Notas iniciais
Boa noite gente linda. Eu sei, eu disse que não iria demorar, mas aconteceram alguns imprevistos... Quero agradecer a todos que continuam por aqui me apoiando, através de dos comentários, favoritos, acompanhamentos, Mps... é por causa de iniciativas como estas que continuo a escrever essa história. Obrigada. Agora quero fazer um agradecimento especial a minha querida Jessi, que deixou uma linda recomendação em MM. Menina sua recomendação chegou num momento muito especial para mim. Às vezes o autor fica sem inspiração, ou desanimado, mas quando entra no perfil e tem um comentário ou uma linda recomendação como a que você escreveu. Nossa! Tudo se renova... muito obrigada pela gentileza. Eu simplesmente adorei. Dedico esse capitulo a você. Espero que gostem do capítulo.

Pov Katniss

— Srta. Everdeen, ainda está aqui? Pensei que tinha ido embora, junto com as outras moças.

— Ai que susto! – Coloquei a mão no peito, estava tão distraída em meio aos croquis que Johanna deixara comigo para avaliar, que mal notei a aproximação do zelador.

— Me desculpa, não queria assusta-la é que, eu estava trancando tudo para ir embora, mas como você ainda está aqui... – A fisionomia e a voz arrastada do homem demonstravam o quanto ele estava cansado do trabalho.

— Estou esperando o Gale vir me buscar, Justus. Pode ir se quiser, tranco tudo por aqui.

— Tem certeza? Vai ficar bem aqui sozinha? Não é perigoso? – Ele pareceu ponderar, mas era nítido que aprovou minha ideia de ser dispensado.

— Não se preocupe querido, ele já estava a caminho, acabamos de nos de falar pelo celular faz uns dez minutos, além do mais, você parece exausto.

— Então tá bom. Deixarei as portas da frente trancadas, feche apenas a dos fundos. Só peço que quando sair, desligue a chave geral, que está localizada a direita do armário de ferro no almoxarifado, ok?

— Ok?

Observei o zelador saindo do camarim. Justus, como o nome já dizia, um homem bom e justo, sem contar que um perfeito cavalheiro. Ele estava preocupado em sair da Sinsajo àquela hora da noite e me deixar ali sozinha. No entanto, eu queria ficar um pouco só. Há dias que momentos assim, era um luxo em minha rotina diária, tanto em casa quanto na boate.

Embora, eu estivesse feliz e a Sinsajo estivesse ficando a cada dia mais linda. A reinauguração também estava sugando todas as minhas energias. Tudo precisava dar certo, ou meu tio não patrocinaria o meu musical, acabando assim com meu sonho de infância.

— Não seja boba Everdeen, tudo vai dar certo... – pensei em voz alta, após manear a cabeça buscando afastar o pensamento ruim da mente. Logo minha preocupação se desfez ao ver os desenhos feitos por Johanna que eu segurava. Todos eram tão lindos, mas aquele em particular. – Amiga você se superou dessa vez! – exclamei admirada, como se a Mason pudesse me ouvir.

O vestido que Joh havia desenhado para Fergie era simplesmente maravilhoso. A loirinha iria arrasar na noite de estreia, dentro daquele modelito. Um longo vermelho todo trabalhado no strass, com um decote em V nas costas. Com certeza ela deixaria todos os expectadores encantados, em especial o público masculino. Eu já até conseguia vê-los, babando pela loirinha...

Um barulho do lado de fora me fez perder a linha de raciocínio.

“Será que Justo havia esquecido algo?

Entretanto, logo uma figura inesperada surgiu na porta de entrada.

— O-o quê? – gaguejei diante do sujeito a minha frente.

— Katniss...

Abri a boca em completo estado de choque. Peeta Odair estava de pé, parado no mesmo lugar em que antes Justus se encontrava. Levantei-me da cadeira com uma rapidez impressionante. Como ele tinha conseguido entrar na boate? Melhor, como ele sabia que eu estava ali?

— Justus! Justus! – gritei.

— Não grita, por favor.

— Não chegue perto de mim!— Peguei uma escova de cabelo que, descansava sobre a penteadeira e o ameacei, ao notar a intensão de se aproximar. No entanto, Peeta em três passadas me alcançou e segurou-me meu pulso desarmando-me. A imagem dele me beijando, logo após ter beijado Cashmere, no nosso último encontro, veio na lembrança.— Just...— Tentei gritar novamente, mas valendo-se de um golpe certeiro Peeta tapou minha boca e usando de certa força me virou, colando seu peito à minhas costas.

