O Star Lounge do Tribeca Star Hotel era grande e presunçoso, cheio de confortáveis poltronas, sofás e banquetas circulares, onde a maioria de elite jovem de Manhattan gostava de ir para dar uma fugidinha da vida durante a semana.

Uma parede era iluminada por dezenas de velas pretas espalhadas bruxuleando na sala meio escura, e o DJ tocava um terrível som estridente em uma mesa de som num canto. Eram só oito horas, mas o bar já estava cheio de gente, vestida na moda atual e bebericando os seus coquetéis em tons pastéis.

Alison conseguiu com dificuldade encontrar um lugar vago nas banquetas pretas do bar. E agora ela estava entre uma mulher loura oxigenada e plastificada e um homem quase obeso que suava nas axilas e nas costas.

Misty, a garçonete idiota que atendera Alison, colocou mais uma taça de dry martíni na sua frente e saiu sem dizer nada. Alison não estava nem ligando – ela precisava de mais um drinque.

Desde o fora que levou de Nick, Alison não falara com mais ninguém. Nem mesmo com Haven. Ela queria ficar sozinha, sem ninguém a perturbando. Sem que ninguém a lembrasse do humilhante acontecimento daquele dia.

Ela pescou a azeitona no fundo da taça e enfiou na boca, franzindo o cenho para um remix Madonna/Britney que o DJ estava tocando. Não queria ficar ali, mas também não queria ir para casa e encarar as perguntas irritantes da mãe.

Então, chegamos a um impasse.

Alison viu o cara obeso sair do seu lado e outra pessoa sentar no seu lugar, e ela imediatamente desejou que o gordo voltasse. Misty apareceu de repente.

- O que vai querer, sr. Thornton?

- O de sempre.

Olhando para o lado, Alison viu Josh, incrédula com a sua capacidade de ser cara de pau.

- O que você quer, Josh? – Alison perguntou com raiva, cerrando os punhos.

- Não posso mais sair para beber? – Ele pegou o copo de uísque sem gelo que Misty acabara de deixar e bateu na taça de martíni de Alison. – Saúde!

Mesmo com raiva, Alison se permitiu perceber o quanto Josh estava gostoso. Ele vestia calça social Antonio Berardi, camisa social Armani e sapatos de couro brilhante Prada. Estava social, mas de um jeito casual que só ele conseguia ficar. Os cabelos castanhos estavam bagunçados de um modo que focava completamente sexy. E a expressão facial era séria e, ao mesmo tempo, divertida e sedutora. Alison imaginou Josh na cama... mas tratou de logo afastar o pensamento leviano. Ela ainda puta com ele.

- O que você está fazendo aqui sozinha? – perguntou ele apoiando o braço com o copo no balcão. – Por que não convidou Megan ou Stacy para vir com você?

Alison o fitou, imaginando se a imbecilidade de Josh teria fim.

- Por que você não volta para o lugar de onde veio, estúpido?

- Porque já estou nele.

- Você não se cansa de atrapalhar a vida dos outros, Josh?

- Assim você me ofende, srta. Bridgeman. – Josh sorriu maliciosamente. – mas mudando de assunto, o que foi aquela declaração de amor para Nick hoje?

“Argh! Só me faltava essa.”, pensou Alison girando os olhos e bufando.

- Ainda tinha esperança de que ele fosse voltar comigo, mas depois de hoje, acho que ele não quer nem ouvir falar no meu nome. – Alison tinha as sobrancelhas escuras unidas. – E isso é tudo culpa sua.

- Rá! Minha culpa. É. – Josh riu. – Quantas vezes você quase transou com ele, mas Nicholas dava para trás?

- Não vou falar da minha intimidade par você! – exclamou ela fazendo cara de menosprezo. Alison bebeu o que restava do martíni e colocou a taça na mesa. Misty apareceu novamente. – Ketel One e tônica.

Essa era a parte boa dos lounges de hotéis. Eles jamais pedem a sua identidade. Não seria bom procurar confusão com os filhos dos sócios.

- Ele não te deu o devido valor. Se estivesse comigo, já teria perdido a virgindade.

- Você me dá nojo, Thornton.

Levantando-se, Alison jogou uma nota de vinte dólares no balcão. Ela cambaleou nos saltos 12 de acrílico Louis Vuitton e Josh a segurou pelo braço.

- Me solta, Josh. Vou para casa.

- Não, você não vai. Está bêbada.

- Não estou, não.

E realmente não estava. Ela só tinha bebido quatro dry martínis e isso não era o suficiente para deixa-la bêbada. Ela iria para casa, tomaria um banho e iria se jogar na cama, esperando esse pesadelo acabar.

- Passe a noite na minha suíte e de manha eu te levo para casa.

Alison encostou o rosto no peito forte de Josh e ele a envolveu com os braços.

- Só se você dormir comigo.

Josh sorriu e andou ao lado dela até o elevador, indo para a cobertura.