor em ver que ela não apresentava mais aquele olhar triste, ainda que no fundo ainda pudesse estar chateada com toda aquela história. Assim como ele sua companheira também carregava algumas marcas ruins do passado.
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Sara estava lá, recostada na cama e esperando por ele. Quando o viu entrar no quarto após "preparar a cama" do Hank a mulher esboçou um sorriso e bateu algumas vezes no lado direito do colchão, convidando-o a se juntar a ela. Ele esboçou um breve sorriso e caminhou em sua direção.
— Estava ficando com saudade já. — Brincou ao observá-lo se aproximar.
— Agora estou aqui, apenas para você. — Ele recostou a cabeça e soltou um suspiro cansado.
Sara tocou em seu peito e se manteve assim por um tempo. Pela sua respiração percebeu que aos poucos ele ficava relaxado.
— Como será que ele consegue dormir com tanto sangue nas mãos? — perguntou ela após um período de silêncio.
Calado de início, o semblante do sargento pareceu abatido.
— Confiança. — respondeu baixo e olhando para a frente. Na verdade ele não queria responder, muito menos que ela tocasse no assunto, ainda assim não a deixaria sem uma resposta — Ele sabe que pode fazer aquilo porque está sempre um passo à frente.
No momento em que ouviu aquela resposta Sara sentiu leve arrependimento por ter citado o assassino.
— Ele não vai ficar assim por muito tempo.
Um meio sorriso foi a reação do sargento na tentativa dela em melhorar seu humor.
— Você está sempre tentando me animar.
— Não gosto de te ver desse jeito. — A detetive tocou no lado direito de seu rosto.
Em resposta ele beijou sua mão e a puxou pela cintura para mais perto ainda. Concentrou-se em seus olhos castanhos, e se pudesse, perder-se-ia neles como alguém se perdia numa floresta encantada.
O sargento acariciou sua bochecha e beijou seus lábios devagar.
— A gente faz um ótimo time, não é? — Ela virou de lado e apoiou-se sobre o cotovelo.
O sargento sorriu e balançou a cabeça brevemente. Então a chamou para mais perto.
— Você é o meu 50%.
Sara abriu aquele sorriso que o deixava hipnotizado. Se olhassem para eles diriam que Grissom e Sara juntos como uma dupla tinha tudo para dar errado. No começo foi assim, tiveram seus conflitos, mas depois conseguiram acertar e se acertar. A história que tiveram no passado foi o ponto-chave que desta vez não seria esquecido por nenhum dos dois.
— Ah é? — A mulher aproveitou a deixa, subiu em cima dele e se apoiou em seus ombros. Depois olhou para o relógio-despertador em cima do criado-mudo: 22h39min.
— As horas passam rápido demais quando estamos juntos, não é? — lamentou ele ao também olhar para o relógio.
— Então o que nos resta é aproveitar cada... — Sara se inclinou para perto dele e completou — segundo. — Quando terminou ela deslizou a língua sobre seus lábios sem pressa alguma e depois se afastou por alguns centímetros.
— Já? — perguntou meio confuso.
— Só queria ver sua reação. — respondeu provocativa.
Sem perceber que ele envolveu sua cintura com as mãos, Grissom puxou-a com certa destreza e beijou sem hesitação. Quando estava perto dela, ainda mais naquela situação, o sargento conseguia abandonar todos os problemas e focar somente na mulher por quem se apaixonou. O tempo era o maior inimigo dos dois então cada minuto, cada segundo que podiam passar era precioso, valioso demais para ser perdido com discussões. As horas pareciam voar quando os dois estavam juntos, mas por outra via quando seus lábios e corpos se uniam aquele casal tinha o poder de parar o tempo.
— Roupa demais. — reclamou ela ao fazer um movimento para tirar a camisa dele.
Sara queria tocá-lo, beijá-lo, sentir seu corpo novamente como da outra vez. A pele dele roçando na sua era como receber cargas elétricas que atravessavam cada canto de si. Ela o ajudou a tirar aquela peça de roupa para ir mais rápido. Ver aquele tórax abaixo dela foi fantástico. A primeira coisa que fez foi tocar em seus mamilos e se apoiar neles para alcançar os lábios do parceiro. A cada minuto junto do sargento tinha mais certeza de não haveria outro homem por quem pudesse ficar tão apaixonada.
— Tira... — Grissom traçava os dedos em suas costas desejando tirar vorazmente aquelas peças de roupa. Seu pedido foi atendido. Com uma pequena ajuda ele ergueu tanto o moletom quanto a blusa e as jogou para longe. Sem nenhum sutiã para atrapalhá-lo ver aqueles seios alvos novamente foi ainda melhor. Ele queria tomá-los em sua boca naquela mesma hora, mas sabia que tinha de esperar, ela estava no comando desta vez. Pôde perceber isso no momento em que ela subiu em cima dele e manteve sua posição. Estava ansioso, não podia negar, mas tudo tinha seu tempo.
