Manhattan's Girl Vol. 1
46 Baile de Máscaras
Notas iniciais
O salão de festas do St. Claire Hotel estava perfeitamente decorado em tons de branco, creme, dourado e vermelho. Arranjos de rosas vermelhas e brancas estavam em cima das mesas e bolas de rosas nas mesmas cores pendiam do teto. As mesas, bem dispostas pelo salão, estavam cobertas com toalhas de tafetá vermelhas e cremes. A pista de dança estava localizada no meio do salão, em frente ao palco onde a banda tocaria e o DJ ficaria. O bar já estava aberto e os bartenders faziam drinques em tons pastel para as pessoas presentes enquanto as luzes indiretas que saiam do chão davam um ar sombrio ao ambiente. Uma musica baixa e suave dos Beatles saia das caixas de som embutidas no teto.
Alison sorriu ao ver o fruto do seu trabalho bem feito ao entrar no St. Clair de braços dados com Nick. Depois de deixar os seus casacos na portaria, Alison sentiu o cheiro de rosas a envolver quando passou pelas portas do salão, mantidas abertas pelo porteiro de uniforme.
Nick estava incrivelmente bonito aquela noite. Vestia smoking Armani bem passado, sapatos pretos e brilhantes Prada, os cabelos estavam lindamente despenteados de um jeito totalmente sexy e os olhos verde-esmeralda brilhavam como se algo inesperado fosse acontecer.
A noite só está começando, pessoal.
Ele olhou para Alison mais uma vez para se certificar de como ela estava bonita. O vestido frente-única preto Zuhair Murad era totalmente incrível, os saltos dourados de acrílico Jil Sander combinavam perfeitamente com a mascara que lhe cobria metade do rosto. Alison estava maravilhosa.
– Alie! Tudo está in-cri-vel. Amei como ficou! – Haven veio correndo na direção da amiga, arrumando a máscara prateada no rosto e arrastando um bem-vestido Charlie Hauser. – A decoração, o lugar, tudo!
– Eu sei. Fizemos um excelente trabalho. – Alison sorriu, tilintando as pulseiras de ouro e diamantes Cartier no braço. – Você está linda. – Alison olhou o vestido azul celeste Marco Squared da amiga que combinavam perfeitamente com os seus olhos azuis. Alison pousou o olhar em Charlie, que conversava animadamente com Nick. – Charlie? Como assim?
– É, eu sei. Doido, não é? Ele me convidou semana passada e eu meio que já estava começando a ficar desesperada. – Haven deu uma risadinha.
Desesperada? Desde quando Haven fica desesperada?
– Mas ele é bem bonitinho, não é? Haven continuou olhando para a carinha de boneca de Alison.
Alison olhou para Charlie. Ele não era o tipo de cara que Alison poderia classificar como lindo, mas era bonitinho. Tinha cabelos muito pretos e lisos, cortados bem curto, olhos castanhos pequeninos, nariz anguloso e um sorriso torto constante no rosto. Era o segundo melhor jogador de lacross do time da Brannemark, atrás somente de Nick. Tinha ombros largos e braços fortes que agora estavam em volta da cintura de Haven.
– Alie, você já falou com seu pai sobre os investimentos na empresa? – Haven arruou a máscara prata que insistia em escorregar pelo nariz dela.
– Ah! Desculpa, Hav, mas ainda não. Eu tinha que preparar o baile, o problema com a minha avó, e papai tinha que dar um apoio à minha mãe. – Alison colocou uma mecha ondulada para trás da orelha com brinco de ouro e diamantes da Tiffany. – Mas prometo que vou falar com ele. Ah! Não vamos falar de problemas. Não agora, ok?
– Tudo bem. E Stacy? Soube que Josh a convidou para vir com ele hoje. – disse Haven mudando rapidamente de assunto. – Acha que ela aceitou? Depois do que aconteceu?
Alison fez cara de dããã-é-obvio. Sinceramente, Alison não se surpreenderia se Stacy aparecesse ali em algum vestido feio comprado na Bendel’s ou na Barney’s, cambaleando nos enormes saltos, pensando em ficar mais alta que Alison e andando como um cachorrinho atrás de um Josh completamente sexy vestido em um smoking.
