Manhattan's Girl Vol. 1

13 Nem Tudo É Como Queremos


Megan olhou timidamente para Roger Brown, pai de Dave, enquanto ele sorria maliciosamente para o filho, que estava ao lado dela.

Os Brown e Meg estavam sentados na mesa da cozinha e comiam uma tábua de frios. O Sr. e a Sra. Brown tinham acabado de chegar da galeria e quando entraram em casa, viram Megan e Dave no maior amasso. Ela ficou vermelha de vergonha e Rebecca Brown, mãe de Dave, ficou sem graça.

– Então, vocês tem uma galeria de arte? — Megan pegou a taça cheia de vinho tinto barato. — Eu adoro arte. Sempre que posso vou ao Met ou ao MoMA.

Ela queria parecer intelectual, falando de livros, quadros, música e coisas desse tipo, mas a verdade era que ela odiava ler, ir ao museu era uma tortura e música, nada de clássica.

Parabéns, Srta. Inteligente.

– E qual a sua ala favorita? — Becky Brown perguntou mordendo o lábio inferior.

– Ahn... Acho que... hum, a ala Egípcia. — respondeu ela sem saber ao certo o que estava falando. Ela lembrou-se da ala em se serviram o tradicional brunch no último domingo. — É, a ala Egípcia. Adoro aquelas múmias, quer dizer, sarcófagos.E é tudo tão dourado, isso me lembra ouro. E eu adoro ouro.

Ai meu Deus, já estou parecendo de novo uma riquinha do Upper East Side. Melhor ficar de boca calada., pensou ela meio desesperada.

– E quais os seus pintores favoritos? — perguntou o Sr. Brown.

Megan gelou. Ela não sabia o nome de nenhum pintor. Meg sempre queimava as aulas de arte. Ela sempre se perguntava qual seria o nome deles quando via os quadros esquisitos na casa de Nick. Ela tentou pensar no nome de qualquer um. Tolstoi? Não esse era escritor.

Como ela sabia disso?

Mozart? Esse era músico. Qual era o nome daquele que pintava ao contrario? E o outro que não tinha uma orelha?

– Gosto daquele que pintava invertido, olho na orelha, boca no nariz...

– Está falando de Picasso? — Dave riu para ela.

– Exatamente! — respondeu ela. — Também tem aquele que não tinha... hum como era o nome dele?, humm... é Van Gogh!

Os Brown riram da falta de cultura de Megan. Eles sabiam que ela não gostava de nada do que falara, mas eles viram que ela estava tentando causar uma boa impresão. Além disso, ela era engraçada e se interessava — ou pelo menos fingia que se interessava. — elas história chatas e bobas dos Brown.

– E seus pais? O que els fazem? — a Sra. Brown perguntou comendo algo que Megan não sabia o que era.

– Meu pai é empresário no ramo de confecçõese minha mãe é formada em direito, mas não exerce. — Megan franziu o nariz para o vinho. O sabor era horrível! — E agora eu vou ganhar um irmão, ou irmã, sei lá, tanto faz.

Ela se ouviu falando aquilo que ninguém havia perguntado. Ela gostava da ideia, mas não podia falar que odiava o bebê. Eles iriam ficar assustados.

– Oh! Eu... Parabéns para você e seus pais. — a Sra. Brown sorriu estranhando.

Megan abaixou os olhos para o chão. Não sabia se queria ter um irmão. Um bebê. Dentro de casa. Ela perderia seu posto de "queridinha da família" e teria que aguentar choros, fraldas sujas, baba de criança e pedidos de "Meg, vamos brincar?" Era um pesadelo. Ela queria poder acreditar que estava mesmo sonhando e que a qualquer momento ela acordaria e ainda seria a filinha do papai e a queridinha da mamãe.

Os Brown se entreolharam, perguntando-se sobre a súbita mudança de humor de Megan. Roger indicou a porta discretamente para o filho como se dissesse: Ela precisa dar uma volta.

– Meg, você quer dar uma volta? — Dave se levantou da cadeira.

