Mangle's Revenge
8 Liberdade - CAPÍTULO FINAL
Notas iniciais
Perdi a conta do tempo que passei sob intensa tortura. Não sabia se haviam se passado horas ou meros minutos. Parafuso por parafuso, peça por peça, os Toys foram me desmontando, trazendo-me a maior das agonias enquanto me interrogavam sobre coisas que eu não tinha conhecimento.
Eu não suportava mais. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas eu me recusava a desistir de ter esperança. Eu desejava com todas as forças que Foxy, Chica, Bonnie, Freddy e até Golden Freddy aparecessem para me resgatar. Mas isso não aconteceu. Eu tentava gritar por eles, mas minha boca era sempre tapada pela mão de Balloon Boy, e em retaliação, Toy Chica removia outra peça, da maneira mais lenta possível, de forma a causar-me mais dor.
Eu já não aguentava mais. Eu sei que poderia ter tomado uma atitude menos drástica, mas eu não conseguia pensar com sanidade. Só queria fugir de qualquer maneira que fosse.
Me isolei das perguntas dos Toys, da dor que eu sentia, da luz cegando meus olhos, de tudo. Quando me vi preparada, fiz o que tinha de ser feito.
Minha cabeça do endoesqueleto mordeu com os dentes metálicos o braço de Toy Bonnie, que segurava o meu braço direito. Ele berrou de dor.
–Contenham-na! — gritou Toy Freddy. Mas eu já estava fazendo isso a mim mesma. Como um raio, agarrei com minhas garras afiadas o botão de ligar e desligar, e em vez de simplesmente apertá-lo, arranquei-o. Isso me desativou, e a não ser que eles pudessem mexer em meus circuitos, habilidade que apenas Bonnie tinha na pizzaria, eu nunca mais seria ativada.
A partir daí, tive um intervalo escuro em que parecia que estava desmaiada. Quando acordei, vi os Toys arrancando partes do meu corpo, despedaçando-o, quebrando-o, berrando de ódio e fúria. Mas eu não sentia dor. Via tudo em terceira pessoa. Eu não era mais Mangle em si, a animatronic, e sim a sua alma.
Não demorou para que os Olds, atraídos pelo barulho alto, escancarassem a porta do que só naquele momento percebi que era a cozinha. Aquele deve ter sido o momento mais triste que já senti. Primeiro, vi passar nos olhos de Foxy um sentimento de espanto ao ver pedaços do meu corpo quebrados; depois, desespero, ao ver o corpo metálico agora sem vida, e finalmente um ódio extremo misturado a uma tristeza avassaladora ao ver que os culpados disso eram os Toys.
–Vocês têm alguma ideia do que acabaram de fazer?! VOCÊS SABEM O QUE ACABARAM DE FAZER?! — ele berrou, ao mesmo tempo que as lágrimas escapavam de seus olhos como riachos.
Os Olds estavam em choque, mas logo as lágrimas começaram a pular de seus olhos também. Possuído pela fúria, Foxy passou como um furacão. Eu não conseguia prestar atenção no que ele fazia, só via seu belo rosto manchado pelas inúmeras lágrimas que ele derramava, seus dentes rangendo. Logo, os Toys estavam quase tão destruídos como eu.
Era ao mesmo tempo o fim da guerra contra os Toys e o fim de um amor.
Foxy olhava para tudo ainda sem se conter, respirando pesadamente. Ele caiu de joelhos em frente a meu corpo despedaçado, e segurou o que um dia fora minha cabeça. Bonnie e Chica estavam abraçados, chorando também. Só naquele momento, fui me lembrar dos olhares que Chica lançava a Bonnie sem que este percebesse. Eram os mesmos que eu lançava a Foxy.
–Mangle, por favor, abra os olhos. Não vá, fique comigo. — o chão já estava empoçado. Ele segurou com força a peça que segurava e continuou chorando, abraçando o material branco inconsolavelmente.
–Foxy, eu estou aqui. — eu disse. Ele olhou em todas as direções, procurando a fonte da voz, até que me viu junto à parede, quase colada no teto. Minha forma deixara de ser a de uma animatronic e passara a ser a de uma garota. Foxy olhava-me incrédulo.
–É você, Mangle? — ele tentou segurar minha mão, mas não podia me tocar.
–Sim, Foxy. Sou eu
–Os animatronics têm alma, afinal. — ele disse após um momento de compreensão, com um sorriso trêmulo.
–Foxy, eu preciso ir. Minha alma foi libertada. — Eu não queria me separar dele. Não queria me separar da minha família. Mas eu era obrigada. E eu sabia que o lugar pra onde eu ia era um lugar melhor. — Mas eu sinto que vamos voltar a nos ver. Confie em mim e me espere, Foxy.
Ele respirou fundo.
–Eu esperaria por você pela eternidade, Mangle.
Sorri entre as lágrimas. Tudo o que eu queria era abraçar cada um deles. Meu coração explodiu em ansiedade pela liberdade, ao mesmo tempo que os dedos gelados da saudade e da tristeza seguravam-no.
Comecei a despedir-me de minha família.
–Adeus, Bonnie. Cuide da Chica, pois ela merece conhecer o amor. — Ela corou diante desse pedido. — Adeus, Chica. Faço a você o mesmo pedido que fiz ao Bonnie. — Chica segurou a mão de Bonnie, deixando claro que faria isso. — Adeus, Freddy. Não deixe que o som da banda pare. Continue o show em qualquer circunstância. E diga a Golden Freddy que sentirei saudades também. — Ele fez um sinal afirmativo com a cabeça. — E adeus, Foxy. Jamais se esqueça de mim. Lembre-se de mim todos os dias, assim como eu farei com você, e quando nos encontrarmos de novo, a saudade terá sido tanta que fará o reencontro ainda mais especial. Nunca se esqueça de que eu te amo.
–Eu também amo você, Mangle. Até a próxima, maruja. — ele disse com um sorriso torto e a voz trêmula.
Dando um último aceno a eles, passei pelo teto flutuando como um balão rumo à liberdade.
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