Malfoy no País das Maravilhas
1 Hogwarts em pé de guerra
— Pelas barbas de Merlin! – o grito que Madame Pomfrey deu ao ver a quantidade de alunos machucados entrando na Ala Hospitalar pôde ser ouvido por todo o andar.
Dizer apenas que eles estavam machucados era uma forma de minimizar os estragos. Cobertos de fuligem e poeira, com as vestes manchadas e os cabelos desarrumados, os alunos formavam um grupo compacto de feridos como se tivessem acabado de lutar contra um trasgo montanhês. De uns tempos pra cá se tornou muito comum ver vários alunos dando entrada no hospital do castelo além das causas normais; o motivo disso? A rivalidade que sempre existiu entre as casas Grifinória e Sonserina. Mas, agora não eram apenas essas duas casas, como se já não fosse o suficiente, os alunos da Lufa-Lufa e Corvinal se juntaram aos da Grifinória na causa. Não era de hoje que os sonserinos vinham acabando com a paciência de seus colegas ofendendo suas famílias e sabotando os times de quadribol. O auge de tudo isto fora uma discussão quando os grifinórios e sonserinos estavam saindo de uma aula conjunta de Poções e esbarraram no corredor com os corvinais e lufa-lufas que se dirigiam para Trato das Criaturas Mágicas. Como era de se esperar os sonserinos começaram a falar mal dos grifinórios e os alunos das outras casas por serem muito amigos tomaram as dores dos colegas. E o que se deu a seguir foi o pior duelo entre casas que Hogwarts já havia presenciado. Estudantes lançando feitiços para todos os lados, explodindo estátuas e pedestais, outros esqueceram as varinhas e saíram no tapa mesmo. Logo o professor Snape que estava mais próximo ouviu a balburdia e se encaminhou para averiguar o que estava acontecendo, não sem antes de comunicar o professor Dumbledore que necessitava urgente da sua presença. No final todas as casas perderam pontos consideráveis e os alunos machucados foram para a enfermaria.— Explodiu alguma guerra dentro deste castelo? O que deu na cabeça de vocês para estarem brigando desse jeito? – a medi bruxa continuava falando de maneira enérgica ao levar os alunos feridos para as macas.— Esse é o problema, Madame Pomfrey – disse Gail, censurando Cedrico, que andava mancando, com o olhar. – Eles não têm nada na cabeça, por isso continuam com essas idiotices, não é mesmo, dona Anne? – e aqui ela se virou para a amiga que vinha mais atrás no grupo, que segurava o braço direito fazendo uma careta e era amparada por Gina.— Ah! Gail, não enche, vai cuidar do seu namorado! – a garota resmungou fazendo Gail e Cedrico corarem fortemente. — Nós não somos namorados – os dois falaram ao mesmo tempo olhando para direções opostas.— Humrum, e a gente finge que acredita, Gail. – Alice rolou os olhos ajudando Fred a sentar num banquinho, já que todas as macas já se encontravam ocupadas.— Obrigado, Ally. – ele tentou sorrir, mas só conseguiu fazer uma careta ao apoiar o pé machucado no chão. Ela por sua vez riu e olhou ao redor vendo a confusão que se instalara ali.— Olha eu tenho que dizer, pra uma baixinha até que você briga muito. – Olívio balançou a cabeça ao fitar os arranhões que enfeitavam os braços e rosto de Gracie.— Por acaso isso foi um elogio? – ela arqueou as sobrancelhas em dúvida.— Foi, mas não fique se achando por isso. – ele tocou o nariz de Gracie com a ponta do dedo.— Tarde demais, Olívio. A Gracie já nasceu com o ego completamente inflado. – Rose riu ao ver a amiga dando língua para ela. – Onde estão os outros? – ela perguntou sentindo falta dos amigos.— Harry e Neville estão cumprindo detenção com o Snape, Rony e Hermione e os monitores das outras casas estão no gabinete do Dumbledore e os que não se machucaram, foram ajudar o Filch a limpar a bagunça nos corredores. – Jorge enumerava com os dedos de uma mão enquanto com a outra segurava um pano úmido tentando estancar o sangue do corte em sua testa.— Se depois disso a Sonserina perder mais pontos é melhor irem se preparando. – Zabini ameaçava do outro lado da ala com Madame Pomfrey aplicando um unguento em suas feridas. – Vocês irão chorar pela mamãezinha, bando de sangues-ruins.— Quem você está chamando de sangue-ruim, seu imbecil? – Anne se levantou com tudo ao ouvir o xingamento. A dor no braço quebrado já não era mais sentida por ela naquele momento, o que importava agora era calar a boca do idiota que estava insultando suas amigas. Mesmo que ela fosse nascida trouxa, Anne não se importava quando se referiam a ela de forma pejorativa; o mesmo já não se podia falar quando o alvo dos comentários maldosos eram suas amigas.— Calma, Anne. – Cedrico tentava segurar a garota, embora a vontade dele fosse voar no pescoço de Zabini.— E o que você acha que pode fazer, além de ficar latindo? – Emília Bulstrode, outra sonserina, debochou.— Aqui a única cadela é você, cara de buldogue. – Gracie se postou ao lado de Anne e já levantava a varinha se preparando para outra briga quando Madame Pomfrey interviu.— Ninguém mais vai brigar aqui. – apesar de ser uma senhora de aparência calma, neste momento a medi bruxa seria capaz de intimidar até Snape com o olhar severo que dirigia para os alunos. – Este é um lugar para tratar dos feridos. Estão achando pouco o estado em que se encontram? Se eu ver alguém levantando a varinha ou mesmo o braço todos irão ganhar uma semana de detenção limpando todos os livros da biblioteca sem magia. Será que eu fui bem clara?
