Malfoy no País das Maravilhas

3 Nada é o que parece em Wonderland


— Como todos vocês sabem, uma peça requer bastante tempo para ser feita, então eu os estou liberando das aulas durante um mês – Dumbledore disse chamando de volta a atenção dos alunos para ele. – Ao final deste mês, vocês irão apresentar esta peça aos seus pais e alguns bruxos do Ministério da Magia. Não será permitido utilizar magia para fazer os cenários e nem o figurino, apenas quando a cena exigir. Vocês poderão pedir ajuda aos professores em qualquer coisa e um deles também terá um papel na peça.

Ao ouvir a última parte os alunos começaram a trocar risos devido às caretas que alguns professores faziam. Snape parecia que tinha engolido um limão e a professora McGonagall comprimia os lábios em desgosto. Era óbvio que eles não queriam de forma alguma participar diretamente da peça.

— Agora, nós iremos escolher o papel de cada um. Para ser mais justo faremos um sorteio e não será possível trocar de papel uma vez que seu nome sair. O sexo do personagem não será levado em conta, então uma mulher poderá ter um personagem masculino e vice-versa – o diretor riu discretamente.

Alunos e professores arregalaram os olhos ao se imaginarem trajando roupas do sexo oposto.

— Fiz uma lista com os nomes dos personagens por ordem de aparição – ele retirou um pergaminho de dentro da túnica e com um aceno da varinha o pergaminho aumentou de tamanho para que todos pudessem ler o que estava escrito nele. Dumbledore agitou a varinha mais uma vez e materializou um cálice em cima de um pedestal. – Neste cálice eu coloquei o nome de todos os alunos e professores, quando seus nomes forem sorteados, levantem-se e venham até aqui à frente. Muito bem, vamos começar. Toda peça precisa de um narrador para explicar os fatos, e nesta aqui não é diferente, vejamos quem irá narrar as aventuras da pequena Alice.

A um aceno de varinha um papel saiu voando do cálice e parou nas mãos do diretor que leu em voz alta:

— Susana Bones da Casa Lufa-Lufa.

— Sortuda – Gracie resmungou ao ver a amiga se levantar.

A garota respirou aliviada por não ter pego um papel masculino e se encaminhou para frente da mesa dos professores.

— O próximo papel é da irmã mais velha de Alice – outro papel voou e foi aparado por Dumbledore que sorriu ao ver o nome. – Cedrico Diggory da Casa Lufa-Lufa.

O salão inteiro começou a rir do garoto que estava com vontade de sumir naquela hora.

— Me digam que eu não ouvi isso – ele pediu desesperado agarrando as mãos de Gail com força. – Eu não quero usar saias.

A garota precisou se segurar muito para não rir e tentou tranquilizar o amigo.

— Não se preocupe tanto Ced, a irmã da Alice só aparece no começo e final da história.

— É, ela não é um personagem importante – Gracie também tentava não rir da situação do amigo. – Vai lá, anda – Mas, assim que o menino se levantou e seguiu para junto de Susana, a garota não aguentou e caiu na gargalhada. – Hahahahaha, Merlin, essa peça vai ser impagável, essa ideia tinha que sair da cabeça maluca do Dumbledore. Cedrico vai ficar lindo de vestido.

— Tadinho dele, Gracie, está apavorado – Gail tentou ficar séria, mas acabou rindo com a amiga. – Pelo menos ele vai ter pouco tempo de peça.

— Você acha que todos terão seus papeis trocados? – Gracie conseguiu perguntar depois de parar de rir.

— Pelo pouco que sei do Dumbledore ele deve ter feito algo para que a maioria dos papeis saiam trocados só para se divertir – Gail riu ao olhar para o diretor. – Ele não tem mesmo um parafuso naquela cabeça grisalha.

— A próxima personagem é a protagonista, nossa curiosa e divertida Alice, vamos ver quem será o sortudo ou a sortuda que irá interpretá-la – todos os garotos começaram a rezar para que seus nomes não fossem chamados. – Draco Malfoy da Casa Sonserina.

— O QUÊ? – um grito foi ouvido em um canto do salão e todas as cabeças se vivaram para ver Draco se levantar de seu lugar com o rosto completamente vermelho de raiva e vergonha. – Você perdeu completamente a noção seu velho caduco? Eu sou um Malfoy, não vou fazer papel de garota em uma peça estúpida. O que meus pais diriam se me vissem usando um vestido?

