Mama suja

1 MAMA SUJA


Notas iniciais
Olá pessoal!

Olha eu aqui de novo trazendo mais um conto pra vocês! Eu amei escrevê-lo e espero que gostem dessa história que ira lhes permitir ver de perto o medo de duas criancinhas. Então é isso! Boa leitura e se deliciem bastante =)

Do céu podia se ver aqueles dois pequenos pontos atravessando a clareira. A grama meio amarelada se escondia timidamente em meio a névoa densa. A pequena Tina sentia os ossos de suas canelas quase se quebrarem com cada rajada de vento que vinha ao seu encontro, mas era impossível parar, já que Túlio, o mais velho, praticamente a arrastava pelos braços. Ele também sentia o corpo protestar, cada célula do seu corpo pedia por calor, mas Túlio não ligava. Apesar dos seus extintos lhe dizerem para retroceder a cada passo dado, aquele menino só tinha olhos para o céu. Por conta da baixa poluição e falta de luz na mata, aquilo que pairava sobe suas cabeças era literalmente o universo, as estrela o haviam enfeitiçado! Então, Túlio pensou “É uma boa noite para morrer!”.

— Pegou o Meia Noite? – Túlio perguntou ríspido.

— Pe-peguei! – Tina enterrou o rostinho no gatinho preto que descansava em um dos seus braços.

— Eu disse pra não fazer aquilo, não disse? – Túlio resmungou!

— Pala Túio, não biga eu! – Tina fez voz de choro.

— Você não teve culpa! De certa forma! Vamos ter sorte se a vovó nos querer! – Túlio respirou fundo. – Ou... podemos ficar com o Tio Dé! – Túlio parecia ter tido uma ideia brilhante!

— Não Túio! Ele cheira ruim! – A pequena Tina protestou. – Eu quelo a mamãe e o papai! – Ela tinha voz de choro!

— Não podemos Tina! Sabe disso! – A voz de Túlio havia tornado a ficar a pesada.

Aquelas crianças andaram por mais alguns minutos e por fim Túlio deu uma para bruta fazendo com que Tina chocasse seu rosto nas costaS do irmão. Ela silenciosamente soltou um “Ai!”.

— Chegamos! – Havia pavor na voz de Túlio.

Eles estavam parados em frente há um toco, era o único resquício do que havia sido uma grande árvore. Túlio lançou seus olhos castanho para Tina, que logo entendeu a ordem. Ela deu alguns passos a frente coçando o emaranhado loiro; era uma forma dela disfarçar o medo. Tina colocou o Meia Noite em cima do tronco e o felino deu um miado em protesto. Do bolso do seu pijama de unicórnio Tina tirou um punhado de ração que ela havia roubado da dispensa.

—Diculpa eu poisso Menoite! – Tina acariciou levemente a cabeça do bichano enquanto ele mordiscava a porção.

Em seguida Tina começou a saltitar em volta do tronco como se pulasse amarelinha enquanto recitava algumas palavras. Túlio sentiu seu corpo enrijecer, queria correr, mas não podia deixar Tina sozinha. Sentia-se um monstro por obriga-la a fazer tal coisa, mas sua irmã causara tudo aquilo e nada mais justo que ela corrigisse.

— Sou uma quiança levada;

Não obedeço papai e mamãe;

Meleço levar palmada;

Mas palmada não queio levar;

Poisso samo a maldida fedida;

Mama suja Mama suja;

Ecuta meu samado;

Mama suja Mama suja;

Me debolba o que me foi roubado; -- Tina praticamente cantarolou. Assim que terminou ela correu e se escondeu atrás do irmão.

Foi como mágica! Não se sabe ao certo como aconteceu, quando se deram conta um redemoinho havia se formado em volta do tronco e fazendo com que Meia Noite sumisse de vista; era um mix de terra, folhas secas e galho. Então pode se ouvir um miado rápido e alto do gato, fazendo com que Tútilo e Tina recuassem alguns passos. Logo aquele redemoinho de sujeira se desfez, ficando apenas a imagem de uma velha extremamente corcunda, de vestes escuras e rasgadas. O cabelo desgrenhado cobria quase todo o rosto daquela criatura e um enorme cheiro de esgoto havia tomado o ar impregnando as narinas daquelas crianças. Na boca da velha havia uma espécie de calda negra saindo para fora, ela a sugou para dentro como se fosse um macarrão. Túlio e Tina estavam imóveis com apenas o som de seus corações cortando o silêncio do lugar. Numa ação rápida a velha estendeu os braços mostrando as palmas das mãos.

