Mamãe só está cansada ...
4 Nada, nada sexy.
Notas iniciais
Acordar já cansada, com o cabelo embaraçado e alguém segurando um dos seus seios, costumava ter um sentido completamente diferente pra mim há meses.
Sempre fui muito bem resolvida comigo, nunca fui puritana, sempre me relacionei muito bem com os meus desejos e sentimentos. Não pertenço a nenhum religião que presa pela moral e bosn costumes que precisam da castidade ou algo do tipo, sempre fui muito direta comigo,meus sentimentos,desejos e com quem me relacionava. Nada de nojinho, ou medinho, era o que eu queria, ou então nada, simples assim.
Até a Lili nascer, ai tudo mudou, eu já não tinha mais vontade de nada, só queria dormir o dia inteiro, não que ela incomodasse anoite, mas mãe ganha essa habilidade de acordar cansada e dormir mais cansada ainda, então nada malicioso cabia em mim, e nem no Henrique por um tempo, era informação demais para nós, ele estava trabalhando durante o dia e anoite terminava os ultimos meses do curso de Economia. E eu tentava lidar com o pequeno filhote de cria vampírica/demônio e trabalhar a minha relação com Lili.
Nada mais de camisolas de cetim, nada de vermelho com rendas e perfumes almiscarados só para dar aquele "up". Agora apenas conjuntos de algodão com botões frontais para abrir sempre que a Lili quiser. Nada de perfumes, afinal era a minha oportunidade de dormir, eu queria mais é tomar um banho rápido e capotar na cama. Sem tirar o fato de que dependendo do que eu comia, ou bebia antes de dormir, eu amanhecia com a cama encharcada de leite. Sim, vaza leite das mães durante anoite, principalmente as que tem bastante leite, como eu.
Pode parecer nojento para você, mas você com certeza bebeu leite da sua mãe, se não tiver alergia a lactose, se não bebeu dela, por falta de leite, ela te deu leite de outra mamãe, e essa mamãe tinha o seu lado da cama lavada no sue próprio leite, e cá entre nós isso nada ajuda nada na libido. E então nosso "casamento" veio sendo testado todos os dias, sobre o que sentimos um pelo outro, se era apenas paixão, desejo ou amor de verdade.
E percebemos que era amor de verdade, passamos longos meses, com quase nenhum "contato" mais íntimo, no máximo uma ou duas vezes por mês. E acho que isso nos ajudou muito com nossos problemas, porque não somos só mães e pais, éramos algo antes disso, portanto somos seres humanos, e jamais esqueça disso, toda mãe e todo pai, já foi algo antes dessa condição então filhos não são nossas únicas preocupações nem nosso único assunto.
Percebi que os homens tem uma certa facilidade em digerir isso, quando se encontram eles não mudam o local por causa dos filhos, não deixam de ir a bares ou pubs, para ficar em parquinhos ou pracinhas. Mas as mães sentem essa necessidade de mostrar por mundo que é mãe e que ela pensa nos filhos antes de pensar em si. E é ai tudo começa a ruir, porque outras mães cobram isso de outras mães, querem ver os filhos dos outros iguais ao seus, indo em lugares onde os seus vão, fazendo o que eles fazem, e isso mina a cabeça das mães que como eu acham isso errado.
Ninguém deve ficar acima das suas necessidades, isso não quer dizer que você não vá cuidar nem dar amor, mas as mães precisam de uma pausa, sem filhos, sem marido, ninguém, só elas, e uma manicure, ou cinema ou no meu caso jogos, muitos jogos, aqueles de primeira pessoa com muitos tiros e alienígenas, porque facilita descontar o estresse. E eu não tive isso por mais de um ano.
Tudo tinha que ser a Lili, levá-la onde eu fosse, em qualquer lugar, e vigiar cada passo dela, cada respirada dela, cada barulho, era como se eu tivesse a obrigação de ouvir, sentir e ver absolutamente tudo que a Lili fazia. Isso tudo porque dei ouvidos a outras mães, no caso a mãe do Henrique. Como se a cama molhada de leite e a Lili agarrada em mim não fosse o suficiente para nos minar, a mãe dele se achou no direito de me dizer o que eu deveria fazer com a minha filha, quando e como cuidá-la.
E pior, eu deixei. Esse foi o meu mal, eu deixei alguém completamente diferente de mim e da minha filha se aproximar e quase acabar com a minha delicada ligação que estava quase se fortalecendo. E claro, como era de se esperar eu entrei em depressão. Ela me fazia me sentir a pior mãe do mundo, o tempo todo, era como se ela quisesse a Lili pra ela, e estivesse tentando me afastar o máximo da minha mais nova amiguinha.
E por pouco ela quase não conseguiu, todas as noites, e sempre que estava sozinha eu chorava, mas não é aquele choro calado, tímido e delicada, eu chorava como se tivesse acabado de levar uma surra homérica. Eu caia de joelhos no chão da sala e chorava até perder meu ar, até minhas costas encurvarem com o peso da pressão e da culpa que eu deixei aquela bruxa por em meus ombros.
Perdi peso, ganhei peso, tentei suicido, tudo porque deixe outra pessoa pensar por mim, agir por mim, e fingir se importar comigo. Ignorei o dom mais importante que aparece quando o bebê nasce, o instinto, é só disso que precisamos para cuidar e criar um filho, o instinto te diz exatamente o que fazer, quando fazer, e por mais que você seja como eu mãe de primeira viagem, você pega a manha do negócio. E depois de anos vivendo assim, eu finalmente vi a luz. E ela morava bem longe daqui.
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