Manhattan's Girl Vol. 1

38 Welcome Back In Home


- Você não sente nem um pouco de culpa por forçar Heloise a voltar para casa? – Haven perguntou à mãe enquanto o BMW preto parava na porta do Aeroporto Internacional John F. Kennedy. Patrícia Geller encarou a filha.

- Querida, não é o fato de querermos tirá-la da New Baskerville Academy, o fato é que não podemos sustentá-la em Londres. – Ela sussurrou a ultima parte. Patrícia saiu do carro e arrumou a saia lápis preta. Haven saiu logo atrás. – E depois, ela deveria morar conosco por um tempo.

- Mãe, Heloise não vai se acostumar com Nova York. O mundo dela é Londres, não Manhattan. Heloise passou, praticamente, a vida toda na Inglaterra. É mais inglesa do que americana. – Haven disse ganhando um olhar de reprovação da mãe.

- Hav, tem algum motivo para que você não queira que Heloise volte?

- Não, mãe, mas...

- Então pare de ficar procurando motivos para deixá-la em Londres. Seu pai e eu já decidimos. E não há nada que você possa fazer para mudar isso.

Haven suspirou, derrotada. Ela amava a irmã, tanto que não queria que ficasse triste por abandonar tudo na Europa. Queria Heloise perto, mas sabia que ficaria mais feliz na New Baskerville.

O painel de chegada e saída brilhava no portão B de desembarques internacionais. Haven viu o número do voo da irmã piscar e viu que a aeronave já estava no solo.

Enquanto Heloise não desembarcava, Haven pensou na proposta de Alison. Se o sr. Bridgeman investisse na petrolífera já ajudaria muito. E se todos os pais dos seus amigos investissem, mesmo que um pouco, salvaria a empresa. Alison era a melhor amiga do mundo!

Hum, se você diz.

As pessoas começaram a aparecer e a pegar as suas malas. Haven identificou uma cabeça com cabelos muito louros e um rosto familiar. Heloise parecia, mais do que nunca, uma boneca de porcelana. A pele muito branca dispensava qualquer tipo de maquiagem, os longos cabelos louros e lisos abrigavam uma fina tiara de veludo vermelho. A saia preta drapeada na metade das coxas contrastava com a blusa branca de botão, nos pés a sapatilha envernizada preta e branca Chanel batia lentamente no chão e no braço direito pendia uma bolsa vermelho sangue Dolce & Gabbana. Ela era a cópia da irmã.

Aham. É de família.

Heloise pegou a única e gigantesca mala Louis Vuitton e saiu da sala de desembarque Haven pode ver os olhos vermelhos e inchados da irmã quando ela correu para seus braços deixando Patrícia boquiaberta.

- Haven, ah!, Hav. Não quero morar aqui! Quero voltar para Londres. – chorou ela no ouvido da irmã, com sotaque britânico. – Faça papai e mamãe mudarem de ideia, por favor.

- Oh! Helo, eu já tentei, falei tudo, mas eles não me ouvem. Haven olhou para os olhos marejados de Heloise. – Sinto muito. Mas, olha, eu vou fazer de tudo para conseguir investidores para a empresa e logo, logo você vai estar em um daqueles ônibus vermelhos, tomando chá e olhando para o Big Ben enquanto ouve God Save The Queen, ok?

- Oh! Haven, e minhas amigas? A New Baskerville? Minha sala ficou sem uma representante, o grêmio estudantil sem presidente.

Haven franziu o cenho. Parecia que estava ouvindo Alison se saísse da Brannemark. Ela olhou para a mãe, que tinha a testa franzida, como se pedisse uma ajuda.

- Helo, olha só, está tudo bem. Você vai morar aqui por pouco tempo. Vai para a Brannemark e conhecer amigas novas, mas vai voltar à Londres quando tudo isso acabar. Eu prometo, ok? – Haven passou a mão pelos cabelos lisos e longos da irmã. Heloise assentiu tristemente e depois virou-se para a mãe que assistia tudo boquiaberta.

Haven e Heloise encararam a mãe em silêncio. Patrícia olhava para a filha mais nova com um olhar um tanto culpado. Sabia que o que acontecera não fora sua culpa, mas sentia como se fosse. Não queria ver as filhas infelizes, mas também não queria ver o negócio da família ir por água a baixo. Então, era preciso abrir mão de certas coisas.

- É tudo sua culpa, não é? – Heloise falou baixo e suavemente. A sra. Geller negou com a cabeça.

- Heloise, não é culpa minha se os investidores retiraram todo o dinheiro. Seu pai é o diretor, fale com ele. – Patrícia respondeu no mesmo tom.

- Se você não comprasse casacos de pele de dois mil dólares sapatos e bolsa incrustados de pedras, talvez não estivéssemos nessa situação!

- Não fale assim comigo, mocinha! Se tem alguma pessoa culpada por aqui, esse alguém é seu pai. Ele é quem administra isso, não eu. E aceite essa situação, Heloise! É por pouco tempo!

- Você fica aí, culpando papai, mas aposto como foi você quem deu essa ideia a ele! – guinchou Heloise. – Você sabe o quanto eu gostava de Londres e há tempos vem querendo me trazer de lá. – Ela piscou os olhos azuis claros, frustrada. – Parece que quer me ver infeliz!

- Não diga isso! Não quero vê-la infeliz, mas isso é para o bem de nossa família.

Haven observava a mãe falar a irmã chorar. Era doloroso ver aquela cena. Ela sentiu uma onda de raiva subir pelo seu corpo. Era tudo culpa daqueles investidores filhos da puta nojentos.

Heloise olhou para a mãe, com a testa franzida e uma lágrima descendo pela bochecha.

- Odeio você.