Malfoy no País das Maravilhas
5 Nem tudo o que reluz é louro...
Assim que Gracie, Rose e Ally voltaram todo o material foi dividido entre os grupos e os textos distribuídos. Uma delas pediu para que o Professor Dumbledore chamasse o Professor Snape para tirarem suas medidas e para entregar o texto, já que nenhuma delas tinha coragem suficiente para isso depois de ele dizer claramente que não queria ser importunado.
O diretor apenas riu e se foi assoviando alegremente indo buscar o morcegão das masmorras como se estivesse indo à um passeio no parque. As garotas apenas se entreolharam e constataram rindo que Dumbledore realmente não batia bem da cachola. Anne e Gail entregaram para seus grupos imagens do figurino e dos cenários para que eles pudessem ter uma ideia de como tudo ficaria. Alguns alunos quando viram o que teriam que vestir respiraram aliviados, já outros não gostaram nem um pouco e nem é preciso dizer que os que deram mais trabalho foram os sonserinos com Malfoy e Parkinson encabeçando a lista.— Isso é nojento – dizia Parkinson com uma careta.— Você irá fazer o papel da Lagarta, o que esperava? Uma fantasia de Miss Universo? – Anne questionou enfadonha. Parkinson cruzou os braços e ficou calada sem demonstrar que não havia entendido o que a outra dissera. Anne suspirou cansada e disse:— Olha só, essa não vai ser a única fantasia que você terá que usar.— Como assim?— Durante a história a Lagarta vai se transformar em uma borboleta – Anne mostrou a imagem para Parkinson. – Então, ainda vai ficar reclamando por que terá que vestir isso? A outra deu uma olhada na imagem e disse um pouco vermelha:— Isso não está curto demais não? Anne se espantou com aquilo. Nunca imaginou que Parkinson poderia ser tímida de alguma maneira a julgar pelo modo como se portava sempre que estava perto de Draco, insinuando que eles faziam isso e aquilo. Ao que parecia tudo não passava de fingimento. Porém, Anne ainda não havia se convencido e resolveu tirar a prova:— Você tem algum problem em vestir roupas curtas?— Não – a outra respondeu rápido demais apenas fazendo Anne ficar mais desconfiada. – Quer dizer, eu não tenho muito costume de usar esse tipo de roupa – Parkinson falava tentando demonstrar que aquilo não significava nada demais pra ela, entretanto vendo que não estava sendo convincente resolveu abrir o jogo. – Eu… achei um pouco exagerado, pronto, feliz agora? Anne realmente não esperava por isso, não vindo da garota mais patricinha e arrogante da Sonserina, então só o que conseguiu fazer foi começar a rir.— Qual é a graça? – Parkinson perguntou pronta para começar a insultar Anne. Esta levantou as mãos em sinal de paz e respondeu:— Calma, calma, eu não estou rindo de você, apenas fiquei um pouco surpresa com o que disse. A sonserina ainda a olhava de forma desconfiada, então Anne acrescentou:— Olha só, se serve de consolo a sua fantasia está ótima se comparada com a que eu vou ter que vestir – seus ombros caíram de maneira desanimada. A garota olhou para os lados verificando se ninguém estava prestando atenção à conversa, pegou uma folha do monte ao seu lado e estendeu para a sonserina. – Isso é o que eu terei que vestir. Os olhos de Parkinson se arregalaram com a imagem e olhou de forma, pasmem agora, até que um tanto solidária para a outra. Anne achou que estava vendo coisas, porém Parkinson disse:— Caramba, você vai ter mesmo que usar isso? Você é uma das autoras da história, não dá pra modificar a roupa ou algo assim? Anne ficou boquiaberta pela garota estar sugerindo algo que a beneficiaria.— Ahn… infelizmente não, se eu mexesse no figurino só iria piorar, a Lebre de Março da história que criamos é uma coelhinha da Playboy, e é esse tipo de roupa, ou falta de roupa, que elas usam. Anne percebeu que a garota estava se esforçando para não ser totalmente franca, naturalmente ela tinha uma reputação a zelar, mas pelo visto Parkinson resolveu deixar isso um pouco de lado.— Bem, boa sorte com essa roupa na frente de toda a escola, você vai precisar – e Anne viu um pequeno esboço de sorriso nos lábios da garota antes de ela ir ao encontro de seus colegas.“Ok, isso foi muito estranho” Anne pensava vendo Parkinson se distanciar. **** Rose, que foi ajudar Anne com o figurino também estava tendo problemas parecidos com Draco.— Você não vai me obrigar a usar uma peruca nem por decreto do ministro! – o garoto gesticulava freneticamente para o desenho em suas mãos.— Não vai ser preciso que você use uma peruca Malfoy – Rose olhava impaciente para o sonserino. – Apenas vamos fazer o seu cabelo crescer com um feitiço.— O quê?! De jeito nenhum, isso é ainda pior!— E por que não? Seu pai não tem o cabelo comprido?— Isso porque ele gosta de parecer com um aristocrata. Além do mais o cabelo dele não passa dos ombros, com isto aqui eu vou parecer uma menina.— Não sei se você percebeu, mas você vai fazer o papel de uma menina, então é exatamente por isso que faremos seu cabelo crescer. Draco cruzou os braços decidido a não ceder.— Você escutou o que o Dumbledore disse, se não participar será expulso. Pare de criar caso e comece a cooperar de uma vez, vai deixar nosso trabalho bem mais fácil.