— Shhh... Por favor, você tem que me ouvir. Tenho que contar tudo que aconteceu de verdade naquele dia. — Comecei a espernear e balbuciar, mas apesar de baixinho, o loiro era forte. Logo encostou os lábios em meu ouvido e sussurrou: — Por favor, não lute, eu não quero te machucar. Só preciso que me escute.

A voz suave e o hálito quente, fizeram meu corpo retesar e amolecer, foi algo automático e ele percebeu o efeito que estava causando em mim. Tanto que, afrouxou o aperto e colou mais seu corpo em minhas costas. Corpo traidor.

— Tentei me afastar, mas não consegui, Katniss. — Ele começou. — Sei que não devia estar aqui... eu penso em você vinte e quatro horas do meu dia. Desde que acordo até o horário que vou dormir e quanto durmo sonho contigo...— Jamais admitiria, entretanto, eu também me sentia da mesma maneira. Fechei os olhos e inclinei minha cabeça para o lado, ao que Peeta deixou um selinho na curva de meu pescoço. – Irei te soltar... Promete que não vai gritar novamente?

Nada respondi. Contudo ele fez o que prometeu, continuei parada de olhos fechados, apenas sentindo a movimentação ao meu redor. Pela respiração ofegante batendo em meu rosto, sabia que estava completamente perdida. A certeza veio no momento que pude sentir o encostar de seus lábios nos meus e suas mãos curiosas alisando minha cintura. Abri lentamente os olhos para encontrar o azul dos seus. Encarando-me. Devorando-me. Desejando-me. Não tive reação alguma quando minhas costas bateram na penteadeira, quando dei por mim já estava o beijando com intensidade.

— Ah, como eu desejei sentir seus lábios outra vez...— Peeta falava baixinho em meio ao beijo, agarrei em seus cabelos, trazendo seu corpo mais para perto.

Céus eu devia estar louca.

O Odair agarrou minhas coxas e de um jeito desajeitado colocou-me sobre o móvel, continuei o beijando com gana, com sede, com fogo.

P-para...— Esforcei-me para manda-lo parar, mas o pedido saiu como um gemido. Estar de novo em seus braços era bom demais.

— Diz que você não me quer, Katniss?

— E-eu... não te quer...— Parei a frase, ao sentir suas mãos ousadas, invadirem minha blusa e tocarem meus seios. O contato íntimo me deixou ainda mais entregue, mais quente. Mal percebi quando levantei os braços num consentimento para que ele retirasse a peça. Busquei seus lábios novamente e suas mãos desceram para o cós de meu short para retira-lo. — Eu te quero Peeta...

Assim que fiquei completamente nua, senti minhas bochechas arderem, mas não era uma ardência comum, parecia que eu tinha levado uma tapa forte. Segurando o lado do rosto atingido, olhei assustada para o homem que parou de me beijar e começou a sorrir de um modo esquisito.

— O-o quê...?— murmurei meio aérea.

— Katniss?!

A voz era dele, todavia ele não abria a boca somente, continuava a sorrir enquanto eu segurava a bochecha sem entender o que acontecia.

— Katniss... Acorda!

— Hã... O-o quê?

Senti batidinhas em meu rosto, de repente, eu estava deitada na poltrona do camarim, sobre meu peito os croquis de Johanna.

— Amiga?!

— Amanda? – Minha amiga se encontrava ajoelhada ao meu lado com a expressão apreensiva.

— Sim, Katniss, sou eu. Está tudo bem?

— Cadê ele...? Onde ele está...? Ele ainda deve estar aqui... – Deixei os papeis no sofá e comecei a andar em círculos dentro do camarim, tudo sob o olhar atento e preocupado de minha amiga.

— Você devia estar sonhando Katniss...

— Não! Ele estava aqui! Eu vi. Eu senti ele me beijando! – falei em total desespero, logo toquei em meus lábios, ainda podia sentir o gosto dele. Tudo havia sido tão real.

— Ele quem? De quem esta falando? – Olhei para os olhos azuis à minha frente e uma sensação estranha tomou conta de meu corpo, ao mesmo tempo em que a vergonha. Aqueles olhos...

— Katniss? Amiga? – Amanda levantou-se e tentou me tocar. Esquivei-me. Os olhos dela, me lembravam os dele. Aquilo só podia ser loucura.

— Eu devo estar ficando louca... – Virei-me para a penteadeira, buscando desviar o olhar. Meus batimentos cardíacos encontravam-se acelerados, tinha acabado de ter um sonho nada comportado com Peeta Odair e era minha melhor amiga que estava em minha frente.

— Do que esta falando?

— Nada! – Peguei o celular sobre o móvel e olhei as horas. — Desculpa, devo ter pegado no sono enquanto te esperava.

— Normal. Você está exausta por conta da reinauguração, nós podemos deixar para amanhã este ensaio.

