Manhattan's Girl Vol. 1
10 Um Amor Termina. O Outro Começa.
– Você precisa parar com isso, Stacy! Esse ciúme idiota me deixa louco. — exclamou Josh Thornton para Stacy Schenberg.
Ela meneou a cabeça e suspirou. Ela não tinha culpa se todas as garotas de Manhattan eram a fim do namorado dela. Tudo bem, é um exagero, já que metade delas colocavam todas as suas fichas em Nick Burckhardt. Stacy também não tinha culpa se ela não queria levar um lindo par de chifres por causa do namorado leviano. Por isso ela era ciúmenta. Era o jeito dela.
O Three Guys Coffee Shop estava extremamente cheio naquele fim de tarde. A cafeteria estava apertada e abafada, mesmo com o vento frio do outono que invadia casualmente o lugar com a entrada ou a saida de algum cliente.
Josh e Stacy estavam sentados em uma das mesas no fundo da loja. Stacy girava uma garrafa de Gatorade na mesa e olhava para o lado de fora do Three Guys.
– Qual é, Josh? Vai me dizer que não ficou olhando para Alison no treino de tenis hoje? — Stacy piou jogando a ponta do rabo-de-cavalo para trás. — Ai, engana que eu gosto.
– Como eu posso dizer alguma coisa se você não caredita no que eu falo? — Josh bateu com as mãos na mesa de madeira assustando algumas pessoas próximas a eles. — Eu não estava olhando. Você sabe disso.
– Você ainda gosta dela? — perguntou Stacy. Josh se calou e segirou o copo do seu expresso. Stacy arregalou os olhos amendoados. — Você gosta! Ai meu Deus, Josh! Como eu pude ser tão estúpida?
– Não! Não gosto. Stay, você sabe que não. Estou com você agora, não estou? — Josh pegou na mão dela, mas Stacy puxou-a rapidamente. — Ei, por que não acredita em mim?
Ela o encarou desconfiadamente. Depois, olhou para uma uma garota ruiva de uns 16 ou 17 anos que entrara na cafeteria com o celular e um notebook nas mãos. Seu olhar fulgou para Stacy e Josh por um momento e depois ela olhou para a rua.
– Josh, vi o modo como você olhava Alison no jantar da mãe de Megan ontem. — Ela disse suavemente olhando nos olhos cor de caramelho dele. — Estou falando sério.
Josh a observou por alguns instantes. Ele bebeu o que restava do expresso e apoiou a cabeça nas mãos. Depois, a ergueu e murmurou:
– Stacy, isso não está dando certo. Se for continuar assim, é melhor não ficarmos mais juntos. — Ele juntou as sobrancelhas.
– Lamento, Josh, mas eu sou assim. — Ela franziu o cenho. — Não tinha como dar certo.
Ele se levantou da mesa e o olhar de Stacy o acompanhou.
– Espero que nós continuemos amigos depois disso. — Ela sorriu sem graça.
– É, eu também. — Josh deu as costas e saiu da loja, deixando a ex-namorada vendo-o partir.
– Ah! Você também tem esse livro? — Megan perguntou erguendo Anjos e Demônios de Dan Brown. — É um dos meus livros favoritos.
Até parece. Megan odiava ler, a não ser revistas de moda como a Vogue ou a W, ou de fofoca como a Page Six. Ela mal conseguia ler os livros do colégio e só conhecia a história de livros como Guerra e Paz, Orgulho e Preconceito e O Código da Vinci porque assistira os filmes.
Dave sorriu.
- Gosto desses livros que mexem com ciência e religião. — disse ele colocando café em duas canecas. — Se você procurar por ai, vai encontrar todos os livros de Dan Brown. — Meu pai gosta de dizer que o gosto por literatura é de família.
Megan demorou um pouco para entender o comentário, mas aí prestou atenção no sobrenome do de Dave e do de Dan — Brown — e deu uma risadinha.
Ôôô da menina lenta.
Ela devolveu o livro para a prateleira de madeira e observou Dave se sentar no sofá verde-escuro puído. Meg se sentou ao lado dele e pegou uma caneca de café branca.
O loft dos Brown era grande e não era pintado há anos. A tinta verde da porta estava descascando e havia rachaduras no teto e nas paredes. Para algumas pessoas ele seria considerado até um lugar bonito com clarabóias e enormes janelas ensolaradas. Para outros poderia parecer um grande sótão sujo e mal-arrumado, com revistas e jornais velhos espanhados pela casa e potes de tintas vazios. De vez em quando a mãe de Dave, Rebecca, contratava um serviço de limpeza, mas depois de alguns dias voltava a ser tudo como era antes.
Megan olhou para um livro preto e de letras pratas na estante. Parecia ser velho, com a capa arranhada e orelas em algumas das páginas.
- Mas que tipo de livro é O Suicídio? — indagou ela pegando o livro. — Ach que eu já ouvi falar nesse escritor em algum lugar... Émile Durkhein? Onde foi?
- Nas aulas de Sociologia. — respondeu Dave. Ele abaixou a caneca na mesinha de centro. — Meu pai gosta de estudar as pessoas, o pensamento capitalista. Essas coisas. Ele é meio maluco.
Megan sentou-se novamente no sofá e olhou para a Ponte do Brooklyn.
- Eu achava que gente como você não vinha ao Brookly. — Dave murmurou. — O que veio fazer aqui?
- Já disse. Vim comprar umas roupas. Tem umas lojinhas bem... vintage por aqui. — Meg bebeu o café.
Dave queria poder saber o que significava vintage. Ele fitou os olhos esverdeados de Megan e deu um sorriso. Ele nunca havia percebido o quanto ela era bonita, com os cabelos loiros e os olhos verdes. De repente ele se sentiu mal por ter sido rude com ela no ano anterior, quando ela oferecera ajuda. Ela só estava tentando ser gentil e ele foi totalmente mal-educado.
- Pensei que você e suas amigas fossem à Quinta Avenida e não ao Brechó da Sra. Hamdan.
- Bom, só eu vou ao Brechó da Sra. Herman. — Ela disse trocando o nome da mulher e fazendo Dave franzir o cenho, rindo. — Acho que eu sou meio diferente delas.
Ele a fitou, sorriu e murmurou:
- Acho que você é realmente diferente.
Ela percebeu nos olhos dele o que ele iria fazer. A mão de Dave foi para o rosto de Megan e os lábios dele encostaram nos dela.
Ah! Consegui! Sou foda. Ele gosta de mim..., pensou Meg rindo por dentro.
Às vezes, para uma pessoa ficar feliz a outra tem que ficar triste.
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