— O-o que ela quer? – Túlio sussurrou para Tina.

— Eia tem que pega... pa vê! – Tina falou só para os ouvidos do irmão.

Timidamente os dois se aproximaram da Mama Suja e cada um pegou em uma mão. A velha rapidamente fechou as mãos segurando os punhos daquelas crianças. Seu toque era extremamente gelado e suas mãos possuíam unhas tão cumpridas e sujas que mais pareciam as garras de uma fera.

— Ora... ora... ora... – Disse a velha numa voz arranhada. – O que temos aqui, nove e cinco! – A velha ainda segurava firme a mão dos dois.

— Eu... eu quero – Túlio tentou pronunciar algo, mas foi interrompido.

— Seus pais de volta? – Mama completou e em seguida soltou uma risada medonha. – Tsc, tsc, tsc. Eu não vou atrás de quem já foi, mas posso buscar aquele que os mandou embora. – A voz dela era estridente.

Túlio observou a pequena ferida aberta na mão de Mama Suja, ele engoliu em seco; sabia o que aquilo significava. Ele pousou seus olhos sob Tina, que também o encarava com olhos do tamanho de bolas de tênis. Os dois assentiram com a cabeça ao mesmo tempo.

—Tó! – A menina tirou de seu bolso um embrulho feito com pano e entregou para Mama.

A velha pegou o embrulho e dele tirou uma faca banhada em sangue; ainda estava fresco. Mama passou a língua roxa e pegajosa na faca eliminando todo sangue. Em alguns segundos a velha deu urro e em seguida tombou para trás do tronco. Tina imediatamente se escondeu atrás do irmão.

— Deu certo! – A voz de Túlio era uma mistura de choro e alivio.

— Então boia Tuio! Boia pa casa! – Tina enterrava o rosto nas costas do irmão.

— COMO OUSAAAAAAAM! – Em uma fração de segundos Mama Suja havia soltado para cima do tronco.

— LEVADOS! LEVADOS! LEVADOS! SABE O QUE ACONTECE COM CRIANÇAS DANADAS? A MAMA LEVA! – Emitindo sons guturais, Mama saltou em direção as crianças.

O extinto falou mais alto! Túlio pegou Tina pelo braço e correu o mais rápido que suas pernas podia aguentar. Não olharam para trás, mas era impossível não escutar os passos rápidos de Mama atrás deles. Quando já estava perto o suficiente, Mama deu seu salto final. Seria um único golpe na jugular daquelas crianças e pronto. Estaria tudo acabado! No entanto, algo aconteceu. Se eles tivessem olhado para trás teriam visto que no último salto de Mama, antes que suas garras pudessem atingi-los a velha se desfez, seu corpo se transformou em um fumaça negra que se dissipou por toda a clareira.

A vida de Túlio e Tina havia mudado drasticamente aquela noite, aquelas crianças não sabiam como seria seu futuro dali para frente, mas uma coisa era certa, aquela velha nunca mais os incomodaria. Isso é o que pensavam.

Júlia entrou para o seu quarto. Numa ação rápida trancou a fechadura e escorou na porta. Seu peito inflava de forma dessincronizada, ela sentia a tensão no ar. Ela correu para o centro do quarto onde havia um porquinho da índia descansando e umas velas acesas ao redor. Ela se ajoelhou eufórica e recitou:

— Sou uma criança levada;

Não obedeço papai e mamãe;

Mereço levar palmada;

Mas palmada não quero levar;

Por isso chamo a maldita fedida;

Mama suja Mama suja;

Escuta meu chamado;

Mama suja Mama suja;

Me devolva o que me foi roubado.

Notas finais
Eai pessoal, o que acharam? Será que Mama Suja irá voltar? Deixem seus comentários =D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!