— E o que você terá que vestir? Você é uma das autoras, não é? Aposto que todas vocês não terão que usar coisas tão ridículas – ele falou de forma rancorosa.— Então você perdeu essa aposta – Rose falou e mostrou ao garoto o desenho de sua fantasia ao que Draco começou a rir escandalosamente.— Por Merlin! O que é isso? Algum tipo de galinha super crescida? – o garoto precisou se apoiar na mesa para evitar cair de tanto que ria. Rose percebeu que este ataque chamou a atenção de outros alunos inclusive de Anne que estava por perto. Esta olhou da amiga para Draco sem entender o motivo daquele alvoroço, porém quando percebeu que o sonserino tinha o desenho de uma das fantasias em sua mão, ficou subitamente envergonhada e olhou decidida para outro lado. Rose franziu as sobrancelhas ao ver a reação da amiga estranhando seu comportamento. Sacudiu a cabeça e resolveu deixar pra lá, então se voltou para o Malfoy gargalhante à sua frente.— O que você estava dizendo mesmo, Malfoy? Como pode ver a minha fantasia é pior que a sua. Na verdade as fantasias das minhas amigas não ficarão muito longe disso: a Gail será um gato, a Gracie terá que se vestir de homem e a Ally vai ser uma armadura ambulante; a única de nós que realmente tem motivos para se envergonhar por causa da fantasia é a Anne – e apontou para a amiga com a cabeça. Ao ouvir aquilo Draco parou de rir e olhou na direção que a grifinória indicou. Visualizou a garota ajudando os outros alunos e ficou alguns segundos a olhando. Ao perceber que estava fitando a garota demoradamente Draco pigarreou e se recompôs.— E o que de tão horrível ela vai ter que vestir? – perguntou o garoto tentando imaginar. Rose pensou um pouco se deveria ou não mostrar o desenho para o sonserino, por medo da reação da amiga, mas uma hora ou outra todos veriam a fantasia, então resolveu que não teria problema. Ela procurou nas pilhas de papéis, porém não encontrou e o pensamento mais óbvio para isso era que a própria Anne estava com o desenho justamente para que ninguém o visse. — O desenho não está aqui, está com a Anne – Rose informou.— Então vá pegá-lo com ela, oras.— Escute, na hora do ensaio todos estarão fantasiados, aí você verá qual é a fantasia dela, por hora é suficiente você saber que ela vai ficar com muita vergonha de usar aquilo.— Não mesmo. Se eu não souber o que é, nem pensar que deixarei vocês usarem um feitiço pra fazer meu cabelo crescer. É isso ou nada feito, a escolha é sua. Draco estava fazendo birra de propósito, mas a verdade era que ele estava morrendo de curiosidade para saber o que Anne iria vestir. Não fazia muito tempo que o sonserino estava reparando mais do que deveria na garota. É claro que ele nunca admitiria isso, até porque ele era um Malfoy e Anne uma nascida-trouxa, porém cada vez mais ele sentia vontade de estar perto dela. Ele não sabia como e quando isto havia começado, mas o fato era que a garota exercia um tipo de atração sobre ele e resistir a isso estava se tornando uma tarefa difícil para Draco. Então ultimamente ele estava fazendo o possível para estar perto da garota. Dando um suspiro Ally foi até onde a amiga estava.— Anne, você está com o desenho da Lebre de Março?— Estou, por quê? – ela perguntou desconfiada olhando para Draco à distância que as observava atentamente.— É que o Malfoy está fazendo birra, dizendo que não vai deixar nós alongarmos o cabelo dele se não ver o que nós 5 teremos que vestir, então pode me emprestar o desenho por um momento?