A julgar pelos olhos arregalados dos alunos, ela tinha sido muito clara.— Os alunos que vieram acompanhar os feridos já podem se retirar, tem gente demais aqui dentro.— Mas... – Rose ainda tentou contornar a medi bruxa, mas foi cortada.— Não tem mas, nem meio mas. Todos pra fora, já! – e saiu enxotando os alunos.— Depois a gente se fala. – Fred acenou com a cabeça.— Avisem ao Harry e aos outros que estamos bem. – Gracie fez joinha.— Voltamos mais tarde pra ver vocês. – Gail falou sorrindo para Cedrico que sorriu de volta.— E ainda têm a cara de pau de dizer que não são namorados. – Jorge disse só para deixar os dois encabulados.— Não se preocupe Gail, vamos cuidar do seu amorzinho. – Anne gargalhou ao ver a amiga mais vermelha que um tomate sendo empurrada porta afora sem ter chance de revidar a provocação. Dentro da Ala Hospitalar— Por que vocês continuam com isso? – Cedrico fitava os amigos de sua maca.— Pra ver se assim você toma coragem e se declara de uma vez pra ela. – Fred falou recebendo acenos de cabeça de concordância dos amigos.Fora da Ala Hospitalar— E quem foi que disse que ele gosta de mim? – Gail cruzou os braços.— E por acaso alguém precisa dizer? É só olhar pra vocês dois juntos. – Olívio respondeu por todos.— Tá, eu admito, eu gosto dele. – Gail corou quando os amigos começaram um coral de Aleluia!— Mas isso não quer dizer que ele sente o mesmo.Dentro da Ala Hospitalar— Cedrico, você sempre foi bastante esperto, não dê uma de tapado logo agora! – Anne rolava os olhos de impaciência.— Por favor, não venha com aquela velha história de que ela só te vê como um irmão. – Gracie bateu com a mão na testa. — Até porque irmãos não têm sonhos eróticos envolvendo o outro. – Jorge completou.— É O QUE? – Cedrico gritou atraindo a atenção de Madame Pomfrey que veio correndo.— Algum problema Senhor Diggory? O machucado está doendo muito?— N-não, eu estou bem, posso esperar a senhora acabar o curativo dos outros. – ele disfarçou. Ela ainda o olhou desconfiada antes de falar:— Certo, logo eu cuidarei de vocês. – e voltou ao aluno que estava medicando.— O que você quis dizer com isso? – Cedrico voltou-se para Jorge.Fora da Ala Hospitalar— Isso mesmo que você ouviu. – Gina levantou o dedo indicador pedindo que Gail não gritasse de novo.— Nós estávamos conversando no jardim, você acabou pegando no sono e ouvimos quando você falou o nome do Cedrico. – Rose ria da cara de desespero da amiga.— Falou não é bem a palavra certa, não é mesmo? – Ally se segurava para não gargalhar.Dentro da Ala Hospitalar— Têm certeza? Não é outra das piadinhas sem graça de vocês, é? – Cedrico encarava os gêmeos com os olhos estreitos.— Com licença, mas minhas piadas não são sem graça – Jorge parecia ofendido mortalmente. – Rose acha minhas piadas hilárias.— Aposto que só ela mesmo – Gracie falou rindo. – Ela deve fazer isso só pra você não se sentir mal.— Ou talvez tenha outro motivo – Anne sorriu de forma sugestiva.— Oh! Que lindo, meu maninho arrasando o coração de nossa amiguinha – Fred assanhava o cabelo do irmão enquanto falava de forma pomposa. – Meu irmãozinho está crescendo – e enxugou uma lágrima imaginária do canto dos olhos. Jorge se desvencilhou do irmão um pouco vermelho.— Como se você pudesse falar muita coisa não é? Pensa que eu não vi você todo derretido só porque a Ally te ajudou a andar até aqui? Agora era o outro gêmeo que corava com o comentário.— Hey, parem de mudar de assunto e respondam minha pergunta – Cedrico chamou a atenção deles. – É verdade que a Gail sonhou comigo?Fora da Ala Hospitalar— Não se preocupe Gail, ele não sabe nada disso – Olívio tentava acalmar a garota.