Manhattan's Girl Vol. 1

11 A Medicina Está Próxima À Insanidade.


- A Dra. Orwell vai recebê-la em alguns minutos. — disse Melissa, Melanie ou qualquer que seja o nome da secretária à Alison, que estava sentada na sala de espera há mais de uma hora com o PalmPilot nas mãos.

Até que enfim., pensou Alison enfiando o PalmPilot na bolsa verde-esmeralda Jackie O.

Alison olhou cansada para a enorme sala de espera da Dra. Evelyn. As poltronas de veludo preto ocupavam a maior parte da sala. No centro, revistas como Science, Elle e Woman's Health estavam espalhadas na mesinha de centro. Uma mulher de uns 30 anos estava sentada a frente de Alison e ela tinha um feio bebê, que encarava Alison como se quisesse arranca-la um olho azul.

A Dra. Evelyn Orwell era a médica da família Bridgeman desde sempre e em todos esses anos foi superprestativa, desde uma gripe à uma cirurgia de alto risco.

- Srta. Bridgeman, pode entrar, a Dra. Orwell está a aguardando. — A secretária falou sem tirar os olhos do computador.

Alison pegoou o casaco de cashmere creme Pavoni, colocou a bolsa no ombro e abriu a porta de vidro jateado.

A Dra. Orwell não envelhecera nada. Os mesmo cabelos castanhos puxados em um rabo-de-cavalo, as mesmas marcas de expressão ao redor da boca. Para Alison, ela continuava a mesma pessoa, mesmo depois de anos. Alison pensou que a velhice fora gentil com ela.

- Oh! Alison, quanto tempo! Como seus pais estão? — A senhora de 50 anos levantou-se da cadeira preta.

- Estão bem. Na medida do possível. — Alison deu de ombros. A Dra. Orwell a olhou atenciosamente.

- Então, o que a traz aqui? Algum problema com você?

- Não. Na verdade é minha avó, Laura Karlson. Acho que lembra-se dela. — Alison falou procupada. — Você cuidou dela quando ela fez cateterismo e ficou no Lenox Hill.

- Claro que me lembro dela, mas o que há de errado? — a Dra. Evelyn franziu a testa e colocou a caneta que segurava na mesa.

- Ela foi diagnosticada com esclerose múltipla. — Era difícil para Alison dizer aquelas palavras. Para ela, era como se dissesse que a avó estava morrendo. — Quero que... que você cure ela. Faça tratamento, passe remédios, sei lá. Faça o que for necessário para salvá-la.

A Dra. Orwell suspirou e ajeitou os óculos.

- Alison, primeiramente, eu sinto muito por sua avó. Segundo, você sabe que esclerose multipla é uma doença degenerativa e que, uma vez diagnosticada, não há muito o que se fazer.

- Está me dizendo que não vai salvar ela? — Alison perguntou indignada.

- Não estou dizendo isso, só estou tentando fazer você esntender que eu não tenho o que fazer para ajudá-la. — a médica falou olhando nos olhos de Alison. — Não sou da área de esclerose e não há nada que eu possa fazer para...

- Então isto aqui serve apenas para decorar a sua parede? — Alison apontou para o diploma da Dra. Evelyn feito de quadro na parede atrás dela. — Não acredito que não há absolutamente nada que a senhora possa fazer!

- Alison, o máximo que eu posso fazer é indicar o melhor especialista nessa área. — Ela puxou um cartão branco e preto. — Dr. Jack Donnelley, é o melhor de Nova York. Talvez até dos Estados Unidos. — a Dra. Orwell fechou os olhos. — Ele vai saber o que fazer. E eu vou logo lhe adiantando, o tratamento não é nada barato.

Alison olhou para a médica e depois pegou o cartão da sua mão. Ela sorriu secamente.

- Dinheiro não é problema. — Alison pegou o casaco, a bolsa e levantou-se. — Origada, Dra. Orwell, por nada.

Ela saiu do consultório, batendo a porta de vidro atrás de si. Alison sabia que ela havia sido dura demais com a médica e que a Dra. Orwell não poderia fazer nada para ajudá-la, mas Alison estava cansada, frustrada, preocupada, triste, com raiva, irritada. Tudo ao mesmo tempo.

- Vai querer marcar o retorno? — a secretária perguntou quando Alison passou por ela.

- Que se foda. — disse ela em resposta.

Alison abriu a porta da saída e bauteu-a com força, fazendo o bebê feio começar a chorar.