— Mas nem que a vaca manca tussa! – a garota ruborizou intensamente ao imaginar a reação de Draco vendo-a naqueles trajes. – Por que demônios ele quer ver isso? – a garota perguntava indignada.— Ele quer ter certeza que nossas fantasias são tão ridículas quanto a que ele vai ter que usar – Rose tentava fazer a amiga ceder. – De um jeito ou de outro todos vão ver no final. Vamos lá Anne, é só o Malfoy, não tem porque ter vergonha dele.— Justamente por ser ele – Anne falou baixinho mais pra si mesmo do que para a amiga, entretanto Rose ouviu.— Como assim? – ela se virou e viu que Malfoy parecia com vontade de se juntar à elas. Em seguida fitou a amiga que estava cada vez mais vermelha e olhava para qualquer lugar menos para onde o sonserino estava e uma ideia foi se formando em sua cabeça.— Anne, não me diga que… que você está saindo com o Malfoy? – Rose perguntou sussurrando de forma incrédula.— O quê? – a grifinória quase gritou chamando mais a atenção de Draco.— O que está acontecendo aí? – o sonserino perguntou e fez menção de ir até às garotas, porém Anne interviu.— Fique onde está! Não precisa vir aqui! – ela apontou para o garoto ao falar e parecia decididamente amedrontada. Draco estancou no mesmo lugar, porém não devido à ordem de Anne e sim pelo tom de voz da garota. Ela parecia estar com medo dele e isso o fez sentir uma fisgada no peito. Ele vivia por aí atormentando os outros alunos quando bem entendia e não fazia questão de se desculpar por alguma brincadeira de mal gosto e por ter insultado alguém, porém ele nunca o tinha feito com Anne. Ela sempre havia sido educada com ele, apesar de seus colegas da Sonserina infernizarem diariamente a vida dela e de seus amigos. Desde modo, a garota não tinha razões para agir daquela forma com ele e isso o deixou chateado e um pouco ressentido. Não querendo que Anne visse o quanto ele tinha sido afetado por suas palavras, Draco deu as costas para ela. Rose não acreditando no que seus olhos estavam vendo levou a amiga para um canto do salão, para ter mais privacidade e começou a bombardear a pobre garota de perguntas.— OK, me diga o que diabos está acontecendo aqui. Por que você não quer que o Malfoy veja o desenho? Por que ficou com medo quando ele estava vindo até nós? Por que ele te olhou daquele jeito quando você gritou com ele? Por que…— Rose para de fazer tanta pergunta! – a garota interrompeu a amiga exasperada. – Não tem nada acontecendo. Eu não estou saindo com o Malfoy, pare de alucinar.— Então me explique todas essas reações exageradas da sua parte e também da dele – Rose não dava o braço a torcer, pois sabia que tinha algo rolando que a amiga não queria contar.— Olha, eu não posso falar por ele, porque realmente não sei o que ele tem, mas da minha parte eu… eu só… é que... – Anne não conseguia parar de gaguejar e voltou a corar. A garota pensou por um tempo e resolveu abrir o jogo depois de Rose ter visto tudo aquilo, até porque parecia que ela não iria deixar esse assunto de lado. Suspirando, Anne voltou a falar – Antes, você vai me prometer que não vai contar pra ninguém, principalmente pros meninos, entendeu? Rose não gostou nem um pouco daquilo, mas concordou mesmo assim, pois parecia o único jeito de Anne falar.— Tá, eu prometo, agora desembucha de uma vez. Anne suspirou e soltou:— Eu estou gostando do Malfoy.
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