Ignorando o fato de ter sido ofendido, Dumbledore apenas sorriu cordialmente para Draco e falou calmamente:

— Eu sei que seus pais não farão objeção à sua participação na peça senhor Malfoy e acredito que nem o senhor também, pois o aluno que se recusar a participar será convidado a se retirar do corpo dicente de Hogwarts.

Dito de forma tão casual nem parecia ser grande coisa, mas o que estava sendo dito era o seguinte: quem não participar será expulso, simples assim.

— Então senhor Malfoy, ainda pretende fazer alguma objeção? – Dumbledore perguntou do mesmo modo que questionaria se Draco iria querer açúcar no chá.

Diante da perspectiva de ser expulso o sonserino não teve outra alternativa a não ser concordar de forma carrancuda. Ele se encaminhou para junto dos outros alunos e ficou olhando para os lados verificando se alguém teria a audácia de rir da sua situação, porém os alunos das outras casas riam abertamente não se importando nem um pouco e mesmo seus colegas de classe viravam o rosto para o lado tentando não cair na gargalhada.

— Bom, se já esclaremos este ponto, voltaremos ao sorteio. A personagem seguinte é a gatinha de estimação de Alice chamada Dinah, senhorita Granger, teria a bondade de nos emprestar seu gato para fazer esse papel?

— Ahh, é claro diretor – Hermione respondeu achando melhor não questionar o por quê de Bichento ser escolhido e não Madame Norra, já que esta é uma fêmea.

— Ótimo, ótimo. Em seguida nós temos o Coelho Branco, sempre atrasado e alvo da curiosidade de Alice. – outro papel saiu voando – Harry Potter da Casa Grifinória.

O garoto com o rosto corado olhou para Anne e Rose que estavam perto dele:

— Por favor me digam que vocês não escreveram nada de estranho para o Coelho Branco – ele suplicava com os olhos.

— Hãã... eu não me lembro muito bem Harry, mas acho que não mudamos muita coisa nele – Anne falou sem muita certeza olhando para Rose em busca de confirmação, porém a garota só encolheu os ombros como que pedindo desculpas.

Essa não era bem a resposta que o grifinório esperava ouvir, entretanto foi se juntar aos colegas. Harry não sabia o que era pior, ter que usar uma fantasia de coelho ou ter que aturar as piadinhas que fariam quando vissem Draco vestido de garota o perseguindo pra cima e pra baixo. O garoto pensou bem e deciciu que ambos seriam extremamente vergonhosos.

— O primeiro habitante do País das Maravilhas a conhecer nossa Alice é o Almirante Dodô – Dumbledore pescou outro papel do cálice. – Ora vejam só, parece que nossas autoras não vão apenas dirigir a peça: Alice White da Casa Corvinal.

— Era bom demais pra ser verdade – a garota resmungou e levantou de seu lugar, porém ela não estava chateada e até achava justo que ela e as amigas também participassem da peça, sendo que era culpa delas fazerem essa versão da história.

As outras garotas pensassem da mesma forma e apenas esperavam o momento que seus nomes seriam sorteados.

— Os gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum tentam, através de uma história, enviar uma mensagem importante para Alice. – uma pausa – E quem melhor para interpretar esses personagens do que gêmeos de verdade? Fred e Jorge Weasley da Casa Grifinória.

— Não vamos ter que usar saias não é mesmo? – Fred perguntou com um quê de incerteza na voz.

— Não – Rose respondeu e em seguida sorriu olhando para Jorge. – Mas vão ficar bem fofinhos.

— E o que você quer dizer com isso? – Jorge indagou rindo nervosamente.

— Não vou estragar a surpresa, agora vão indo – ela apontou para onde os alunos sorteados estavam.

— Como vocês podem ver na lista, os próximos alunos sorteados farão parte do Jardim das Flores e tenho que dizer que vocês tiveram sorte, porque na história original vocês realmente interpretariam flores, mas nessa, as coisas são um pouco diferentes – Dumbledore riu diante das expressões de seus alunos, principalmente dos meninos que faziam caretas. – Vamos ver quem fará parte do grupo – dessa vez vários papeizinhos saíram voando – Vincent Crabbe, Gregório Goyle e Blásio Zabini da Casa Sonserina, Justino Finch-Fletchley da Casa Corvinal, Olívio Wood e Neville Longbottom da Casa Grifinória e Ernesto MacMillan da Casa Lufa-Lufa.