Oh-oh.
– É claro que ela aceitou. Stacy venera Josh e ele deve ter começado a se preocupar por não ter um par. – Ela apertou a mão de Nick na sua. – Ninguém merece isso.
– Oi, oi, oi. – Stacy cacarejou abraçando algumas meninas na porta do St. Claire.
Stacy não tinha a menor ideia de quem eram as garotas, ainda mais mascaradas. Ela estava em pé nos saltos 12 pretos Sigerson Morrison de tiras apenas com o seu casaco de veludo preto Max Mara. As pernas estavam descobertas e começavam a formigar com o frio. Por que Josh estava demorando tanto?
A neve começava a cair e a mascara vermelha e preta de Stacy estava mal amarrada na cabeça e estava caindo pelo rosto.
– Oi! Stay! – Megan guinchou e acenou, saindo de um taxi, de mãos dadas com o pobretão do Brooklyn. – Ei, o que você está fazendo aqui fora? Por que não entra?
– Josh ainda não chegou e marcamos de nos encontrar aqui. – respondeu ela aborrecida e olhando para o acompanhante de Megan. Ele era... hum, bonitinho.
– Ah! Esse é o Dave. Dave, essa é a Stacy. – Megan estava irritantemente empolgada. Stacy acenou friamente para Dave e ele retribuiu o aceno. – Acho que vamos entrar. Estou começando a ficar com frio. Nos vemos la dentro.
Stacy observou enquanto Megan entrava na festa de braços dados com Dan, Danny, ou qualquer que seja a porra do nome do cara, arrastando a barra do vestido de cetim pérola atrás de si.
Esfregando as mãos umas nas outras, Stacy bufou, soltando uma baforada de ar esfumaçado.
Talvez ela usasse aquelas mãos para espancar Josh mais tarde.
– Boa noite a todos. – a Sra. Mayr disse ao microfone no palco em frente à pista de dança. – Bem vindos ao anual Baile de inverno da Brannemark School, com o tema Baile de Máscaras.
– É um prazer recebê-los aqui. – o Sr. Crosher continuou com a voz um pouco embargada por causa das 6 taças de Veuve Clicquot que ele tomara em apenas quarenta minutos. – Gostaríamos de agradecer à nossa comissão organizadora, chefiada por...
– Alison Bridgeman, Haven Geller, Megan Dickinson e Stacy Schenberg. – a Sra. Mayr sorriu e puxou a alça do vestido de seda verde. – Obrigada, meninas. Fizeram um excelente trabalho.
O salão irrompeu em aplausos e três das quatro garotas levantaram e acenaram para os alunos.
– Aproveitem a festa. – o diretor ergueu a taça de bebida e sorriu. – Juízo.
A banda começou a tocar uma versão moderna de Like a Virgin. A pista de dança com luzes de led encheu-se de alunos do ensino médio lindamente vestidos: as garotas elegantemente vestidas com longos vestidos de estilistas famosos com máscaras perfeitamente confeccionadas, dançando com garotos belissimamente arrumados em smokings benfeitos e máscaras pretas tornando-os muito mais sexy e secretos.
Alison jogou-se na cadeira ao lado de Nick, cansada de ouvir musicas retro com toque moderno. Megan, ao seu lado, sugava a alma do namorado estranho pela boca. Charlie entornava, com Nick, copos de Stoli com gelo enquanto Haven cantava a música em uma versão mais glamorosa de Madonna e engolia ostras.
Será que ela sabe que isso é afrodisíaco? Ou ela tá comendo isso propositalmente?
O iPhone de Alison vibrou na clutch dourada Chanel. Era mais uma mensagem de Josh.
“Vc está no baile?”
Alison apagou o sms e jogou o celular de volta na bolsa. Novamente, o aparelho vibrou.
“Precisamos conversar. Estou no corredor dos banheiros.”
Alison digitou uma resposta rapidamente:
“Não vou. Sua acompanhante está no frio te esperando.”
