Mamãe eu posso Voar?
1 Capítulo Único - Não se Preocupe.
Notas iniciais
Mamãe, não se preocupe comigo, eu posso só ter onze anos mas eu sei me virar sozinho, não chore mais, nem fique triste, quero que você sorria de novo.
Não se preocupe mamãe, Eu posso voar.
Agora eu posso mesmo!
Lembra quando você contava aquela história para mim?
Uma jovem mulher chamada Shaira, era escrava de um senhor de engenho, o que ela mais desejava era poder ser livre, viver a sua vida, ver o mundo, principalmente ser livre.
Todas as noites ela rezava para Olorun livrar ela de sua prisão sem grades, mas certo dia Shaira caminhava aos redores do engenho, e foi acidentalmente confundida com outra escrava que tinha fugido para um quilombo, e acabou sendo morta.
Então, Shaira renasceu como uma borboleta, e daí em diante, ela ficou livre.
Esse era uma de minhas histórias favoritas, lembra mamãe?
Também lembro de quando você me disse que se fosse um animal, seria a borboleta. Eu fiquei incomodado, porque a borboleta? Um animalzinho qualquer e tão frágil.
Eu se pudesse, seria uma águia, um falcão, um desses animais fortes e dominantes.
Até que você me disse oque me faria amar as borboletas.
" Borboletas... São lindas... fortes... São resistentes.. Uma águia, um falcão, não nascem de novo, nascem? As borboletas sim... Elas renascem, reaparecem, revivem, elas... Reexistem.. As borboletas nascem, crescem, desaparecem, então aparecem novamente, reexistem e... E então elas voam, para longe."
Foi isso que me fez ama-las e querer voar.
Eu queria desaparecer, então aparecer de novo, existir de novo e então voar para longe.
E diferente do que não aconteceu com a Shaira, aconteceu comigo, mamãe.
Não se preocupe comigo, eu agora sou independente, uma borboleta solitária que voou para longe, mas não longe de você, mamãe.
Então eu comecei a perguntar pra mim mesmo: "Eu posso voar?" e eu decidi perguntar para você.
Mamãe, eu posso voar?
Você sorriu, mas não respondeu. Pra mim, isso foi um sim.
E foi por isso que eu pulei daquela ponte.
Porque eu queria voar.
E eu voei, para longe.
Mas... Eu voltei agora.
E mesmo que você mamãe, não me veja, nem me escute, eu sei que sente minha presença do seu lado, e eu não vou sair do seu lado.
Não quero te ver chorar, e você mamãe, chora muito. Mas eu sei que você vai parar, porque borboletas não choram.
Eu te sigo onde você vai mamãe, eu vou voando aonde você vai, isso não é legal?
Mamãe, eu posso voar?
Eu perguntava muito isso para você, chegava a te incomodar.
Mas agora que eu voei, tenho que te perguntar outra coisa.
Mamãe, quer voar comigo?
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