Como já se esperava, todos os alunos sorteados eram garotos. Os outros riam discretamente e especulavam que tipo de papel eles iriam fazer depois de terem se livrado das flores, todos, menos é claro, as 5 meninas que pensavam o quão essa peça seria trabalhosa.

— Cada participante do Jardim das Flores tem um personagem próprio assim como suas vestimentas, então quando forem ensaiar, as autoras farão outro sorteio para definir o papel de todos. Vamos continuar. A personagem seguinte é a Lagarta, muito despreocupada, ela dá uma valiosa dica para que Alice possa se livrar de maus bocados: Pansy Parkinson da Casa Sonserina.

A garota ao ouvir qual seria seu papel começou a reclamar sonoramente.

— Eu sou bonita demais pra ser uma lagarta nojenta, por que não outra pessoa? Isso é um ultraje – e continuou a reclamar até chegar junto dos outros alunos.

— Ela não vai passar muito mais tempo reclamando depois de ver o que vai ter que vestir – Rose comentou enfadonha com Anne.

— Vai ficar se achando a Rainha da Cocada Preta, insuportável – a garota concordou veementemente, rolando os olhos.

— O Gato Risonho que conhece todos os segredos do País das Maravilhas e que ajuda a nossa Alice a escolher que caminho tomar – ele viu o nome no papel e sorriu – Que alegria, outra autora irá se juntar à peça: Gail Baker da Casa Lufa-Lufa.

— Olha só Gail, não é que combinou com você? – Gracie rindo cutucava a amiga que não podia fazer outra coisa senão rir junto, pois ela pensava da mesma forma. – Cedrico vai adorar ver você de gatinha – a garota riu ainda mais ao ver Gail corar feito um pimentão.

— Espere só até chegar sua vez Gracie – Gail ameaçou e a amiga fingiu estar morrendo de medo.

— Seguindo o caminho indicado pelo Gato Risonho, Alice encontra a casa da Lebre de Março. Ora, parece que todas as autoras irão participar: Anne Scorpion da Casa Grifinória.

A garota arregalou os olhos.

— Rose, pelo amor de Merlin, me diga que eu não ouvi que terei que fazer a Lebre de Março – e se virou desesperada na direção da amiga.

— Sinto muito Anne, mas foi isso mesmo que você ouviu.

— Por que de todos os papeis eu tinha que ser justamente a Lebre de Março? Por quê? — a menina segurou a cabeça com as mãos e a apoiou na mesa.

— Senhorita Scorpion – a voz de Dumbledore foi ouvida – estamos esperando. Faça o favor de vir até a frente.

Anne levantou e foi se arrastando até à frente do salão. Quando ela ficou ao lado de Gail os alunos puderam vê-la tentando animar a amiga.

Os grifinórios começaram a bombardear Rose sobre a reação da colega e esta, mesmo sabendo que a maioria não entenderia, explicou:

— Pra nós cinco, a Lebre de Março seria fêmea, então pra deixar as coisas mais engraçadas, nós a trocamos por uma Coelhinha da Playboy— e assim como a garota previu, a maioria não entendeu – apenas Simas e Dino que estavam mais perto ruborizaram ao ouvir Rose.

— Vamos continuar. Tomando chá em uma animada festa, junto da Lebre de Março, está o Chapeleiro Louco: Luna Lovegood da Casa Corvinal.

Luna foi andando alegremente se juntar aos colegas. Para ela, qualquer pessoa que fosse descrita como louca, seria interessante o suficiente para ter sua atenção.

— Além da Lebre de Março e do Chapeleiro Louco, o Ratinho também está aproveitando a festa do chá: Ronald Weasley da Casa Grifinória.

Ao levantar da mesa os colegas puderam ouvir Rony resmungar:

— Se eu ainda tivesse o Perebas mandaria ele no meu lugar.