Quando seus corpos seminus se tocaram o mundo lá fora desapareceu, perdeu a existência. Não havia nada mais gratificante para eles que compartilhar o amor que sentiam um pelo outro longe dos demais, num universo secreto que os dois criaram e somente eles conheciam.
Sara voltou a beijá-lo chegando a morder e depois lamber seus lábios sedutoramente. Ela sabia que estava o levando a loucura, mas nunca se cansava em provocá-lo. Ela beijou sua bochecha no lado direito depois chegou até seu ouvido onde mordiscou sua orelha. Mesmo que estivesse louco para tomar as rédeas e acelerar todo o "processo", ele preferiu deixá-la no comando.
Grissom resvalou os dedos vagarosamente sobre suas costas causando-lhe arrepios nela, ameaçando descer até sua calça. A morena afastou-se por alguns sorriu desconfiada.
— Você adora fazer isso, não é?
— E você adora me provocar. — retrucou da mesma forma debochada — Então estamos quites. — Ao terminar de falar ele a tomou pela cintura e voltou a beijá-la, mais avidamente desta vez.
— Não consigo resistir a isso, Gil, você sabe.
— Eu também não consigo resistir. Adoro quando você faz isso. — admitiu baixo enquanto dava atenção àqueles lábios rosados. Por muitas vezes perguntava a si mesmo como conseguiu resistir por tanto tempo a uma vida ao lado dela.
Notando que os lábios capturaram a atenção do parceiro, Sara envolveu sua nuca e se aproximou o suficiente para tocar em sua testa com a dela. Observou seus olhos com tanto zelo que poderia se perder em seu olhar. Na verdade, poderia se afogar naquele oceano azul, uma de suas maiores fraquezas; aquele homem era uma de suas maiores fraquezas, senão a maior.
Ela deixou aquelas distrações de lado para se concentrar nele. Provar seus lábios macios e quentes era viciante, mágico. Mesmo sendo complicado, Grissom a fez acreditar no amor novamente, na confiança num relacionamento. Mal percebeu que sorria entre um beijo e outro.
Sara continuou assim até descer em seu pescoço ganhando de recompensa o gemido de seu parceiro. Ela não se contentou com aquilo; voltou a beijar seu pescoço, dessa vez mais lentamente, tão lento que sentiu os pelos daquela região eriçarem. Ele engoliu em seco. Sara não precisava ter muito esforço, qualquer estímulo o deixava louco e pelo visto ela reparava. A mulher percorreu cada canto do pescoço e chupou a região próxima ao ombro esquerdo.
— Céus! — Em reflexo o sargento arqueou as costas — Isso é golpe baixo. — Falou entredentes, repetindo a mesma fala de Sara no outro dia.
— Ah é? Eu não acho. — Sara beijou aquela área e depois chupou a parte mais próxima do pescoço.
— Você-
— Calma. — Ela o interrompeu logo — eu sei que você vai trabalhar amanhã. — A mulher o encarou com um sorriso malicioso. Beijou-o brevemente e foi descendo, do pescoço até o peito onde chupou a área próxima ao mamilo direito. Ela adorava beijá-lo naquela região, adorava prová-lo, sentir sua pele em seus lábios e língua. Se pudesse ficaria um longo tempo fazendo aquilo, mas sabia que iria acabar com toda diversão — Ainda com muita roupa. — brincou ela ao olhar para baixo.
— Você também. — Sem esperar por outra resposta Grissom desceu as mãos por baixo da calça dela e sem muita dificuldade conseguiu tirá-las até o limite que podia.
— Com pressa, hein? — Ela tocou em seus braços e os pressionou.
— Um pouco... animado, eu diria. — Ele devolveu o sorriso intencional enquanto escorregava as mãos na lateral de seu corpo até chegar em suas nádegas e apertá-las.
— Ok, está me convencendo. — Sara apertou o lábio inferior e terminou de tirar sua calça.
— Que bom. — Assentiu ele enquanto observava aquele corpo de cima a baixo. Para ela sobrou apenas a peça íntima da qual o sargento estava doido para tirar. Só que ao invés de fazer isso Grissom puxou-a para si e a beijou apaixonadamente. Incrível como seus corpos se encaixavam perfeitamente, pareciam até que foram feitos um para o outro. O sargento não acreditava nessa história, mas acreditava no amor de ambos; ao menos voltou a acreditar e aquilo já bastava.