— Não, eu estou bem...

Eu não estava nada bem.

— Estava sonhando com ele, não é? Com o carinha do shopping? Por que não tenta encon...

— Nem continua amiga, eu não quero nem mais ouvir falar no nome desse... desse... Galinha.

— Mas é nítido para mim que ainda sente algo por ele...

— Sinto. Ódio, muito ódio por ter lhe dado uma chance. Se arrependimento matasse eu já estaria morta e enterrada.

Amanda ficou em silêncio e após um longo suspiro disse:

— Katniss... eu preciso lhe dizer algo...

— Se for sobre este assunto, desista! Pelo bem de nossa amizade... – Há semanas, sempre que podia, Amanda trazia o assunto Peeta Odair em pauta nas nossas conversas. Sempre salientando: “Talvez devesse procura-lo para ouvir o que ele tem a dizer sobre o episodio do shopping. Quem sabe tudo não passou de um mal entendido”. – Eu jamais perdoarei o que aquele canalha me fez... e nunca mais quero vê-lo na minha frente.

Fui taxativa e a garota que parecia ter algo importante a dizer calou-se de vez.

*****

— Katniss você tem certeza?

— Claro Amanda... Não confia em mim?

— Não é isso...

— E o que é então? Nós duas somos lindas, sexys e por que não ressaltar gostosas? Visualiza. Nós duas, encarnados Shakira e Beyonce. – Abri minhas mãos como se lhe apresentasse uma tela invisível e ela pareceu pensar na possibilidade.

Fitei-a com um pouco mais de atenção desde que ela adentrou o camarim – cabelos loiros e as suas formas voluptuosas dentro de uma calça legging preta e uma bata de malha larga da mesma cor – Amanda era perfeita para o papel.

Ainda se achava fresca em minhas recordações o dia do seu teste para entrar na Sinsajo. Ela era a minha Marilyn Monroe, não existia alguém mais indicada para dar vida a um dos maiores símbolos sensuais do século XX. Ela tinha que aceitar meu pedido. Apenas precisava criar a oportunidade certa para fazer-lhe a proposta.

— Espera, deixa eu te mostrar como será a coreografia. – Caminhei até meu celular e coloquei Beautiful Liarpara tocar . Um sorriso malicioso surgiu em meus lábios quando Amanda arregalou os olhos ao reconhecer a canção.

— Não! Eu não irei dançar essa música, nem pensar! Não mesmo – disse de um jeito nervoso mexendo de um lado ao outro o dedo indicador. A música tinha uma batida sensual e exigiria de nós duas muita sensualidade e um figurino muito ousado também, e ela sabia disso.

— Ah, vai sim! Sente a energia da batida... – Peguei em suas mãos e a puxei até o centro do palco começando a rebolar em seguida.

— Eu jamais conseguirei rebolar do jeito que você está fazendo. – Soltou-se e tapou o rosto com as duas mãos, seu rosto ficando corado até as orelhas.

— Com certeza irá sim, embora não pareça, eu sou uma ótima coreógrafa, mocinha. Sua irmã estava toda travada durante os primeiros ensaios e tenho certeza que você terá uma grande surpresa quando a ver cantando Al... – Parei de falar no momento que a fisionomia dela manifestou curiosidade.

– Ah, não fala, por favor... – Amanda juntou as mãos em forma de prece, tentando arrancar de mim alguma informação sobre a apresentação de Fergie. Fiz um sinal de zíper fechando na boca. – Minha boca e um túmulo fechado. – Só falo sobre tortura. Vamos! Anda, vou colocar a música do começo novamente. Dançarei primeiro, depois você dança. Isso é só, para que eu tenha noção de por onde devo começar contigo.

Coloquei o telefone para repetir e o aloquei no vão entre os meus seios. – Está preparada? – questionei e minha amiga somente acenou um sim com a cabeça.

...He said, I'm worth it, his one desire

I know things about him that you wouldn't

Want to read about

He kissed me, his one and only

(Yes) Beautiful Liar

Tell me how you tolerate the things you

Just found out about

You never know

Why are we the ones who suffer

I Have to let go

He won't be the one to cry....

...Ele disse que eu valho a pena, o único desejo dele

Eu sei coisas sobre ele que você não gostaria

De ler a respeito

Ele me beijou, a única mulher dele

(Sim) Lindo mentiroso

Diga-me como você tolera as coisas que você

Acabou de descobrir

Nunca se sabe

Por que nós somos as únicas que sofrem?

Eu tenho que esquecer

Não será ele quem vai chorar...

Percebi certo incomodo em Amanda ao ouvir a letra

– O que foi? Vamos Amanda!

