Manhattan's Girl Vol. 1

8 Todos Precisam De Um Choque De Realidade


Alison correu para a portaria do prédio branco e de vidro na Quinta Avenida após a sua aula de tenis. Agora que ela deu um tempo com Nick, ele não levaria por algum tempo Gatorade para ela, nem carregaria a bolsa preta e rosa Nike dela... Ai, como isso era difícil.

Ela estava louca para tomar um banho e se livrar das roupas suadas. Ela estava cansada, tanto fisica quanto mentalmente. Desde que conversou com as amigas sobre o problema de Haven, ela não deixara de pensar em como resolver o problema. No treino, ela errou saques, furou a rede e irritou a Treinadora Manson. Não conseguia se concentrar. Mas ela não podia deixar a sua melhor amiga sair do colégio. Nossa! Aquilo a matava.

Ela entrou na enorme cobertura dos Bridgeman e viu uma parte da família na sala mortalmente silenciosa. As tias Elena e Carol estavam sentadas em um dos sofás cor de chocolate de frente para Elizabeth e os tios Harold e Nathan, estavam em pé ao lado da escada, conversando com o pai de Alison, Richard.

Era estranho ver os tios ali, pois eles quase nunca iam visitá-los em Nova York, a não ser que fosse caso de vida ou morte. Eles moravam na Europa e nunca se davam ao trabalho de dar notícias e nem mesmo um presente de Natal ou aniversário. Elena e Harold moravam em Londres e tinham dois filhos, Jennifer e Clive, que eram as crianças que Alison mais repudiava na vida. Carol e Nathan moravam em Estocolmo e tinham Charlotte, a garotinha mais doce e amavel que ela ja conhecera.

Alison abaixou a bolsa Nike na porta do vestibulo e andou para perto da mãe, que estava parada perto do bar.

– Haan... Oi, mãe. O que tá havendo? — Alison perguntou olhando para as tias sentadas no sofá.

Elizabeth não respondeu e sentou-se em uma das banquetas pretas. Alison foi para as tias que além da expressão triste que estampava o rosto delas, tinham um olhar de preocupação.

– Oi, tia Elena. Oi, tia Carol. — Alison disse abraçando as duas. — O que está acontecendo?

– Ah! Olá, Alison. — Elena disse com sotaque inglês. — Querida, acho melhor você perguntar isso para a sua mãe depois. Ainda estamos muito abalados com tudo isso.

– Alison, meu anjo, pode ver como Charlotte está? — Carol perguntou. — Ela está no seu quarto.

– Ahn... tudo bem.

Alison acenou para os tios antes de subir a escada e entrar no corredor de quartos. O seu era o segundo e a porta estava entreaberta. Ela podia ouvir a musiquinha irritante dos Backyardigans.

– Oooi, posso entar? — perguntou ela colocando a carinha de boneca pela fresta da porta.

Charlotte virou-se e abriu um soriso radiante para a prima. Os olhinhos verdes piscaram e ela saiu correndo para abraçar Alison.

– Alison! — gritu Carlotte fazendo o nome da prima ecoar pelo corredor vazio. — Estava com saudades.

– Eu também, Charlie. — Ela abraçou o corpinho de 4 anos. — Ei, sabe o que eu tenho aqui? — Alison levantou-se e entrou no closet. Ela saiu de la com um urso panda de pelúcia.

– Olha! Peter, o panda! — guinchou Charlotte ao ver o urso que elas havia ganhado quando foram à Disney.

– Ei, Char, você sabe o que está acotecendo lá em baixo? Tipo, tá todo mundo com cara de enterro. — Alison sentou-se no chão com a garotinha.

– A vovó passou mal e ela está no hospital. O vovô está com ela lá. — Charlotte abraçou o panda velho. — Parece que ela está realmente ruim.

Alison franziu o cenho.

Vovó está doente?, perguntou-se ela fitando o vazio. Ela não conseguia acreditar. Laura Karlson, mãe de Elizabeth, Carol e Elena, era uma mulher tão saudável, cheia de vida. O que poderia ter acontecido para ela estar nesse estado?

Alison era muito apegada com avó, antes de ela se mudar para Estocolmo com tia Carol. A Sra. Karlson sempre brincava com Alison quando ela era pequena, lhe dava muitos presentes e a levava para ver os patos no Central Park. O que havia acontecido?

Alison piscou para a prima, qua a olhava idagativa, mexendo em um cachinho do cabelo. As sobrancelhas louras estava erguidas e os olhinhos verdes fixos no rosto de Alison.

– Char, fique aqui um pouquinho, o.k.? Eu já volto. — Alison saiu do quarto arrumando o uniforme de tenis Lily Pullitzer e desceu as escadas correndo. Ela foi para o lado da mãe. — O que houve com a vovó? Mãe!

Elezabeth desatou-se a chorar, deixando a filha sem resposta. Alison correu para o pai e os tios.

– O que está acontecendo? Eu tenho que saber! — exclamou ela batendo os pés no chão. Os tios a olharam como se não quisessem assustá-la com algo. O Sr. Bridgeman apenas desviou o olhar para o Cental Park. — O que aconteceu?!

– A sua avó, Alison, bom..., ela está internada no Lenox Hill... — Richard Bridgeman começou a falar.

– E o que... o que aconteceu?

– Sua avó foi diagnosticada com... Esclerose Múltipla. — tio Nathan falou abaixando a voz para um sussurro.

Uma pequena lágrima desceu do olho azul de Alison e rolou pela sua bochecha.

Ela sabia o que era esclerose múltipla. Uma doença degenerativa que a pessoa perde os sentidos, a capacidade de locomoção e, em alguns casos, a memória. Alison olhou para o vaso de cristal cheio de peônias sem ver nada. Não pode ser., pensou ela, tentando respirar continuamente.

– Sinto muito, querida. — o Sr. Bridgeman murmurou olhando para a filha e colocando uma mão no ombro dela. Ele colocou a outra no bolso da calça Hugo Boss.

– Sabemos o quanto você gosta dela. — tio Harold murmurou sorrindo solidáriamente para ela.

Alison estava estupefata. Como? Como podiam ter deixado aquilo acontecer? Não podiam ter visto isso mais cedo? Diagnosticado mais cedo? Ela estava triste e, ao mesmo tempo, revoltada. Não podiam tirar a avó dela. Não podiam. Ela não iria deixar.

Alison puxou o celular do bolso e discou um número.

Atenderam no quarto toque.

– Consultório da Dra. Evelyn Orwell. Em que posso ajudar?

– Sou Alison Bridgeman. Preciso falar com a Dra. Orwell. Urgente!