A música foi trocada. O DJ começou tocando um remix de uma música do Bruno Mars.
Never had much faith in love or miracles, Never wanna put my heart on the line.
– Ahh! Eu amo essa música. – Haven guinchou. Ela pegou a mão de Alison e a puxou para a pista. – Vem! Dança comigo!
Haven requebrava a cintura ritmadamente, jogando o vestido para todos os lados. Alison a acompanhava, mas tudo o que ela queria era um quarto no St. Clair, uma garrafa de champanhe Crystal e um Nick de cueca na cama. Era pedir muito?
Tudo dentro do possível para a noite.
Uma menina morena com o vestido roxo empurrou Alison com os peitões e Alison tropeçou, agarrando-se no vestido de Haven. Elas gargalharam enquanto a musica caia para uma lenta, que Alison logo percebeu que era Moon River, de Bonequinha de Luxo.
Elas gritaram e pegaram seus acompanhantes para dançar. Alison passou os braços pelo pescoço de Nick, sentindo o cheiro do sabonete de lavanda da L’Occitane e o perfume Allure Homme da Chanel. Ele era tão bom. Ela queria ficar ali, com ele e ouvindo sua música favorita.
– Alison! Alison. – chamou Haven por cima dos ombros de Charlie. – Alison, olha quem tá vindo ai.
Na direção da porta, Alison viu Josh. Ao lado de Stacy, Josh estava perfeito. Lindamente vestido no seu smoking Dior e máscara preta e branca. Ele lembrava o fantasma de O Fantasma da Ópera. Alison desviou o olhar.
– Nick, preciso ir ao banheiro. Encontro com você depois. – Alison sorriu levemente, beijou Nick e depois soltou-se do namorado.
– Você está bem? – Nick parou e segurou as mãos macias de Alison.
– Estou. Eu só... bem, preciso usar o toillet. – respondeu ela docemente. – Tenho uma coisinha pra você. Mais tarde. – Sussurrou ela no ouvido de Nick, roçando os lábios no lóbulo da orelha dele. – Te amo.
Nick sentiu um aperto na parte da frente de sua calça. Aquela garota o deixava maluco. Ele queria levar Alison para um quarto no hotel, arrancar suas roupas e fazer um sexo louco e selvagem.
Ooh! Calma ai, Tigrão. Guarda essa energia pra depois.
Abrindo caminho pela multidão que dançava, Alison passou por Josh e Stacy, esbarrando em Haven.
– Ei! Aonde você vai? Alison! – Haven gritou por cima da musica.
– Stacy, por que não pega algo para bebermos? – Josh perguntou soltando o braço de Stacy e olhando para Alison.
– Mas, Josh! Pra onde você está indo? Josh! Volta aqui! – Stacy viu-o ir para o banheiro. – Merda!
Alison parou na frente da pia de porcelana, quando viu o reflexo de Josh pelo espelho na parede.
– Eu disse que quero falar com você. – falou ele se aproximando dela e a segurando pelo braço.
– E eu disse que não temos nada pra conversar. – retrucou ela tentando se soltar do aperto. – Me larga.
– Você não atende as minhas ligações.
– Tenho motivos para fazer isso. – Alison olhou para os lados. – Não quero ser vista falando com você.
Josh a puxou para a porta dos fundos do salão, que dava para um jardim. Estava uma noite fria e Alison se arrepiou quando o vento gélido tocou a pele nua de seus braços. Eles foram para a área perto da piscina, coberta por um toldo azul, fechada pelo inverno.
– Aqui está bom? – Josh virou-se pra ela com cara de o-que-eu-não-faço-por-você.
– Não, mas fala logo o que você quer. – Alison tirou a máscara preta e dourada do rosto. – Meu namorado está esperando por mim. E então?
O problema era que Josh não queria falar nada. Não tinha o que falar. Ele só ligara para ela pra ouvir a sua voz.
Own. O que o amor faz com as pessoas.