Ele deslizou suas mãos pela extensão de sua pele nua enquanto seus lábios tocavam o dela como se fosse a primeira vez. Cada vez que sentia sua língua tocando na dele podia sentir o coração disparar. Estava terrivelmente apaixonado, eufórico, sentia que podia ganhar o mundo. Grissom pressionou seus dedos sobre suas costas querendo-a ainda mais perto, querendo protegê-la do mundo cruel lá fora.
— Amo você. — sussurrou ele. Já não se importava mais em que posição iria ficar, queria apenas continuar aquilo até o fim quando seus corpos finalmente iriam parar e descansar tão próximos como antes.
— Também amo você. — Sara acariciou o lado direito de seu rosto e desceu até chegar ao peito, onde descansou a palma de sua mão.
Os dois trocaram olhares rápidos e foco deles se voltou para a mão dela que desceu ainda mais até chegar no cós da calça do sargento. Ela nem precisou perguntar, tampouco ele precisou falar alguma coisa para que a mulher continuasse. Sara deslizou a mão para dentro de sua calça e pressionou seu membro com vontade. Ele soltou um gemido de satisfação e fechou seus olhos; era impossível resistir, seu corpo estava pegando fogo e ainda lhes sobravam roupas.
— Você quer me matar, não é? — perguntou ofegante e ela não conseguiu conter o sorriso enorme que se formou em sua boca.
— Não, eu quero outra coisa. — falou convicta e com certa malícia. Enquanto o encarava Sara pressionou seu membro novamente.
O sargento mordeu o lábio com força. Cada toque dela em uma área sensível de seu corpo era extremamente recompensante. Grissom tinha uma enorme fraqueza por ela, que conseguia destruir suas muralhas em pouco tempo. Não era qualquer pessoa que tinha esse "poder sobre ele".
— Fique à vontade, então. — debochou o sargento. Ele arqueou as costas e fez um movimento para tirar a calça.
No meio do caminho Sara, ligeiramente, também desceu a cueca dando uma "ajudinha" ao parceiro. Olhando para baixo mal percebeu que soltou um breve gemido de satisfação.
— Você também está animada, não é, querida? — disse ao chutar as roupas para fora da cama. Grissom também foi ligeiro, ele deslizou as mãos para dentro do tecido da calcinha e puxou a peça para baixo, só que dessa vez lentamente só para pagar a provocação na mesma moeda.
— Bastante. — Ela observou suas mãos o tempo todo. Só se moveu para retirar aquela última roupa e então estavam livres — Proteção? — Sugeriu, o que na verdade era um pedido. A primeira vez foi maravilhosamente boa, mas eles não podiam se dar ao luxo de arriscar. Já estavam arriscando suas carreiras ao assumirem um relacionamento daquele, então todo cuidado era pouco.
— Primeira gaveta.
Sara não iria deixá-lo sair de uma posição tão confortável, ao menos para ela. A detetive gesticulou a ele se poderia fazer esse "favor". Sem pensar duas vezes o sargento apontou para sua direita. Em pouco tempo ela abriu a gaveta e retirou o preservativo. Mesmo tendo a vontade de aquilo por conta própria ela entregou a ele que tratou de se proteger logo.
— Sabe, — falou Sara após guiar seu membro para dentro dela. A mulher mordeu a língua, fechou os olhos brevemente e depois se inclinou para perto dele — nunca pensei que... pudesse amar alguém como — Ela se afastou e investiu sobre ele — amo você.
Sara não era o tipo de pessoa que se declarava com facilidade, muito menos naquela situação. Só que ela se sentia tão bem, tão livre que as palavras saíram de sua boca facilmente, ainda que da forma mais sensual. Grissom ouviu àquilo tudo de olhos fechados. Tentou se conter, mas não conseguiu segurar o gemido quando os dois se uniram. Ele abriu os olhos quando ela terminou de falar e tocou em sua nuca, chegando a deslizar alguns fios de cabelo em sua mão. Com a outra mão ele tocou em suas costas e a trouxe para si. Beijaram-se devagar e então começaram a mover seus quadris da mesma forma.
Eles aprofundaram o beijo e moveram-se em sincronia como se já se entendessem há muito tempo. Num espaço tão pequeno era quase impossível seus lábios ficarem distantes; ambos se atraíam e não havia nada que pudesse impedi-los de estarem juntos.
O sargento baixou ambas as mãos e foi descendo. Tocar em cada curva de seu corpo o deixava louco; só de sentir suas mãos tocando sua pele nua fazia seu coração palpitar mais rápido. Ele chegou às nádegas e as apertou ao mesmo tempo que a puxou para uma investida mais profunda, mais rápida desta vez. Ela soltou um gemido ao sentir suas mãos grandes e quentes apertando-a com vontade e delicadeza. Percebeu, também que ele queria ir mais rápido, mas de contramão ao desejo dele, Sara diminuiu o ritmo do beijo e afastou o rosto. Grissom olhou confuso para ela, que não respondeu; ao invés disso sentou-se em cima dele e se ajeitou de modo que pudesse ficar confortável. Ela tocou em seu peito com ambas as mãos e tomando apoio para investir sobre ele.