— Essa letra... por quê logo ela? – Dei de ombros, sabia que ela tentaria voltar o assunto Peeta Odair, em especial porque a letra da canção dizia muito de como eu estava por dentro em relação a ele.

— Porque eu gosto dela, anda deixe de enrolar e mexa esse quadril. – Não dei margem à contestação.

— Parece mais uma indireta. – Desconfiada, arqueou a sobrancelha, contudo não estendeu o assunto. – Eu não acredito que irei fazer mesmo isso.

— Eba! Coragem mexe esse quadril Amanda – incentivei, após ver que ela começava a render-se ao som. Dançamos uns cinco, de maneira totalmente intuitiva, sem nenhuma coreografia marcada, apenas dançamos.

— Aiii... cansei. Vamos parar um pouco, Mandy. – Inclinei o corpo para frente com as mãos nos joelhos. Minha respiração estava acelerada. Deitei-me no chão e Amanda repetiu meu gesto.

— Do que me chamou?

Encarei-a buscando na mente por minha última palavra dita.

— Mandy?

— Por que me chamou assim?

— Gosto desse apelido. Mandy... Mandy Mellark... – Apoiei meus cotovelos no chão e pus-me de bruços. – Amanda você se lembra do dia do seu teste ...?

— Lembro-me como se fosse hoje.

— Lembra que eu disse que você era minha Marylin?

Amanda me fitava com um interesse gritante nos olhos azuis.

— Eu jamais poderia esquecer-me daquele dia. – Era impressão minha ou havia certa tristeza em sua voz.

— Eu cresci assistindo a paixão de minha mãe pela Marylin Monroe. Filmes antigos, recortes de revistas e jornais. Minha mãe guardava um acervo incrível sobre ela. Desde pequena, vendo a paixão dela, eu também me apaixonei pela atriz, um dia vi um filme “Os homens preferem as loiras”

Rimos as duas.

— Eu sei, é um filme bem velho. Mas era incrível, era no estilo musical – narrei durante minutos sobre o filme bastante empolgada, detalhando cenas, canções, elenco. Tudo que me recordava. Aquele filme era um clássico.

Logo fiz a proposta de supetão.

— Você aceita ser minha Marylin? – Esperei a resposta por uma eternidade.

— Eu não posso... – Amanda sentou-se e dessa vez quem repetiu o gesto fui eu.

— Por que não? Você é perfeita. Pensa, quando seu nome estampar todas as capas de revistas da capital... Mandy Mellark, estrela da casa de shows Sinsajo, dá vida a uma das maiores estrelas de todos os tempos. Podemos unir o útil ao agradável. Você realiza seu sonho de se tornar uma atriz famosa e eu de dirigir um grande espetáculo.

Ela me contara o porquê dela e Fergie terem se mudado para a casa do tio, revelou que seu maior sonho ao chegar à Capital era tornar-se uma atriz famosa.

— Eu não me acho digna de representar um papel que significa tanto para você... não eu.

— Por favor, Amanda... – implorei. – Não precisa me dar a resposta agora, pode pensar melhor e amanhã você me diz o que decidiu. Tudo bem? – Ela nada respondeu e ficou mais pensativa ainda. – Vamos continuar o ensaio.

Recoloquei a música e dançamos mais alguns minutos. Pulamos, gritamos, extravasamos de todas as maneiras possíveis. Amava estar na companhia de Amanda. Entendia perfeitamente a paixão que Gale sentia por ela. A garota era apaixonante de diversas maneiras diferentes. Novamente desabamos no chão totalmente suadas e ofegantes. Ficamos em silêncio por muito tempo, até que resolvi falar algo que há muito eu trazia em meu coração.

— Às vezes tenho a impressão que te conheço há tanto tempo...

— Isso é, bom ou ruim?

— Bom, é claro – respondi sincera. Sorrimos e continuamos a nos encarar, entretanto a proximidade com ela começou a me deixar ansiosa. O que estava acontecendo comigo?

— Você está começando a ficar vermelha, Katniss – acusou, deixando-me mais sem graça.

Do nada, a loira começou a me fazer cócegas.

— Para Mandy! – Nossas risadas ecoavam pelo interior da Sinsajo. – Para, por favor!

No entanto, ela parou de me provocar e me perdi novamente naquela imensidão azul à minha frente. Fui parando de rir. Num súbito toquei seu rosto com delicadeza e Amanda fechou os olhos. Lembrei-me do sonho e de todas as sensações que o mesmo provocara em mim. Definitivamente eu estava enlouquecendo.

Notas finais
E ai gostaram? Eu estou muito curiosa para saber, então já sabem. Link da música do capítulo. https://www.youtube.com/watch?v=QrOe2h9RtWI
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.