Notas iniciais
Eu voltei, meio que não voltando. Senti muita falta de vocês e aproveitei um surto criativo para atualizar essa fic, mas aviso que meu ano tem sido uma loucura e uma bosta na mesma proporção, então não tá muito boa a minha força para escrever e atualizar as coisas por aqui. Peço desde já mil perdões a vocês, mas infelizmente muitos problemas me cercaram nos últimos meses. Àqueles que não me abandonaram, um enorme beijo cheio de carinho. Amo todos vocês, até o próximo capítulo ♥

Derek voltou para casa com uma sensação de falta. Passar os dias recebendo visitas no hospital e tendo sua irmã na sua cola ajudou a esquecer as consequências do que aconteceu naquele atentado, principalmente sabendo quem o causou.

Ele podia sentir seu corpo cansado e dolorido, o hospital era um dos melhores mas isso não tirava o fato de que ali não era sua casa e não tinha o conforto do seu lar. Ele se acomodou no sofá, dispensou Angus e se focou em descansar, mas todos aqueles sentimentos bateram rápido no silêncio massacrante do seu apartamento e ele podia sentir a queda cada vez mais rápido.

A sudorese e as palpitações eram apenas sintomas de um momento desesperador pelo qual ele vinha passando sozinho. Ele não tinha forças para pedir ajuda e a culpa o afogou em uma dor alucinante. Ele caiu no chão, em posição fetal e sentiu a respiração faltar e voltar cada vez mais rasa, Derek nunca teve medo de morrer ou de ficar sozinho… até agora.

Stiles estava ali. Derek não sabia há quanto tempo ele estava naquela posição ou se o garoto poderia ajudá-lo. Ele se deixou levantar e ser colocado no sofá, sentiu o calor do outro envolvê-lo no frio apavorante que o fazia tremer e suar ao mesmo tempo, assim como se concentrou em escutar a voz do namorado mesmo sem entender o que ele dizia, aos poucos funcionou e ele se acalmou, até dormir.

– Stiles? — Derek murmurou sentindo o corpo inteiro dolorido.

– Olá garotão. — Stiles se aproximou e alisou sua testa.

– Como eu cheguei aqui? — Derek perguntou enquanto olhava seu quarto com a visão ainda acostumando-se com a luz.

– Eu te trouxe. — Stiles sentou na beirada da cama e entregou uma caneca com café para Derek.

– Desculpe se eu o assustei. — Derek pediu sentando e bebendo o café que lhe foi dado.

– Tudo bem. Eu já tive alguns ataques de pânico e cuidei de incontáveis que o Scott teve. — Derek suspirou e deixou a caneca no criado mudo.

– Eu nunca me senti assim. — Derek começou. — Sobrecarregado, triste. É claro que eu me sinto assim as vezes, mas eu experimentei tanta raiva e indiferença a vida toda que… — ele engoliu em seco e Stiles se inclinou para capturar seus lábios.

– Você é humano e precisa de uma folga as vezes, é aterrador e assusta, mas nada disso é eterno. Você não está sozinho, Der. — ele se inclinou e deitou no colo de Stiles, permitindo que os dedos do namorado acariciassem seu cabelo.

– Obrigado por tudo. — Derek murmurou e agarrou os pulsos do namorado, mesmo com a mão engessada, trazendo-a para os seus lábios e beijando.

– Eu te amo. — Stiles murmurou e se inclinou para beijá-lo.

Quase todo o tempo daquele fim de tarde foi passado assim, em uma troca de carinho que os dois precisavam. Depois de tantos altos e baixos, Stiles e Derek sabiam que por mais difícil que fosse, o que eles sentiam não era passageiro. Toda a dor que viesse ao redor, valia a pena.

*

Stiles acordou de um pesadelo e sentiu o corpo pegajoso de suor. Derek dormia tranquilo ao seu lado e isso foi um alívio. Ele se levantou e foi tomar um banho, beber água e tentar se acalmar. Dormir não seria mais uma opção, então ele telefonou. Seu pai deveria estar dormindo, Scott acompanhado e seu chefe não era seu melhor amigo. Ele escolheu seu terapeuta.