— Assim como o Jardim das Flores, os alunos sorteados a seguir farão parte de um grupo: as Cartas de Baralho, que são os fieis guardas da Rainha do País das Maravilhas. Depois vocês serão sorteados mais uma vez para saber quais cartas farão. – mais de dez papeizinhos deixaram o cálice. – Padma Patil, Cho Chang e Marieta Edgecombe da Casa Corvinal, Ana Abbott da Casa Lufa-Lufa, Emília Bulstrode da Casa Sonserina, Hermione Granger, Rose Green, Ginevra Weasley, Parvati Patil, Alícia Spinnet, Angelina Johnson e Cátia Bell da Casa Grifinória.

Antes mesmo de as meninas começarem a perguntar, Rose afirmou que elas não precisavam se preocupar, pois não iriam fazer muita coisa e as roupas não seriam um problema.

— Agora vamos ver quem terá a honra de ser a Rainha de Copas, que comanda todo o País das Maravilhas, com seu temperamento intempestuoso e impaciente. – Dumbledore olhou bem o nome escrito no papel e os alunos puderam ver quando ele respirou fundo três vezes para não gargalhar e tentar se acalmar. – Parece que finalmente chegou a vez de um dos nossos professores participar – e estes subitamente olharam para o diretor, todos implorando a Merlin para que não fossem escolhidos – Severo Snape Diretor da Casa Sonserina.

Todo o salão caiu no mais completo silêncio de que se já teve notícia. O próprio Snape parecia ter perdido a capacidade de falar e olhava de forma aterrorizada para o diretor mexendo os lábios sem conseguir emitir qualquer tipo de som. Os alunos também olhavam para Dumbledore, realmente imaginando se ele obrigaria o professor mais ranzinza do mundo a usar um vestido. E este se mantinha tranquilo apenas esperando com um sorriso nos lábios que Snape fosse para junto dos alunos. Snape num átimo pareceu se lembrar destes e começou a fuzilar todos como se os desafiasse a sequer olhá-lo no que eles começaram a desviar a vista para qualquer lugar que não fosse o professor.

E, com toda a dignidade que possuía, Snape foi se juntar aos alunos parecendo pronto para lançar uma Imperdoável a qualquer momento.

— Bem – Dumbledore logo voltou a falar para cortar o clima instalado no salão – o pequeno e ingênuo Rei de Copas que vive sempre à sombra de sua rainha, é o próximo personagem. Por fim nossa última autora: Gracie Moore da Casa Lufa-Lufa.

— Ah! Que ótimo, Snape vai arrancar meu couro por ser minha submissa esposa – a garota ia fazendo conjecturas enquanto ia de encontro aos colegas – se bem que de submissa a Rainha de Copas não tem nada. – quando chegou ao lado do professor sentiu este olhando fixamente para ela com uma cara de puro desgosto no que a garota fingiu nem perceber.

— Por último temos o Júri que irá decidir se nossa Alice é culpada de envergonhar em público a Rainha de Copas – e pela última vez os papéis saíram voando do cálice — Antônio Goldstein e Miguel Corner da Casa Corvinal, Colin Creevey, Córmago McLaggen, Demelza Robins, Dennis Creevey, Dino Thomas, Simas Finnigan, Natália McDonald, Lilá Brown, Lino Jordan e Romilda Vane da Casa Grifinória. — enquanto os alunos chamados se dirigiam à frente do salão, os outros respiravam aliviados por terem se livrado de participar diretamente da peça. – Finalmente temos todos os personagem para a nossa peça. – Dumbledore batia palmas feliz. – Aqueles que não tiveram seus nomes chamados, irão ajudar nos cenários, figurino e efeitos especiais da peça. E isso também inclui os professores, cada diretor de casa ficará responsável por um dos 3 setores da peça, menos, é claro, o Professor Snape, então os alunos da Sonserina irão se dividir entre as outras casas. Espero sinceramente que depois dessa experiência os senhores possam conviver de forma mais pacífica – e aqui ele olhou de forma penetrante para todos no salão e já não parecia mais com um velhinho bondoso. Ele piscou e sua expressão se suavizou. – Irei devolver o livro para as autoras, para que assim possam montar a peça – ele entregou o livro para Gail, que era quem estava mais próxima. – E agora vocês já podem começar a se organizar – e dito isto agitou as mãos como se enxotasse professores e alunos.