– Ah, sim. Pode ser. — Ela sorriu para Roger e Becky.

A gente não pode ter tudo ao mesmo tempo. E M. que diga isso.



– Por que não atende essa porra? — Alison guinchou para si mesma enquanto tentava ligar para a mãe. Ela jogou o iPhone de volta para a bolsa e olhou para o Central Park mais a frente.

– O que disse, senhorita? — o motorista do táxi perguntou olhando-a pelo retrovisor.

– Não estava falando com você. — resmungou ela.

O trânsito estava literalmente parado, os carros buzinavam, as motos passavam cortando todos e Alison via o taximetro aumentar cada vez mais.

Ela poderia sair do carro e ir andando para casa, mas ela com certeza não queria sentir o peso do clima que estava em sua sala de estar. E ela tinha a opção de ir para o Central Park, o que era bem mais convidativo do que a outra. Ela poderia caminha e pensar um pouco no que estava acontecendo.

Alison puxou 50 dólares da carteira Chanel e jogou no banco do passageiro.

– Aqui está bom. Fique com o troco. — Ela saiu e bateu com força a porta do carro.

Uma rajada de vento frio bateu no rosto de porcelana de Alison e despenteou os cabelos castanhos. Ela enrolou-se no casaco e foi andando rapidamente para o parque. O sol estava apino, mas mesmo assim o frio chegava impiedosamente.

Alison sentiu o vento gélido mordendo o seu rosto e ela apertou o passo, batendo as suas botas caramelo Miu Miu no chão.

O Central Park era um dos lugares favoritos para Alison, assim como a Quinta Avenida, em Manhattan. Era tudo tão naatural e tinha o cheirinho de natureza que emanava das árvores. Por mais que ela odiasse acampar e florestas, ela amava o parque. Era como ter um edacinho da floresta perto de casa, só que mais limpo e organizado.

O lago dos patos era o seu lugar favorito no Central Park. Desde pequena, quando seus pais ou a avó não estavam Nova York, Demetria, a empregada dos Bridgeman, levava-a para vê-los. Fora praticamente Demetria quem criara Alison, quando sua mãe passava a maior parte do tempo na loja de sua marca ou no atelier, e quando Richard viajava pelo mundo fiscalizando as suas construções. Elas saiam de casa com pedaços de pão e iam dar aos patos do Central Park no final da tarde. Era quase uma tradição.

Alison sentou-se no mesmo banco verde que sentara durante 16 anos de sua vida. De repente, tudo pareceu estar tão errado. As pessoas não deveriam correr pelo parque, os pombos não deveriam voar atrás de comida, os esquilos não deveriam descer correndo pelas árvores. O sol não deveria brilhar no dia que uma das pessoas mais importantes da vida dela estava morrendo gradativamente e ela não podia fazer nada. Era tão injusto.

Ela olhou para o outro lado do lago e viu uma garotinha de uns 5 ou 6 anos dando comida aos pombos e aos patos, exatamente como ela fazia quando era pequena. A menininha chegou perto demais da beira do lago e uma mulher de uns 30 anos a abraçou, arrastando-a para longe da água, enquanto a menina gargalhava. Outra mulher, mais velha do que a primeira, chegou com três copos da Starbucks. Alison ouviu a garotinha gritar "Vovó" e correu para abraçá-la. Isso só fez crescer ainda mais o nó na garganta de Alison e ela desviou o olhar para o outro lago do parque.

– Sabia que podia encontrar você aqui. — Uma voz grave disse atrás dela. Alison virou-se e viu Nick sorrindo para ela. — Acho que a sua paixão pelos patos ainda não morreu, não é?

– Oi, Nick. — Alison sorriu amarelo. — E ai?

– Oi. — Ele sentou-se ao ado dela e a olhou. — Você adora ficar aqui, não é?

Alison assentiu olhando o lago. Ela lutava contra as lágrimas e contra a vontade de contar a ele tudo o que estava acontecendo. Sobre Josh, sobre a sua avó, sobre o problema de Haven. Sobre ela estar sobrecarregada com tudo isso e não ter ninguém para ajudá-la ou pelo enos consolá-la.