Mas Josh não era assim. Ele não entrava em um relacionamento serio. Muito menos com quem ele transava. Mas Alison era Alison. A garota que sempre amou e odiou, que sempre implicava quando eram crianças, mas que agora mexiam com sentimentos nele que ninguém mexeu e que ele nem sabia que existiam. Obviamente, Josh não ia admitir isso para ela e nem ninguém. Era orgulhoso demais para isso. E agora ele precisava de alguma desculpa para não ter que falar que a amava.
Amava? Amava mesmo? Desde quando?
– Então? O que é? – Alison bateu os saltos no chão impacientemente.
– Você... contou à alguém sobre o que aconteceu na semana passada? – Josh tirou a máscara e passou a mão nos cabelos como se dissesse eu-sei-que-sou-gostoso.
Alison hesitou. Contara a Haven, mas isso não seria um problema. Haven não contaria a ninguém. E nem mencionaria nada a Josh.
– Claro que não! – respondeu ela, arrogante como sempre. – Você acha que eu vou sair por ai, dizendo “Ei, pessoal, eu perdi minha virgindade com Josh Thornton”? Não! Seria uma pontinha pra isso parar na Manhattan’s Girl.
– Bom, ótimo. Não quero que alguém fique sabendo disso. – disse ele olhando para o banco branco cheio de neve. – Não quero outra briga.
Rá! Até parece que ele não gostava de uma briga.
– Ótimo. Não vou mais perder meu tempo aqui. Tenho coisas melhores pra fazer. – Alison recolocou a máscara com cuidado para não bagunçar o cabelo e caminhou para a porta de vidro, deixando Josh sozinho no frio.
No lado de dentro do salão, a festa pegava fogo. Quase todas as mesas estavam vazias e os alunos inundavam a pista de dança. A única mesa cheia era a de Alison. Megan e o garoto-pobretão-do-Brooklyn conversavam intimamente, fazendo carinhos um no outro. Stacy tinha uma garrafa de Veuve Clicquot só para ela e tomava rapidamente. Haven já havia acabado com as ostras e agora comia tartare de salmão com crème fraîche e pepino com torrada de brioche e bebia vinho que ela tirara sabe lá de onde. Nick e Charlie conversavam com Tony Seffner, que estava na mesa ao lado, os três já muito altos.
Alison sentou entre Nick e Haven, cansada de ouvir remixes de merda que o DJ, que se dizia um dos melhores de Manhattan, tocava. As vozes da Beyonce e da Lady Gaga soavam estridentes nas caixas de som e tornava tudo ainda pior.
– Oi, onde você estava? – Haven sorriu e tomou um pouco do vinho Roussanne 2006.
– Josh pediu pra conversar, mas, como sempre, foi uma total perda de tempo. – Ela olhou o prato quase vazio da amiga. Depois franziu o cenho. – Acha que ele pode contar a alguém?
– Bom, poder ele pode, mas ele vai? Até por que vocês nunca foram tão amigos. Era mais uma relação de amor e ódio. Mas não acho que ele vá contar o que fizeram. – Haven murmurou. Seus olhos azuis pousaram em Stacy. – E ela? Sabe?
– Não, claro que não! Só você sabe. E espero que continue assim.
Alison tirou o delineador Lancôme preto da bolsa e começou a escrever em um lenço. Talvez se ela pensasse em outra coisa, ela se esquecesse do acontecido e de Josh.
Elizabeth e Richard Bridgeman
Orgulhosamente convidam ao casamento de sua filha
Alison Bridgeman
e
Nicholas Burckhardt
Que ocorrerá no dia dezessete de setembro
às dezesseis horas
no salão de Baile do St. Claire Hotel
Um filme rodava na cabeça de Alison. Ela podia sentir o tipo do papel do convite em suas mãos. Ela conseguia se ver entrando na Igreja de St. Patrick usando o vestido de renda e bordados marfim Vera Wang, que sua mãe usara no seu casamento, de braços dados com o pai e vendo Nick no altar, usando um smoking Thomas Wyld, no fim do corredor de peônias rosa e branca que decoravam a igreja. Depois sairiam debaixo de uma chuva de pétalas de flores e algumas horas depois eles iriam para um quarto no St. Claire e transariam muito antes de embarcar para a sua lua-de-mel em Mônaco, ou no Brasil ou em Paris. Seria perfeito.