– Stiles? — Marin atendeu com a voz alerta, ele a conhecia bem demais para saber que dormindo as duas da manhã não era bem uma opção para a psicóloga.

– Eu não consigo parar de sonhar com Matt. — ele murmurou na sala, sua boca seca e desejando um cigarro, algo que ele não chegava perto há muito tempo.

– O que aconteceu? Do início. — ela pediu.

– Eu conheci esse cara incrível e ele me faz sentir perfeito. Eu nunca me senti amado como pareço com ele. — Stiles suspirou.

– Mas…

– Nós estamos tão fodidos… Marin, eu não sei se toda nossa bagagem vai se encontrar e conviver bem. Ele passou por coisas tão ruins quantos as minhas. — ele fez uma pausa dramática.

– Ele sabe de tudo? — a pergunta foi cautelosa.

– Sim, ele não se importa com toda auto depreciação e ele cuida para que eu nunca mais me sinta dessa forma.

– Stiles, do que você tem medo? — ele sabia que chegariam nisso.

– De ser abandonado, de Derek se sentir pressionado a fazer coisas que ele odeia só porque ele tem medo que eu vá embora. Eu… — ele sentiu o nó na garganta.

– Você confia nele, Stiles? — ele não precisava pensar.

– Muito mais do que imaginei confiar em alguém na vida.

– Viva isso Stiles, é importante ter medo isso faz de você um ser humano, mas ele parece te amar, aproveite isso, você merece e ele também. — Stiles soltou o fôlego que estava guardando.

– Obrigado por tudo, Marin. — era de certa forma um alívio poder verbalizar seus medos.

– Boa noite, Stiles. — eles se despediram e desligaram.

*

Derek acordou exausto, parecia que todo seu sono foi agitado e composto de exercício. Ele levantou com dificuldade e caminhou para o banheiro, era mais complicado fazer sua higiene com uma mão só, mas ele conseguiu se virar.

Na sala, Stiles dormia no sofá com uma aparência fechada, confusa, como alguém que dorme preocupado ou tem algum pesadelo, isso chamou atenção de Derek, mas ele não acordou o menino e resolveu tomar um café.

Logicamente, Stiles acordou depois de algum tempo. Derek estava lendo as notícias em seu escritório, ainda com o pijama e algumas doses de café. Ele se aproximou do namorado e beijou sua bochecha, Derek não disse nada além de um bom dia e o deixou seguir para fazer sua própria higiene.

– Eu sonhei essa noite? — Stiles ouviu a pergunta com alguma cautela.

– Um pouco, mas nada ruim. — Derek franziu o cenho. — Eu não dormi no sofá por sua causa. — ele explicou.

– O que te levou a dormir tão desconfortável? — era uma questão justa.

– Eu liguei para Marin e nossa conversa foi tão tarde e cansativa. — ele parecia se arrastar, como alguém que não quer falar sobre o assunto.

– Você precisa ir vê-la? — Derek não contestou a necessidade de Stiles conversar com sua antiga terapeuta.

– É gentil da sua parte, mas estou bem. — ele garantiu.

– O que está te incomodando então?

– Foram meses difíceis desde que cheguei aqui, minha vida tem sido assim por um tempo.

– Você veio a Manhattan atrás de uma vida nova e tranquila com seu irmão e eu tornei tudo complicado. — Derek apenas constatou.

– Na verdade, nada pode ser tranquilo na vida de alguém como eu. Olhe minha mãe, morar perto dela novamente é loucura. — Stiles riu.

– Verdade. — Derek o abraçou. — Então, por que isso tudo? — ele pediu um pouco receoso.

– Eu sinto como se precisássemos sumir um pouco, ter um pouco de nós sem toda a família, mulheres e negócios. — era uma boa.

– E para onde iríamos? — Derek pediu.

– Qualquer lugar que só existisse nós dois. — Stiles se inclinou e capturou seus lábios.

– Não vejo mais ninguém nesse escritório. — Derek envolveu seu braço bom na cintura do namorado.

– Sabe que eu também não. — Stiles se inclinou e mordiscou a curva do pescoço de Derek. — Sua mesa vai ficar uma bagunça. — ele empurrou o namorado contra a base de madeira.

– Isso não importa. — Derek se deixou guiar e o beijou.