Nick viu que Alison estava prestes a chorar e pensou que talvez fosse porque a melhor amiga estava falindo e poderia sair do colégio. Ele não fazia ideia sobre a verdade.

– Eu fiquei sabendo sobre a Haven. — disse ele. — Deve ser uma barra, não é? — Alison suspirou, triste, pensando que Nick iria falar algo sobre a avó dela. Mas como ele pderia saber se ela não falou nada?

– Acho que Haven é o que menos me importa agora.

Ela não aguentaria não contar a ninguém sobre a Sra. Karlson. Mesmo as pessoas mais fortes, tem o seu momento de fraqueza.

Nick estranhou ela falar daqele jeito. Haven sempre foi a melhor amiga de Alison. E sempre que algém tinha problemas, elas eram as primeiras a ajudar. Claro, desde que fossem pessoas que elas gostassem.

– Como assim? — indagou ele curioso.

– Nada, só que não é problema meu. — Alison viu um pato levantar vôo e pousar perto de uma árvore. — Já tenho problemas demais.

– Quer falar sobre isso? — Nick a fitou esperando que dissesse algo.

Alison fungou e abaixou o rosto olhando para as botas Miu Miu. Ela colocou um mecha do cabelo castanho atrás da orelha.

– Ah! Nick, descobri que a minha avó está doente. Com esclerose múltipla. — falou Alison deixando as lágrimas rolarem pelas bochechas rosadas. — Tipo, minha avó foi a minha primeira melhor amiga, ela cuidava de mim quando minha mãe estava viajando. Não aguento vê-la partir. Não agora. — Ela o abraçou inalando o cheiro de aloe vera do sabonete que Regina, a empregada dos Burckhardt colocava no banheiro, um pouco de cigarro que o pai dele fumava e de One by Dolce&Gabbana.

– Allie, eu sinto muito. Lembro da Sra. Karlson e sei o quanto ela é legal com você. — Nick olhou para os olhos vermelhos dela.

– Eu sei... é tão preocupante e frustrante. — Alison limpou as lágrimas do rosto. Ela fungou novamente. — E sabe o que é pior? Acho que minha mãe e minhas tias sabia disso e não falaram nada. Não trataram logo no início. Ela pode ficar cega, perder os movimentos, esquecer das coisas! Isso é horrível. Nunca mais vou poder vê-la comprando os seus terninhos favoritos na Chanel. — Ela recomeçou a chorar.

Nick abraçou-a novamente, as lágrimas de Alison molharam os ombros de seu suéter cinza. Ele cheirou o cabelo dela e sentiu o cheiro de morango do seu shampu favorito. Ela se afastou e olhou nos olhos verdes dele.

– Obrigada, Nick, por me ouvir desabafar tudo isso. — disse ela, secando as lágrimas. E lembrou-se que ela havia pedido um tempo sem se explicar. — Eu... sinto muito.

– Pelo que? — perguntou ele meio confuso.

– Por pedir um tempo sem nem mesmo lhe dizer o porquê.

– E você vai me dizer?

– Não posso. Me desculpe, mas não posso. — Ela virou o rosto olhando para o seu prédio na Quinta Avenida.

Nick poderia usar a fragilidade emocional de Alison para voltar com ela. Seria errado, mas poderia dar certo. Ele queria muito voltar com ela. Mas ela estava passando por um momento difícil. Ele poderia tentar.

Alison virou-se para olhar Nick e ele colou a boca dele na dela. A boca de Alison tinha gosto de chiclete de menta e cappuccino. A mão dela enroscou nos cabelos dele, mas rapidamente se afastou dele e levantou-se do banco.

– Me desculpe, Nick.

Ela saiu andando rapidamente para casa, atravessando a rua para a Quinta Avenida e olhando por cima do ombro, para olhar Nick.

Não era essa a reção que ele esperava dela.

Pobrezinho do N. Ele bem que tenta ser um garoto bom, mas a maldade não sai assim tão fácil das pessoas. E eu sei bem disso.