— Se eu fosse você não teria tanta certeza – Gina falou em dúvida. – Quando fomos contar para a Anne e a Gracie, Fred e Jorge estavam por perto e acabaram escutando tudo. Talvez já tenham contado pro Cedrico. Gail petrificou ao ouvir aquilo. Maravilha. Tudo o que ela precisava agora era que Cedrico a achasse uma tarada. — Ah! Não fique assim, Gail – Rose tentou animá-la. – Fred e Jorge são linguarudos, mas não acho que comentariam uma coisa dessas.Dentro da Ala Hospitalar— Sim, é verdade – Jorge confirmou e sorriu ao ver o menino feliz, porém um pouco encabulado.— Ele não fica fofo quando está envergonhado? – Gracie disse e apertou as bochechas do garoto que corou ainda mais.— É melhor não deixar o Olívio ouvir você falando isso Gracie – Cedrico revidou deixando a garota sem graça.— Não sei do que está falando.— Não sabe, ou não quer admitir? – Fred alfinetou rindo.Fora da Ala Hospitalar— Se você pensa isso daqueles dois então você não os conhece mesmo.— Você não está ajudando, Olívio – Ally falou e passou o braço pelo ombro de Gail. – Essas coisas são normais, Gail, acontece com todo mundo.— Até com você? – Rose perguntou decidindo que Gail já tinha sido torturada o suficiente e mudando o alvo das brincadeiras.— É claro que não – Ally parecia convicta ao responder, mas o rubor em suas bochechas a entregou.— Hahaha, olha só, a CDF do grupo se revelando, hein?! – agora era Gail que se divertia às custas do embaraço da amiga. – Quem é o sortudo, ou eu deveria dizer o pobre coitado que vai ter que te aturar?— Não tem ninguém, parem de chatear – Ally tentava fugir da pergunta olhando para todos os lados menos para os amigos.— Acho que eu tenho uma ideia de quem seja – Gina falou lentamente e olhou para Olívio rindo.— Talvez seja ele mesmo – ele concordou percebendo de quem a menina falava.— Vocês dois estão se comunicando por telepatia agora, é? Harry e Gracie não vão gostar nem um pouco disso – Ally falou revertendo a situação. Gina e Olívio coraram.— Vamos ver se Rony e os outros já saíram do gabinete do Dumbledore – Olívio desconversou e apressou o passo enquanto as meninas trocavam risinhos.Dentro da Ala Hospitalar— Parece que todos já têm seus pares – Anne sorriu contente olhando para seus amigos. — Mas ainda está faltando a senhorita – Jorge cruzou os braços. – Vamos Anne, deve ter alguém que você goste.— Claro que tem, eu gosto de todos vocês – a garota respondeu de forma evasiva.— Não pense que me engana com essa cara de santinha, Anne Scorpion – Gracie se inclinou chegando perto da amiga e fez uma carinha de pidona. – Por favor, diz pra gente o nome dele.— Já falei que não tem ninguém – a bruxa tentava contornar a situação.— Espere só até eu descobrir quem é – Cedrico ameaçou com um sorriso malicioso. – Vou tirar o seu sossego do mesmo jeito que você fez comigo.— Se eu fosse vocês me preocuparia com o que vai acontecer conosco depois que sairmos daqui, em vez da minha vida amorosa – ela tentou mudar o foco da conversa.— Como assim? – Fred perguntou sem entender.— Por acaso se lembram da expressão do Dumbledore quando viu o que tínhamos feito? Não sei vocês, mas eu nunca o tinha visto tão decepcionado.— Que tipo de castigo acham que irão nos passar? – Gracie mordia o polegar começando a se preocupar.— Não faço ideia, mas boa coisa não deve ser – Jorge pensava com a testa franzida. – Acho que já tivemos todo o tipo de detenção que pode existir.— Vocês não acham que podem expulsar a gente, acham? – Cedrico ficou branco ao pensar na possibilidade. – Meu pai me mataria.— Não se o Snape nos matar antes – Anne falou convicta e se recostou na cabeceira da maca. – De qualquer forma só nos resta esperar pela decisão do Dumbledore. Os outros concordaram e ficaram em silêncio quando Madame Pomfrey finalmente foi até onde estavam para tratar de seus machucados.
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