A vida perfeita de Alison poderia começar agora.
– Nick! – chamou ela ficando de pé. – Vem aqui, por favor?
Nick levantou-se da cadeira e caminhou, cambaleando para ela.
– Lembra que eu disse que tinha algo pra você? – Alison segurou-o pela lapela do smoking. Ele ficava tão lindo quando estava alto. Nick assentiu. – Então? Vamos. Agora.
Ela pegou na mão dele e o puxou para fora do salão, passou pela recepção e foi para os elevadores.
O quarto 1304 era um dos melhores do hotel e Alison teve sorte ao consegui-lo para essa noite.
Naquele dia, mais cedo, ela passara lá para deixar tudo o que precisava para finalmente transar com Nick: peônias vermelhas em um vaso de cristal, uma garrafa de champanhe Cristal, velas aromáticas, trufas de chocolate Godiva, seu MacBook com a seleção de suas musicas favoritas. Tudo para ter uma noite perfeita.
É o planejado.
Alison passou o cartão para abrir a porta, com sua boca já colada à de Nick. Ele a empurrou contra a parede de dentro do quarto, enquanto ela tirava os sapatos e a máscara. Nick estava muito excitado e louco pra transar com Alison, depois sair, comer um taco de feijão preto com bastante guacamole, tomar mais algumas doses de Stoli e apertar um baseado bem gordo.
Argh! Isso não é nada romântico.
Eles deitaram na enorme cama dourada e Nick tirou o vestido de Alison. Ele viu a mínima calcinha fio-dental de renda preta Cosabella que não cobria quase nada e o sutiã de renda que deixava seus seios totalmente deliciosos.
Puta que pariu!, pensou Nick excitado e bêbado. Alison sabia como enlouquecer um cara.
E Josh que o diga, não é?
Ela subiu nele e beijou seu pescoço e o lóbulo da orelha, esfregando a sua intimide no monte da parte da frente da calça dele. Alison empinou a bunda nua e sussurrou no ouvido dele, com uma voz baixa e sedutora.
– Você sabe que me ama.
As mãos dele voaram para os seios dela e ela soltou uma gargalhada.
De repente, Nick parou de beijá-la e Alison sentou na cama meio assustada e magoada.
– Nick? O que foi?
– Eu tô...
Nick pulou da cama e correu para o banheiro. Alison foi atrás dele e o viu vomitando no vaso sanitário de porcelana.
Uma cena muito propicia para se ver antes de transar.
– Nick, você quer alguma coisa?
– Não, foi só... acho que bebi demais e misturei muita coisa.
– Acha que podemos...
– Não, acho melhor não. Desculpe, Alie. Outro dia quando eu estiver melhor.
– Quer que eu o leve pra casa? – perguntou ela apoiada na soleira da porta, visivelmente irritada.
– Não, não precisa. Não perca o baile por minha causa. – respondeu ele, com os olhos verdes brilhando e as sobrancelhas unidas, uma cara meio que pedindo desculpas. – Só chame Charlie. Ele tem o que eu preciso.
Alison olhou para ele mais irritada do que antes. Ele a estava dispensando pra ficar com Charlie?
– Desculpe por estragar a sua noite. – falou ele observando ela pegar o vestido do chão e vestindo-o novamente.
– Não se preocupe. – Ela sorriu aborrecida.
– Eu te amo.
Alison pegou a bolsa e saiu do quarto sem responder.
No salão, Haven dançava a nova musica da Britney Spears, quando Alison entrou bufando. Ela jogou a bolsa na mesa e viu Josh entornar um copo de uísque ao lado de Stacy. Charlie ria alto com Tony e a acompanhante peituda.
– Charlie, Nick quer falar com você. Ele está no quarto 1304. – Alison sentou-se na cadeira de Haven, tomou um martíni e comeu uma torrada com creme fraîche.
Charlie levantou-se e bateu no bolso direito, como em um sinal para Tony.
Josh a olhava como se estivesse comendo-a com os olhos e aquilo estava incomodando Alison. Ela levantou-se, roubou um maço de cigarros da mesa ao lado e foi para o banheiro.
