Victor caminha em direção à porta, que não ficava muito longe da bancada em que estava sentado. Era um garoto pálido, de cabelos loiros de cor semelhante a da palha, os olhos azuis lhe faziam parecer um zumbi, por causa de sua expressão morta completamente contrária a sua personalidade. Ao se aproximar ele encontra o que tinha ido buscar, pega as diversas cartas que foram jogadas por debaixo da porta, provavelmente por um carteiro com medo de Sarah, a mestre do garoto.

—Cartas de novo?Seu ex-marido não podia pelo menos ligar? — ele fala em um tom de deboche. Hunter, o ex-marido de Sarah, a perturbava já fazia um bom tempo, desde o divórcio na verdade. Mandou diversas cartas procurando redenção e reconciliação, mas Sarah já estava cansada dele.

Ela apenas olha para o garoto e sorri, mexe com força o líquido viscoso dentro de um grande caldeirão, com uma gigantesca colher de ferro, já tinha pegado o costume. A poção começa a exalar cheiro de hortelã e Victor se aproxima.

—Isso tem um cheiro bom. É "pra que"? — ele pergunta enfiando o dedo dentro do caldeirão, mas é impedido por Sarah com um tapa.

—Não mecha nisso.É uma oferta de bênção que " Você " irá levar para o ancião na montanha.

—Uma oferenda?

—Quase isso. E você vai levar ainda hoje. Ouviu?

Victor faz uma careta de preguiça enquanto ela aponta para um pote no outro lado da sala e em segundos ele voa em direção à sua mão. O líquido flutua ao pote, estando completamente cheio ela passa o seu dedo indicador pela abertura do pote deixando a superfície brilhosa, uma tampa começa a surgir de suas extremidades o lacrando completamente.

—Tome. — Sarah o chama e ele se aproxima. Colocando o pote em uma das mãos do garoto ela põe a sua por cima e sorri. — Nem acredito que amanhã a está hora você estará perto de se tornar um homem. — ela continua- esta poção lhe irá permitir ser abençoado pelo ancião aumentando suas chances de passar no teste final... E também lhe permitir ser um feiticeiro branco. Proteja o como sua própria vida. — o garoto balança a cabeça a cada frase dita pela mulher. Ela se despede e vai em direção ao próprio quarto, que ficava no fim do corredor, iria descansar para o próximo dia onde precisaria estar cem por cento disposta para a graduação de seu pupilo, pois tinha certeza de que ele conseguiria vencer o desafio que lhe seria imposto.

Victor inclina a cabeça no corredor,procurando por sinais de sua mestra,mas agora ele sabia que ela só acordaria no próximo dia.Em frente a parede dos utensílios de cozinha ela estende sua mão por ela ,desenhando um quadrado no ar.Uma parte da parede exatamente na forma de seu desenho cai ,ele segura a pedra com dificuldade mas logo a coloca em cima de uma mesa próxima a ele.Recuperando o fôlego ,puxa a caixa de madeira que estava dentro do seu esconderijo,abre sua tampa revelando uma adaga decorada com a palavra Om escrita na superfície.Victor admira seu reflexo platinado na lâmina bem polida enquanto deixa escapar um sorriso de seu rosto.Ele não tinha os mesmos planos que sua mestra,ele se tornaria um feiticeiro antes do tempo estipulado.