Grissom não podia beijá-la daquela posição, era verdade, mas não significou que não ficou chateado, muito pelo contrário. Dessa forma tinha a chance de admirar seu belo corpo. Ela era perfeita, cada centímetro de seu corpo era perfeito.
Sara ainda queria continuar com o mesmo ritmo lento, ao contrário da outra vez. Estava calma, paciente, sem deixar transparecer que cada parte de si queimava de prazer.
— Desculpa, eu- estou gostando de ir com calma. — falou ela quase perdendo a voz.
— Continua. — O sargento tocou em suas mãos e subiu aos poucos até chegar aos mamilos dela onde os acariciou tão lentamente quanto o modo que ela conduzia o ritmo.
Sara ergueu o corpo até certo ponto e depois desceu novamente. Ele mordeu o lábio inferior e gemeu em resposta. Mesmo adorando vê-lo assim ela sabia que uma hora ele iria perder o controle e que fazia de tudo para se conter. Então de uma hora para outra a mulher acelerou o ritmo. Mais rápido. Ela viu um sorriso se abrir nele enquanto estava de olhos fechados.
— Agora tá bom pra você?
Grissom segurou-a pelos quadris e arqueou o corpo para penetrá-la ainda mais fundo. Ela gemeu e se inclinou para trás.
— Está. — Sorriu ele.
Eles mantiveram aquela posição por algum momento. O corpo de Sara vibrava de excitação numa onda que talvez nunca sentiu antes. Já ele nunca sentiu aquilo. Não se lembra de nenhuma vez que experimentou sensações como aquela, e como poderia pensar num momento como aquele? Não era somente o sexo que causava esse turbilhão de sensações em cada centímetro dele, era muito mais que isso. Era o fato de que estava junto de alguém que seu corpo, mente e alma gritavam para amar desesperadamente. Aquilo era muito mais que fazer amor.
O sargento tomou impulso no colchão e se levantou para ficar mais perto dela. Sara até pensou em "empurrá-lo", mas o deixou ali, bem próximo dela. Os dois trocaram olhares breves e Grissom beijou seus lábios delicadamente.
— Você é tão linda, Sara... — disse entre um beijo e outro. Depois ele foi descendo; beijou a bochecha, o pescoço, passeando seus lábios carinhosamente até que chegou ao seio esquerdo e o tomou pela boca.
Não tinha como ela querer aquele homem distante depois daquilo. Sara mal conseguia mover seu corpo e continuar investindo sobre ele; enquanto Grissom possuía um de seus seios ela se mantinha em transe e querendo muito mais. Enquanto podia ele escorregava sua língua por entre o bico do seio e a mulher não conseguia segurar o gemido satisfatório. Ela não pôde ficar ali parada o tempo todo, tinha que fazer algo. Então apoiou-se em seus ombros e envolveu seu pescoço. Ao mesmo tempo ele tomou o outro seio com a boca e fez a mesma coisa.
Respirações estavam pesadas, mas era pelo calor do momento. Era tão bom ser envolvido por ela de todas as formas. Grissom queria viver naquele momento, queria que o tempo parasse literalmente para que aproveitasse estar dentro dela e amá-la. Ele beijou seu peito, sua clavícula e recostou a testa nela. Beijou seu peito mais uma vez, era impossível resistir, e finalmente ergueu a cabeça para encontrá-la. Ela sorriu e deslizou a mão direita em sua testa e foi descendo pelo traçado de seus cabelos. Seus lábios se encontraram num beijo apaixonado e logo depois eles moveram seus quadris e continuaram as investidas, mais rápido dessa vez. Estavam próximos de chegarem ao clímax e com um desejo mútuo de acelerarem.
Os dois mantiveram o ritmo até o momento que ela atingiu o orgasmo e quase gritou em êxtase. Teve que se segurar para não causar nenhum possível alarde. O sargento deixou escapar um sorriso; ele segurou o rosto com ambas as mãos e beijou seus lábios. Não demorou para que ele também chegasse ao clímax, pouco tempo depois dela. Ofegante, Sara o empurrou para trás e se juntou a ele; estava exausta assim como o parceiro, mas aquele cansaço valia a pena.
Quando se separaram ela beijou carinhosamente seu peito e depois os lábios. Ele a envolveu nos braços. Brincando com seu queixo ela sussurrou:
— Eu quero você... pra sempre.
— Não precisa pedir. — Ele respondeu da mesma forma, sorrindo no final.
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