Como a vida dela estava uma merda. A avó estava quase morrendo, a mãe vivia no hospital, o pai estava sempre viajando, o namorado passava mal quando eles finalmente iam transar e ela perdeu a virgindade com o garoto mais galinha de Manhattan. O que ainda faltava acontecer?
Nunca se faça essa pergunta.
Duas garotas do primeiro ano ocupavam o banheiro. Elas conversavam e riam com se a vida fosse perfeita e maravilhosa. A conversa cessou quando Alison entrou e disse:
– Fora. As duas.
As garotas recolheram a maquiagem espalhada pelo balcão e rapidamente passaram pela porta.
Alison entrou em um dos reservados e colocou para fora tudo o que havia comido e bebido. Deu a descarga e sentou-se no tampo de mármore da pia, apoiando-se na parede, com o espelho refletindo o seu perfil. Pegou o maço de Merit Ultra Light, o isqueiro na cestinha do banheiro e acendeu-o, dando uma tragada e deixando a fumaça lhe consumir.
Era a primeira vez que ela fumava e não era bom, mas aquilo a ajudava a esquecer de seus problemas.
Sentia-se como a Audrey Hepburn depois de ser rejeitada por aquele ator brasileiro em Bonequinha de Luxo. Sentia-se uma merda.
Deu outra tragada enquanto tirava o delineador da bolsa e escrevia no espelho Alison Burckhardt. Soava melhor do que Alison Thornton ou Alison Katherine Bridgeman. Ela sempre odiou seu nome do meio. Katherine. Blargh! Só o tinha porque sua avó insistira para sua mãe colocar o nome da bisavó. Mas era horrível e ela nunca usava. Sua vida era horrível!
Rainha do Drama voltou!
– Uff! Estou exausta. – Haven jogou-se na cadeira e tirou os sapatos. – Ei! Onde está Charlie? – Stacy deu de ombros. – Ah! Quem se importa? Onde está Alison?
– Quem se importa? – Josh pegou o copo recém-cheio de uísque.
– Eu me importo! – Haven guinchou com a falta de consideração de Josh.
– Ela foi para o banheiro. – Megan respondeu, parando, enfim, de beijar o namorado.
Haven calçou os saltos novamente e foi para o banheiro. Alison estava sentada na pia, com um cigarro entre os dedos e fumando feito uma chaminé. Havia, no espelho, vários nomes escritos com a caligrafia perfeita de Alison e delineador preto Lancôme.
– Desde quando você fuma? – Haven perguntou à amiga, parando ao lado do enorme vaso de rosas.
– Desde quando minha vida decidiu definitivamente virar uma grande bosta. – Alison soltou a fumaça para o teto.
– Você sabe que pode morrer asfixiada com toda essa fumaça aqui dentro, não sabe? – Haven sentou-se no tampo ao lado de Alison. – Mas ai você não teria que viver sua vida bosta.
Haven pegou o cigarro da mão da amiga e deu uma tragada. Alison chutou os sapatos para o chão e colocou os pés tamanho 37 na pia.
– Por que não está lá em cima com Nick? – Haven devolveu o cigarro e soltou a fumaça.
– Porque quando eu ia tirar a roupa dele, Nick passou mal e começou a vomitar. – Alison colocou o cigarro na boca. – Depois disse que preferia transar quando estivesse sóbrio e pediu pra eu chamar Charlie. Uma...
– Merda. Eu sei. – completou Haven. – Mas talvez ele queira se lembrar de como foi. Se vocês tivessem transado hoje, amanha ele não se lembraria de nada e você ficaria irritada.
É verdade. Ela ficaria mais irritada do que já estava.
– Sabe o que a gente deveria fazer? – Haven perguntou pegando o delineador.
– O que? Alison observou Haven virar-se para o espelho e abrir a maquiagem.
– Gritar para a vida. Pra todo mundo.
– Mas gritar o que?
– Você sabe que nos ama!
Haven escreveu no espelho e Alison beijou-o, deixando uma marca de batom.
À vida!
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